sexta-feira, dezembro 06, 2002

MIDI@LERTA

Os Jornais

Rádio, TV e mídia eletrônica

06-12-2002




Educação do RS é destaque no país,

apesar da oposição e da mídia

Vejam só a matéria dada por Zero Hora em suas nobres páginas 4 e 5. "Estado é destaque em educação". Apesar da oposição e da mídia terem batido, sistematicamente, na política de educação durante todo o governo Olívio Dutra, taxando-a de retrógrada, a pior do Brasil, os seus frutos começam a aparecer. Aliás, o Midia Alerta fez referência ontem ao reconhecimento do atual governo pelo setor calçadista,.


O texto da reportagem de ZH – baseado em dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb 2001) - mostra o desempenho de 288 mil alunos de 7 mil escolas públicas e privadas do país, da 4ª e 8ª série do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio. A avaliação revela a qualidade da educação do Estado, como bem mostra o olho (sumário) da matéria: "Os estudantes do Rio Grande do Sul que participaram do Saeb 2001 apresentaram um desempenho em língua portuguesa e matemática acima da média brasileira. Os dados divulgados ontem em Brasília são ainda mais animadores para os alunos do Estado da 8ª série do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio, que obtiveram as melhores médias do país nas duas disciplinas".


No teste de matemática, os alunos da 4ª série do RS ficaram em 5º lugar, os da 8ª série em 1º lugar e os do 3º ano, também em 1º lugar. No teste de língua portuguesa, os alunos da 4ª série ficaram com a 4ª colocação, os da 8ª ficaram com o 1º lugar e os do 3º ano, também conseguiram o 1º lugar. É mole ou quer mais?


Resta o fato de que só agora, após as eleições perdidas no RS pela Frente Popular, no final do atual governo, é que ZH resolve publicar notícias como esta.










Imprensa do Centro do País faz lobby por "Paulistério"



Aumenta a cada dia a ansiedade pela definição do ministério de Lula e, enquanto isto não acontece, seguem as especulações. Nesta caso, chama a atenção nas listas dos mais cotados, divulgadas pela imprensa do centro do país, a ausência do governador Olívio Dutra entre os prováveis – na opinião da mídia – novos ministros. É o caso da Folha de São Paulo, por exemplo, e até do Pasquim 21 (que na edição desta semana publica uma "seleção" de prováveis ministros, desenhada pelo chargista Paulo Caruso, sem Olívio). Trata-se de um caso notório de incompetência jornalística, lobbie para outros nomes ou preconceito contra o sul. Qualquer foca (jornalista principiante) minimamente informado sabe que Olívio é nome certo no primeiro escalão de Lula, pois é fundador do partido, amigo pessoal do presidente eleito, principal liderança do partido no estado onde o PT acumula suas maiores vitórias e onde Lula nunca perdeu eleição. A julgar pelos nomes cogitados neste setor da im prensa, aliás, não teríamos um ministério, mas um "paulistério", com presença esmagadora de representantes paulistas à frente do governo.




Um caso escabroso de crime contra a ética

O Sul de hoje, à página 5, publica a matéria, "Em Uruguaiana, a repórter que tramou o próprio seqüestro". A ser verdadeiro o que diz a notícia, trata-se de um caso escabroso, no qual a repórter do Jornal de Uruguaiana forjou o próprio seqüestro por motivos que não estão bem claros. Poderia ser para prejudicar o prefeito Luiz Carlos Riela (PTB). Outra dúvida é se houve participação da redação, inclusive do redator-chefe Fábio Puget. Ela já deu três versões para o caso, e no último, diz o texto, "Ana contou que os colegas teriam passado lixas em seu rosto para machucá-la e que ela teria jogado fios de cabelo no Gol branco que, segundo seu depoimento, teria sido usado para levá-la para o cativeiro".


Ela trabalhou até sábado na redação do jornal mas depois foi demitida. É um caso de tamanha gravidade que deveria ter o acompanhamento de perto do Sindicato dos Jornalistas, para que seja completamente esclarecido, pois envolve jornalistas e um veículo de comunicação. Nenhuma injustiça pode ser cometida, mas também as responsabilidades precisam ser devidamente apuradas e punidas conforme a lei.





Rádio, favela e propriedade

A TVE/RS apresentou ontem (05) uma entrevista, no programa Outra Conversa (22h), com Hudson Santos, jovem ex-bandido das favelas de Belo Horizonte e hoje da equipe da Rádio Favela, que atinge um público de quase duzentos mil favelados da capital mineira. O radialista comunitário fala das andanças do então ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, em campanha para José Serra, distribuindo concessões de rádio para políticos (até para a própria Rádio Favela), e dos ataques do Estado (Embratel, Polícia, etc.) controlado por esses mesmos políticos, para sufocar a voz dos favelados. Segundo Hudson Santos, só o governador eleito de MG e atual presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves, é o feliz proprietário de 40 estações de rádio, em Ouro Preto e alhures. Será?



ZH vai com sede ao pote do poder

O governador eleito do RS ainda nem tomou posse e Zero Hora, em "Notas de viagem" (p.22), já comunicou que sua candidatura à presidência da República em 2006 está duplamente lançada, pelo embaixador Júlio César Gomes dos Santos, cônsul-geral do Brasil em Nova York. Embora ZH dê a entender que Gomes dos Santos é um brincalhão, a mídia hegemonista não brinca em serviço. "Por duas vezes, Júlio César lançou a candidatura de Rigotto à presidência da República".



Lula e as Farc

"Farc saúdam vitória de Lula à Presidência". Zero Hora não deixaria passar em brancas nuvens tal notícia (p. 25). "As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram ter enviado uma carta ao 11º Encontro do Fórum de São Paulo, em Antígua, Guatemala, festejando a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva". ZH diz ainda que "as Farc manifestam sua ‘irrestrita solidariedade’ também ‘à Cuba socialista, à Venezuela bolivariana e ao Equador’ pela eleição do coronel da reserva Lucio Gutierrez."


Mesmo que a existência da carta não seja questionada, Zero Hora deveria pelo menos mencionar a fonte de seu material. Mas, não se dá ao trabalho. Tampouco diz quem teria pedido que "o principal representante do PT no encontro, deputado Paulo Delgado (MG)" comentasse o documento. Em todo caso, a frase de Delgado sai em destaque: "Não tenho por que comentar a carta. Qualquer organização pode enviar uma mensagem saudando o encontro".



Barrio quer botar Bisol de novo no ringue


Como de costume, na edição de hoje (6) de ZH, o colunista José Barrionuevo confirma sua estranha tendência histórica de tentar supervalorizar as diferenças de opinião dentro do PT e/ou do governo estadual, mesmo que em final de processo, no sentido de gerar conflitos e desgastes internos. É isso que ele faz na nota "Coronel critica Bisol", ao pinçar uma frase do comandante da BM, coronel Gerson Pereira, a respeito de uma declaração de José Paulo Bisol em que o secretário de Segurança avalia como um equívoco as promoções de oficiais da BM, nos casos em que elas aconteceram apenas por merecimento. "É a opinião dele (Bisol), não o que vem sendo feito no governo e na Brigada", teria dito o coronel.


A conclusão de Barrionuevo é uma peça nobre na galeria das interpretações distorcidas: "Vale concluir que o secretário está sendo colocado no papel de bobo da corte. Como desembargador, sua opinião deveria ser considerada (...)".


Ora, desde quando a RBS e o próprio Barrio "consideraram" a opinião de Bisol (como desembargador e como secretário de estado)? E só para lembrar: no atual governo, o número de oficiais da BM promovidos por merecimento foi de 27, contra 38 no governo anterior, de Britto – quando a Zero Hora jamais sequer pensou em questionar o assunto.



Pureza de intenções II: silêncio na imprensa continua


Que estranhos mistérios travam as mãos dos editores da maioria dos jornais da Capital, quando se trata do Simpa – o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre)? Hoje, novamente, apenas O Sul deu a notícia completa – com o nome do acusado – da prisão de outro diretor da entidade, Andrei Siqueira Viana. Ele é suspeito de tentativa de homicídio e formação de quadrilha, e teve prisão preventiva decretada pela Justiça. No início da semana, quando foi preso, em um sítio no Litoral, o presidente do Simpa, César Pureza, com um arsenal irregular de armas e um criatório ilegal de cobras, apenas O Sul deu a sua identidade.


Hoje, ao noticiar a prisão de seu colega de diretoria, o Correio do Povo não informou o nome do preso (nem o do Sindicato!). O Jornal do Comércio e a Zero Hora foram mais radicais: omitiram por completo a informação.


Como se sabe, Pureza é o principal suspeito do envolvimento em dois atentados violentos ao vereador Juarez Pinheiro e outro a um sindicalista rival que com ele disputava a presidência do Simpa, e que recebeu vários tiros.

















* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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quinta-feira, dezembro 05, 2002



MIDI@LERTA

Os Jornais

05-12-2002







Jovem dinossauro da direita

Sob o título "Utópicos e incoerentes", o colunista Danilo Ucha publica hoje (dia 05) na pág. 14 do Jornal do Comércio nota em que revela o desagrado do presidente da Federasul, Afonso Paulo Feijó, em relação à destinação de R$ 1,8 milhão do governo estadual para o Fórum Social Mundial. O evento acontece em janeiro, aqui na capital dos gaúchos, e tem alavancado a economia de Porto Alegre (e de regiões turísticas do Estado, como Litoral Norte e Serra, entre outras) no verão, com o afluxo de muitas dezenas de milhares de visitantes de todo o Brasil e do resto do mundo. Hotéis, bares, restaurantes, taxistas, comerciantes em geral, agências de viagem – enfim, um amplo universo de empresários e empreendedores é diretamente beneficiado pela chegada de visitantes e de seus dólares, euros etc.

Para o extremado Feijó, no entanto, o dinheiro investido pelo governo estadual para a efetivação do FSM servirá para colocar Porto Alegre na mídia mundial, "principalmente a mídia comunista". Tóóóimmm!


Você leu bem: "mídia comunista"! O presidente da Federasul deve estar certamente se referindo aos boletins do PC do B e do PCB...


Seja como for, o jovem dinossauro da direita revela-se tão cego pela ideologia que, mesmo sendo líder de classe, chega a ir contra um evento que, ficando só no aspecto empresarial, traz excelentes negócios para Porto Alegre e o RS.



Ruas põe o dedo na ferida: comunicadores silenciam


O ex-presidente regional do PDT, Pedro Ruas, acusou seu partido de ter sido "oportunista" ao apoiar Germano Rigotto, do PMDB, que estava em vantagem nas pesquisas eleitorais para o governo do Estado. Disse também que o PDT vem se afastando dos ideais trabalhistas de seu partido, ao apoiar um político neoliberal. E mais: afirmou que o PDT não merece figurar no governo Lula, pois não trabalhou para elegê-lo.


Ora, basta observar com isenção o processo interno e o comportamento do PDT nos últimos meses para reconhecer que tudo o que Ruas está afirmando é verdade. E ele tem em seu currículo autoridade para dizer o que diz: chegou a abrir mão de um cargo de secretário no governo Olívio para permanecer no PDT.

Muito bem: onde está a análise dos jornalistas políticos e comunicadores da imprensa gaúcha, que não questionam ou referendam estas colocações? Apesar da clareza de suas colocações, elas mereciam ao menos ser discutidas – negadas ou confirmadas – pelos especialistas da imprensa. Ao contrário: nesta hora o que se vê é Pedro Ruas, como já aconteceu com outros, falando sozinho e digladiando-se dentro de seu partido sem que os analistas de plantão analisem nada.

No entanto, nos quatro anos do governo petista que agora termina, o que mais se leu e ouviu na imprensa gaúcha foram análises agressivas e cheias de opinião (majoritariamente contrárias à Frente Popular). Agora, às vésperas de entronizar no governo estadual um homem que representa o segmento conservador gaúcho, o que se escuta na mídia é o silêncio da crítica.



Sugestão de pauta


A coluna de Affonso Ritter no Jornal do Comércio de hoje (p. 8) traz uma boa sugestão de pauta para a imprensa gaúcha e nacional, na nota sob o título "Direito e movimentos sociais". Ele relata que foi criado o Núcleo de Estudos Críticos do Direito (NEC), constituído inicialmente por 12 juizes, que visitou um assentamento do Incra e um acampamento do MST, do que resultou um denso relatório com a posição do grupo. Entre os seus integrantes está o juiz Luís Cristiano Enger Aires, de Passo fundo, que em outubro de 2001, ante um pedido de reintegração de posse da fazenda Mattei, de Pontão, exigiu provas de cumprimento da função social da propriedade, causando enorme polêmica.


Como se vê, não se trata de uma posição isolada. Será que a nossa imprensa terá coragem de fazer a reportagem sobre o pensamento destes juizes a respeito da questão da terra? Quem se habilita?


No limite


Por falar em Justiça, na matéria "Imprensa e Judiciário buscam a integração", o Correio do Povo (p.3) traz à baila a necessidade de "uma relação harmoniosa permanente" entre "a imprensa e o Direito". Num painel da Ajuris, o presidente da associação de juízes afirmou ser "preciso que juízes tenham consciência de que jornalistas precisam das informações, que não são direito deles, mas dos cidadãos". São discussões relevantes, até mesmo para que os próprios jornalistas passem a conhecer melhor os seus limites.









Os estados e a Lei de Responsabilidade Fiscal


Sob o título "Finanças explosivas" (p. 26), Zero Hora publica hoje um editorial no qual manifesta grande preocupação ante as dificuldades financeiras do Espírito Santo. O estado capixaba não está conseguindo saldar dívidas com o Banco Mundial e com a União, gerando, inclusive, especulações de que aquele governo poderia decretar uma moratória, o que teria repercussões no mercado financeiro, na economia nacional e na própria credibilidade brasileira no sistema internacional. O editorial, no entanto, reconhece que a grande maioria dos governadores "vêm colaborando de forma surpreendente com sua parcela de responsabilidade no ajuste no setor público em relação ao que o país se comprometeu com o FMI e que foi referendado pela Lei de Responsabilidade Fiscal".


Seria esperar demais que ZH citasse como exemplo, neste caso, o governo do Rio Grande do Sul, que cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal e mantém em dia o pagamento da dívida com a União, negociada pelo governo anterior, apesar da enorme sangria dos recursos estaduais que tal acordo provoca. Apesar de algumas mudanças em curso na RBS, a dificuldade em admitir os méritos e realizações do atual governo continua a mesma.






Grandes interesses, divulgação discreta




Mereceu apenas discretas notas na imprensa de hoje (Correio do Povo, na p. 2 e ZH p. 29) a aprovação pelo Senado do projeto que autoriza a participação estrangeira em até 30% do capital das empresas de comunicação brasileiras. Rádios e TVs pouco ou nenhum destaque deram ao tema, com exceção da TV Bandeirantes. Enviado ao Congresso na forma de Medida Provisória, o projeto teve tramitação e aprovação relâmpago, sem qualquer debate público além do esforço das entidades sindicais de jornalistas e radialistas em dar transparência ao processo - mas suas opiniões, como se sabe, não encontram eco na imprensa.


A mudança praticamente reconfigura a comunicação no Brasil, muda a constituição e implica em sérias ameaças à soberania nacional, ao mercado de trabalho e ao conteúdo da programação – que, mal ou bem, é decidida por brasileiros. Quem é do ramo sabe que, mediante articulações políticas, bastam 10% ou até menos das ações para assumir o controle de uma empresa. O exemplo é o que vem ocorrendo em empresas de telefonia, como a Brasil Telecom. Mas pior vai ficar, ainda, se for aprovado outro projeto que prevê a venda de até 100% das TVs à cabo para empresas estrangeiras. Como se vê, há muito mais interesses obscuros envolvidos do que as notinhas de pé-de-página deixam ver. E mais uma vez a nossa imprensa deixa de cumprir o seu dever – para frisar: dever! - de bem informar.






Falta coragem para defender a Uergs?


Dois leitores de Zero Hora manifestam, hoje, na seção de cartas, preocupação quanto ao futuro da Universidade Estadual (Uergs). É escancarada a má vontade do novo governo com relação à universidade, principalmente da parte do vice-governador, Antônio Hohlfeldt, que tem notórios vínculos com o ensino privado. Ele já disse, inclusive, que foi contra a sua implantação e sugere "adaptações" como o ensino voltado para a qualificação de funcionários. Embora este já seja um dos objetivos da Uergs, a proposta da entidade é muito mais ampla, preenchendo carências e atendendo vocações regionais dos 21 municípios onde já foi implantada - com previsão de chegar a 29 em março.


Aprovada na Assembléia e com o apoio geral da sociedade, é de se perguntar quando a imprensa hegemônica, sempre pronta a lançar juízos definitivos sobre tudo e todos, vai se manifestar sobre o assunto em seus editoriais e nos comentários dos seus "comunicadores". Espera-se que defendam esta conquista histórica dos gaúchos para a democratização do ensino superior e para o desenvolvimento do Estado. Somente um pensamento obscurantista e sectário pode negar importância à Uergs. Mas parece que está faltando coragem a certa imprensa e aos tais comunicadores em vencer seus preconceitos ideológicos e pensar mais no verdadeiro interesse da população e do Rio Grande do Sul.




Fraga no BC, nem provisoriamente


Conforme avisou o Midi@lerta de ontem, Armínio Fraga não permanecerá na presidência do Banco Central. Nem provisoriamente. O próprio Lula se encarregou de esclarecer, em meio a sua viagem ao Chile, que não há a menor chance disto acontecer. Fica o reforço do alerta, portanto, para que a nossa imprensa tenha mais cuidado com as notícias plantadas e os lobbies de grupos interessados em participar do novo governo.




A nova linha construtiva da Gaúcha



A entrevista de Maria Helena Johanpetter, mulher do empresário Jorge Gerdau, ao vivo, no programa Gaúcha Hoje, de hoje (05), é um marco, podendo ser interpretada como a mais emblemática mudança editorial da RBS. Como diz um atento leitor do Midi@lerta: "É um marco não só por ser ao vivo no programa no qual o Mendelski não permitia este tipo de intervenção, não só por ser mulher do maior empresário do RS, mas sobretudo pelo assunto que se tratou - o voluntariado social- e também pela fala do próprio apresentador Macedo observando que jornalismo não é mais só denúncias, mas também apontar soluções".

Mais ainda: até agora, nos quatro anos de governo Olívio, o programa se empenhou em criticar o que era estatal, dizer que o Estado falhava no atendimento das demandas sociais e que o a administração da Frente Popular era incompetente. Agora, com Rigotto, tudo muda. E viva o voluntariado social para ajudar o novo governo!



O Sul aplica botox em Lula. Cadê o Rigotto?

Pela terceira vez o jornal O Sul coloca o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, como um dos principais clientes do tratamento estético com botox. A matéria veiculada na página 13 do Caderno Reportagem ("Uso da toxina para fins estéticos já fez do Brasil o segundo no ranking mundial de consumo do produto"), traz uma enorme foto de Lula, dando como legenda: "Lula fez discretas aplicações de botox na testa e nas maçãs do rosto. Isso era parte da estratégia de campanha".

Além de Lula, o texto também cita a atriz Vera Fischer, que teria aplicado a toxina na testa e nas maças do rosto. Mas, estranhamente, o jornal impresso da Rede Pampa esqueceu de citar outro exemplo de político, e muito mais próximo, que comprovadamente, faz uso do produto: o governador eleito, Germano Rigotto, que botoquizou-se durante a campanha eleitoral.





Em se plantando, dá

A viagem do governador eleito do RS à Europa continua a repercutir na imprensa gaúcha. Germano Rigotto (PMDB) cumpre um roteiro aberto por Olívio Dutra em junho de 2001 e encontra um terreno bem preparado pelo seu antecessor, com vários programas e projetos com países da União Européia já em andamento. Um exemplo está no Jornal do Comércio (p.18) hoje (5): "Rigotto confiante em novos investimentos no Estado". A primeira empresa mencionada é a Steag, da Alemanha, em relação à qual o governador eleito "disse ontem estar confiante na consolidação dos investimentos de até US$ 800 milhões".


Como no caso da energia aeólica, em cujo planejamento o governo Olívio Dutra investiu o suficiente nos últimos quatro anos para proporcionar hoje uma colheita de resultados avançados, as negociações com a Steag não vêm de hoje. Foi o apoio do governo Olívio ao projeto que motivou, em 20 de abril de 2001, o convite da empresa alemã geradora de energia para que o governador do RS visitasse a Steag, na cidade de Essen, na região do Vale do Rio Ruhr. Na ocasião, o convite foi entregue ao Governo pelo representante da empresa no Brasil, Hans Kampik. A Steag é parceira da empresa gaúcha Copelmi Mineração no projeto Ceival, da termoelétrica Ceival, da região de Candiota.


Em vista dos quatro anos de quase silêncio por parte da grande mídia em relação às centenas de iniciativas fundamentais do governo Olívio Dutra para o desenvolvimento do Estado é que se torna necessário lembrar: os excelentes indicadores gaúchos, em todas as áreas, que já começam a brotar na imprensa não são de geração expontânea. São frutos de um projeto popular e democrático, e os gaúchos têm o direito de saber quem o implantou.

Governo Olívio começa a ser reconhecido

Aliás, é bem aos que poucos começa a aparecer, nos veículos de comunicação, o real desempenho do governo Olívio Dutra – omitido, escondido ou manipulado durante os últimos quatro anos. O jornalista Affonso Ritter, em sua coluna diária na página 8 do Jornal do Comércio traz, com o título "Calçados Olívio", a seguinte nota: "Empresários intensificaram as visitas ao governador Olívio Dutra para agradecer seu apoio. O que mostra que sua gestão não foi tão ruim como apregoado pela oposição. O problema maior talvez tenha sido mais político que administrativo. Amanhã é a vez do presidente da Couromoda, Francisco Santos".

O mesmo raciocínio serve para a nota veiculada semana passada por Denise Nunes, no Correio do Povo, sobre o desempenho do secretário do Turismo, Milton Zuanazi, que o classifica como o melhor titular do setor desde a década de 70. Certamente muitas outras manifestações de agradecimento e reconhecimento irão surgir com o decorrer do tempo. Pena que, sempre, na forma de pequenas notas, fora do noticiário de destaque.








Democratizando a informação

Outro fato pouco comentado para o tamanho de sua importância para o futuro das comunicações foi abordado em nota, por Denise Nunes, no Panorama Econômico do Correio do Povo (p.central). "O Rio Grande do Sul é, desde ontem, o primeiro estado brasileiro a ter uma lei que regulamenta o uso do software livre". O projeto, do deputado Elvino Bohn Gass (PT) foi aprovado pela Assembléia Legislativa. O RS, através da Procergs, tornou-se referência mundial, nos últimos quatro anos, por ter feito a opção pelo software livre e criar soluções novas, criativas e de baixo custo para a administração do estado.





* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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quarta-feira, dezembro 04, 2002

MIDI@LERTA

Os Jornais

rádio, TV e mídia eletrônica

04-12-2002






Especulações sobre o novo ministério



O Correio do Povo publica hoje a notícia "Lula poderá manter Fraga no BC" (p.11). São muitas as especulações sobre a composição do ministério do presidente Lula e é aceitável que a imprensa trabalhe em cima dos boatos que surgem, enquanto não houver confirmação oficial de nomes. Mas precisa haver cautela ou a imprensa vai publicar "notícias plantadas" (quando alguém inventa uma notícia com interesse de conseguir alguma vantagem). É o que vem acontecendo com as notícias freqüentes na grande imprensa sobre uma possível permanência de Armínio Fraga na presidência do Banco Central.


Ora, é evidente que se trata de lobby de certos setores empresariais e do mercado financeiro-especulativo que lucraram com a atual política econômica e que teriam, com Fraga no governo, a certeza da manutenção de algumas linhas mestras desta política, fundamentada nos juros altos, abertura ao capital externo e desregulamentação. Caso Lula não encontre alguém que aceite o cargo nos próximos dias, ele até poderia manter provisoriamente o atual presidente do BC no cargo, mas é uma possibilidade remota.


O site da Folha de São Paulo, por exemplo, publica a notícia de que o economista Pedro Bodin de Moraes será convidado ainda hoje por Lula para a presidência do BC. E comenta que o presidente do PT, José Dirceu, é contra. Só isto, pela importância de Dirceu no novo governo, retira 90% das possibilidades da manutenção de Fraga no cargo. Mas, por descuido ou cumplicidade, nossa imprensa tem dado credibilidade a especulações de pouco ou nenhum fundamento.






O fracasso que a imprensa esconde

Ainda na área econômica, Zero Hora publica hoje (4) a matéria "Palocci admite elevar meta de inflação de 2003" (p.18). Jornais, revistas e emissoras adotaram a pauta da inflação nas últimas semanas, e com razão, pois a elevação acelerada de preços é evidente. No entanto, tem faltado apontar as devidas responsabilidades pela volta do monstro inflacionário. Se é verdade que o dólar é uma das causas, ou a principal, é preciso lembrar que ninguém obrigou o Brasil a se tornar tão dependente da moeda americana, foi uma opção do atual governo. E enquanto a grande imprensa se esmera em apresentar balanços positivos do governo FHC, convém perguntar como pode ter sido bom um governo que apostou tudo na estabilidade e, após oito anos, termina com disparada de preços. Fosse honesta, a imprensa hegemônica diria com todas as letras: o governo de FHC foi um fracasso.





Pureza de intenções: jornais temem cobra criada?

Incompreensível a discrição (e mesmo a omissão de dados importantes) com que a maioria dos jornais de Porto Alegre trataram da prisão do presidente do Simpa (Sindicato dos Municipários de Porto Alegre), César Pureza, ontem, pela polícia em um sítio no Litoral. Ele guardava consigo um verdadeiro arsenal – dez armas, em situação irregular. Além disso, no local havia um criatório ilegal de cobras. Pureza e outro homem que vivia na casa foram autuados em flagrante por receptação, adulteração e porte ilegal de armas.


Pureza, como se recorda, é acusado de cometer várias irregularidades no Simpa e ameaçar os integrantes da entidade. Mais: é suspeito de enviar uma cobra venenosa, em um pacote, ao vereador petista Juarez Pinheiro. Também há fortes suspeitas de seu envolvimento na tentativa de homicídio, a tiros, de um candidato rival à presidência do Simpa.


Com tudo isso, e embora tenha sido autuado em flagrante, ZH publicou o assunto em uma notinha de canto ("Sindicalista preso com armas"), na pág. 40, ao lado de "Publicações Legais", sem citar o nome do suspeito nem a entidade que dirige. O Correio do Povo foi na mesma linha, embora a matéria seja maior. "Presidente de sindicato preso com armamento". Você lê e não fica sabendo quem é o "presidente" e nem de qual "sindicato". O Jornal do Comércio foi mais radical: não publicou sequer uma linha do assunto.


A boa exceção, desta vez, ficou com O Sul: ele mostrou a cobra e o pau. Ou melhor: ilustrou a matéria com a foto de uma cobra sobre um tronco de árvore. Mas o importante é que em sua matéria – "Sindicalista é preso por receptação e porte ilegal de armas" – todas as informações estão presentes. Uma matéria correta.


Quanto aos demais diários de Porto Alegre, ficam as perguntas: não deram o nome do "elemento" (autuado em flagrante!) por temer improváveis ações judiciais? Por motivos outros? Ou simplesmente por medo de cobra?



As enquetes radiofônicas sob suspeita


Sempre atento ao que pode desgastar a esquerda, José Barrionuevo reproduz hoje (04), em sua coluna de ZH, o resultado do programa "Polêmica", de Lauro Quadros, na Rádio Gaúcha, que avaliou o desempenho dos governos FHC e Olívio Dutra. Os ouvintes da "pesquisa" do programa – sem qualquer critério científico – deram a FHC 35% de ótimo e 31% de bom, e péssimo apenas 15%. Para Olívio, foram 14% de ótimo, 8% de bom – e o péssimo mereceu 58% por cento.


Como o governo FHC é considerado, a partir de indicadores econômicos, um dos piores da história brasileira no aspecto social, com o aumento da miséria e da fome, a volta de doenças que já haviam sido erradicadas, do "apagão" energético, um enorme desemprego e o retorno triunfal da inflação neste ano, é de se questionar que critérios regem as indagações do programa.


O mesmo vale para os resultados obtidos pelo governo Olívio no RS. Levando-se em conta que o RS teve o maior crescimento entre os estados brasileiros e que o desemprego na região metropolitana de Porto Alegre foi das menores do Brasil, que o atual governo criou um dos poucos e o maior salário mínimo regional, que criou uma universidade estadual pública e gratuita, etc etc.- pergunta-se: Quem é que responde essas perguntas do Polêmica e de outras enquetes do gênero, em veículos da RBS? Apenas um grupo de pessoas desinformadas, ou assessores e funcionários com coloração e emprego ideológico/partidário, que usam este espaço para fazer proselitismo?


Por essas e outras (como o uso político deste tipo de resultado, como mostra o próprio Barrionuevo ao divulgar os resultados do Polêmica) é que, mesmo entre jornalistas, há quem defenda o fim desta espécie de enquete, que só poderia ser feita a partir de critérios científicos.


Em tempo: a coluna de Denise Nunes, na pág. 9 do Correio do Povo de hoje, dá a nota da Farsul, através de Carlos Sperotto, para os governos federal e estadual atuais. FHC, como era de se esperar, ganhou 8 de Sperotto. Para Olívio, ele se recusou a dar nota. Esta avaliação, pelo menos, tem nome, endereço e motivação ideológica identificada.








O discurso da cizânia


A peroração foi mais longa, mas, em quatro frases, o que disse Antônio Carlos Macedo no programa Gaúcha Hoje (4/12), sobre ministeriáveis de Lula, soou esquisito. "Não vejo na figura de Olívio Dutra o perfil do executivo, o perfil do homem que toca a coisa com rapidez, perfil exigido para um ministro. (...) Não é uma boa indicação, não (...) O estilo dele não é do executivo, é de um articulador político. Se for por esse lado tudo bem, mas, para o executivo, mil vezes o Miguel Rosseto".


Um leitor de mídi@alerta ouviu o programa e escreveu, com muita propriedade, "Vejam só, Macedo mostra as garras ... e faz o discurso da cizania do Barrionuevo/Mendelski elogiando sim o Rossetto. Quer dizer que o executivo que iniciou o saneamento na prefeitura em 89 não tem perfil de

administrador? E quando o vice apareceu na mídia como administrador?"






Diário de Viagem


Três notas da viagem à Europa que Germano Rigotto está realizando, publicadas na página 8 de Zero Hora, são dignas de registro.


A primeira é sobre o sonho de consumo do governador eleito, acalentado por anos a fio e agora realizado. Ele dirigiu (ou pilotou?) um flamante Jaguar (o carro de 007 no último filme) pelas ruas e avenidas de Bruxelas, a charmosa capital belga. O bólido pertence à ministra Leda Camargo, da missão do Brasil na União Européia. Resta saber se Rigotto possui carteira de habilitação internacional para dirigir na Bélgica.


O governador eleito está constatando "in loco" a importância do Fórum Social Mundial para Porto Alegre e para o Rio Grande do Sul. Agora, quem sabe ele repense o corte de R$ 900 mil ao Fórum, face à grandeza do evento, verificada em terras européias.


Mais sorte que o Gastão (primo do Pato Donald, famoso por ser um sujeito sortudo) teve a jovem Patrícia, que estava no mesmo edifício de Germano Rigotto. Ela ouviu vozes brasileiras e parou para conversar. A moça, gaúcha de nascimento, morou na Escócia, está terminando um estágio na Comissão Européia e pretende voltar aos pagos. Ao ser apresentada ao governador eleito, foi logo convidada para trabalhar na Secretaria de Relações Internacionais. Depois dessa, uma pergunta que não quer calar: Quais serão os critérios para a escolha de assessores? Sorte?





Jantar grátis


Quando até um senador eleito, presidente da Assembléia Legislativa, com programas de rádio e colunas de jornal nas mídias mais populares da RBS queixa-se dos preços, é sinal de que o bicho está pegando. A Coluna do Sérgio Zambiasi, na contracapa do jornal das massas da RBS, o Diário Gaúcho, fala das andanças do poderoso senhor dos microfones privados e das tribunas públicas pelas Europas. Na Bélgica, diz, "temia que tivesse de pagar meu jantar. Mas por sorte foram ‘eles’, os anfitriões belgas que bancaram. Desta eu escapei."


Se os salários do deputado, em breve de senador, com as vantagens da presidência da AL, dos vínculos com a RBS e das ajudas de custo para sobreviver à brasileira no exterior forem insuficientes, em última instância Zambiasi pode inscrever-se no Fome Zero.




* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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MIDI@LERTA

Os Jornais

Rádio, TV e mídia eletrônica

03-12-2002



A responsabilidade pela "herança maldita"


O editorial "Fantasmas do passado", da Zero Hora de hoje, é um exemplo gritante da tentativa permanente da RBS de recontar a história e atribuir às pessoas erradas a responsabilidade pelas dificuldades do Brasil. A moda, nos últimos dias, da RBS e outros grupos de comunicação do centro do país, é afirmar e repetir que o próprio PT criou um problemão para o Lula, agora na presidência, ao ingressar em anos anteriores com ações judiciais contra o governo federal.


Diz o editorial: "Mais de uma centena de ações de inconstitucionalidade impetradas pelo Partido dos Trabalhares, isoladamente ou com outras agremiações políticas, ameaçam se transformar agora numa armadilha contra o próprio presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva". Do alto da prepotência típica da RBS, que se arvora de grande juiz de tudo e de todos, o editorial pretende dar um "puxão de orelhas" no PT, principalmente: "Os custos envolvidos mostram o quanto o setor público continua vulnerável e que nem sempre governo e oposição agem de forma responsável...".


Vamos aos fatos. Desde a redemocratização os sucessivos governos impõem um pacote econômico após o outro à sociedade brasileira. Sempre, vamos repetir, sempre, com pesadas perdas para os trabalhadores e trabalhadoras. Medidas de toda ordem, na área da previdência, da habitação, etc., também trouxeram graves prejuízos à população. É preciso lembrar que chegou-se ao ponto, com o respaldo da grande imprensa, de um celerado na presidência confiscar a poupança de toda a nação. Ora, que mais poderia o povo fazer para se defender, através de seus sindicatos e organizações partidárias? Já que não havia no governo alguém com credibilidade e sequer disposto a negociar seriamente, só restou lançar mão do direito legítimo de recorrer ao judiciário.


Irresponsáveis, pois, foram os governantes a serviço das elites, que impuseram sacrifícios inúteis ao povo brasileiro – inúteis porque não resolveram nada e só engordaram as contas em paraísos fiscais da elite predatória deste país. Irresponsável e oportunista foi a grande imprensa, como a RBS, que muito lucrou com governos anti-populares e entreguistas, desde a ditadura até a era FHC. Mas ao contrário dos presidentes anteriores, Lula tem disposição e credibilidade para negociar e enfrentar estes e os demais problemas da herança maldita que recebe – não dos trabalhadores e seus partidos, mas dos governos anteriores que a RBS tanto defendeu.




Nova-velha política de comunicação à vista


José Barrionuevo, na sua coluna de hoje (03), informa - ou comemora - que o novo governo do Estado terá uma política de comunicação "exatamente contrária" à do governo atual. Cabe perguntar, como assim? Sim porque, ainda que o colunista não admita e a RBS não divulgue, a principal característica da gestão da comunicação do governo de Olívio Dutra foi a democratização das verbas de publicidade. Antes, uma certa empresa levava bem mais da metade de toda a verba. No atual governo esta lógica foi invertida e os demais veículos de imprensa da capital e do interior passaram a ter um tratamento mais digno. Esta é uma das explicações objetivas, aliás, para tanta ferocidade da empresa da família Sirotsky no combate ao governo da Frente Popular. Será que a política de comunicação de Rigotto é nova mesmo ou é a "velha política" de privilégios que está voltando?




Europa restringe transgênicos e imprensa brasileira silencia


É extremamente discreto, quase inexistente, o noticiário sobre a acirrada discussão a respeito dos transgênicos na Europa, assunto que envolve a saúde humana e também os interesses de poderosíssimos grupos multinacionais e grandes anunciantes da mídia. No RS, apenas o Correio do Povo deu uma pequena nota, há poucos dias. Ninguém da imprensa local publicou que a União Européia aprovou, semana passada, uma nova legislação extremamente restritiva aos transgênicos. A informação está na página da organização Greenpeace (www.greenpeace.org.br), com riqueza de detalhes. "Quando a nova legislação sobre rotulagem entrar em vigor, nenhum produto transgênico poderá ser vendido na União Européia sem que esteja devidamente rotulado.


O Greenpeace lamenta a decisão do Conselho de permitir até 0,5% de contaminação acidental em alimentos e rações por organismos transgênicos que não tenham sido autorizados na União Européia, mas reconhece que isso valerá apenas para os próximos três anos num regime de transição, após o qual será retomado o regime de "tolerância zero". A notícia destaca que "As normas de rotulagem mais restritas da União Européia farão aumentar ainda mais a demanda por soja não transgênica brasileira". Vale recordar que a China também exige soja não transgênica para negociar importações do Brasil. O que justifica um tema desta importância não merecer destaque na nossa imprensa? Descaso ou pressão de anunciantes?



Pardais atropelados pelo colunista

Uma peça lamentável a crônica de hoje (03/12) de Paulo Sant’ana, em Zero Hora, sob o título "Também quero os pardais". Como se recorda, Sant’ana, junto a alguns outros motoristas velozes e/ou distraídos que detêm espaços de opinião na RBS, ao longo dos anos tem atacado com toda a virulência possível os pardais que provocam a redução da velocidade no trânsito e, consequentemente, o número de acidentes – como comprovam todas as estatísticas.

Agora, para não dar o braço a torcer à realidade dos fatos, ele "sugere", em tom irônico, que baixe-se a velocidade máxima no trânsito para 20 km por hora. E que instale-se pardais de 50 em 50 metros. "Ou seja", diz ele, "ninguém andará a mais de 20 km por hora". Lá pelo fim, diz: "Quanto ao trânsito, que se rale. O que importa é que não morra mais ninguém no trânsito".

Não bastasse essa inconfessável mas perceptível preferência pelo "trânsito" – livre, leve e solto - em detrimento da redução das mortes e seqüelas físicas e mentais conseqüentes dos acidentes, o colunista achou um bode expiatório para sua raiva: "Eu sou contra é que alguém lucre com os pardais. Acho revoltante que governos lucrem com os pardais".

Primeiro lugar, quem lucra são pessoas físicas e empresas privadas. Governos podem arrecadar recursos das multas, por exemplo. Mas são recursos reaplicados em pessoal, equipamentos, melhorias etc. para o próprio processo de trânsito mais seguro, ou em outras necessidades sociais só cobertas pelo poder público.

Não há lógica em considerar "revoltante" ou simplesmente ficar com raiva de um processo em que: A) só leva multa quem desobedece a lei (como se um ladrão ficasse "revoltado" por eventualmente ser preso); B) os recursos arrecadados com essas multas revertem para o bem da população; C) os pardais e outros equipamentos efetivamente reduzem o número de acidentes.

Para completar: há 257 rodovias no RS – e em apenas 25 existem pardais (e ainda assim, em somente alguns trechos de maior incidência estatística de acidentes). Quanto ao número de acidentes, que "continuam a nos assustar" (apesar dos pardais e outros equipamentos) é de se perguntar: quantos milhares de novos carros chegam mensal ou anualmente às estradas gaúchas (ou de qualquer lugar do país)? Seria impossível não continuar havendo acidentes!

Os pardais, seguramente, fazem sua parte. Se os motoristas que arriscam a sua e a vida de terceiros também fizessem, seria excelente. Mas ao menos os colunistas e formadores de opinião têm obrigação de emitir opiniões menos velozes.



Barrio linha justa

Na nota "PT lança Koutzii em defesa do pluralismo", José Barrionuevo, em seu espaço nobre de ZH, volta a defender um ano de presidência para o Partido dos Trabalhadores na Assembléia Legislativa. Defende a figura de Koutzii e ataca a "posição de intransigência dos deputados do PMDB".

Quem te viu – ou te leu ou te escutou – e quem te vê...

A nova postura de ZH-pós eleitoral, ternurinha, sem-Mendelski e com-Parente (mas não transparente) ainda precisa ser deglutida. Enquanto isso, o "companheiro" Barrio exercita um estilo "linha justa". Experimental.



RS: o fabricado medo da violência

Duas pesquisas divulgadas hoje (03) pela imprensa gaúcha dão o que pensar. A maior, realizada pelo IBGE, nos 27 estados brasileiros, mostra que os homens jovens morrem em quantidade três vezes maior do que as mulheres na mesma faixa etária, por causas relacionadas a violência e acidentes.

Nesta pesquisa, que traçou um comparativo entre os anos de 1990 e 2000 em cada um dos estados, o Rio Grande do Sul teve um pequeno aumento de menos de dois pontos percentuais – e ficou em 10º lugar, após São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco, Distrito Federal e outros.

Já a segunda pesquisa, que na pág. 33 de ZH recebeu o título de "FGV divulga pesquisa com o índice de medo", ficamos sabendo que as populações de São Paulo, Salvador e Porto Alegre são as que mais têm medo da violência.

Ora, por aí percebe-se que não há concordância entre os números reais da violência (pesquisa do IBGE) e sobre a pesquisa que mostra medo da violência (FGV).

No caso de Porto Alegre/RS: estamos objetivamente em décimo lugar em nível de violência – mas em termos de sensação de medo, estamos no mesmo patamar de São Paulo e acima até do Rio de Janeiro (cuja violência real é muitíssimo maior do que a nossa).

Conclusão lógica (e que confirma o que o PT e o governo estadual vêm denunciando nestes últimos quatro anos): através da mídia, foi fabricado um verdadeiro estado de pânico em parte da população gaúcha, com gente que vive aterrorizada de sair de casa como se estivesse num território dominado pelo Comando Vermelho, num morro carioca.

Para isso, muito contribuíram, com toda a certeza, as contínuas séries de "reportagens" de Zero Hora, Diário Gaúcho, RBS TV, TVCom, sobre o "problema da segurança".

Mas, confiamos também que esse tema, num passe de mágica, voltará à sua verdadeira dimensão a partir de janeiro próximo.




E o vento começou a soprar


Faltou memória ou algo mais aos diários de Porto Alegre, para contar toda a história da política energética do RS, no momento em que o governador eleito, Germano Rigotto, faz o reconhecimento, na Europa, do terreno plantado pelo governo Olívio Dutra. Depois de boicotarem durante quatro anos as notícias das ações diferenciadas do governo Olívio no âmbito das políticas de desenvolvimento sustentável, uma mudança súbita pode escancarar o jogo de sonegação de informação que foi feito pelos jornais.


É verdade que, ao ressaltar a importância de Rigotto "estar na Europa dando continuidade a contatos com investidores estrangeiros (em energia dos ventos) que já manifestaram a vontade de aplicar recursos no Estado", o Jornal do Comércio joga uma brisa fresca no mormaço da pauta sobre políticas energéticas, particularmente a energia eólica, hoje (3/12) no Rio Grande do Sul ("Secretária defende manutenção de políticas pelo próximo governo", p. 9). O Correio do Povo dá matéria de capa ("Espanhóis prometem a Rigotto que vão investir") e O Sul abre página (14), "Espanhóis apresentam a Rigotto projeto para o RS"), ambos sem mencionar uma única vez o fato dos projetos já estarem em andamento, ou de o estudo sobre o regime de ventos no RS, que deu origem ao mapa eólico essencial para a atração de investidores, já estar pronto. Zero Hora até admite ("Espanhóis estudam novo investimento", p. 6) que "no caso da energia eólica o próximo governo vai colher os frutos de um investimento plantado no governo Olívio Dutra". Os colunistas José Barrionuevo (ZH, p.12) e Denise Nunes (CP, p.10) também publicam notas dando a César o que é de César. Mas, a dívida da mídia continua grande.


O Rio Grande do Sul implementou políticas avançadas de desenvolvimento sustentável que lhe valeram reconhecimento internacional, enquanto no Estado reinaram ora a desinformação, ora o silêncio, da parte da mídia hegemonista. O RS foi pioneiro, por exemplo, ao declarar seu território "livre de transgênicos", conquista extraordinária que a mídia local, comandada pela RBS, conseguiu transformar em algo negativo e grotesco, explorando as aventuras pampeanas do ativista francês José Bové. O governo gaúcho planejou o futuro energético do Estado com responsabilidade, enquanto o governo federal jogava o país no apagão. Mais do que nunca, fatos como este devem estar sendo exorcizados das pautas da RBS, que terá, a partir do início do ano que vem, o próprio "ministro do Apagão" e chefe da Casa Civil de FHC, Pedro Parente, como vice-presidente executivo da empresa.



A guerra manipulada


A imprensa internacional (leia-se americana e inglesa) não cansa de fabricar motivos que possam justificar um ataque em massa ao Iraque, comandado pela dupla Bush/Blair, como bem denunciou a Anistia Internacional.

A Zero Hora de hoje, com textos de agências, publicou na página 26 a seguinte matéria: "ONU denuncia sumiço de equipamentos no Iraque". É mais um motivo plantado pela imprensa para justificar um ataque americano no Iraque. É também mais um exemplo de como a mídia hegemônica mundial comanda o espetáculo da informação, manipulando e conduzindo a opinião mundial para onde quer.


O texto da matéria já começa dizendo que "uma fonte da ONU recusou-se a comentar o grau de seriedade do problema (sumiço dos equipamentos), mas disse que o Iraque havia informado aos inspetores para onde os equipamentos teriam sido levados".

Que fonte da ONU é esta? Quem são estes inspetores? Além disso, a matéria é construída na condicional, como por exemplo "Saddam teria tentado comprar material proibido", o que confere uma inconsistência na veracidade das informações.


Na tentativa de entrar como um foguete nos corações e mentes dos leitores espalhados pelo mundo, e com o objetivo de mostrar que o país de Saddam Hussein é um território do mal, e que portanto deve ser invadido, o governo britânico divulgou ontem um polêmico dossiê sobre supostos abusos contra os direitos humanos cometidos pelo regime de Saddam.

O texto, reproduzido em partes pela mídia mundial e presente na matéria de ZH, diz que o Iraque é um lugar apavorante para se viver. Revela ainda que nas prisões são comuns torturas, como a retirada do globo ocular, a serragem das mãos e banho com ácidos; que Saddam manda cortar a língua e a orelha de quem fala mal dele e que as mulheres são estupradas, torturadas e sumariamente executadas. Ou seja, pelo Dossiê, Saddam Hussein é a própria imagem do demo. Cabe perguntar então se George W. Bush é o deus. Será??




Quem está falando a verdade?

Os jornais Zero Hora e O Sul divergem hoje sobre a participação do PDT na composição do futuro governo federal.


O colunista José Barrionuevo, (ZH - pag. 12) na nota "Brizola reclama do PT" diz que o líder pedetista revelou a Vieira da Cunha estar insatisfeito com o tratamento dado pela equipe de Lula ao PDT, e que o partido poderá ficar fora do governo.


Em contrapartida, o jornal O Sul, na página 15 na nota "PT e PDT fecham acordo" diz que um acordo entre o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e a direção do PDT estabeleceu que a participação dos pedetistas no futuro governo deve ser tratada institucionalmente. Na mesma nota, há um esclarecimento do PDT dizendo que o apoio ao governo de Lula não depende de "qualquer barganha por cargos" e o que define o apoio "é o interesse nacional e o desejo de dias melhores para o povo brasileiro".


Portanto, qual é a informação correta?




Racismo em Roraima

Podem os jornais, impunemente, ser cúmplices de crimes em seus classificados? A Folha de Boa Vista, da capital de Roraima, publicou essa atrocidade no último dia 5, em achados e perdidos: ANIMAIS – Vende-se filhotes de Ianomâmi c/ 1 ano e seis meses R$ 1.000,00 tratar 99713287 Cód.106.063SE.

No dia seguinte, professores Yanomami, numa carta aberta com 21 assinaturas, deram uma lição de dignidade aos seus detratores: "... Vocês, chefes dos brancos, devem estar do nosso lado. Vocês devem falar duro para o pessoal do jornal de Boa Vista, porque eles ficam nos ofendendo. Só assim então nós ficaremos satisfeitos. Estamos muito zangados e preocupados com as palavras ruins que nos insultaram. É isto que temos a dizer. Somos professores Yanomami. Estes são os nossos nomes (...)".



Yes, this is puro português

O caderno "Internet" do Jornal do Brasil publicou ontem (2), na capa, matéria sobre um jogo virtual que diz, no título: "Totalmente em português, ‘Age of mythology’ põe o usuário em ..." trouble. Depois de um texto onde expressões como "age of mythology" e "age of empires" aparecem pelo menos seis vezes, o JB ensina que "o game é prova de que a nacionalização dos títulos tem melhorado muito" e que o "multiplayer" fica fácil "no serviço Ensemble Online (que ou/or which) funciona como o battle.net de warcraft III e diablo II".

Meio tonto, o leitor vai relaxar diante da tv, assistindo um filme em sua língua pátria. Escolhe o Cine Band Brasil, às 22h. E o que o Cine Band Brasil lhe oferece? "Sou ou não sou – de Alan Johnson (EUA/1983). Na 2ª Guerra, durante a ocupação nazista na Polônia ..., com Mel Brooks". (CP, p.21) Confuso, muda de canal, para a TV Cultura, onde só ouve o "portuguese" do ex-embaixador americano no Brasil na época do golpe de 64, mister Lincoln Gordon, entrevistado da noite. Good night, Brazil.



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terça-feira, dezembro 03, 2002


MÍDIA E PODER

Comissão de Ética Pública investiga ida de Parente para RBS.
O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, resolveu ir para o cargo de vice-presidente executivo da RBS, maior grupo de comunicação do sul do País. A decisão de apurar o caso foi tomada após a publicação de uma matéria sobre o tema pela Agência Carta Maior.

Marco Aurélio Weissheimer


A Comissão de Ética Pública, integrada por seis conselheiros nomeados diretamente pelo presidente da República, decidiu investigar o caso da contratação do ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, para o cargo de vice-presidente executivo da Rede Brasil Sul de Comunicação (RBS), maior grupo de comunicação do Sul do País. Segundo matéria publicada na edição desta quarta-feira (dia 27) da Folha de São Paulo, a comissão decidiu reexaminar o caso após a publicação de uma notícia no site da Agência Carta Maior sobre a suposta participação do ministro na elaboração da Medida Provisória 70, que alterou as regras de controle das empresas de radiodifusão. A MP, aprovada em 2 de outubro, favorece os grupos que concentram muitas concessões de radiodifusão, como é o caso da RBS. Segundo especialistas da área, a medida também facilita a captação de investimentos pelos grandes conglomerados de radiodifusão.

Pedro Parente foi liberado, pela Comissão de Ética Pública, da quarentena exigida para os funcionários públicos de primeiro escalão que pretendem passar para a iniciativa privada. O argumento utilizado para a liberação de Parente foi o de que ele estaria indo trabalhar em uma área estranha à sua área de atuação como chefe da Casa Civil do Governo Fernando Henrique. Atualmente, 52 funcionários do primeiro escalão do governo federal estão sujeitos à quarentena, quando ficam impedidos de assumir emprego no setor privado por 120 dias, a partir da exoneração do cargo público. Como vice-presidente executivo, Parente será responsável pela gestão e operação de todas as empresas do grupo RBS -seis jornais, 24 emissoras de rádio e 17 emissoras de TV.


A gênese da MP 70
A matéria publicada pela Agência Carta Maior, no dia 9 de novembro, reconstituiu a gênese da MP 70, a partir de um levantamento realizado pelo site AcessoCom, (www.acessocom.com.br), especializado na área de mídia. Segundo essa fonte, o texto que regulamenta o tema foi enviado à Casa Civil sob a forma de anteprojeto de lei. Entrou como anteprojeto e saiu como medida provisória com um novo artigo, que flexibilizou o limite de propriedade de emissoras de rádio e TV, beneficiando diretamente grupos empresariais de mídia como a RBS.

Citando o serviço de notícias "Teletime News", AcessoCom lembrou que o conglomerado da família Sirotsky é uma das empresas de mídia que controla, por meio de seus acionistas, "o maior número de outorgas em um mesmo Estado e para quem a MP 70 poderia ser de maior serventia". O "Teletime News" assinalou, na época, que o gabinete da Casa Civil participou diretamente da formatação da MP nº 70, editada em 1º de outubro. Conforme essas fontes, após ser alterada na Casa Civil, a MP recebeu um novo artigo estabelecendo que "participações de até 20% de capital (não havendo participação em conselho e diretoria) não estão sujeitas aos limites impostos pelo Decreto 236/67 para o total de outorgas de radiodifusão (no máximo duas em cada Estado, por grupo, até o limite de cinco outorgas de VHF)". Esse artigo possibilita que fundos de investimento e de pensão, nacionais ou estrangeiros, adquiram qualquer quantidade de emissoras de rádio ou TV, respeitado o limite de participação acionária. Ainda segundo o Teletimes News, a RBS, proprietária de outorgas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, "é uma das empresas de mídia que tem, por meio de seus acionistas (a família Sirotsky), o maior número de outorgas em um mesmo Estado e para quem a MP 70 poderia ser de maior serventia".

Segundo a matéria da Folha de São Paulo, o presidente da comissão, João Geraldo Piquet Carneiro, enviou ofício ao ministro das Comunicações, Juarez Quadros, na semana passada, perguntando se Parente participou da elaboração da medida provisória 70, que alterou as regras de controle das empresas de radiodifusão. Segundo Piquet Carneiro, a decisão foi tomada com base na declaração de Parente de que "não havia tido contato relevante com a RBS nos seis meses que antecederam o convite para o emprego". Com a liberação da quarentena, o ministro anunciou sua ida para a RBS, onde começará a trabalhar no dia 1º de fevereiro de 2003. >>topo


Perguntas da Comissão
O ofício encaminhado pela Comissão de Ética Pública ao ministro das Comunicações contém as seguintes perguntas:

1) Que área do governo tomou a iniciativa de propor a MP 70?

2) A RBS encontra-se entre as empresas efetiva ou potencialmente afetadas pela MP?

3) Quem participou da elaboração e discussão da proposta até sua definitiva aprovação pelo presidente da República?

4) Qual o papel específico desempenhado pelo ministro Pedro Parente no processo de discussão e aprovação da MP 70?

As mesmas perguntas foram encaminhadas à Secretaria Geral da Presidência da República. O ministério das Comunicações e o Palácio do Planalto ainda não responderam à comissão, que deve se reunir, dia 5 de dezembro, para reexaminar o assunto. A Comissão de Ética Pública também quer saber se Parente foi convidado para o cargo diretamente pelo grupo de comunicação gaúcho ou através de uma empresa de colocação de executivos (as chamadas "hed hunter"). No site institucional da RBS, a direção da empresa diz que ele foi contratado por intermédio da empresa SpencerStuart.

Segundo a Folha de São Paulo, "a polêmica em torno da MP 70 foi provocada pela inclusão de uma cláusula que permite a participação de investidores em até 20% do capital das emissoras de radiodifusão, fora dos limites de concentração de propriedade estabelecidos pela legislação". Pela legislação em vigor desde 1967, nenhum acionista pode ter mais de duas emissoras de TV por Estado, ou mais de seis rádios FM no país. A família Sirotsky, proprietária do Grupo RBS, tem 12 concessões de TV no Estado do Rio Grande do Sul e cinco em Santa Catarina, registradas em nome de empresas de diferentes membros da família.

Quando a contratação de Pedro Parente pela RBS foi anunciada, no início de novembro, o ministro Juarez Quadros disse que o texto da MP havia sido redigido pelo Ministério das Comunicações. Segundo o presidente da Comissão de Ética Pública, a investigação sobre o caso tem o objetivo de aperfeiçoar a conduta ética. "Estamos agindo com cautela. Se fosse um ministro setorial seria mais fácil aferir se teve participação direta em determinado caso. A Casa Civil tem abrangência muito grande", admitiu à Folha.


OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E O GOVERNO LULA I

Laerte Braga


Lula vai ter que optar em conciliar-se com os grandes no setor de
comunicações, ou buscar democratizar a área, sobretudo televisão e
rádio. Isso implica em entrar em choque com os grandes.
O estado de dificuldades que a ?Globo? enfrenta é um dos maiores
desafios. A rede vai apresentar sua fatura por não ter provocado, a
partir de um determinado momento da campanha, quando a vitória do
petista era líquida e certa, nenhum transtorno, como fez em 1989, quando
editou o debate de Lula com Collor e distorceu fatos a favor do maluco
de Alagoas (dono da ?Globo? no seu Estado).
Rever a política de concessões de canais educativos, fartamente
distribuídos a tucanos e aliados por Pimenta da Veiga, ex ministro das
Comunicações. Os canais chamados comerciais e, principalmente, obter do
Congresso Nacional a votação do Código Nacional de Telecomunicações,
tramitando desde que foi proposto no governo do general Geisel. Todas as
grandes redes nacionais são contrárias. Logo não deve ser de todo ruim.
Basta adequá-lo aos dias de hoje.
É um desafio e tanto.
Candidato ainda, Lula disse que todas vezes que houvesse necessidade
iria usar uma rede nacional de emissoras de tevê e rádio, para explicar
cada ato, cada passo de seu governo e, principalmente, promover o debate
das grandes questões nacionais.
Grandes questões nacionais, por exemplo, são ALCA, Alcântara e Dívida
Externa. São nós górdio do processo político, econômico e social.
Não há uma só rede nacional de rádio ou televisão, sobretudo essa, que
promova, por menor que seja, um debate em torno do assunto. As
informações obedecem aos critérios estabelecidos pelo FMI, pelos bancos
e por Washington.
Como reagir à emenda que permite o controle de 33% do capital de uma
empresa de comunicações (rádio e tevê), por empresas estrangeiras e que,
na prática, significa controle total? Quem quer que entre com 33% do
capital da ?Globo?, por exemplo, devendo 1,8 bilhão de dólares, entra
mandando. Determinando o que quer. Se bem que o exemplo da ?Globo? seja
apenas exemplo, pois o controle é quase que escancarado.
O jornalista Flávio Tavares, uma das legendas do jornalismo brasileiro,
costuma dizer que mesmo os governos petistas, nos estados, não têm feito
uso adequado das redes estaduais de rádio e tevê. De um modo geral
usam-nas para ?proselitismo político da mesma forma que a direita?. Como
transformá-las em veículos de educação, formação de cidadania, sem
preocupações de política partidária?
Para Flávio Tavares esse é o papel revolucionário.
Como tratar as redes comerciais que, entre outras coisas, descumprem
objetivos básicos estabelecidos em lei e que fazem, em tese, da
televisão e do rádio, instrumentos educativos?
Ou como valer-se desses veículos para promover o grande debate nacional,
já que todos são concessões do poder público?
Foi durante o período da ditadura militar que as concessões de canais
de rádio e tevê começaram, de forma quase absoluta, a serem distribuídos
a políticos governistas. Isso existia antes mas havia um certo recato e
até uma cumplicidade entre empresários de comunicações e políticos, o
que, mais ou menos, disfarçava essa atitude política visando o controle
dos meios de comunicação.
No Brasil de hoje, o de FHC, ressurge e com muita força a chamada
imprensa alternativa e noutra dimensão de tempo e espaço, se
confrontada com o período da ditadura militar. É o resultado do
?monopólio? das comunicações que, na verdade, é o braço do neo
liberalismo.
Existem jornais e revistas alternativos com forte presença, nacionais
ou regionais, verifica-se uma tendência, muito mais disposição, de
criar veículos que permitam aos setores tradicionalmente excluídos das
comunicações, terem voz.
Rádios comunitárias são o grande pânico do capital. A rádio Favela, de
Belo Horizonte, uma das quatro maiores cidades brasileiras, é um exemplo
disso. A idéia que essas rádios possam espalhar-se pelo País e isso vem
acontecendo, assusta os grandes grupos empresariais. Seja pela
concorrência em si, seja pela perspectiva de debate dos temas políticos
fora do alcance, de forma deliberada, da classe trabalhadora, dos
excluídos. Têm sido, em diversas circunstâncias, fator de mobilização,
principalmente, de organização.
As tevês comunitárias são outro ?problema? para os grandes. No período
FHC tratou-se de garantir que a maior parte delas ficasse em mãos
?confiáveis?. Na pior das hipóteses, para eles os donos, com forte
presença de sindicatos ligados às centrais de direita (Força Sindical e
CGT), ONGs a partir de vereadores e deputados tucanos,
descaracterizando-as como instrumentos de comunicação livre e
independente.
O que Lula vai fazer diante do escândalo das concessões deste ano por
exemplo? O fato de terem que ser votadas pelo Congresso, em nenhum
momento inibiu a prática de favorecer aliados, pois muitos deles são
deputados ou senadores. Ou marqueteiros, como no caso do marqueteiro da
campanha de José Serra, Nizan Guanaes.
Em 1994 as pesquisas indicavam que Roseana Sarney não seria eleita
governadora do Maranhão. Na ante véspera da eleição o IBOPE divulgou a
última pesquisa e atribuía maior intenção de votos ao seu adversário.
Naquela noite o ?Jornal Oficial?, dito ?Nacional?, não foi
retransmitido, na página das pesquisas eleitorais, pela ?Globo? de
Sarney, da família, no Maranhão.
Isso ocorre com freqüência, quando o noticiário desinteressa ou
prejudica interesses de algum cacique político.
Lula afirmou durante a campanha que seu instrumento de diálogo com o
povo vão ser as redes nacionais de emissoras de rádio e tevê. Há uma
reação, há bastante tempo, da associação de rádios e tevês, a ABERT
(Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) ao chamado
horário gratuito para os partidos políticos, sob a alegação que causam
prejuízos financeiros imensos. Querem o modelo americano: cada partido,
cada coligação, paga por espaço.
Como Lula vai tratar desse assunto em seu governo?
Um governo popular, certamente, não tem lugar para a programação atual,
na maioria dos casos, como exigiria das redes nacionais e regionais que
o papel de educadores, num campo mais amplo, fosse, ou venha a ser
cumprido.
E ainda não falamos do papel da chamada imprensa alternativa, ou da
revolução que rede mundial de computadores começa a provocar.

segunda-feira, dezembro 02, 2002

MIDI@LERTA

Os Jornais

rádios e tevês

Segunda-feira

02-12-2002



Mendelski: agora light e com baixos teores

Muito esclarecedora a entrevista de Rogério Mendelski ao jornal ABC Domingo, do Grupo Sinos, neste domingo (dia 01/12). O ex-apresentador do Gaúcha Hoje, confirma que sua saída de fato tem a ver, especialmente, com a nova configuração de poder político no País. Segundo ele, na reunião em que foi demitido, o diretor da emissora, Armindo Ranzolin, teria lhe dito que a empresa estava mudando o perfil, porque "o ano de 2003 vai ser um ano difícil, vai ser um ano de mudanças de governo".


É bom lembrar que Mendelski prestou-se, ao longo dos anos, a fazer uma oposição virulenta e até irresponsável ao governo petista no Estado e na Prefeitura de Porto Alegre. Fez o serviço. Agora, com a vitória conservadora ao governo estadual e a necessidade de "maneirar" frente ao poder federal, seu estilo "abaixo da linha da cintura" deixou de interessar à RBS.


Após a chapoletada da RBS, dias passados e de contrato assinado com a Pampa, o próprio Mendelski já repaginou sua postura na Pampa. Ele explicou: "(...) vai ser um programa com a minha cara (...) mas não vai ser árduo. Vai ser um programa mais light, mais cuidadoso, até porque os tempos estão mudando, e eu seria muito radical se eu não mudasse se o país mudou".


O fato é que ao longo de seus quase 16 anos de Gaúcha, Mendelski foi sempre radical. Agora se anuncia "light e cuidadoso". Ou seja: seu estilo, no fundo, é o que o mais agradar ao patrão da ocasião.





Tubino: "Jornalistas me ameaçavam para que eu atacasse o governo"



Por falar em entrevista, vale a pena ler as revelações do delegado Luiz Fernando Tubino, ao jornal O Sul (pág. 5 do Caderno Reportagem) de hoje. Tubino, que foi chefe de Polícia em um período do governo Olívio Dutra, mostra, na entrevista a O Sul, mágoa com boa parte da imprensa gaúcha e do centro do País: "Aceitaram e registraram denúncias anônimas, declarações mentirosas e suspeitas infundadas para criar na mídia um personagem corrupto e gerar manchetes ideológicas", recorda ele.


E mais: ele revela que foi "pressionado, assim como sua família, a expor o governador (Olívio Dutra)". Olha só: "Estavam ávidos atrás de provas, não só contra o Executivo, como também contra muitos ocupantes de cargos públicos. Alguns jornalistas acreditavam que eu tinha material que pudesse ser usado contra o governo. Por isso, me ameaçavam diariamente. Diziam que eu deveria escolher: ou eu os entregava ou seria envolvido na lama".


Hoje responsável pela delegacia de polícia de Parobé, Tubino tenta dar a volta por cima. E já entrou com ações por dano moral contra vários veículos de comunicação.


À medida em que os dias passam e os ciclos são fechados, muita coisa começa a vir a público – revelando os bastidores da verdadeira guerra suja sofrida pelo governo da frente Popular no RS, guerra esta que teve na mídia hegemônica gaúcha o seu grande general.



Bisol concede entrevista à Rádio Gaúcha

O secretário José Paulo Bisol concedeu entrevista a Giovani Grizoti, no último domingo, durante duas horas. A conversa foi divida em três blocos e apresentada hoje (02). Primeiro, no Gaúcha Hoje, onde Bisol fez um balanço de sua gestão e suas realizações na Secretaria de Justiça e Segurança. Depois no Atualidade, onde chama de mentiroso o tenente coronel Luis Carlos Martins, no episódio em Pinhal da Serra, que resultou em cinco pessoas feridas, ligadas ao Movimento dos Atingidos por Barragens. Além disso, criticou o deputado do PT Marcos Rolim e falou de seus planos para o futuro. Na parte que foi ao ar no Chamada Geral, disse que a Justiça agiu com se estivesse no século XV ao condenar oficiais envolvidos na destruição do relógio dos 500 anos.


O interessante é que o secretário José Paulo Bisol, tão duramente criticado durante os quatro anos do governo Olívio Dutra em todos os veículos da RBS, concedeu tranqüilamente a entrevista, apresentada inclusive no programa antes comandado por Rogério Mendelski, seu principal algoz, que o atacava diariamente sem lhe dar chance de resposta. Nada como o tempo, como o próprio Bisol disse no início da entrevista, para mostrar o trabalho que ele fez ou procurou fazer como secretário de Justiça e Segurança do Rio Grande do Sul.



Em busca de mais pretextos para a guerra

Já ultrapassa as raias do ridículo, a continuada demonização do ditador do Iraque pela mídia bushista, repetida mundo afora sem muito senso crítico, além de um verbo aqui e ali no tempo condicional, como no último sábado (30/11) em ZH. A página 27 abre com manchete sobre o Iraque. "Casas de iraquianos seriam esconderijo – jornais divulgam planos de Saddam para ocultar armas".


Ninguém ignora que o Iraque vem sendo bombardeado "preventivamente" há anos, pelas forças americanas e britânicas, decididas a garantir o controle de mais 15% das reservas mundiais de petróleo. Continuam, no entanto, a jorrar pretextos para a agressão. "Jornais britânicos revelaram ontem um suposto plano do presidente iraquiano para evitar que as armas de destruição em massa do país sejam descobertas pelos inspetores da ONU ... Saddam teria pedido a centenas de funcionários do governo para que escondessem armas proibidas em suas casas".


Em breve esses jornais, neste caso The Times e The Independent, junto com suas fontes ("o governo britânico e relatórios de inteligência do Iraque"), terão tanta credibilidade quanto o Ibope.





Professor americano denuncia

superpoderes e abusos da imprensa


Desde que começou a circular pelo ciberespaço o Mídia@lerta tem a preocupação de alertar para o poder abusivo e ilegítimo de certo segmento da imprensa. Sem ter delegação de ninguém para isto, a imprensa hegemônica extrapola suas atribuições e se transforma em juiz, legislador e até executivo (neste caso, quando coloca no governo prepostos de seus interesses). A coluna de Flávio Alcaraz Gomes, no Correio do Povo de hoje, traz uma excelente contribuição para o tema, pois vem de fontes insuspeitas: o próprio colunista e o professor norte-americano Ted J. Smith. Vejam o que disse Ted Smith numa conferência citada na coluna:


"O apresentador de TV Dan Rather fala a milhões de telespectadores cinco vezes por semana. Em contraste, o presidente dos Estados Unidos só pode falar à mesma audiência algumas vezes por ano. Ademais, a imprensa é a única instituição americana que nunca é submetida ao extremo rigor inquisitorial do jornalismo investigativo. Tornou-se, assim, uma instituição extremamente poderosa. O que, infelizmente, significa que os jornalistas emergiram exatamente como o tipo de elite privilegiada e ativa que a Constituição procurou evitar. No mínimo isso gerou um enorme potencial para o abuso...".


Até parece que o professor Smith falou pensando no Rio Grande do Sul. Quanto tempo teve o governador Olívio Dutra, por exemplo, para expor e defender as realizações de seu governo? Por outro lado, quanto tempo tiveram os "comunicadores" para atacá-lo? Nem os deputados da oposição fizeram isto tão intensamente.


Outro aspecto é a impunidade desta mesma imprensa, que nenhum outro poder consegue. O Brasil inicia uma nova era, em que os interesses genuínos da população estão representados por um presidente operário. É de se esperar que as ansiadas mudanças cheguem também a esta área, ou todo o resto poderá estar comprometido. Já vimos no RS o estrago que uma imprensa com este perfil pode causar a um projeto político, por melhor e mais bem intencionado que ele seja.



Paraíso dos automóveis

Vá lá que o mundo do capital fictício e da hegemonia global seja feito para os automóveis. Mas, não precisa exagerar. A foto maior da página 27 da ZH de sábado (30) mostra uma dúzia de papais-noéis atravessando a rua em Nova York, "rumo à Times Square". E, embora estejam todos na faixa de pedestres, segundo a legenda do jornal "eles atrapalharam o trânsito".





A direita envergonhada


Assíduo freqüentador das colunas de opinião, um certo sr. Percival Pugina dá as caras hoje, novamente, nas páginas de Zero Hora, desta vez com impropérios contra Cuba. Mas poderia ser contra o PT, contra a esquerda em geral, o socialismo, o governo do Rio Grande do Sul ou Lula. Afinal, estes são os seus temas recorrentes. Nada demais, ter opinião e expressá-las é direito intrínseco à democracia, ainda que as raízes políticas do sr. Pugina estejam fincadas na ditadura militar.


E é esta a questão, pois o mesmo assina-se sempre, simplesmente, como "arquiteto". Ora, ao leitor desavisado, pode parecer mesmo estar lendo um arquiteto não muito afeito às letras. Mas, um mínimo de honestidade e correção do jornal mandaria identificá-lo exatamente pelo que ele é: membro da executiva estadual do PPB, a sigla dos setores mais retrógrados da elite.


A informação está até mesmo no site do PPB do Rio Grande do Sul. Só porque ele se assina assim, não quer dizer que o jornal deva aceitar a meia-verdade. Aliás, não deve. Será que ele tem vergonha do partido que representa e pelo qual até já exerceu mandato? O mais provável é que queira vender uma imparcialidade e uma isenção que ele absolutamente não tem. Pelo contrário, sua oposição ao governo Olívio Dutra, por exemplo, foi raivosa. E o inaceitável é que ZH, Correio e outros jornais façam este jogo. Será que aceitariam uma coluna de Olívio Dutra assinada simplesmente "bancário"? Ou de Lula como "torneiro mecânico"?



Da mídia para a política, da política para a mídia

Nota de José Barrionuevo (ZH, p.14), hoje: "Presidente da Câmara, José Fortunati estréia no domingo, às 10h30min, um programa na TV em que os animais serão os artistas principais. Amigo Bicho estréia dia 8 na TV Bandeirantes."

Depois de eleger políticos para todos os gostos (Antonio Britto, Sérgio Zambiasi, Ibsen Pinheiro, Lauro Haggemann, Cândido Norberto, entre outros, eram jornalistas antes de chegar à política), o "quarto poder" inicia o refluxo, fazendo dos políticos gente de mídia.




A herança que todos querem ocultar


A leitura das entrevistas de FHC e os balanços de seu governo que, inevitavelmente, estão sendo publicados de um mês para cá, com a proximidade do final de seu mandato, mostram uma preocupação comum a todos os veículos da grande imprensa: apresentar um balanço positivo da era FHC, passar por cima de seus problemas e exaltar suas supostas virtudes, como a estabilidade e a democracia, ainda que contrariando os fatos. Por isto causa surpresa uma nota publicada no jornal Estado de São Paulo, sob o título "Relatórios da Transição – FHC não diz tudo":


"Relatórios preliminares da equipe de transição do governo Lula prevêem desabastecimento e epidemia de dengue. Áreas como saúde e agricultura mostram problemas graves. Há uma enorme preocupação do grupo de transição porque, depois de o governo federal anunciar seguidas safras recordes, os dados indicam uma provável escassez de milho e arroz. O primeiro atinge produtores de aves e suínos, o segundo já teve seu preço elevado em 20%. A saúde não vai tão bem assim como anuncia FHC. A epidemia de dengue deve se agravar. Tanto que Fernando Henrique já lançou campanha antecipada de combate à doença. A radiografia do saneamento básico, dos hospitais públicos mostra uma realidade pior do que parece. A crise na defesa civil e nas Forças Armadas, setor sensível para o governo mostra prejuízos e sucateamento. Os diagnósticos mostram que a herança não será tão boa quanto FHC anunciava.".


Esta é a nota, que não cita, ainda, a volta da inflação com toda a força. Para um governo que alicerçou toda a sua política na estabilidade dos preços, o que vem ocorrendo nos últimos meses é simplesmente um atestado de fracasso. A nota, mesmo com a sua concisão, revela não só o que vem sendo ocultado - ou minimizado - pela grande imprensa, como mostra também que há em curso uma tentativa de preservar a figura de FHC. Talvez como uma reserva técnica da elite para a próxima eleição. Ou para preservar o conceito de um modelo econômico que fracassou nos seus objetivos declarados mas que foi muito útil a certos setores – como o financeiro/especulativo - que desejam a continuidade das suas linhas gerais.






* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

Assinar: assinar-midialerta@grupos.com.br