terça-feira, março 25, 2003

Midi@lerta
24/03/2003

Manchetes dos jornais de hoje em Porto Alegre


Jornal do Comércio ? Resistência do Iraque atrasa avanço dos EUA
Correio do Povo ? Iraquianos resistem no Sul
Zero Hora ? Iraque dá primeiros sinais de resistência
Diário Gaúcho ? Greve tira médicos dos postos
O Sul ? Brasil oferece acolhida a Saddam Hussein como contribuição para acabar com o conflito.

MTV Brasil condena a guerra

Para não ser confundida com sua homônima dos Estados Unidos, que se recusa como toda a mídia do império a veicular manifestações pela paz, a MTV Brasil está fazendo uma campanha inequívoca contra a guerra de Bush. É um bom exemplo para o mundo. Combater a ignorância e rejeitar a barbárie beneficia todos os seres.


Pesquisas da guerra

As pesquisas norte-americanas, como a CNN/USA Today/Gallup e a New York Times/CBS News de sexta-feira (21) demonstram que a RBS não é o único grande grupo de mídia no mundo que, a pretexto de informar, alimenta com sua própria ração manipulada de dados a opinião pública para depois formatá-la de acordo com seus interesses e convicções.
Pela NYT/CBS soubemos que 62% de 463 adultos questionados por telefone na noite de quinta-feira aprovaram o ataque ao Iraque, enquanto 35% disseram que as Nações Unidas e os inspetores de armas deveriam ter mais tempo...
A CNN/USA Today/Gallup sondou as emoções das pessoas ao saberem que os EUA iam para a guerra. Estas pessoas mostraram-se 83% confiantes, 65% orgulhosas, 63% tristes, 56% preocupadas e 34% com medo...
À parte o fato de que toda a população dos EUA é mal informada pelo governo e pela mídia, não consta, por exemplo, que essas trampas de opinião tenham considerado o ponto de vista de um único cidadão norte-americano preso por manifestar-se contra o massacre de Bush. Apenas na cidade de San Francisco, na Califórnia, foram registradas mais de 1.300 prisões de cidadãos inconformados com o crime que vai sendo praticado em seu nome. Nada deve ser mais temido por Washington e seus meios de comunicação do que o dia em que o americano médio se der conta de que a guerra é mais do que um videogame e que o ditador Saddam Hussein nada tem a ver com o atentado às torres gêmeas de Manhattan.

Viés econômico

A primeira nota de Denise Nunes hoje (Panorama Econômico, CP, p.11) dá um choque de realidade nos leitores da desinformação geral de guerra. ?Acompanhar a guerra pelo noticiário de economia é um exercício de cinismo. A brutalidade das imagens dos bombardeios e suas vítimas dá lugar à aridez das análises sobre o preço do petróleo, a queda no consumo devido ao tempo perdido diante da televisão e sobre o potencial de lucro das empresas que particparem da reconstrução do Iraque. Questões humanitárias e mesmo políticas passam ao largo das análises. (...)?. Tem razão.
A propósito, em opinião editorial no New York Times, James Grant diz hoje que a verdade sobre os três anos de declínio no preço das ações da bolsa é que elas se enraízam na prosperidade, não na guerra. ?Cerca de um quarto da capacidade produtiva (das corporações americanas) está ocioso. A guerra não é responsável por esta seqüência de eventos iniciada antes de 11 de setembro (de 2001). Mas o custo da guerra pode dar dores de cabeça que até agora os americanos tiveram o privilégio de poder evitar.?


BBC recebe a ira de Bush

A matéria da página 11 do jornal O Sul mostra o problema enfrentado pela emissora de televisão britânica BBC. Tudo porque a TV inglesa retransmitiu para centena de milhares de pessoas as imagens de 1,37 minuto, geradas pela CBS americana, do presidente Bush sendo penteado. Teria sido um incidente técnico, justificou o chefe da CBS em Washington, Janet Leissner. No entanto, a ira da Casa Branca caiu sobre a emissora inglesa, que apresentou um pedido formal de desculpas, mas que não foram aceitas de uma forma muito amável pelos assessores da presidência. Conforme autoridades americanas, não é a primeira vez que acontece um episódio como este. A solução encontrada pela equipe bushista é de que, a partir de agora, sempre que houver transmissão de imagens do presidente quem irá operar as máquinas serão os técnicos do governo dos Estados Unidos. Então tá!

Globo X Band

A massacre do Iraque é pano de fundo para muitos outros entreveros. A disputa entre a TV Globo e a TV Bandeirantes na cobertura da guerra, por exemplo, dá a impressão de que a Globo filtra tanto suas imagens e informações que deixa a concorrência dar show. A Band, com imagens das redes CNN, Al-jezira e da televisão européia vai ganhando confiança que poderá ser convertida em pontos de audiência, embora seja hora de todo telespectador duvidar de tudo.


Albrecht lança Bush para Nobel da Paz

Você não leu errado: o colunista Fernando Albrecht, do Jornal do Comércio, na nota "A Paz de Bush", na edição de quinta-feira (20) faz um elaborado raciocínio, cheio de hipóteses e suposições, para concluir que "nos próximos anos George W. Bush será candidato forte ao Prêmio Nobel da Paz".
Para chegar a essa estupefaciente conclusão, com a qual nem o assessor de imprensa de Bush filho teria ousado sonhar, o colunista do JC traça um quadro em que a invasão do Iraque "se dá sem grandes danos colaterais", o regime de Saddam e suas tropas são "rapidamente aniquiladas e a população aceita", os americanos "patrocinam um regime democrático no Iraque", findam com "o embargo econômico, entram com dinheiro para reconstruir o país"...
Lá no finzinho, Albrecht reconhece: "Tem muito ´se`, é verdade".
A verdade é que o titular da coluna - ao lançar essa nota cor-de-rosa em relação a um homem que, com postura imperial e belicista, desobedece a determinação da ONU, invade um país árabe, numa região explosiva, sem qualquer motivo realmente convincente e sólido é que merece um prêmio. De Originalidade.


ZH esvazia reunião

A reunião entre o secretário do Desenvolvimento Econômico e social, Tarso Genro com prefeitos da região Metropolitana e do Vale do Sinos para viabilizar alternativas de desenvolvimento econômico regional e estimular o comércio exterior foi mostrada na edição desta segunda-feira (24) na página 16 do Jornal do Comércio. A matéria ?Tarso e prefeitos discutem desenvolvimento regional? explica bem o que foi tratado. Uma foto do secretário Tarso Genro e os prefeitos presentes (seis no total) mostra o clima positivo da reunião.
Na coluna Página 10 (p. 22), o mesmo assunto foi dado em uma nota: ?Pacto com os (seis) prefeitos?. O texto, algumas vezes em tom de escárnio, diz qual o objetivo da reunião, onde foi realizada e o número de presentes. Tarso Genro é tratado como ministro-chefe. O ângulo da foto utilizada para ilustrar a nota confere uma noção de esvaziamento da reunião.


Veja, a sangue seco

Está no Observatório da Imprensa um artigo de Gilson Caroni Filho (?O sangue seco de Veja?, http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/gue190320032.htm), tratando a matéria de capa da edição 1.794 (19/3/03, "O erro de Bush - Tratar essa guerra como uma cruzada do bem contra o mal") da triste revista. O autor quer saber se ?uma publicação que negligencia a apuração factual para reiterar uma petição de alinhamento incondicional deve ser tratada como produto jornalístico?. Trecho: ?Ao repercutir, como algumas publicações americanas, o arrazoado protofascista de Washington, Veja vive o delírio de fazer parte de uma força-tarefa imaginária. Andando na contramão da maioria da mídia brasileira, a revista-outdoor tenta mostrar serviço ao improvável assinante que mora no oeste do Texas e, ansiosamente, aguarda suas opiniões sobre o mundo.?
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segunda-feira, março 24, 2003

Robert Fisk é, realmente, impagável.
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Sérgio Cardoso Morales

Este veterano repórter inglês, especialista em Oriente Médio, esteve em Sabra e Chatila no dia em que Sharon e os israelenses permitiram que seus cúmplices drusos massacrassem mulheres e crianças palestinas.

Graças a ele, sabemos dos crimes de guerra dos americanos, na primeira guerra do golfo, quando enterraram vivos os soldados iraquianos nas trincheiras com seus tratores blindados, depois que estes haviam se rendido. Ou os que foram incinerados enquanto fugiam pela "estrada da morte", de retorno ao Iraque. A CNN não nos informou disto.

Robert Fisk é repórter "free-lance". Não tem quem o possa censurar. Podemos ler seus artigos no jornal inglês "Independent". Mas também em outros lugares como, por exemplo, o sítio Rebelión www.rebelion.org.

Ele não é um jornalista "embedded", aqueles que tiveram treinamento militar do Pentágono, acompanham as tropas "aliadas" e se submetem à censura do estado-maior do exército ianque, como todos os da CNN.

Apesar da ameaça velada do general Tommy Franks de que não poderia garantir a integridade física dos jornalistas independentes, Fisk arrisca o pescoço para nos dar alguma luz, neste conflito, que não venha pelo canal de Washington (ou Atlanta).

Segue abaixo sua denúncia do Ministério da Propaganda do fuehrer Bush. No link encontra-se o original em inglês.

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As mentiras anglo-americanas.
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Título original: Expostas as mentiras anglo-americanas
Robert Fisk
The Independent
http://www.arabnews.com/Article.asp?ID=24171
Bagdá, 24 de março de 2003
Tradução de Sérgio Cardoso Morales.

Até agora, as tropas anglo-americanas estão deixando a bola quicando para os iraquianos chutar em termos de propaganda. Primeiro, no sábado, fomos informados – cortesia da BBC – que Umm Qasr, o pequeno porto marítimo iraquiano no golfo, havia "caído". Por que cidades têm de "cair", na BBC, é um mistério para mim; a expressão vem da Idade Média, quando as muralhas das cidades, literalmente, ruíam sob cerco. Então, somos informados – de novo pela BBC – que Nassariyah fora capturada. Então, seu correspondente "embedded" nos informou – e, aqui, minha velha intuição jornalística entrou em alerta – que a cidade havia sido "assegurada".

Repórteres "embedded" são aqueles que acompanham as forças americanas ou britânicas – e que estão, agora, sujeitos à censura com que a BBC tem, de boa vontade, mal-informado seus ouvintes, não só na Grã-Bretanha, mas em todo o mundo.

Por que a BBC usaria a prostituída expressão militar "assegurada" é, igualmente, um mistério para mim. "Assegurada" pretende dar a idéia de "capturada", mas, quase invariavelmente, significa, no tipo de jargão que os jornalistas "embedded" agora usam, que a cidade foi contornada ou quase cercada, ou, no máximo, que o exército invasor tão somente penetrou em seus arredores. E, de fato, 24 horas depois, a cidade xiita, a oeste da confluência dos rios Tigre e Eufrates, se mostrou não muito assegurada, de fato, não invadida de nenhuma forma – porque, pelo menos, 500 soldados iraquianos, apoiados por tanques, estavam ainda lutando.

Uma certa hora, no sábado, a BBC nos apresentou um repórter "embedded" "em Basra". Esta informação se desvaneceu quando o correspondente admitiu que não estava "exatamente em Basra"; logo depois, o apresentador da BBC, em Londres, teve de concluir a reportagem dizendo que o dito correspondente estava "no sul do Iraque". De fato.

Mas não são as bobagens que estes jornalistas estão produzindo aos borbotões que nos interessam. É o ouro que eles estão entregando para os iraquianos. Com que prazer o vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, nos informou a todos, ontem, que "eles alegaram ter capturado Umm Qasr, mas, agora, vocês sabem que é mentira." Com que alegria o ministro iraquiano de informações, Mohamed Said Al-Sahhaf, anunciou, ontem, que Basra estava, ainda, "em mãos iraquianas", que "nossas forças", em Nassariyeh, estavam, ainda, lutando.

E podiam, com justiça, comemorar, pois, a despeito de toda a fanfarronice alardeada por americanos e britânicos no Catar, o que os iraquianos estavam dizendo era verdade. As costumeiras alegações iraquianas de que tinham derrubado aeronaves americanas e britânicas – quatro, supostamente "atingidas" nas cercanias de Bagdá, e uma outra, próximo a Mossul – tiveram credibilidade depois que os iraquianos foram capazes de demonstrar que o colapso de suas forças no sul era falso – muito diferente da filmagem de prisioneiros, obtida na noite passada. De fato, o governo iraquiano está, aos poucos, coordenando sua propaganda e foi capaz, ontem – cortesia de um verdadeiro veterano oficial do exército (general Hazim Al-Rawi) – de ler o que, se alegou, seriam os últimos três relatórios de suas unidades em Basra e nos pântanos mais ao norte da cidade. Informavam que 77 civis tinham sido "martirizados" pelas bombas de fragmentação americanas lançadas sobre Basra.

Não são somente as distorcidas reportagens americanas e britânicas que vêm do que uma vez já se chamou de "pool". É também o que sabemos que não é divulgado. Nós sabemos, por exemplo, que os americanos estão, novamente, usando munição com urânio empobrecido, no Iraque, exatamente como fizeram em 1991. Antes da guerra começar, eles afirmaram que tencionavam usar estes projéteis, que são fabricados com resíduos da indústria nuclear – para perfurar blindados – e que muitos acometidos pela Síndrome da Guerra do Golfo e médicos iraquianos acreditam ser responsáveis pela proliferação de casos de câncer. Ontem, a BBC nos informou que os fuzileiros navais americanos tinham chamado aviões bombardeiros A-10 para dar conta de "bolsões de resistência" – um pouco mais de jargão militar da BBC – mas omitiram a menção de que os A-10 usam munição com urânio empobrecido. Assim, pela primeira vez desde 1991, nós – ocidentais – estamos, hoje, espargindo estes aerossóis de urânio em explosões sobre os campos de batalha no sul do Iraque; e ninguém nos diz isso. Por que não?

E de onde, pelo amor de Deus, eles tiraram aquela miserável e completamente desonesta expressão "exércitos da coalizão"? Não há "exércitos da coalizão" nesta guerra contra o Iraque. Há os americanos e os britânicos e um punhado de australianos. Só isso.

A "coalizão" da Guerra do Golfo de 1991 não existe. A "coalizão" das nações que desejam "auxiliar" neste conflito ilegítimo inclui, forçando a imaginação, até mesmo a Costa Rica e a Micronésia e, eu desconfio, a pobre da neutra Irlanda, com sua permissão de escala para os aviões militares americanos na base aérea Shannon. Mas não são "exércitos da coalizão". Por que a BBC usa esta expressão? Eu pergunto de novo: por quê? Mesmo na Segunda Guerra Mundial, que muitos jornalistas pensam que estão, agora, narrando, não usamos esta mentira. Quando desembarcamos na costa da África do Norte, na Operação Tocha, nós o chamamos "desembarque anglo-americano".

E esta é uma guerra anglo-americana, quer nós – e eu incluo aqui os "embedded" – queiramos ou não. Os iraquianos são espertos o bastante para nos lembrarem disto. Primeiro, anunciaram que os soldados americanos ou britânicos capturados seriam tratados como mercenários, uma decisão que Saddam mesmo, sabiamente, corrigiu, ontem, quando afirmou que todos os prisioneiros seriam tratados "de acordo com a Convenção de Genebra".

No fim das contas, este não foi um grande fim-de-semana para os senhores Bush e Blair. Nem, é claro, para Saddam, embora ele tenha participado de guerras por, pelo menos, metade do tempo de vida de Blair. Um de nossos próprios aviões Tornado foi derrubado pelos americanos – depois que os britânicos perderam soldados em três acidentes de helicóptero – e nós nem conseguimos tomar completamente a primeira cidade além da fronteira do Kuwait. E até aqueles jornalistas que, com muita coragem, tentaram ver por si mesmos o que estava acontecendo sem a proteção de seus exércitos – uma equipe da ITV, por exemplo, próximo a Nassiriyeh – estão em perigo mortal.

Então, eis uma questão de alguém que acreditava, há apenas uma semana atrás, que Bagdá simplesmente ruiria, que nós acordaríamos, uma manhã, e encontraríamos a milícia do partido Baath e o exército iraquiano eliminada e os americanos passeando pela rua Saadun com seus rifles no ombro. Se os iraquianos podem resistir a tão avassalador poder, em Umm Qasr, durante quatro dias, se eles podem continuar lutando em Basra e Nassariyeh – esta última, uma cidade que, por pouco tempo, rebelou-se em uma bem-sucedida revolta contra Saddam em 1991 – por que o exército de Saddam não continuaria a lutar em Bagdá?

Certamente, a história do Iraque não estará completa sem uma nova narrativa de "martírio" na eterna luta do país contra invasores estrangeiros. Os últimos combatentes de Umm Qasr tornar-se-ão, nos anos que virão – qualquer que seja o destino de Saddam – personagens de canções e lendas. Os egípcios, há muito tempo, fizeram o mesmo com seus soldados mortos no Suez, em 1956.

É claro, isto pode ser uma avaliação errada. A resistência pode ser mais débil do que pensamos. Mas, de repente, neste fim-de-semana, uma guerra rápida e fácil, o conflito de "choque e temor" – a expressão do Pentágono é, ela mesma, um mote clássico das páginas da velha revista nazista "Signal" – não parece tão realista. As coisas estão indo mal. Não estamos dizendo a verdade. E os iraquianos estão aproveitando os furos.

Guerra









Caros

No início era uma proposta de guerra para desarmar o Iraque de seu
imenso e pavoroso arsenal de armas químicas e biológicas constituído por ser
algozes de hoje. Quando não encontraram as tais armas, tratava-se então de
salvar o povo iraquiano de tão terrível ditador levando "liberdade" para o
Iraque, não importava mais se o ditador estava ou não sendo desarmado
efetivamente pelos inspetores da ONU de um "aeromodelo" que espalhava
varíola ou de mísseis que ultrapassavam em trinta quilômetros de alcance o
limite instituído pela ONU. Depois, era necessário fazer a guerra pelo fato
do Iraque ter violado as resoluções da ONU. Fiquei pensando em quantas
guerras já foram feitas contra Israel pelo mesmo motivo. No entanto, as
verdadeiras razões nunca são efetivamente reveladas até que o movimento das
ratazanas denuncia suas reais intenções. Nunca acreditei nas análises
afetivas que rotulam Bush como "doido", "maluco" e outras coisas similares.
Ele nada mais é do que o porta voz do sistema industrial militar cujo
projeto é destruir qualquer amarra que impeça a reprodução do capital.
Trata-se assim de transformar em mercadoria tudo aquilo que não seja,
livrar-se das leis de proteção ambiental nos EUA e no mundo e, no caso dessa
guerra suja, transformar o Iraque em reserva particular de petróleo ao mesmo
tempo em que o pais passe a ser loteado entre as empresas americanas sob as
bençãos da USAID. Como diz um caipira amigo meu, "o resto é conversa pra boi
dormir".

Abraços

ERASMO

São Paulo, sábado, 22 de março de 2003, Folha de Sâo Paulo
Americanas devem gerir portos
ÉRICA FRAGA
DA REPORTAGEM LOCAL

Agora que a guerra é fato e a destruição do Iraque uma certeza, o projeto de
reconstrução do país virou prioridade do governo de George W. Bush. A Usaid
(agência dos Estados Unidos para o desenvolvimento internacional) assinou
ontem dois importantes contratos para a administração de aeroportos e portos
iraquianos.
Segundo Alfonso Aguilar, porta-voz da Usaid, as empresas vencedoras são
norte-americanas. Seus nomes deverão ser anunciados na próxima
segunda-feira.
A largada para a distribuição de contratos milionários já havia começado bem
antes do início da guerra. No dia 21 de fevereiro, a Usaid já havia
concedido um contrato para o International Resources Group no valor de US$
7,1 milhões. O grupo prestará consultoria a funcionários da agência que
forem no Iraque depois da guerra.
Segundo Aguilar, mais cinco contratos para atividades como recuperação de
infra-estrutura e administração de serviços de saúde e educação serão
fechados nas próximas semanas.
As licitações para a distribuição desses contratos começaram no fim de
fevereiro e ficaram restritas a empresas norte-americanas. Em entrevista à
Folha, Aguilar disse que essa exclusividade é explicada por motivos de
segurança:
"Esses contratos só podem ser dados a empresas que receberem aprovação do
governo norte-americano para lidar com informação confidencial. É mais fácil
que empresas dos Estados Unidos consigam essa aprovação".
Segundo Aguilar, empresas estrangeiras poderão ser, posteriormente,
subcontratadas pelas empresas norte-americanas.
Na semana passada, o governo norte-americano também havia anunciado a
contratação da Kellogg Brown & Root, do setor de infra-estrutura e energia,
para supervisionar atividades de combate a incêndios em campos de petróleo.
A empresa é subsidiária da Halliburton Co., que foi presidida pelo
vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, até 2000.
O valor do contrato com a Halliburton não foi divulgado, mas a perspectiva
de que a empresa ganhe com a guerra já se reflete nos preços das suas ações:
no ano, acumulam valorização de 10,6% contra uma alta de apenas 1,83% para a
S&P, Bolsa que reúne as 500 maiores empresas dos EUA.
Além da Kellogg Brown & Root, estariam em negociação com a Usaid: Bechtel,
Fluor, Luis Berger Group e Parsons. As ações da norte-americana Fluor, que
são negociadas em Frankurt, acumulam alta de 25,9% no ano, contra 6,14% da
Bolsa alemã.
Segundo a imprensa americana, o governo poderá usar receita da indústria
petrolífera iraquiana para financiar a reconstrução.
"Curiosidades" da guerra.
=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=
Eduardo Galeano
Agência Envolverde

Quem elegeu Bush presidente do planeta? A mim ninguém chamou para votar nessas eleições. E a vocês? - A sociedade de consumo, embriagada de petróleo, tem medo da síndrome de abstinência.

Em meados do ano passado, enquanto esta guerra estava sendo incubada, George W. Bush declarou que "devemos estar prontos para atacar em qualquer obscuro rincão do mundo". O Iraque é, portanto, um obscuro rincão do mundo. Acreditará Bush que a civilização nasceu no Texas e que seus compatriotas inventaram a Escritura? Nunca ouviu falar da biblioteca de Nínive, nem da Torre de Babel, nem dos Jardins Suspensos da Babilônia? Não ouviu nem um só dos contos das Mil e Uma Noites de Bagdá?

Quem o elegeu presidente do planeta? A mim, ninguém chamou para votar nessas eleições. E a vocês? Elegeríamos um presidente surdo? Um homem incapaz de ouvir nada além dos ecos de sua voz? Surdo diante do troar incessante de milhões e milhões de vozes que nas ruas do mundo declaram a paz ao invés da guerra? Nem mesmo foi capaz de ouvir o carinhoso conselho de Günter Grass. O escritor alemão, compreendendo que Bush tinha necessidade de demonstrar algo muito importante ao seu pai, recomendou que consultasse um psicanalista em lugar de bombardear o Iraque.

Em 1898, o presidente estadunidense William McKinley declarou que Deus havia dado a ordem de ficar com as Filipinas, para civilizar e trazer para o cristianismo seus habitantes. McKinley disse que falou com Deus enquanto caminhava, à meia-noite, pelos corredores da Casa Branca. Mais de um século depois, o presidente Bush garante que Deus está do seu lado na conquista do Iraque. A que horas e em que lugar recebeu a palavra divina? E por que Deus teria dado ordens tão contraditórias a Bush e ao papa em Roma?

Declara-se a guerra em nome da comunidade internacional, que está farta de guerras. E, como de costume, declara-se a guerra em nome da paz. Não é pelo petróleo, dizem. Mas, se o Iraque produzisse rabanetes em lugar de petróleo, a quem ocorreria invadir esse país? Bush, Cheney e a doce Condoleezza realmente renunciaram aos seus altos empregos na indústria petrolífera? Por que essa mania de Tony Blair contra o ditador iraquiano? Não será porque há 30 anos Saddam nacionalizou a britânica Irak Petroleum Company? Quantos poços Aznar espera receber na próxima partilha?

A sociedade de consumo, embriagada de petróleo, tem medo da síndrome de abstinência. No Iraque, o elixir negro é menos caro e, talvez, em maior quantidade. Em uma manifestação pacifista, em Nova York, um cartaz perguntava: "Por que o nosso petróleo está debaixo das areias deles?".

Os Estados Unidos anunciaram uma longa ocupação militar, depois da vitória. Seus generais cuidarão de estabelecer a democracia no Iraque. Será uma democracia igual à que acertaram para o Haiti, a República Dominicana ou a Nicarágua? Ocuparam o Haiti durante 19 anos e fundaram um poder militar que desembocou na ditadura de Duvalier. Ocuparam a República Dominicana por nove anos e fundaram a ditadura de Trujilllo. Ocuparam a Nicarágua durante 21 anos e fundaram a ditadura da família Somoza.

A dinastia dos Somoza, que os fuzileiros navais colocaram no trono, durou meio século, até que, em 1979, foi varrida pela fúria popular. Então, o presidente Reagan montou a cavalo e se lançou a salvar seu país ameaçado pela revolução sandinista. A Nicarágua, pobre entre os pobres, tinha, no total, cinco elevadores e uma escada rolante, que não funcionava. Mas Reagan denunciava que a Nicarágua era um perigo; e, enquanto falava, a TV mostrava um mapa dos EUA pintado de vermelho desde o sul, para ilustrar a iminente invasão. O presidente Bush copia seus discursos que semeiam o pânico. Bush diz Iraque onde Reagan dizia Nicarágua?

Títulos dos jornais, nos dias prévios à guerra: "Os EUA estão prontos para resistir ao ataque". Recorde de vendas de fitas isolantes, máscaras antigás, pílulas anti-radiação... Por que o verdugo tem mais medo do que a vítima? Apenas por este clima de histeria coletiva? Ou treme porque pressente as consequências de seus atos? E se o petróleo iraquiano incendiar o mundo? Não será esta guerra a melhor vitamina que o terrorismo internacional está precisando?

Dizem-nos que Saddam alimenta os fanáticos da Al Qaeda. Um criador de corvos para que lhe arranquem os olhos? Os fundamentalistas islâmicos o odeiam. É satânico um país onde se assiste a filmes de Hollywood, colégios ensinam inglês, a maioria muçulmana não impede que os cristãos andem com a cruz no peito e não é muito raro ver mulheres muçulmanas vestindo calça comprida e blusas audaciosas.

Não houve nenhum iraquiano entre os terroristas que atacaram as torres de Nova York. Quase todos eram da Arábia Saudita, o melhor cliente dos EUA no mundo. Também Bin Laden é saudita, esse vilão que os satélites perseguem enquanto foge a cavalo pelo deserto e que diz presente cada vez que Bush precisa de seus serviços como ogro profissional.

Sabia que o presidente estadunidense Eisenhower disse, em 1953, que a "guerra preventiva" era uma invenção de Hitler? Ele disse: "Francamente, não levaria a sério alguém que viesse me propor semelhante coisa". Os EUA são o país que mais armas fabrica e vende no mundo. Também são o único país que lançou bombas atômicas contra população civil. E sempre está, por tradição, em guerra contra alguém. Quem ameaça a paz universal? O Iraque?

O Iraque não respeita as resoluções das Nações Unidas? Elas são respeitadas por Bush, que acaba de desferir a mais espetacular patada na legalidade internacional? São respeitadas por Israel, país especializado em ignorá-las? O Iraque desconheceu 17 resoluções das Nações Unidas. Israel, 64. Bombardearam Bush e seu mais fiel aliado?

O Iraque foi arrasado, em 1991, pela guerra de Bush pai e deixado esfomeado pelo posterior bloqueio. Quais armas de destruição em massa pode esconder esse país maciçamente destruído? Israel, que desde 1967 usurpa terras palestinas, conta com um arsenal de bombas atômicas que garante a impunidade. E o Paquistão, outro fiel aliado que também é um notório ninho de terroristas, exibe suas próprias ogivas nucleares. Mas o inimigo é o Iraque, porque "poderia ter" essas armas. Se as tivesse, como a Coréia do Norte proclama possuir, se animariam em atacá-la?

E as armas químicas ou biológicas? Quem vendeu a Saddam Hussein a matéria-prima para fabricar os gases venenosos que asfixiaram os curdos e os helicópteros para lançar esse gases? Por que Bush não mostra os recibos? Naqueles anos, guerra contra o Irã, guerra contra os curdos, era Saddam menos ditador do que é agora? Até Donald Rumsfeld o visitava em missão de amizade. Por que os curdos são comoventes agora, e antes não? E por que só são comoventes os curdos do Iraque, e não os curdos muito mais numerosos que a Turquia sacrificou?

Rumsfeld, atual secretário da Defesa, anuncia que seu país usará "gases não-letais" contra o Iraque. Serão gases tão pouco letais como esses que Putin usou, no ano passado, no teatro de Moscou e que mataram mais de cem reféns?

Durante muitos dias as Nações Unidas cobriram com uma cortina o quadro "Guernica", de Picasso, para que essa desagradável obra não perturbasse os toques de clarim de Colin Powell. De que tamanho será a cortina que esconderá a carnificina no Iraque, segundo a censura total que o Pentágono impôs aos correspondentes de guerra?

Para onde irão as almas das vítimas iraquianas? Segundo o reverendo Billy Graham, assessor religioso do presidente Bush e agrimensor celestial, o Paraíso é bem pequeno: mede nada mais que 1.500 milhas quadradas. Poucos serão os eleitos. Adivinhação: qual será o país que comprou quase todas as entradas?

E uma pergunta final, que peço emprestada a John Le Carré:
- Vão matar muita gente, papai?
- Ninguém que você conheça, querido, apenas estrangeiros.

Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio, é autor de "As Veias Abertas da América Latina".

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Nomes de respeito.
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Luís Fernando Verríssimo
O Globo

O documento de 12 mil páginas sobre suas armas que o Iraque forneceu às Nações Unidas no ano passado foi censurado antes de ser distribuído, a pedido dos Estados Unidos, segundo o jornal alemão "Tageszeitung" (saúde!), citado pelo jornalista Alexander Cockburn, que é provavelmente o último stalinista vivo mas um bom catador de hipocrisias.

Cortados do documento: os nomes de todas as empresas, americanas, britânicas e alemãs na sua maioria, que venderam tecnologia de guerra nuclear, química e biológica ao Iraque antes de 1991, encorajadas pelos respectivos governos, apesar das proibições em tratados da época.

Nomes de respeito como Honeywell, Rockwell, Hewlett Packard, DuPont, Eastman Kodak, Bechtel. Saddam Hussein foi apoiado e armado pelos americanos quando era a alternativa secular preferível à teocracia hostil do Irã e Donald Rumsfeld o admirava, embora ele não fosse melhor caráter do que é hoje.

As empresas que armaram ilegalmente o Iraque tiveram seus nomes apagados do registro. Grandes empresas costumam ter sucesso em manter seus nomes fora dos prontuários. Há bons exemplos disso aqui na república da impunidade e da corrupção sem corruptores. Tente encontrar uma relação dos empresários que financiaram a Operação Bandeirantes de caça clandestina aos subversivos em São Paulo, durante a ditadura militar, por exemplo. Sem intenção de mexer desnecessariamente no lodo do passado, apenas como curiosidade. Ou uma lista das grandes empresas que se submeteram ao achaque semi-oficializado do P. C. Farias, durante o governo Collor, e também continuaram com nomes respeitáveis.

O governo americano já está escolhendo as companhias que vão reconstruir o Iraque depois da esperada devastação na guerra que começa. A maioria das favoritas na licitação, para um trabalho que custará estimados 20 bilhões por ano por vários anos, é de amigas da Casa Branca, ou você esperava que escolhessem alguma francesa? Exemplo, conforme um artigo recente no "Salon": a Kellogg Brown & Root, que pertence à Halliburton, que já foi dirigida pelo vice-presidente Dick Cheney, e que já lucrou bastante com o terror, construindo o campo de internamento de prisioneiros em Guantânamo, entre outras coisas. E a ubíqua Bechtel, uma firma de engenharia com sede na Califórnia cuja influência na política e na história americanas, desproporcional ao seu cuidadoso perfil baixo, vem de longe, e já alimentou várias teses conspiratórias sobre poder secreto.

Esperando a vez de pegar, literalmente, as sobras depois que o complexo industrial-militar faturar o seu com a guerra, está o complexo reconstrutor-militar americano, que confia em bastante destruição para não lhe faltar trabalho e lucro.

Mas são todos nomes de respeito.

Midi@lerta
21/03/2003

Manchetes dos jornais de hoje em Porto Alegre

Jornal do Comércio ? MP do novo Refis vai incluir pessoas físicas


O Sul ? Governo americano ainda espera que Saddam Hussein deixe o Iraque.


Correio do Povo ? Ofensiva total contra o Iraque


Zero Hora ? Ataques por ar, terra e mar


Diário Gaúcho ? Inferno no Iraque

Bombas inteligentes, com o Q I de Bush

Poucos, no espaço que a mídia global vem dando a esta guerra, admiram a visão americana do mundo como o editor de Zero Hora que escreveu o comentário ?Cirurgia com martelo? (p. 5), hoje. Ele pinta os anglo-americanos como Bush gosta: pragmáticos, humanitários, honestos. Diz, por exemplo: ?Meia dúzia de bombas apagaria facilmente Bagdá, mas a decisão de preservar os serviços básicos foi um recado de que o bombardeio não visava, conforme prometera a Casa Branca, a atingir diretamente a população civil. Assim também a reconstrução do país sai mais barato.?

Notícias veiculadas ontem, que escaparam à censura dos serviços de informação dos EUA e a atenção de ZH, dão conta de que a primeira vítima da guerra bushista foi um civil. Era um taxista jordaniano, que parava para telefonar numa rua de Bagdá quando caiu a bomba.


Lamento de Lula

O pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o início da guerra, em cadeia nacional de TV, foi destaque em três jornais da capital.
O jornal Zero Hora no seu segundo editorial ?A globalização das perdas? faz uma avaliação positiva da mensagem presidencial, dizendo que o tom foi moderado mas firme ao deplorar o início da ação armada no Iraque. Também na página 16, onde são mostradas as opiniões sobre a guerra no Iraque dos principais líderes do mundo, a mensagem de Lula aparece com destaque em matéria cercada, inserida no centro da página, que tem como título ?Lula lamenta ataque sem autorização da ONU?. Uma foto grande destaca a figura do presidente.
Na página 15 do jornal O Sul, a matéria de meia página - ?presidente Lula lamenta a guerra e pede o fortalecimento da ONU? ? mostra todo o empenho feito pelo presidente para buscar uma solução negociada para a crise.
O Jornal do Comércio dá na página 21 a matéria ?Lula lamenta uso da força sem autorização da ONU?, mostrando a posição do governo brasileiro dada pelo presidente da República. No início do último parágrafo é mostrado o elogio que o governo iraquiano fez, ao solicitar que a ONU leve em consideração e adote a idéia do presidente Lula para que uma conferência mundial seja realizada para tentar solucionar a crise no Iraque de forma pacífica.
O Correio do Povo não fala sobre o pronunciamento de Lula. No entanto, na página 10, está a matéria ?Bagdá defende proposta de Lula?.


Poder abusivo

A ?Opinião ZH? (Zero Hora, ?Protesto abusivo?, p.3) exagera na crítica aos integrantes da Marcha de Camponeses por um Brasil Sem Fome, do MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores). Por terem caminhado ordeiramente pela BR-116 (em meia pista) e pelo centro de Porto Alegre são acusados de preferirem ?não levar em conta os interesses da sociedade?. É forte. Para Opinião ZH? os motivos da marcha não interessam? ?Os manifestantes impuseram sérios prejuízos à população, que enfrentou dificuldades de se deslocar para a escola, para o trabalho, ou mesmo para a busca de atendimento médico. O direito à livre manifestação pressupõe antes de mais nada também a preservação do respeito ao próximo.? É, mas ao não abordar o significado da marcha, que também repudiou a ditadura dos transgênicos, ZH abusa do poder de formar opiniões.


Compensação editorial

Zero Hora também se posicionou contra a guerra em louvável editorial (?Os mísseis da intolerância?, p.28): ?A guerra, além de ser retrocesso, é uma incubadora de incongruências?. (...). ?Os governantes dos EUA optaram pela Lei do Talião, rasgando de alguma maneira os diplomas internacionais que alguns de seus mais eméritos cidadãos haviam ajudado a redigir em favor da democracia e da justiça?. Essa manifestação não diminui o sentimento de impotência dos que pedem paz, mas deve servir para estabelecer claramente as responsabilidades pela catástrofe humanitária se desenrola sob comando de Washington.


Pergunta sem resposta

Seguindo a lógica de George Bush, de que o regime de Saddan Hussein é uma ditadura desumana e por essa razão é preciso invadir o Iraque para libertar o povo iraquiano, o Grande Império invadirá e bombardeará as diversas nações na Africa e Ásia que, há muitas décadas, mantêm ferrenhas e cruéis ditaduras? Vale ressaltar que muitos destes paises não têm um sub-solo privilegiado em riquezas minerais. E apenas para relembrar, Saddan Hussein e Osama Bin Laden são ambos criaturas da máquina diabólica do totalitarismo global dos EUA.


Leitor atento explica

?A expressão FAVELÃO DO PT (comentada esta semana em Midi@lerta) foi criada pelo (Alceu) Collares no segundo turno da eleição contra o Tarso (Genro)?. Fica o registro.


ZH distorce e denigre a imagem do PT

?PT faz mea-culpa por boicote a reformas no governo FH?. Este é o título principal da página 26 de Zero Hora. Para quem não se comove com um ?boicote? substantivo Zero Hora oferece o verbo ?boicotar?, em destaque, dizendo que o senador Mercadante (PT-SP) ?voltou a reconhecer ontem no plenário que seu partido errou ao boicotar as reformas propostas pelo governo anterior?. O detalhe é que, em nenhum momento, Mercadante ou as outras fontes da matéria falam em boicote ou usam o verbo boicotar. É o jornal que toma a declaração, muda o seu sentido, acrescenta-lhe conceitos inexistentes e coloca o conjunto depreciativo, de sua fabricação, no título e no olho da matéria. Assim não dá.


A morte lhe cai bem

O chargista Aroeira, na página 4 do jornal O Sul faz uma caricatura mais do que real do pronunciamento do presidente George W. Bush, mostrado na rede de televisão americana CNN na quinta-feira (20). Diga-se de passagem, o pronunciamento foi caricatural, com direito a laquê e retoque na melena, ao vivo.
Com um traço preciso e um humor negro cortante como fio de diamante, Aroeira mostra Bush vestido com a roupa da morte fazendo saudação. ?Alô amiguinhos!?


Guerra: Ranzonlin chama correspondente ?quase ao vivo?

Entusiasmado, ao que parece, com o fato da guerra ter finalmente começado no Iraque, o apresentador Armindo Antonio Ranzolin, saiu-se com essa, na manhã de ontem (20), na rádio Gaúcha, para valorizar a presença do correspondente da RBS na região: ?O repórter Osíris Marins, quase ao vivo, da Jordânia...?.
Isso mesmo: ?quase ao vivo?. Não se sabe se por Osíris não estar em Bagdá, e sim na Jordânia, Armindo se enrolou com as palavras: queria dizer que o repórter da Gaúcha estava ?quase? no palco da guerra. Ou então ? quem sabe? - ele tenha querido se referir ao risco, presente em qualquer guerra, de alguém ser ?quase morto?.
Confusão. O certo é que, se o repórter ficou na Jordânia, o apresentador estava para lá de Bagdá..


Soja para motores

O jornalista Danilo Ucha, em sua coluna Painel Econômico na página 14 do Jornal do Comércio mostra com exclusividade a proposta apresentada na Cãmara dos Deputados pelo Núcleo Agrário do PT. A safra de soja do Rio Grande do Sul, apontada como transgênica, poderá virar óleo combustível. Conforme a nota, os deputados Adão Pretto (RS), Luciano Zica (SP) e João Alfredo (CE) explicam que desta forma ?os produtores não terão prejuízo e nem o governo terá de pagar royalties à empresa que tem direitos sobre as sementes, o que aconteceria em caso de exportação?. Mas boa parte da mídia não se interessa em discutir propostas que contrariem a Monsanto. Quando não as ataca, cala o bico.
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Para

Lembrar fatos que estão enterrados no baú da história.




Uma aldeia vietnamita chamada My Lay,
março, 1968.

Em nome da democracia, o tenente Calley, de apenas 25 anos, comanda o
massacre de mais de 500 velhos, mulheres e crianças.
Mas antes ou depois de matar, os soldados norte-americanos têm muito gosto
em estuprar as crianças, principalmente os meninos.
Os bebês têm destino mais "humanitários":
são jogados vivos em valas e depois metralhados.
Deve ser porque a Bíblia fala sobre o "sangue dos inocentes", maldições,
infernos e outras crendices.


Bush Júnior pediu aos militares iraquianos que não resistam. Vai haver um
ataque, coisa de 4 mil bombas em 48 horas, uns 170 mil soldados de
infantaria matando no estilo hollyoodiano, invadindo casas, estuprando,
roubando, executando, enfim, fazendo o que os soldados fazem em uma batalha.

Mas nada mais eficaz numa guerra como um soldado com medo: ninguém mais
lembra de Mi Lay. Aquilo lá é que é serviço para militar: uma criança se
mexe por trás de uma cabana e começa o massacre, mais de 500 mortos: todos
crianças, velhos e mulheres. Não havia nenhuma arma de fogo na aldeia
vietnamita.

Num dia de março de 1968, a Companhia Charlie,comandanda pelo tenente
William Calley, chega de barco, em silêncio e, na primeira cabana da aldeia
de My Lay encontra um velho, uma mulher e três crianças, rapidamente
degolados, sem um ruído.

Igual ao que a gente vê no cinema.

Por isso, todos os filmes de guerra produzidos por Hollywood passam pelo
crivo técnico de "especialistas" do Pentágono. Os depoimentos de alguns
soldados saídos do transe não se podem reproduzir no cinema: bebês atirados
vivos em valas e alvejados sempre na cabeça.

E ainda deu tempo para muitos estupros de meninas e meninas, coisa de muito
gosto dos oficiais norte-americanos. Muito diferente dos SS nazistas que não
tocavam sexualmente nas suas vítimas judias, por nojo. E por não ter nojo de
suas vítimas, os mariners faziam questão de depois do estupro, retalhar os
braços e degolar suas vítimas.

No seu livro "A pele", Curzio Mallaparte, conta como os soldados
norte-americanos que "salvaram" a Itália preferiam para usos sexuais meninos
de menos de 10 anos. Talvez isso explique que hoje mais de 400 mil crianças
são vítimas todos os anos de abuso sexual, em sua maioria dentro de suas
casas. Os dados são do Departamento de Justiça

Calley e seus comandados chegaram a receber medalhas como heróis. Mas depois
apareceram as fotos e uma investigação forçada pela opinião pública. No
relatório, que hoje não é mais secreto, My Lay não aparece como um ato de
loucura de alguns soldados chapados de maconha: essas chacinas eram a regra
de comportamento de todo US Army. E só veio ao mundo porque lá estava o
repórter Seymor Hersh, hoje com 63 anos, trabalhando como colaborador da
revista New Yorker.

Calley, condenado a 10 anos, cumpriiu apenas 3 anos. Em prisão domiciliar.
Mal tinha tempo para ler tantas cartas e abrir os presentes que recebia dos
seus admiradores. Até hoje ele jura que tudo o que fez foi "normal". Anos
mais tarde, o pai de G.W. Bush, justificando o massacre sobre o Iraque,
também usava o argumento da "normalidade" e sob o brilho das bombas
transmitidas ao vivo pela CNN, ditava uma regra definitiva para a diplomacia
de todos os tempos: "Contra os Estados Unidos ninguém tem direito de
autodefesa".

É com base nesta orientação de cunho ético que os soldados norte-americanos
gostam de matar, estuprar, degolar e jogar napalm sobre crianças e velhos.

E.Scwinden