Midi@lerta
24/03/2003
Manchetes dos jornais de hoje em Porto Alegre
Jornal do Comércio ? Resistência do Iraque atrasa avanço dos EUA
Correio do Povo ? Iraquianos resistem no Sul
Zero Hora ? Iraque dá primeiros sinais de resistência
Diário Gaúcho ? Greve tira médicos dos postos
O Sul ? Brasil oferece acolhida a Saddam Hussein como contribuição para acabar com o conflito.
MTV Brasil condena a guerra
Para não ser confundida com sua homônima dos Estados Unidos, que se recusa como toda a mídia do império a veicular manifestações pela paz, a MTV Brasil está fazendo uma campanha inequívoca contra a guerra de Bush. É um bom exemplo para o mundo. Combater a ignorância e rejeitar a barbárie beneficia todos os seres.
Pesquisas da guerra
As pesquisas norte-americanas, como a CNN/USA Today/Gallup e a New York Times/CBS News de sexta-feira (21) demonstram que a RBS não é o único grande grupo de mídia no mundo que, a pretexto de informar, alimenta com sua própria ração manipulada de dados a opinião pública para depois formatá-la de acordo com seus interesses e convicções.
Pela NYT/CBS soubemos que 62% de 463 adultos questionados por telefone na noite de quinta-feira aprovaram o ataque ao Iraque, enquanto 35% disseram que as Nações Unidas e os inspetores de armas deveriam ter mais tempo...
A CNN/USA Today/Gallup sondou as emoções das pessoas ao saberem que os EUA iam para a guerra. Estas pessoas mostraram-se 83% confiantes, 65% orgulhosas, 63% tristes, 56% preocupadas e 34% com medo...
À parte o fato de que toda a população dos EUA é mal informada pelo governo e pela mídia, não consta, por exemplo, que essas trampas de opinião tenham considerado o ponto de vista de um único cidadão norte-americano preso por manifestar-se contra o massacre de Bush. Apenas na cidade de San Francisco, na Califórnia, foram registradas mais de 1.300 prisões de cidadãos inconformados com o crime que vai sendo praticado em seu nome. Nada deve ser mais temido por Washington e seus meios de comunicação do que o dia em que o americano médio se der conta de que a guerra é mais do que um videogame e que o ditador Saddam Hussein nada tem a ver com o atentado às torres gêmeas de Manhattan.
Viés econômico
A primeira nota de Denise Nunes hoje (Panorama Econômico, CP, p.11) dá um choque de realidade nos leitores da desinformação geral de guerra. ?Acompanhar a guerra pelo noticiário de economia é um exercício de cinismo. A brutalidade das imagens dos bombardeios e suas vítimas dá lugar à aridez das análises sobre o preço do petróleo, a queda no consumo devido ao tempo perdido diante da televisão e sobre o potencial de lucro das empresas que particparem da reconstrução do Iraque. Questões humanitárias e mesmo políticas passam ao largo das análises. (...)?. Tem razão.
A propósito, em opinião editorial no New York Times, James Grant diz hoje que a verdade sobre os três anos de declínio no preço das ações da bolsa é que elas se enraízam na prosperidade, não na guerra. ?Cerca de um quarto da capacidade produtiva (das corporações americanas) está ocioso. A guerra não é responsável por esta seqüência de eventos iniciada antes de 11 de setembro (de 2001). Mas o custo da guerra pode dar dores de cabeça que até agora os americanos tiveram o privilégio de poder evitar.?
BBC recebe a ira de Bush
A matéria da página 11 do jornal O Sul mostra o problema enfrentado pela emissora de televisão britânica BBC. Tudo porque a TV inglesa retransmitiu para centena de milhares de pessoas as imagens de 1,37 minuto, geradas pela CBS americana, do presidente Bush sendo penteado. Teria sido um incidente técnico, justificou o chefe da CBS em Washington, Janet Leissner. No entanto, a ira da Casa Branca caiu sobre a emissora inglesa, que apresentou um pedido formal de desculpas, mas que não foram aceitas de uma forma muito amável pelos assessores da presidência. Conforme autoridades americanas, não é a primeira vez que acontece um episódio como este. A solução encontrada pela equipe bushista é de que, a partir de agora, sempre que houver transmissão de imagens do presidente quem irá operar as máquinas serão os técnicos do governo dos Estados Unidos. Então tá!
Globo X Band
A massacre do Iraque é pano de fundo para muitos outros entreveros. A disputa entre a TV Globo e a TV Bandeirantes na cobertura da guerra, por exemplo, dá a impressão de que a Globo filtra tanto suas imagens e informações que deixa a concorrência dar show. A Band, com imagens das redes CNN, Al-jezira e da televisão européia vai ganhando confiança que poderá ser convertida em pontos de audiência, embora seja hora de todo telespectador duvidar de tudo.
Albrecht lança Bush para Nobel da Paz
Você não leu errado: o colunista Fernando Albrecht, do Jornal do Comércio, na nota "A Paz de Bush", na edição de quinta-feira (20) faz um elaborado raciocínio, cheio de hipóteses e suposições, para concluir que "nos próximos anos George W. Bush será candidato forte ao Prêmio Nobel da Paz".
Para chegar a essa estupefaciente conclusão, com a qual nem o assessor de imprensa de Bush filho teria ousado sonhar, o colunista do JC traça um quadro em que a invasão do Iraque "se dá sem grandes danos colaterais", o regime de Saddam e suas tropas são "rapidamente aniquiladas e a população aceita", os americanos "patrocinam um regime democrático no Iraque", findam com "o embargo econômico, entram com dinheiro para reconstruir o país"...
Lá no finzinho, Albrecht reconhece: "Tem muito ´se`, é verdade".
A verdade é que o titular da coluna - ao lançar essa nota cor-de-rosa em relação a um homem que, com postura imperial e belicista, desobedece a determinação da ONU, invade um país árabe, numa região explosiva, sem qualquer motivo realmente convincente e sólido é que merece um prêmio. De Originalidade.
ZH esvazia reunião
A reunião entre o secretário do Desenvolvimento Econômico e social, Tarso Genro com prefeitos da região Metropolitana e do Vale do Sinos para viabilizar alternativas de desenvolvimento econômico regional e estimular o comércio exterior foi mostrada na edição desta segunda-feira (24) na página 16 do Jornal do Comércio. A matéria ?Tarso e prefeitos discutem desenvolvimento regional? explica bem o que foi tratado. Uma foto do secretário Tarso Genro e os prefeitos presentes (seis no total) mostra o clima positivo da reunião.
Na coluna Página 10 (p. 22), o mesmo assunto foi dado em uma nota: ?Pacto com os (seis) prefeitos?. O texto, algumas vezes em tom de escárnio, diz qual o objetivo da reunião, onde foi realizada e o número de presentes. Tarso Genro é tratado como ministro-chefe. O ângulo da foto utilizada para ilustrar a nota confere uma noção de esvaziamento da reunião.
Veja, a sangue seco
Está no Observatório da Imprensa um artigo de Gilson Caroni Filho (?O sangue seco de Veja?, http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/gue190320032.htm), tratando a matéria de capa da edição 1.794 (19/3/03, "O erro de Bush - Tratar essa guerra como uma cruzada do bem contra o mal") da triste revista. O autor quer saber se ?uma publicação que negligencia a apuração factual para reiterar uma petição de alinhamento incondicional deve ser tratada como produto jornalístico?. Trecho: ?Ao repercutir, como algumas publicações americanas, o arrazoado protofascista de Washington, Veja vive o delírio de fazer parte de uma força-tarefa imaginária. Andando na contramão da maioria da mídia brasileira, a revista-outdoor tenta mostrar serviço ao improvável assinante que mora no oeste do Texas e, ansiosamente, aguarda suas opiniões sobre o mundo.?
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24/03/2003
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Zero Hora ? Iraque dá primeiros sinais de resistência
Diário Gaúcho ? Greve tira médicos dos postos
O Sul ? Brasil oferece acolhida a Saddam Hussein como contribuição para acabar com o conflito.
MTV Brasil condena a guerra
Para não ser confundida com sua homônima dos Estados Unidos, que se recusa como toda a mídia do império a veicular manifestações pela paz, a MTV Brasil está fazendo uma campanha inequívoca contra a guerra de Bush. É um bom exemplo para o mundo. Combater a ignorância e rejeitar a barbárie beneficia todos os seres.
Pesquisas da guerra
As pesquisas norte-americanas, como a CNN/USA Today/Gallup e a New York Times/CBS News de sexta-feira (21) demonstram que a RBS não é o único grande grupo de mídia no mundo que, a pretexto de informar, alimenta com sua própria ração manipulada de dados a opinião pública para depois formatá-la de acordo com seus interesses e convicções.
Pela NYT/CBS soubemos que 62% de 463 adultos questionados por telefone na noite de quinta-feira aprovaram o ataque ao Iraque, enquanto 35% disseram que as Nações Unidas e os inspetores de armas deveriam ter mais tempo...
A CNN/USA Today/Gallup sondou as emoções das pessoas ao saberem que os EUA iam para a guerra. Estas pessoas mostraram-se 83% confiantes, 65% orgulhosas, 63% tristes, 56% preocupadas e 34% com medo...
À parte o fato de que toda a população dos EUA é mal informada pelo governo e pela mídia, não consta, por exemplo, que essas trampas de opinião tenham considerado o ponto de vista de um único cidadão norte-americano preso por manifestar-se contra o massacre de Bush. Apenas na cidade de San Francisco, na Califórnia, foram registradas mais de 1.300 prisões de cidadãos inconformados com o crime que vai sendo praticado em seu nome. Nada deve ser mais temido por Washington e seus meios de comunicação do que o dia em que o americano médio se der conta de que a guerra é mais do que um videogame e que o ditador Saddam Hussein nada tem a ver com o atentado às torres gêmeas de Manhattan.
Viés econômico
A primeira nota de Denise Nunes hoje (Panorama Econômico, CP, p.11) dá um choque de realidade nos leitores da desinformação geral de guerra. ?Acompanhar a guerra pelo noticiário de economia é um exercício de cinismo. A brutalidade das imagens dos bombardeios e suas vítimas dá lugar à aridez das análises sobre o preço do petróleo, a queda no consumo devido ao tempo perdido diante da televisão e sobre o potencial de lucro das empresas que particparem da reconstrução do Iraque. Questões humanitárias e mesmo políticas passam ao largo das análises. (...)?. Tem razão.
A propósito, em opinião editorial no New York Times, James Grant diz hoje que a verdade sobre os três anos de declínio no preço das ações da bolsa é que elas se enraízam na prosperidade, não na guerra. ?Cerca de um quarto da capacidade produtiva (das corporações americanas) está ocioso. A guerra não é responsável por esta seqüência de eventos iniciada antes de 11 de setembro (de 2001). Mas o custo da guerra pode dar dores de cabeça que até agora os americanos tiveram o privilégio de poder evitar.?
BBC recebe a ira de Bush
A matéria da página 11 do jornal O Sul mostra o problema enfrentado pela emissora de televisão britânica BBC. Tudo porque a TV inglesa retransmitiu para centena de milhares de pessoas as imagens de 1,37 minuto, geradas pela CBS americana, do presidente Bush sendo penteado. Teria sido um incidente técnico, justificou o chefe da CBS em Washington, Janet Leissner. No entanto, a ira da Casa Branca caiu sobre a emissora inglesa, que apresentou um pedido formal de desculpas, mas que não foram aceitas de uma forma muito amável pelos assessores da presidência. Conforme autoridades americanas, não é a primeira vez que acontece um episódio como este. A solução encontrada pela equipe bushista é de que, a partir de agora, sempre que houver transmissão de imagens do presidente quem irá operar as máquinas serão os técnicos do governo dos Estados Unidos. Então tá!
Globo X Band
A massacre do Iraque é pano de fundo para muitos outros entreveros. A disputa entre a TV Globo e a TV Bandeirantes na cobertura da guerra, por exemplo, dá a impressão de que a Globo filtra tanto suas imagens e informações que deixa a concorrência dar show. A Band, com imagens das redes CNN, Al-jezira e da televisão européia vai ganhando confiança que poderá ser convertida em pontos de audiência, embora seja hora de todo telespectador duvidar de tudo.
Albrecht lança Bush para Nobel da Paz
Você não leu errado: o colunista Fernando Albrecht, do Jornal do Comércio, na nota "A Paz de Bush", na edição de quinta-feira (20) faz um elaborado raciocínio, cheio de hipóteses e suposições, para concluir que "nos próximos anos George W. Bush será candidato forte ao Prêmio Nobel da Paz".
Para chegar a essa estupefaciente conclusão, com a qual nem o assessor de imprensa de Bush filho teria ousado sonhar, o colunista do JC traça um quadro em que a invasão do Iraque "se dá sem grandes danos colaterais", o regime de Saddam e suas tropas são "rapidamente aniquiladas e a população aceita", os americanos "patrocinam um regime democrático no Iraque", findam com "o embargo econômico, entram com dinheiro para reconstruir o país"...
Lá no finzinho, Albrecht reconhece: "Tem muito ´se`, é verdade".
A verdade é que o titular da coluna - ao lançar essa nota cor-de-rosa em relação a um homem que, com postura imperial e belicista, desobedece a determinação da ONU, invade um país árabe, numa região explosiva, sem qualquer motivo realmente convincente e sólido é que merece um prêmio. De Originalidade.
ZH esvazia reunião
A reunião entre o secretário do Desenvolvimento Econômico e social, Tarso Genro com prefeitos da região Metropolitana e do Vale do Sinos para viabilizar alternativas de desenvolvimento econômico regional e estimular o comércio exterior foi mostrada na edição desta segunda-feira (24) na página 16 do Jornal do Comércio. A matéria ?Tarso e prefeitos discutem desenvolvimento regional? explica bem o que foi tratado. Uma foto do secretário Tarso Genro e os prefeitos presentes (seis no total) mostra o clima positivo da reunião.
Na coluna Página 10 (p. 22), o mesmo assunto foi dado em uma nota: ?Pacto com os (seis) prefeitos?. O texto, algumas vezes em tom de escárnio, diz qual o objetivo da reunião, onde foi realizada e o número de presentes. Tarso Genro é tratado como ministro-chefe. O ângulo da foto utilizada para ilustrar a nota confere uma noção de esvaziamento da reunião.
Veja, a sangue seco
Está no Observatório da Imprensa um artigo de Gilson Caroni Filho (?O sangue seco de Veja?, http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/gue190320032.htm), tratando a matéria de capa da edição 1.794 (19/3/03, "O erro de Bush - Tratar essa guerra como uma cruzada do bem contra o mal") da triste revista. O autor quer saber se ?uma publicação que negligencia a apuração factual para reiterar uma petição de alinhamento incondicional deve ser tratada como produto jornalístico?. Trecho: ?Ao repercutir, como algumas publicações americanas, o arrazoado protofascista de Washington, Veja vive o delírio de fazer parte de uma força-tarefa imaginária. Andando na contramão da maioria da mídia brasileira, a revista-outdoor tenta mostrar serviço ao improvável assinante que mora no oeste do Texas e, ansiosamente, aguarda suas opiniões sobre o mundo.?
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