sábado, agosto 24, 2002
Trem fantasma de hoje...
Problemas com celulite? Clique aquí e veja que tudo poderia ser pior, bem pior...
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Aula de sociologia política para criança...
- Pai, eu preciso fazer um trabalho para a escola! Posso te fazer uma pergunta?
- Claro, meu filho, Qual é a pergunta?
- O que é política, pai?
- Bem, ...... Política envolve:
1. povo;
2. governo;
3. poder econômico;
4. classe trabalhadora e
5. o futuro do país.
- Não entendi. Dá para explicar?
- Bem, vou usar a nossa casa como exemplo:
Sou eu quem traz dinheiro para casa, então eu sou o poder econômico; Sua mãe administra, gasta o dinheiro, então ela é o governo; Como nós cuidamos das suas necessidades, você é o povo; Seu irmãozinho é o futuro do país, e A Zefinha, babá dele, é a classe trabalhadora. Entendeu, filho?
- Mais ou menos, pai. Vou pensar.
Naquela noite, acordado pelo choro do irmão neném, o menino foi ver o que havia de errado. Descobriu que o neném tinha sujado a fralda e estava todo emporcalhado. Foi ao quarto dos pais e sua mãe estava num sono muito pesado. Foi ao quarto da babá e viu, através da fechadura, o pai na cama transando com ela. Como os dois nem percebiam as batidas que o menino dava na porta, ele voltou para o quarto e dormiu.
Na manhã seguinte, na hora do café, ele falou para o pai:
- Pai, agora acho que entendi o que é política.
- Ótimo filho! Então me explica com suas palavras.
- Bom, pai, acho que é assim: Enquanto o poder econômico fode a classe trabalhadora, o governo dorme profundamente. O povo é totalmente ignorado e o futuro do país fica na merda!!!
Perfeita né????
- Pai, eu preciso fazer um trabalho para a escola! Posso te fazer uma pergunta?
- Claro, meu filho, Qual é a pergunta?
- O que é política, pai?
- Bem, ...... Política envolve:
1. povo;
2. governo;
3. poder econômico;
4. classe trabalhadora e
5. o futuro do país.
- Não entendi. Dá para explicar?
- Bem, vou usar a nossa casa como exemplo:
Sou eu quem traz dinheiro para casa, então eu sou o poder econômico; Sua mãe administra, gasta o dinheiro, então ela é o governo; Como nós cuidamos das suas necessidades, você é o povo; Seu irmãozinho é o futuro do país, e A Zefinha, babá dele, é a classe trabalhadora. Entendeu, filho?
- Mais ou menos, pai. Vou pensar.
Naquela noite, acordado pelo choro do irmão neném, o menino foi ver o que havia de errado. Descobriu que o neném tinha sujado a fralda e estava todo emporcalhado. Foi ao quarto dos pais e sua mãe estava num sono muito pesado. Foi ao quarto da babá e viu, através da fechadura, o pai na cama transando com ela. Como os dois nem percebiam as batidas que o menino dava na porta, ele voltou para o quarto e dormiu.
Na manhã seguinte, na hora do café, ele falou para o pai:
- Pai, agora acho que entendi o que é política.
- Ótimo filho! Então me explica com suas palavras.
- Bom, pai, acho que é assim: Enquanto o poder econômico fode a classe trabalhadora, o governo dorme profundamente. O povo é totalmente ignorado e o futuro do país fica na merda!!!
Perfeita né????
Depois do comentário sombrio...
Acho que vou colocar alguma coisa aquí pra aliviar a tensão...
Lá vai: meu cachorro, meu orgulho...
Acho que vou colocar alguma coisa aquí pra aliviar a tensão...
Lá vai: meu cachorro, meu orgulho...
Sobre as pequenas tragédias...
O mal, ou o universal delas é que ninguém está livre de sofrer uma. Mesmo as pessoas que jogam limpo. Talvez por isso eu tenha me convencido que todo mundo é igual; nem melhor nem pior, igual.
O mal, ou o universal delas é que ninguém está livre de sofrer uma. Mesmo as pessoas que jogam limpo. Talvez por isso eu tenha me convencido que todo mundo é igual; nem melhor nem pior, igual.
sexta-feira, agosto 23, 2002
A semana foi ruim, muito ruim...
Graças ao diabo ela está acabando.
Então como de hábito, este blog estará fechado para obras da cana creuza, do fumo de rolo e das coisas da vida real.
Gurizada, nos encontramos todos no João para fazer o aquecimento pro Gilberto Gil.
Para os demais amigos e visitantes, um bom final de semana e obrigado pela visita.
Até mais.
Graças ao diabo ela está acabando.
Então como de hábito, este blog estará fechado para obras da cana creuza, do fumo de rolo e das coisas da vida real.
Gurizada, nos encontramos todos no João para fazer o aquecimento pro Gilberto Gil.
Para os demais amigos e visitantes, um bom final de semana e obrigado pela visita.
Até mais.
Da série, pq eu gosto do Juremir Machado da Silva.
O cara é meio pentelho às vezes. Perfeccionista demais. Mas tem opiniões corajosas e é um ótimo professor também. O Juremir trabalha na PUC-RS, e também escreve para o jornal Correio do Povo.
O dedo do Lula
Não sou petista. Mas considero Lula habilitado para ser presidente da República. Essa afirmação tem surpreendido algumas pessoas. As críticas feitas a Lula quase nunca ultrapassam a fronteira da simplificação.
Existem três tipos de argumento: o elitista, o terrorista e o francamente reacionário. Nem sempre os três andam juntos, mas quando isso acontece o ressentimento não tem limites. Quem tem medo de Lula? Quem tem interesse em desqualificá-lo?
Entendo as contestações de quem teme perder muito (embora isso seja, antes de tudo, uma alucinação), mas nunca consigo captar o sentido do pavor das classes médias sem grandes posses que, por uma espécie de "servidão voluntária", saltam em defesa dos interesses dos eternos donos do poder. O argumento elitista sustenta que Lula é ignorante,um operário,um sem-diploma-universitário. Portanto, sem condições de governar a Nação.Não estaria preparado para isso.Trata-se de um sofisma, de uma falácia, de um blefe.
Nos últimos 20 anos, embora não tenha feito graduação na USP nem pós-graduação em Harvard, Lula estudou profundamente na escola da vida, da militância política, das viagens nacionais e internacionais, dos debates intermináveis e do convívio com os melhores cérebros brasileiros, sem contar os de fora. Lula já merece um diploma de notório saber. Não são muitos os professores universitários que conhecem o Brasil profundamente como ele. É, no mínimo, doutor "honoris causa". Collor estava preparado para
governar o Brasil?
Em 1980, Lula era um calouro.Hoje,um PhD em problemas brasileiros. Além disso, integra um partido estruturado e governará com o apoio de especialistas e de intelectuais do melhor calibre.
O argumento elitista apenas atualiza um preconceito, muito apreciado pela mídia, de que só os bacharéis estão aptos a governar. Depois de 500 anos de bacharelismo, continuamos atolados. Chega de retórica empoeirada. Existem muitas formas de aprender. E de governar.
Já pensei o contrário, mas agora entendo que Lula é o melhor candidato do PT e do país. Por quê? Possui capital simbólico, eleitoral e de projeto para ser presidente da República. Simbólico: a condição de líder popular com vasta folha de serviços prestados. Eleitoral: a capacidade cada vez mais ampla de fazer votos. Projeto: representar um programa (mesmo ambíguo) e não somente uma ambição pessoal.
O argumento terrorista continua a ser praticado. Consiste em, com ajuda deorganismos econômicos internacionais, disseminar a idéia de que, com Lula, o país se tornaria ingovernável. Revela a falta de maturidade da direita brasileira para a democracia. Tenta criar uma atmosfera de medo para alcançar uma espécie de voto inútil, na imobilidade. Democracia é alternância. Os países desenvolvidos praticam-na sem maiores dramas. O Brasil precisa entrar no clube dos que não mudam as regras do jogo com base em princípios falaciosos. A esquerda também tem direito de comandar o país. O resto é golpe branco.
O argumento francamente reacionário tem a virtude de não ser hipócrita. Explícito, assume que não deseja mudanças e define seu campo: a direita. É incrível como o conservadorismo brasileiro não gosta de assumir a sua condição de direita. A última sacada da direita para não se assumir como tal é anunciar que não existem mais esquerda e direita, embora isso seja apenas uma forma de atacar a esquerda. Conclui-se que só há esquerda. A direita consegue ser sinistra. Para a esquerda, às vezes, falta destreza.
O problema todo está nos dedos de Lula. Não são dedos de pianista. Nem de bacharel. Para onde apontam os dedos de Lula? Alguns acham que dedos de operário só podem apontar para o mal. Como poderia um sujeito de dedos maltratados dedilhar as cordas do país com harmonia? O problema do Brasil tem sido o excesso de dedos, nunca a falta. Falta um dedo de honestidade para que o Brasil rompa com seus preconceitos e se restrinja ao plano dos argumentos racionais.
O Brasil corre um grande risco, cada vez maior, cada vez menos denunciado no exterior, inacreditavelmente negligenciado pelas autoridades mundiais, um risco tenebroso e alheio ao dedo de Lula: o risco de continuar a ser governado da mesma maneira e com os mesmos resultados. Resta esperar que Lula ponha o dedo nisso.
Por Juremir Machado da Silva.
O cara é meio pentelho às vezes. Perfeccionista demais. Mas tem opiniões corajosas e é um ótimo professor também. O Juremir trabalha na PUC-RS, e também escreve para o jornal Correio do Povo.
O dedo do Lula
Não sou petista. Mas considero Lula habilitado para ser presidente da República. Essa afirmação tem surpreendido algumas pessoas. As críticas feitas a Lula quase nunca ultrapassam a fronteira da simplificação.
Existem três tipos de argumento: o elitista, o terrorista e o francamente reacionário. Nem sempre os três andam juntos, mas quando isso acontece o ressentimento não tem limites. Quem tem medo de Lula? Quem tem interesse em desqualificá-lo?
Entendo as contestações de quem teme perder muito (embora isso seja, antes de tudo, uma alucinação), mas nunca consigo captar o sentido do pavor das classes médias sem grandes posses que, por uma espécie de "servidão voluntária", saltam em defesa dos interesses dos eternos donos do poder. O argumento elitista sustenta que Lula é ignorante,um operário,um sem-diploma-universitário. Portanto, sem condições de governar a Nação.Não estaria preparado para isso.Trata-se de um sofisma, de uma falácia, de um blefe.
Nos últimos 20 anos, embora não tenha feito graduação na USP nem pós-graduação em Harvard, Lula estudou profundamente na escola da vida, da militância política, das viagens nacionais e internacionais, dos debates intermináveis e do convívio com os melhores cérebros brasileiros, sem contar os de fora. Lula já merece um diploma de notório saber. Não são muitos os professores universitários que conhecem o Brasil profundamente como ele. É, no mínimo, doutor "honoris causa". Collor estava preparado para
governar o Brasil?
Em 1980, Lula era um calouro.Hoje,um PhD em problemas brasileiros. Além disso, integra um partido estruturado e governará com o apoio de especialistas e de intelectuais do melhor calibre.
O argumento elitista apenas atualiza um preconceito, muito apreciado pela mídia, de que só os bacharéis estão aptos a governar. Depois de 500 anos de bacharelismo, continuamos atolados. Chega de retórica empoeirada. Existem muitas formas de aprender. E de governar.
Já pensei o contrário, mas agora entendo que Lula é o melhor candidato do PT e do país. Por quê? Possui capital simbólico, eleitoral e de projeto para ser presidente da República. Simbólico: a condição de líder popular com vasta folha de serviços prestados. Eleitoral: a capacidade cada vez mais ampla de fazer votos. Projeto: representar um programa (mesmo ambíguo) e não somente uma ambição pessoal.
O argumento terrorista continua a ser praticado. Consiste em, com ajuda deorganismos econômicos internacionais, disseminar a idéia de que, com Lula, o país se tornaria ingovernável. Revela a falta de maturidade da direita brasileira para a democracia. Tenta criar uma atmosfera de medo para alcançar uma espécie de voto inútil, na imobilidade. Democracia é alternância. Os países desenvolvidos praticam-na sem maiores dramas. O Brasil precisa entrar no clube dos que não mudam as regras do jogo com base em princípios falaciosos. A esquerda também tem direito de comandar o país. O resto é golpe branco.
O argumento francamente reacionário tem a virtude de não ser hipócrita. Explícito, assume que não deseja mudanças e define seu campo: a direita. É incrível como o conservadorismo brasileiro não gosta de assumir a sua condição de direita. A última sacada da direita para não se assumir como tal é anunciar que não existem mais esquerda e direita, embora isso seja apenas uma forma de atacar a esquerda. Conclui-se que só há esquerda. A direita consegue ser sinistra. Para a esquerda, às vezes, falta destreza.
O problema todo está nos dedos de Lula. Não são dedos de pianista. Nem de bacharel. Para onde apontam os dedos de Lula? Alguns acham que dedos de operário só podem apontar para o mal. Como poderia um sujeito de dedos maltratados dedilhar as cordas do país com harmonia? O problema do Brasil tem sido o excesso de dedos, nunca a falta. Falta um dedo de honestidade para que o Brasil rompa com seus preconceitos e se restrinja ao plano dos argumentos racionais.
O Brasil corre um grande risco, cada vez maior, cada vez menos denunciado no exterior, inacreditavelmente negligenciado pelas autoridades mundiais, um risco tenebroso e alheio ao dedo de Lula: o risco de continuar a ser governado da mesma maneira e com os mesmos resultados. Resta esperar que Lula ponha o dedo nisso.
Por Juremir Machado da Silva.
quinta-feira, agosto 22, 2002
ameixa seca ameixa seca ameixa seca ameixa seca ameixa seca ameixa seca ameixa seca ameixa seca
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a minha xexeca...
Vontade de mandar todo mundo para o inferno.
Mas fico só na vontade pq tenho pena do diabo.
Pérola do dia...
As grandes obras de arte somente são grandes por serem acessíveis e compreendidas por todos. (Tolstoi)
As grandes obras de arte somente são grandes por serem acessíveis e compreendidas por todos. (Tolstoi)
quarta-feira, agosto 21, 2002
E fui lá comer pizza...
Hoje, assim como ontem, não terá a montoeira de posts dos outros dias...
Pq?
E isso importa ?
T+
Hoje, assim como ontem, não terá a montoeira de posts dos outros dias...
Pq?
E isso importa ?
T+
Homem Que É Homem...
Homem que é Homem não usa camiseta sem manga, a não ser pra jogar basquete. Homem que é Homem não gosta de canapés, de cebolinhas em conserva ou de qualquer outra coisa que leve menos de 30 segundos para mastigar e engolir. Homem que é Homem não come suflê. Homem que é Homem - de agora em diante chamado de HQEH - não deixa sua mulher mostrar a bunda pra ninguém, nem em baile de carnaval. HQEH não mostra a sua bunda pra ninguém. Só no vestiário, para outros homens, e assim mesmo, se olhar mais de 30 segundos dá briga.
HQEH só vai ao cinema ver filme do Franco Zeffirelli quando a mulher insiste muito, e passa todo tempo tentando ver as horas no escuro. HQEH não gosta de musical, filme com a Jill Claybourgh ou do Ingmar Bergman. Prefere filmes com o Lee Marvin e Charles Bronson. Diz que ator mesmo era o Spencer Tracy e que dos novos, tirando o Clint Eastwood, é tudo veado.
HQEH não vai mais a teatro porque também não gosta que mostrem a bunda a sua mulher. Se você quer um HQEH no momento mais baixo de sua vida, precisa vê-lo no ballet. Na saída ele diz que até o porteiro é veado e que se enxergar mais alguém de malha justa, mata.
E o HQEH tem razão. Confesse, você está com ele. Você não quer que pensem que você é um primitivo, um retrógrado e um machista, mas lá no fundo você torce pelo HQEH. Claro, não concorda com tudo o que ele diz. Quando ele conta tudo o que vai fazer com a Gretchen no dia em que a pegar, você sacode a cabeça e reflete sobre o componente de misoginia patológica inerente à jactância sexual do homem latino. Depois começa a pensar em tudo o que vai fazer com a Gretchen no dia em que a pegar... Existe um HQEH dentro de cada brasileiro, sepultado sob camadas de civilização, de falsa sofisticação, de propaganda feminina e de acomodação. Sim, de acomodação. Quantas vezes, atirado na frente de um aparelho de TV vendo a novela das 8, uma história invariavelmente de humilhação, renúncia e superação femininas escrita pela Janete Clair ou por algum veado - você não se perguntou o que estava fazendo que não dava um salto, vencia a resistência do resto da família a pontapés e procurava uma reprise do Manix em outro canal ? HQEH só vê futebol na TV. Bebendo cerveja. E nada de cebolinha em conserva ! HQEH arrota e não pede desculpas.
Se você não sabe se tem um HQEH dentro de você, faça este teste. Leia esta série de situações. Estude-as, pense, e depois decida como você reagiria em cada situação. A resposta dirá o seu coeficiente de HQEH. Se pensar muito, nem precisa responder: você não é um HQEH. HQEH não pensa muito !
Luis Fernando Veríssimo
Homem que é Homem não usa camiseta sem manga, a não ser pra jogar basquete. Homem que é Homem não gosta de canapés, de cebolinhas em conserva ou de qualquer outra coisa que leve menos de 30 segundos para mastigar e engolir. Homem que é Homem não come suflê. Homem que é Homem - de agora em diante chamado de HQEH - não deixa sua mulher mostrar a bunda pra ninguém, nem em baile de carnaval. HQEH não mostra a sua bunda pra ninguém. Só no vestiário, para outros homens, e assim mesmo, se olhar mais de 30 segundos dá briga.
HQEH só vai ao cinema ver filme do Franco Zeffirelli quando a mulher insiste muito, e passa todo tempo tentando ver as horas no escuro. HQEH não gosta de musical, filme com a Jill Claybourgh ou do Ingmar Bergman. Prefere filmes com o Lee Marvin e Charles Bronson. Diz que ator mesmo era o Spencer Tracy e que dos novos, tirando o Clint Eastwood, é tudo veado.
HQEH não vai mais a teatro porque também não gosta que mostrem a bunda a sua mulher. Se você quer um HQEH no momento mais baixo de sua vida, precisa vê-lo no ballet. Na saída ele diz que até o porteiro é veado e que se enxergar mais alguém de malha justa, mata.
E o HQEH tem razão. Confesse, você está com ele. Você não quer que pensem que você é um primitivo, um retrógrado e um machista, mas lá no fundo você torce pelo HQEH. Claro, não concorda com tudo o que ele diz. Quando ele conta tudo o que vai fazer com a Gretchen no dia em que a pegar, você sacode a cabeça e reflete sobre o componente de misoginia patológica inerente à jactância sexual do homem latino. Depois começa a pensar em tudo o que vai fazer com a Gretchen no dia em que a pegar... Existe um HQEH dentro de cada brasileiro, sepultado sob camadas de civilização, de falsa sofisticação, de propaganda feminina e de acomodação. Sim, de acomodação. Quantas vezes, atirado na frente de um aparelho de TV vendo a novela das 8, uma história invariavelmente de humilhação, renúncia e superação femininas escrita pela Janete Clair ou por algum veado - você não se perguntou o que estava fazendo que não dava um salto, vencia a resistência do resto da família a pontapés e procurava uma reprise do Manix em outro canal ? HQEH só vê futebol na TV. Bebendo cerveja. E nada de cebolinha em conserva ! HQEH arrota e não pede desculpas.
Se você não sabe se tem um HQEH dentro de você, faça este teste. Leia esta série de situações. Estude-as, pense, e depois decida como você reagiria em cada situação. A resposta dirá o seu coeficiente de HQEH. Se pensar muito, nem precisa responder: você não é um HQEH. HQEH não pensa muito !
Luis Fernando Veríssimo
terça-feira, agosto 20, 2002
Caraio...
Não sei como tem gente que se presta a assistir o - grupo em fim de carreira que veio ao Brasil só pra tirar o dinheiro dos trouxas: A-Ha.
Depois de ouvir um dos imbecis da "banda" reclamar que " na primeira vez que vim ao Brasil não tinha nem luz preu ligar minha guitarra, daí sumí no meio do show " e "não tomaremos os vinhos gaúchos, queremos vinhos franceses" - me tapei de nojo dessa gente; tá certo que os vinhos não são lá todo o bicho do mundo mesmo, que o país tem deficiência enormes em TODAS AS ÁREAS, mas cortesia é algo imprescindível para pessoas que lidam com público, em especial "artistas" (pro meu gosto esses caras são uns merdas).
Tenho a impressão que desde quando a família real portuguesa se mandou pro Brasil com a ajuda dos ingleses e por conta disso, transferiu para a colônia toda a dívida que tinha com a Inglaterra, os estrangeiros percebem no Brasil o melhor lugar do mundo para ganhar um dinheirinho fácil e "foda-se esse bando de mestiços".
Pelo menos, no que toca a entretenimento, estou de alma lavada desde ontem por ter assistido a um puta show de um artista local, em um puta teatro daquí...
E fodam-se esses estrangeiros de merda e que pena dos parvos que vão dar dinheiro à eles...
Não sei como tem gente que se presta a assistir o - grupo em fim de carreira que veio ao Brasil só pra tirar o dinheiro dos trouxas: A-Ha.
Depois de ouvir um dos imbecis da "banda" reclamar que " na primeira vez que vim ao Brasil não tinha nem luz preu ligar minha guitarra, daí sumí no meio do show " e "não tomaremos os vinhos gaúchos, queremos vinhos franceses" - me tapei de nojo dessa gente; tá certo que os vinhos não são lá todo o bicho do mundo mesmo, que o país tem deficiência enormes em TODAS AS ÁREAS, mas cortesia é algo imprescindível para pessoas que lidam com público, em especial "artistas" (pro meu gosto esses caras são uns merdas).
Tenho a impressão que desde quando a família real portuguesa se mandou pro Brasil com a ajuda dos ingleses e por conta disso, transferiu para a colônia toda a dívida que tinha com a Inglaterra, os estrangeiros percebem no Brasil o melhor lugar do mundo para ganhar um dinheirinho fácil e "foda-se esse bando de mestiços".
Pelo menos, no que toca a entretenimento, estou de alma lavada desde ontem por ter assistido a um puta show de um artista local, em um puta teatro daquí...
E fodam-se esses estrangeiros de merda e que pena dos parvos que vão dar dinheiro à eles...
segunda-feira, agosto 19, 2002
Da série - 100 músicas inesquecíveis que eu já esquecí...
Miss Lexotan 6 mg - garota
O nome dela é...
Miss Lexotan 6 mg
Garota!
Lembrei o nome
Ela não consegue relaxar
Ela não consegue nem, nem ao menos dormir
Ela é tensa só porque seu amor não vive
Em São Paulo, nem em Porto Alegre,
Em lugar nenhum
Ela tem andado meio frígida
Tem se preocupado com as coisas do coração
Ela teme intensamente que jamais
Conheça um carinha que vá come-la
Estando apaixonado
O nome dela é Miss Lexotan 6 mg garota
Lembrei o nome
Ela era atriz no underground
Hoje ela posa de modelo fotográfico
É frequentadora assídua
De um templo Hare Krishna
Mas mesmo assim ela não fica leve
E quando o sol finalmente raiar
Tudo ficará positivamente mórbido
O nome dela é...
Miss Lexotan 6 mg garota
Lembrei o nome
Miss Lexotan 6 mg - garota
O nome dela é...
Miss Lexotan 6 mg
Garota!
Lembrei o nome
Ela não consegue relaxar
Ela não consegue nem, nem ao menos dormir
Ela é tensa só porque seu amor não vive
Em São Paulo, nem em Porto Alegre,
Em lugar nenhum
Ela tem andado meio frígida
Tem se preocupado com as coisas do coração
Ela teme intensamente que jamais
Conheça um carinha que vá come-la
Estando apaixonado
O nome dela é Miss Lexotan 6 mg garota
Lembrei o nome
Ela era atriz no underground
Hoje ela posa de modelo fotográfico
É frequentadora assídua
De um templo Hare Krishna
Mas mesmo assim ela não fica leve
E quando o sol finalmente raiar
Tudo ficará positivamente mórbido
O nome dela é...
Miss Lexotan 6 mg garota
Lembrei o nome
Me deu vontade de tomar guaraná Sielva...
E essa mer... Cadoria deixou de ser fabricada há décadas...
Foda. Agora só falta me dar vontade de comer bala gasosa...
Biografia de LULA
Esse é o meu candidato. Um brasileiro.
De: "Webmaster PCB"
Data: Mon, 19 Aug 2002 15:14:40 -0300
Para: pcb@pcb.org.br
Assunto: Detalhes da Biografia do Lula
Pai padrasto
Personagem apagado na biografia oficial de Lula, Aristides da Silva resiste como lembrança incômoda
Eliane Brum
Fotos: Acervo pessoal Lula/Centro Sérgio Buarque de Holanda/Fundação Perseu Abramo
MEMÓRIA DOLOROSA
Lula (direita) só conheceu o pai Aristides (esquerda) com 5 anos, numa visita do pai ao sertão. Durante a vida, passaram pouco mais de um ano juntos, período marcado por humilhação e violência. Não aparecem lado a lado em nenhuma foto
Os brasileiros não viram a parte mais dolorida do programa em que Luiz Inácio Lula da Silva contou a história de sua vida. Durante a gravação, o candidato do PT chorou ao lembrar que o pai, Aristides Inácio da Silva, deu sorvete a dois de seus meios-irmãos e negou a ele. 'Você não sabe chupar sorvete', disse-lhe o pai. Lula decidiu cortar a passagem do programa para não 'expor uma dor pessoal', como revelou o jornal O Globo no sábado 27. Lula não gosta de falar do pai, o personagem mais controverso de uma saga pessoal marcada por sofrimentos comuns à maioria dos brasileiros pobres. Quando é obrigado a recordá-lo, o faz com os olhos marejados. Nega qualquer influência dele em sua vida. 'Hoje, aos 56 anos, eu perdôo meu pai', disse Lula a ÉPOCA. 'Valeu o espermatozóide que me gerou.'
O pai de Lula, morto em 1978 de alcoolismo, sobrevive nas lembranças do filho como pura dor. Ele foi sepultado como indigente no cemitério de Vicente de Carvalho, no litoral paulista. Nenhum dos filhos quis retirá-lo da vala comum dos desvalidos para lhe dar um túmulo e um epitáfio. 'Morreu. Tava feito', diz o filho mais ilustre. O que Lula se esforça para enterrar é a herança de Aristides: abandono e brutalidade. O legado do pai padrasto é a chave para compreender a gênese do homem carismático, de gestos generosos e comportamento acolhedor que quer ser presidente do Brasil. Ausente na história, a memória do pai é tão onipresente quanto o dedo decepado de Lula.
Reduzida a duas linhas na biografia de campanha, Aristides é uma imensa sombra emocional. A história tem início em setembro de 1945, quando Aristides deixa Caetés para empreender o êxodo para São Paulo. Faltava um mês para Lula nascer. O pai não esperou. É também ali, na voragem do sertão pernambucano, que começa a saga da família Silva. 'Uma síntese tão perfeita do país que, se fosse ficção, seria considerada de má qualidade, porque tudo se encaixa', define a jornalista e historiadora Denise Paraná. Autora de uma tese de doutorado defendida na USP e publicada no livro O Filho do Brasil, Denise usa recursos da psicanálise para estudar a construção de Lula como líder de massas a partir da relação com os pais. Foi a única, entre muitos biógrafos do candidato, a apontar a importância de Aristides. 'Lula precisou destruir a autoridade paterna ä para reconstruir a própria autoridade, um novo projeto para ele e para os seus. Persegue esse objetivo incansavelmente', afirma. 'Ao superar o pai, mudou radicalmente um destino que poderia ter repetido o de Aristides, como tantos brasileiros que compartilham dessa origem, mas que chegou a Lula.'
A VELHA FAMÍLIA SILVA Até a morte, dona Lindu (à esq.), a mãe de Lula (no círculo), manteve os filhos unidos e a casa aberta aos parentes
É na oposição entre a tirania do pai e a rebeldia da mãe que a biógrafa encontra o cimento que amalgamou os alicerces do Lula atual. Aristides foi um déspota familiar típico, que aplicava surras constantes e inexplicáveis nos filhos, negando a eles qualquer possibilidade de progresso ao lhes proibir estudar. Se tivesse desaparecido da vida de Lula mais cedo, talvez as marcas deixadas fossem menos difíceis de apagar. Para o presidenciável, não se trata de lidar com o abandono do pai, como tantos órfãos que aos poucos aprendem a suportar a dor de uma ausência, mas de carregar a lembrança de humilhações sucessivas por parte de um personagem cujo papel, para a maioria das pessoas, é de fundador da personalidade e semeador de esperanças. A mãe, Eurídice Ferreira de Mello, a dona Lindu, abandonou Aristides depois de um longo rosário de sofrimentos, levando pela mão os oito filhos. Até morrer, em 1980, de câncer, cumpriu o juramento feito ao marido de nunca mais lhe botar os olhos. Apenas Genival da Silva, o Vavá, visitava o pai em Santos. Mesmo adulto, não tinha coragem de fumar na frente de um Aristides já derrotado pela bebida. Dos traços físicos paternos, os irmãos só admitem que Lula herdou o nariz. Como qualidade a ser exaltada, apenas o fato de que Aristides era trabalhador. Sem ser politizado, tinha seus ídolos: Getúlio Vargas e Luiz Carlos Prestes. Lula credita todas as virtudes herdadas à mãe, que ao deixar o marido depositou no caçula suas melhores expectativas. Ao contrário do pai, a quem reservou um lugar de indigente também em sua história, ele instalou a mãe no posto mais importante de sua vida. 'Minha mãe largou tudo e foi embora. Para mim essa coragem foi impressionante', enfatiza. 'Ela mostrou que é possível vencer. Basta brigar.'
Ao deixar o sertão e a esposa com a barriga espichada do sétimo filho, Aristides carregou com ele uma menina de 16 anos. Dona Lindu desconhecia a traição. Com pouco mais de 70 anos, Valdomira Ferreira de Góis é o que restou dessa fuga. Prima da mãe de Lula, ela ficou conhecida como dona Mocinha, a garota que partiu com o marido alheio para a cidade grande. É dela o relato: 'Um dia eu voltava da escola e uma mulher me perguntou se eu não queria ir embora com ele. Eu pensei que era para trabalhar, não sabia que era para virar mulher. Ele me pegou de noite e viemos embora', conta. 'Ele foi preso no Recife e depois no Rio porque eu era de menor. Falava que eu era irmã, mas o documento não marcava. Depois fomos para São Paulo. Eu já não tinha mais valor no Norte, então fiquei mais ele.'
A NOVA FAMÍLIA SILVA Em casa, quem manda é Marisa (ao centro). No Rio, com o filho Luiz Cláudio, a nora e o neto, em rara foto familiar
Sem saber desse outro enredo tecido ao sul, as dores de dona Lindu chegaram um mês depois. Avisou José, irmão mais novo do marido, de que o menino vinha a galope. 'A parteira era muito gorda e eu muito magrinho, ela se agarrava em mim e caíamos os dois do cavalo pelo caminho', recorda José, aos 75 anos. 'Quando chegamos, o menino já foi nascendo. Depois, mamou como um bezerro.' Nesse atropelo sertanejo nasceu Lula, em 27 de outubro de 1945, tendo por padrinho o expedito José e sua namorada Lili, 'uma moça da roça, mas linda demais'.
O pai ressurgiu como aparição após cinco anos, trazendo Mocinha e mais três filhos da família fecundada no êxodo. A todos contou que havia andado embaixo da terra. Ganhou fama de mentiroso até descobrirem que se referia aos túneis da Via Anchieta, que liga São Paulo a Santos. Antes de voltar ao Sudeste, ainda semeou mais uma filha em dona Lindu. O nome escolhido era Sebastiana. A atendente do cartório achou feio demais e registrou Ruth, nome tão exótico para os Silva que por toda a vida ela foi chamada de Tiana.
Ao retornar a Santos, onde sobrevivia carregando sacas de café no porto, Aristides levou com ele o filho Jaime. Cansado de apanhar, o menino sublevou-se adotando como arma a única que o pai não poderia alcançar: as letras. Analfabeto, Aristides usava o filho para manter a correspondência com a família. Ao final de uma das cartas, Jaime fez um acréscimo por conta própria. Escreveu que o pai dera a ordem de venderem tudo o que tinham e partirem para São Paulo.
O artifício de Jaime foi o primeiro de uma série de acasos encadeados que ajudaram a colocar Lula mais perto da história do Brasil. Aos 65 anos, Jaime é o mais velho entre os irmãos vivos de Lula. José, o Zé Cuia, morreu na fila de transplante de coração há 12 anos. Trabalhador, Jaime até hoje acorda às 4h30 para iniciar a jornada de metalúrgico. 'Eu estava sozinho, apanhando como cachorro. Resolvi mandar ä dizer que era para virem. Na hora da leitura, pulei essa parte', conta. 'O pai nunca descobriu. Se soubesse, tinha me matado.'
Ao receber a carta, dona Lindu apressou-se a cumprir a última ordem do marido. Vendeu a casa, o terreno, as cadeiras, o jumento, os santos, até os retratos. Reuniu a prole e subiu no pau-de-arara. Depois de 13 dias, chegaram a São Paulo e pegaram pela primeira vez na vida um automóvel, para ir ao encontro de Aristides. O pai estava no porto quando foi avisado de que o passado desembarcava empoeirado e exausto de um táxi Chevrolet 1951. 'Virou macho', recorda Vavá, aos 62 anos. 'Eu só lembro da gente na porta do balcão do Porto de Santos. E da frustração da minha mãe', recorda Lula. 'Meu pai brigou com ela porque não tinha trazido o cachorro.'
MÃE HEROÍNA Foi dona Lindu quem deu o apelido a Lula. Ela orgulhava-se de ter criado oito filhos honestos na pobreza
Colocada na condição de 'outra', dona Mocinha foi instalada numa casa mais distante. Dona Lindu ocupou a 'casa grande', como explicam os filhos. Aristides passava por lá pela manhã e à noite. Todo dia, Lula e o irmão José, o Frei Chico, eram obrigados a percorrer quilômetros para buscar água para a segunda mulher do pai. Em troca, ela lhes dava pão velho. 'A mãe pedia para a gente não aceitar, mas nós comíamos escondido', confessa Lula. Para si mesmo, Aristides comprava broa. Para os filhos da segunda família, pão e frutas. Para Lula e os irmãos, apenas o suficiente para não morrerem de fome. O pai que proibia aos filhos estudar fingia ler o jornal na travessia da barca. 'Nosso pai era um monstro', diz Frei Chico, aos 60 anos. Numa ocasião, apanhou tanto que fez xixi nas calças.
O sofrimento durou pouco mais de um ano. Tempo suficiente para deixar marcas eternas nos vivos e sepultar dois filhos mais - outros dois haviam morrido ainda crianças no sertão. Aristides gerou um casal de gêmeos em dona Lindu, que entrou em coma no parto. O pai ignorou os bebês. 'A gente não sabia como cuidar deles', lamenta Maria, aos 58 anos, a irmã mais próxima de Lula. 'Morreu primeiro um, o outro no dia seguinte.' São muitas as lembranças desse tempo. Nenhuma boa. Como o passeio na barca usada pelo pai em pescarias. 'Um dia a barca inundou e eu não sabia nadar. Fiquei parado, esperando. Meu pai me derrubou na água com uma remada na cabeça. Meus irmãos me salvaram', conta Lula. 'Ele nos levava nas caçadas. Acendia uma fogueira à noite para espantar as cobras e saía para caçar. A gente dormia ali, com medo. Ou nos levava para o mangue, cortar lenha. Era duro andar descalço, os gravetos entrando no pé.'
O reinado de Aristides terminou no dia em que levantou a mão para bater em dona Lindu. Na lembrança dos irmãos de Lula, o pai enfurecera-se por causa de uma calça descosturada. Na memória do candidato, ele avançou para lhe dar uma mangueirada e a mãe não permitiu. Em sua versão pessoal, é para proteger o filho caçula que ela decide partir. É também esse Édipo sertanejo o único que teve a chance de progredir, formando-se no Senai, o equivalente a um diploma universitário para a família. Tão valorizada era a profissão que, no primeiro dia como torneiro mecânico, Lula se sujou de graxa propositalmente antes de voltar para casa. Queria provar à mãe que havia vencido.
Longe do marido, dona Lindu imprimiu seu mando. Abriu a casa para os parentes nordestinos, passageiros do sonho da metrópole onde os trens voavam sobre a cabeça dos homens. 'Nunca vi minha mãe sem esperança, nem nos piores momentos. Ela me provou que é possível vencer na vida', diz Lula. Ele só deixou a mãe no dia do casamento. Chorou de saudade na lua-de-mel. Ao atacar Lula na eleição de 1989 com um golpe rasteiro - o suposto abandono da filha com Miriam Cordeiro, Lurian -, Fernando Collor mexeu com dinamite pura. Lula ficou aniquilado. 'Os assessores queriam que Lurian desse uma entrevista', conta Frei Betto, companheiro de muitos anos. 'Lula se fechou numa sala com a filha e, ao sair, anunciou: 'Filha minha não vai dar entrevista falando mal da mãe'.'
PADRINHO Quando dona Lindu, mãe de Lula, sentiu as dores do parto, chamou pelo irmão do marido (foto). José buscou a parteira e batizou o menino. Hoje é caseiro de um sítio no interior paulista. Ao dizer ao patrão que era tio de Lula, ele teve um ataque de riso
Ser um bom pai sempre foi um imperativo para o filho de Aristides. Mesmo Marcos Cláudio, filho do primeiro casamento de Marisa, tem 'Lula da Silva' no nome. O Lula caloroso, afetivo, torna-se feroz quando a imprensa tenta invadir a privacidade da família. Seus meninos são intocáveis e, na quarta eleição, poucos brasileiros podem dizer que lembram do rosto de algum dos cinco filhos do candidato. Em casa, sempre foi Marisa a responsável pela linha dura na educação. Lula ocupa o lugar do pai carinhoso, com dificuldade de recusar um pedido. 'Ele trata os filhos como crianças até hoje', conta Frei Chico. 'Os meninos ficam brabos porque ele tem esse defeito nordestino de sentar e pedir as coisas, achar que filho foi feito para servir o pai.'
O filho mais ilustre da família Silva veria o pai poucas vezes depois de adulto. A mais marcante foi quando morreu sua primeira mulher, a tecelã Maria de Lurdes, numa hepatite mal diagnosticada na gravidez, que arrancou a vida da mãe e do bebê. No velório, nos fundos da primeira casa própria, o chão cedeu ao peso dos parentes, protagonizando mais um capítulo da saga surrealista e tão brasileira. Hospedado na casa de um irmão, o pai foi despachado de volta para o litoral porque bebia demais. Havia muito dona Mocinha também o abandonara por ter se tornado 'tão ruim que acabaria matando a todos'.
Aristides povoou o mundo com 25 filhos, mas morreu sozinho. 'Pagou...', diz Lula. 'Não deixou nada de bom. Nunca me fez um carinho nem brincou comigo. Não tenho isso. Mas também não me queixo, não quero ficar remoendo. Hoje olho para trás e não tenho ressentimento. Milhões de pessoas passam por isso. Uns conseguem superar, outros não. Uns vencem, outros não.' Quando o pai morreu, Lula liderava a greve da Scania, em plena ditadura militar. Só soube dez dias depois. O funcionário do hospital perguntou à última das mulheres que Aristides teve na vida se ele tinha algum parente. Ela respondeu: 'Não tem ninguém. Enterra como indigente'.
Na morte da mãe, Lula estava preso no Dops. Foi liberado pelo então delegado Romeu Tuma para vê-la e, mais tarde, ir ao enterro. Até o fim, dona Lindu esperou de Lula a realização de suas esperanças. 'Posso não ter nada na vida', dizia. 'Mas quando eu morrer vai ter flor no meu enterro. Tenho certeza de que o Lula vai conseguir isso.' Foi sepultada no cemitério da Vila Paulicéia, em São Bernardo do Campo, onde vivem todos os seus filhos. Seu túmulo está cheio de flores, superlotado porque sempre é aberto para abrigar um parente que não tem para onde ir no êxodo derradeiro.
Paternidade selvagem
Desamparados, os órfãos da cidadania brasileira ainda buscam a figura do provedor no presidente
Antonio Gonçalves Filho
A MESMA CANÇÃO Getúlio Vargas visto em caricatura de Nássara que faz referência ao samba popular sobre a volta do 'pai dos pobres' nas eleições presidenciais de 1950. O Brasil mudou?
Um Brasil sem oligarcas e livre dos chefões do crime organizado parece utópico como a instauração de um matriarcado caraíba na terra da cobra grande. De qualquer modo, a idéia não é absurda. Afinal, a tribo que recebeu os primeiros colonizadores foi freudiana antes de Freud: rejeitou a figura do pai que oprimia mulher e filhos, devorou seu corpo em rituais antropofágicos, urrou de alegria e inaugurou uma cultura. Como o fantasma do colonizador continuou a ameaçar, o Brasil, de lá para cá, vem consumindo presidentes em atualizadas festas totêmicas. Nelas, os filhos devoram o pai e tentam incorporar simbolicamente seu poder. O processo de impeachment de Collor foi um simulacro de banquete canibal, segundo psicanalistas. Getúlio Vargas, o 'pai dos pobres', foi perseguido por 'aves de rapina' até dar um tiro no coração. Jânio foi levado por 'forças ocultas'. Collor escapou, mas foi moralmente linchado, só voltando aos braços dos 'filhos' nestas eleições, em que seu passado de padrasto foi esquecido.
Por tudo isso o psicanalista Contardo Calligaris diz que o Brasil sempre esteve atrás de 'um pai simbólico que forçosamente reprimiu'. O brasileiro, afirma, inveja sua potência, mas recusa-se a abdicar das tetas da mãe (daí a 'mamata'). Ora, um pai real só pode exigir do filho um tributo concreto. Calligaris adota como exemplo dessa conflituosa relação a dívida do país com o FMI, arremedo da figura do pai opressor. O Brasil, diz, parece viver 'entre a tentativa de agradar, obedecendo ao Fundo, e a tentação de ser, para o mesmo, o eterno devedor inadimplente'. Onze anos após ter escrito sobre esse 'mecanismo histérico', Calligaris não abjura sua teoria.
O brasileiro, sentindo-se órfão e desamparado pelo Estado, vota num presidente, mas quer mesmo é eleger um pai - compreensível num país em que milhares de crianças cheiram cola nas ruas e bebês são abandonados em latas de lixo. O professor de ética e filosofia política da Universidade de São Paulo Renato Janine Ribeiro não está convencido de termos criado uma alternativa para a figura paterna. Admite apenas que a figura do pai primitivo, providencial, diminuiu. 'Perdemos o elemento regulador paterno, autoritário, sem ganhar o democrático.'
Esse sentimento de orfandade e desamparo leva a uma perversão das relações sociais, o que explica o advento de organizações criminosas, como o Comando Vermelho, e as disputas pelo poder paterno entre 'irmãos' do tráfico. A sociedade reclama, esperando que um pai autoritário desça da montanha com as tábuas da lei. Não foi assim que Stalin, o 'paizinho' dos russos, implantou um regime de terror? No entanto, a função do pai esperado pela sociedade brasileira, a do protetor dos pobres, não é a daquele que interdita. Ao contrário, é a do que reparte o próprio corpo como uma mãe, lembra Calligaris. É o pai que vira uma 'vaca leiteira' para a comunidade.
A tese provoca desconforto no meio psicanalítico. Afinal, no mundo globalizado, não há sequer lugar reservado para o provedor da família, ameaçado com o desemprego, a exclusão e a perda do papel paterno. Pode-se renunciar ao pai simbólico da horda selvagem, mas não impedir que surja outro, ainda mais violento, em seu lugar. Melhor chamar o velho outra vez?
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/1,6993,EPT357595-1655,00.html
Depoimentos completos sobre o pai de Lula
Eliane Brum
Depoimento de LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
"Minha mãe simboliza dignidade, comportamento ético. A idéia de que não basta ser pobre, miserável, para ser bandido. Ela sempre foi uma alentadora de esperanças, não desanimava nunca. Não lembro de tê-la visto de mau-humor. Mesmo nas situações mais complicadas, tinha esperança. Isso foi o que sempre inspirou a minha vida. Acreditar que a gente sempre podia fazer mais, conquistar um espaço maior. Para isso só é necessário brigar.
E o meu pai era exatamente o contrário. Hoje eu tenho clareza. Não diria que era uma figura ruim. Era rude. Meu pai tinha um comportamento pouco recomendável. Muito bruto, não tinha carinho com os filhos. Não deixava os filhos fazerem praticamente nada. Quando estava chegando a hora de meu pai chegar em casa, era uma tortura para todos nós.
Meus irmãos não podiam ir ao cinema, nem fumar. Se estavam jogando bola na rua tinham que entrar pra ficar dentro de casa. Não queria deixar estudar porque achava que só servia para minhas irmãs escreverem cartas para os namorados. Ele não dava nenhuma importância para a escola.
Era analfabeto e todo o dia comprava o jornal. Acho que era o que pôde ser, foi educado para ser. Eu tinha cinco anos de idade quando o conheci. Ele não dava espaço. Não tratava os filhos como eu trato os meus. Minha mãe, não. Nunca levantou a voz ou a mão. O sacrifício dela norteia a minha vida.
Lembro pouco da minha infância em Pernambuco. Lembro da minha vida depois de chegar a Santos, quando vivíamos num lugar mais civilizado. Um dia a mãe descobriu que a outra mulher do meu pai ganhava mais coisas que ela. Tinha uma quitanda e o pai mandava entregar os alimentos. Aconteceu de entregarem errado. A mãe foi acumulando raiva. Meu pai era bruto, ignorante. Quando minha mãe abandonou-o, só tínhamos uma tina, uma faca e uma lata de leite Mococa. Eram os móveis que a gente tinha. Nessa lata ele guardava a broa para ele.
Fico pensando na coragem da minha mãe em deixá-lo, uma mulher analfabeta, com oito filhos para criar. Penso também em como a vida do povo piorou. Meu pai era estivador e sustentava duas famílias, pagava dois aluguéis. Trabalhava todo chique, de terno e gravata. Minha mãe largou tudo e foi embora. Fomos morar num barraco. Um dia fomos ao cinema e, quando voltamos, as paredes do barraco haviam caído. Mesmo isso não desanimava a minha mãe.
Por isso eu faço uma análise relativa do que é pobreza e bandidagem. É verdade que o tempo e a sociedade eram outros, TV não existia. Talvez, hoje, algum dos meus irmãos acabasse caindo na marginalidade.
Se eu tivesse ficado em Pernambuco, não sei o que teria acontecido comigo. A ociosidade acaba levando as pessoas a viverem num bar, bebendo, e a morrer precocemente. Aconteceu isso com vários primos meus. Talvez tivesse dado certo em outra coisa, mas dar certo em Garanhuns era muito difícil. Foi acertado minha mãe ter vindo para São Paulo. O pai veio antes, mas não queria que a gente viesse. Por ele, estaríamos lá.
De todos nós, sou eu o que mais tenta entender e assimilar o meu pai. Alguns dos meus irmãos jorram ódio e raiva em cima do meu pai. Eu acho que ele reproduziu com a gente a vida que teve. Hoje, aos 56 anos, eu perdôo meu pai pelo que ele fez. Valeu a pena o espermatozóide que me gerou."
Depoimento do irmão de Lula JOSÉ FERREIRA DA SILVA, 60 anos, mais conhecido como FREI CHICO
VELHA FAMÍLIA SILVA Até a morte, dona Lindu (à esq.),a mãe de Lula (no círculo), manteve os filhos unidos e a casa aberta aos parentes
"Meu pai veio embora para São Paulo com uma prima da mãe. Eu tinha três anos e o Lula nem tinha nascido. Queria arriscar a vida e uma mulher nova facilitava.
Voltou em 1950 para nos visitar. Ficou 15 dias. Aí nasceu minha irmã Ruth. Minha mãe aceitou-o. Ela era muito pacífica nisso. Quando o pai voltou para Santos novamente, trouxe o meu irmão Jaime. Ele escreveu para nós em 1952. Foi coisa dele dizer para a mãe que era para vender tudo e vir embora para São Paulo. O pai não estava nos esperando. A reação dele foi braba. Ele queria ter uma outra vida na cidade grande e nós atrapalhamos.
Ficamos um ano e pouco com ele. Levou a família para outra casa e nós ficamos morando na casa que ele morava. Era muito ignorante. Maltratava muito a gente. Minhas irmãs trabalhavam em casa de família, os mais velhos também trabalhavam. A gente não podia sair de casa, não podia ir à escola. Tinha um povo nordestino que achava que filho saber ler era besteira. Filho era para trabalhar.
Um dia ameaçou bater na mãe. E aí acabou. Outra mulher a mãe agüentava, mas apanhar, não. Ele batia muito na gente. A única coisa que aprendi com ele na vida foi a caçar. Era muito famoso em Santos: Aristides, o caçador. Para os outros, ele era bom. Era ruim para a gente. Não sei o porquê. Eu sempre tive muita mágoa. Depois percebi que era ignorância. No final, tinha dó.
Um ano antes de ele morrer, eu, minha mulher, o Lula e a Marisa fomos visitá-lo. Deixamos endereço, telefone, para um cara no boteco. A outra família já havia abandonado o meu pai, porque também era muito ruim para eles. Ele ficou doente mas não nos avisaram. Uma outra mulher que tomava dinheiro dele disse que não tinha parente nenhum, que podia enterrar. Foi enterrado como indigente. Triste, né. A mãe morreu dois anos depois.
Meu pai era getulista. Era simpatizante, não militante. Falava bem do Getúlio por causa das leis trabalhistas e porque era macho.
Com o meu pai, que sempre foi tão ruim, aprendemos que não é para maltratar os filhos. Eu nunca bati num filho meu. Criei três filhos e nunca precisei bater. O que o meu pai fez comigo eu não faço com os meus filhos. Me revolta alguém bater numa criança. A gente apanhou muito. Tudo, para o meu pai, era resolvido no cacete. Foi duro.
A mãe dizia que antes de sair de casa era muito chegado com as crianças, antes de conhecer essa mulher. Depois virou um monstro. O cara passou a ter raiva dos filhos. Isso acontece muito. Ele queria ter uma vida nova. Nós passamos a ser um estorvo na vida dele. Isso é muito nordestino, machista. Meu pai foi muito machista. Mandar na família, bater nos filhos, ter duas, três mulheres.
Uma ocasião ele chegou, passou em casa e a gente tava chupando sorvete. Ele não admitiu. Pôs pra dentro de casa porque a gente não sabia chupar sorvete. Queria saber onde arrumamos dinheiro. Ameaçou a gente. Bateu na minha irmã. Era muito ignorante.
Para os outros filhos, da outra mulher, era diferente. Mas quando a mãe se separou dele, passou a maltratar a outra família. Ele bebia muito. Morreu como alcoólatra. Cachaça. Boa e barata. Mas trabalhou até se aposentar. Sempre trabalhou muito. No final de semana a gente catava lenha no mangue e ele vendia. Não dava nada para nós. No máximo, comprava uma alpargatinha ou um chinelo, quando comprava. Só fomos para a escola quando a mãe decidiu ir embora. Nós fomos abandonados pelo nosso pai. E bem abandonados.
Se tivéssemos ficado com ele, o Lula não seria o Lula. Nossa sorte foi o Jaime nos tirar de Garanhuns. Ele queria proteção, queria a família perto. A outra sorte foi ter a mãe que tivemos, uma pessoa muito direita. O Lula chegou onde chegou por causa da mãe. Foi o único que estudou numa escola técnica, um orgulho para a mãe. Se não fosse sair de Garanhuns e ter essa mãe, o Lula seria um mendigo, um acoólatra.
Nossa mãe é a heroína da família. Foi pai e mãe, tudo. Pai e mãe também dos primos que vinham para cá. Recebia todo mundo na casa dela. Nossa casa era pensão até arrumar emprego. Sempre cheia e ela sempre com a porta aberta. Queria que o Lula fosse metalúrgico, formado, e tivesse uma família. Tinha muito medo de ele se meter em política. Não queria. O Lula é paizão como a minha mãe.
O pai era honesto, muito honesto. Não devia nada para ninguém. Era muito direito nas coisas que fazia, mas era essa coisa horrorosa como pai. Meu pai não foi exemplo. Pelo contrário. Me dá ódio falar nele. Ódio e dó ao mesmo tempo."
Depoimento de VALDOMIRA FERREIRA GÓIS, a mulher que fugiu de Pernambuco com Aristides, pai de Lula, mais conhecida como DONA MOCINHA
DONA MOCINHA
Ela era adolescente quando fugiu com Aristides (pai de Lula). Ao abandoná-lo, chegou a mendigar. Vive em dois cômodos úmidos no litoral paulista, com um filho alcoólatra. Quer encontrar Lula para pedir-lhe um aparelho auditivo.
"Eu queria pedir um aparelho de ouvido para o Lula. Estou completamente surda. Vim com o pai dele para São Paulo. Eu vivia lá, sozinha, sem pai. Não conhecia a família do Aristides até minha mãe se mudar para lá, onde foi trabalhar de alugada. Eu não pensava nada naquele tempo. Ele não falou nada pra mim, não. Mandou uma mulher perguntar se eu queria ir embora mais ele. Eu achei que era pra vir trabalhar pra cá. Aí vim. Tinha uns 16 anos, era mocinha. Fugimos de noite. Fugi porque não pensei em nada. Eu namorava um rapaz tão bonito, queria casar comigo, mas ele morava longe.
Lá no Norte o pai do Lula nunca falou nenhuma besteira para mim. Quem me iludiu para vir foi a Alzira, me chamou quando vinha da escola. 'O Aristides perguntou se você quer ir pra São Paulo mais ele.' Ele sofreu por minha causa. Eu era de menor. Ele foi preso em Recife, não ficou comigo. Eu fiquei com umas meninas num hotel. Ele mentiu que eu era irmã dele, mas os documentos não marcavam. Aí arrumamos uma passagem de navio pra ir embora pra Santos. Quando nós embarcamos no navio foi a mesma coisa. Eu fiquei no albergue e ele preso. Lá no Rio de Janeiro. Depois ele ficou livre. Aí não me separei dele não, ficava chato ficar sozinha por aqui. Se voltasse para o Norte iam falar mal de mim. Então fiquei.
O Aristides era bonzinho quando veio do Norte comigo. Depois voltamos para visitar e eu já tinha três meninos dele. Quando trouxe o Jaime para São Paulo se revoltou da cabeça. Batia no moleque a toa. Batia, batia. Depois que a outra família veio para São Paulo virou a cabeça de vez.
A mãe do Lula ficava na Casa Grande porque tinha muitos filhos. Ela é minha prima por parte de pai. O pai dela é meu tio. Era muito boazinha. Eu vivia na casa dela, comia na casa dela porque minha mãe trabalhava lá. Depois, aqui, eu queria conversar com ela, mas ela não queria. Ela tinha raiva de mim, mas eu não tinha raiva. É que eu vim com o marido dela.
O Aristides batia muito nos meninos dela. Uma vez quase matou o Ziza (José Ferreira da Silva, o Frei Chico). E o Jaime ficou todo cortado. Era doido. No Lula não batia muito, não. O pai deles ficava mais comigo. Comprava bastante coisa pros meus meninos, que eram poucos, e para os dela não dava nada. Eu pegava coisas e dava pros meninos. O Lula pegava lá de baixo um barril de água e trazia pra cá, puxando. Se demorasse, o pai já batia nele. Ainda bem que morreu.
Para mim o Aristides nunca fez nada. Só uma vez puxou meu cabelo porque dei um empurrão nele. Um dia me deu um tapa e eu enfiei uma faca na barriga dele. Dizem que ele bateu na mãe do Lula, a Lindu, por isso que ela foi embora.
Eu saí da casa porque ele queria matar os meus meninos todos. Um dia botou a espingarda, a menina dormia na cama, a espingarda disparou, quase pega na cabeça dela. Eu fui obrigada a sair. Depois fui pra São Paulo procurar minha mãe, mas não achei. Não sei onde ela estava.
Fui pra favela. Fiquei com 10 filhos, todos pequenos. Tive 13, morreu 3. Agora morreu mais um. Tem nove. Aqui em casa tá mofando tudo, é muito velha. Queria voltar para o Norte, mas lá não tenho mais ninguém.
Respeitei o Aristides até agora. Só tive esse homem. Tem um velho na Praia Grande para quem eu faço faxina, mas não tenho nada com ele. Não quero saber de homem, não."
Depoimento de JAIME DA SILVA , 65 anos, irmão de Lula
"Vim para São Paulo em 1950, com o meu pai. Tinha 12 anos. Foram nove dias e nove noites no pau-de-arara. Naquele tempo não tinha asfalto. Dormia em baixo do caminhão, comia rapadura e farinha. Não tinha nem onde catar água. Veio meu pai, a outra mulher dele e mais três filhos. Fomos morar em Santos. Hoje é Vicente de Carvalho.
Ele era um ignorante. Era triste. Filho só servia para trabalhar. Meu primeiro serviço foi num estaleiro. Depois, numa carvoaria. Naquele tempo o menor tinha que trabalhar e ficar quieto. Eu não era tão ruim pra apanhar tanto. Me batia com cinto, com pedaço de corda, com o que tivesse na mão. Mas, mesmo apanhando, nunca me arrependi de ter vindo. Lá em Garanhuns não tinha futuro nenhum. Não tinha nem arroz. Pão era uma vez por semana.
Meu pai não sabia ler. Eu também não sabia, nem sei até hoje. Essa é verdade. Mas sabia fazer rascunho. Eu tava apanhando que nem cachorro velho e sozinho. Sofrendo como um condenado. Ele mandava notícias pra mãe, falando em saudade, dizendo que tava tudo bem. Mas era só a carta que tinha saudade, não o pai. Como ele não sabia ler, aproveitei o embalo. Mandei que vendessem tudo e viessem para São Paulo. Aí não li essa parte e ele não ficou sabendo. Eu era um índio. Não tive infância.
O pai não sabia que eu tinha escrito e estranhou quando chegaram aqui. Chegou a turma toda, eu não conhecia mais ninguém. Ele ficou macho.... Tava morando com a outra, não sabia o que fazer. Até hoje ele não sabe que eu escrevi para virem. Morreu sem saber. Se soubesse, era capaz de mandar me matar. Ou fazia ele mesmo. O velho era triste, muito ruim. Morreu, não tenho saudade dele.
Ele só passava na casa da minha mãe pra ver como as coisas estavam e dormia na casa da outra. Nós trabalhávamos. Era do trabalho pra casa, não podia fazer nada. E ele sempre ajudou mais a outra família. A gente se virava. Até que um belo dia ele quis bater na minha mãe por causa de uma roupa muito velha, que não segurava mais ponto de costura. Quando foi pra casa da outra, eu e o Zé Cuia, meu irmão mais velho, arranjamos um barraco e nos mudamos. Pegamos nossa trouxa e fomos pra outra casa. Ficou minha irmã para avisar. O Zé Cuia arrumou serviço em São Paulo e nós fomos atrás. Aprendi a escrever um pouco aqui, um pouco lá. Pagava gente pra me ensinar pelo menos a escrever um pouco, assinar o nome. Quando a mãe ficou sozinha nos botou na escola.
Só vi meu pai de novo em 1963, quando a mulher do Lula (a tecelã Maria de Lurdes) morreu. Ele tava numa pingaiada danada. Meu tio trouxe pra morar com ele, mas ele não parava de beber e fugiu. Eu parei de beber na Copa de 1994. Andei quase batendo o estribo. Fiz uma misturada de remédio com bebida.
Minha mãe foi corajosa e todo mundo gostava da velha. Ela falava uma coisa e tinha de ser aquilo. A gente achava que ela tava brigando, mas tava conversando. Falava gritando, alto. Como eu e a minha filha. Se ela não fosse com a sua cara, não tinha conversa pra velha, não. Não topo fulano, acabou. Nunca mais quis casar. Antes de deixar o pai ainda teve gêmeos. Morreram de tanto sofrimento. Ela ficou no hospital, não tinha apoio do pai. Nós éramos crianças. Morreram de maus-tratos.
Minha mãe tinha liderança. E o Lula teve todo o apoio dela. Agora, eu o vejo a cada cinco, seis anos. Não critico porque sei que ele é um cara muito ocupado. Achar o Lula em casa é o mesmo que achar R$ 50 na casa de um pobre."
Depoimento de GENIVAL INÁCIO DA SILVA, 62 anos, irmão de Lula, mais conhecido como VAVÁ
"Até 1945, quando ele veio para São Paulo, meu pai era muito bom para a gente. Era um homem trabalhador, um pai de família exemplar. Aí, uma manhã, arrumou a mala e nos deixou em Pernambuco. Para nós, naquele tempo, não tinha esse negócio de chorar. Ele disse que vinha trabalhar e mandar dinheiro. E mandava. Não todo mês, quando dava. Era difícil de chegar. Não tinha asfalto. Ficamos tocando a vida. Um mês depois nasceu o Lula.
Um dia a mãe recebeu uma carta do pai para vir embora para São Paulo, e viemos. Era coisa do Jaime, não do pai. A mãe vendeu terreno e casa, uma meia água, três quartos. A gente só tinha cadeira e cama, não tinha mais nada. O pau-de-arara parava nos postos de gasolina pra gente dormir, pra comer farofa. Os porcos vinham roubar a comida da gente à noite. Era só poeira. Acho que foi três contos só a passagem.
Chegamos em São Paulo e andamos pela primeira vez de automóvel. Uma maravilha. Um táxi. Um Chevrolet 51. Era uma alegria a sensação. Descemos no Armazém Oito. Fomos atrás do meu pai. Ele era carregador de café. Quando ele nos viu, só não matou a gente porque não pôde. Tinha outra família. E casa pra todo mundo? Só queria saber do cachorro. O cachorro tinha que ter vindo. Por isso nos separamos dele. Era preferível ter vindo o cachorro a nós. Disse que, como a gente não havia trazido o cachorro, era melhor não ter vindo. Mas como a gente iria trazer o cachorro? O cachorro era uma coisa de louco. O nome dele era Lobo. Aquilo era valente. Só fazia o que a gente mandava. O pai ficou nervoso.
Moramos com ele um ano. Era um leão. Era outra pessoa completamente diferente do que era no Norte. Estúpido com os filhos. Com a gente, né, com os da outra, não. A gente não podia fazer nada. De manhã cedo, o Lula e o Frei Chico tinham que acordar de manhã e ir pro mangue, cortar lenha e olhar a chata do meu pai. Uma vez roubaram a chata. Apanharam muito por causa disso. Ele batia com o que tivesse na mão. O Lula apanhava pouco. Acho que quem mais apanhou fui eu. Eu não podia sair de casa, não podia ir ao portão, não podia ir ao cinema. Só trabalhar. Comprava comida de primeira pra outra e de segunda pra minha mãe. Para o nosso pai, a gente tinha que ser tudo peão.
Quando a mãe deixou o pai, ficamos morando um tempo lá, em Vicente de Carvalho. Um dia eu estava trabalhando no supermercado e encontrei cinco contos e 800 mil réis embaixo de um carrinho. Imagina, na época o salário mínimo era 160 mil réis! Dei para o cara do supermercado guardar para mim. Estava morrendo de medo do que a mãe ia dizer. Depois de uma semana peguei o dinheiro de volta, dei 500 mil réis para o cara que tinha guardado. Foi o que nos salvou. Pagamos as dívidas, devíamos sete meses de aluguel. Compramos roupas e nos mudamos para São Paulo.
A mãe nunca teve raiva do pai, não. Só não gostava de tocar no assunto. Depois que eu fiquei mocinho o pai me tratava muito bem. Era de lua. A gente tinha muito medo dele. A única coisa boa que meu pai fez na vida foi ter ido para frente. Vindo para São Paulo. Se o jaime não tivesse mandado a carta e a gente não tivesse vindo, teria morrido todo mundo por lá. O pessoal que ficou tá acabado.
Uma pessoa sair de lá do jeito que o Lula saiu e chegar onde chegou é uma em 200 milhões. A mãe era apavorada com essa coisa de política. Dizia pro Lula sair do sindicato porque não era vida, que iam acabar matando ele, que não precisava fazer isso. Ele teve mais chance porque era o caçula, o resto tinha que trabalhar.
Nossa mãe foi enterrada aqui, no cemitério da Vila Paulicéia (em São Bernardo do Campo). Botamos mais gente no túmulo do que cabe, como a mãe botava em casa. Empresto o túmulo pra todo mundo. Cabem seis pessoas. Tá lotado. Quando o pai morreu, só descobrimos 10 dias depois. O Lula recebeu uma carta e ligou pra mim. Quem escreveu foi a mulher que morava com o pai. Queriam desenterrar lá no cemitério de Vicente de Carvalho. A gente disse que não, não precisava, podia deixar assim. É vala comum, ninguém sabe onde está.
Tinha muita coisa que queríamos ter aprendido na vida e ele não ensinou, não orientou, não disse o que era bom. A ignorância dele era muito grande. Já tinha brigado com um compadre jogando dominó e perdido um pulmão. Minha irmã uma vez pediu pão e ele fez que não ouviu. Deu pão para o cachorro. Ele era assim. Quando a gente foi embora, passou a maltratar os outros filhos. Tinha um meio-irmão, o Rubens, que ele deixou com o corpo cheio de marcas de cigarro. Meu pai morreu de cachaça. Acho que tinha muita mágoa era dele mesmo. Entrava na balsa com o jornal, mas não sabia ler. Lia de cabeça pra baixo.
A mãe nunca quis casar de novo. Tinha um turco rico que queria casar com ela, mas ela fugia. Ficava braba se a gente falasse no assunto. Nós jogávamos bola no meio dos maconheiros da Vila Carioca, aqui em São Paulo. Muita gente morreu no tráfico e nós, nada. Por causa da nossa mãe, que era maravilhosa."
Depoimento de MARIA DA SILVA, 58 anos, irmã de Lula
"Nossa mãe foi uma heroína. Nunca roubou, nunca pediu. Se não tinha hoje, ela confiava que amanhã teria. Sempre achou que o Lula tinha futuro. Sempre lembro de quando adoeceu e o Lula estava preso. Ficavam dois delegados lá embaixo, no sobrado, e ele subia ao quarto. Eles falavam: 'Deixa ele conversar com a mãe dele quanto tempo precisar'. A mãe sempre dizia: 'Eu posso não ter nada na minha vida. Mas quando eu morrer, vai ter muita flor no meu enterro. Tenho certeza que o Lula vai conseguir isso'.
Meu pai foi um ignorante. Não foi exemplo para ninguém. Dava coisa boa para a outra mulher e, para nós, nada. O Vavá e o Ziza (Frei Chico) foram os que mais sofreram. O Lula era pequeno, não apanhava tanto. O pai nunca tinha botado a mão na minha mãe, até o dia em que pegou uma calça descosturada e esfregou no nariz dela. Ela disse: 'É a primeira e última vez. Quando voltar, não vai me encontrar'.
Ela já tinha perdido os gêmeos. Eles nasceram em casa, com a ajuda da comadre. A mãe começou a passar mal, nasceram antes do tempo, de sete meses. Ela ficou 17 dias no hospital, sem conhecer ninguém. Um dia ela disse que ouviu o médico falar: 'Se reagir a esse medicamento, se salva'. Ficou boa. Mas os gêmeos morreram com 20 dias, mais ou menos. A gente não sabia como cuidar, era criança, e o pai não tomou conhecimento. Morreu um num dia e, o outro, no dia seguinte. Eu já trabalhava como doméstica. Meu pai foi a pessoa mais ingrata que se ouviu falar.
Quando a gente já tinha se mudado para a Vila Carioca, em São Paulo, chegou nosso meio-irmão Rubens, filho da outra, com marcas de cigarro pelo corpo todo, as costas em carne viva. Já morreu, o Rubens. A mãe dele, quando deixou o pai, chegou a mendigar para sobreviver. Meu pai nunca ligou para nada, estava sempre bêbado. Bebeu desde o dia em que botou o pé em São Paulo. A minha avó materna também era alcoólatra, mas era boa. Quando minha mãe deixou o meu pai, disse para ele: 'Se eu te encontrar na rua, vou passar de um lado da calçada e você do doutro'. Ela cumpriu. Quando a Lurdes (primeira mulher de Lula) morreu, meu pai foi ao enterro, mas minha mãe não quis vê-lo. Nunca mais olhou para ele. O Lula é o mais parecido com a minha mãe, tem o coração dela. E foi ela que deu o apelido de Lula para ele. Sempre foi muito apegada a ele, que foi o último filho homem a sair de casa. Só não queria o Lula na política. Tinha medo.
Do pai, o Lula não pegou nada. Meu pai não gostava nem dele mesmo."
Depoimento de JOSÉ INÁCIO DA SILVA, 75 anos, padrinho de Lula
PADRINHO Quando dona Lindu (foto à direita), mãe de Lula, sentiu as dores do parto, chamou pelo irmão do marido (foto à esquerda). José buscou a parteira e batizou o menino. Hoje é caseiro de um sítio no interior paulista. Ao dizer ao patrão que era tio de Lula, ele teve um ataque de riso
"O Aristides, pai do Lula, perdeu a cabeça por causa de uma menina. Passou a mão nela e veio embora. Ele bebia muito, maltratava os filhos. Depois, acabaram achando ele morto. Acho que ele tinha muita família, muito compromisso e nenhuma instrução. Foi criado com o regime do nosso pai, em que um não era um não. Nosso pai, João Grande, dava lambada na gente. Hoje o regime é diferente, as pessoas tratam os filhos com carinho.
No nosso tempo a escola era a lambada. O Aristides sempre foi completamente analfabeto. Acho que ele veio para São Paulo para ganhar dinheiro, que era o que tinha na cabeça da gente naquela época. Esse negócio de enricar . Quando chegou a hora de o Lula nascer, era madrugada e a Lindu me chamou. Fui buscar a parteira. Mas eu era um molequinho franzino e a parteira era uma mulher gordona. A gente ficava caindo do cavalo, porque ela puxava para trás. Uma légua, mais ou menos, subindo e caindo. Não lembro o nome da parteira, mas o cavalo era o Bodinho. Cavalo muito bom aquele, baixinho, com o pêlo castanho. O Lula nasceu rápido, foi a parteira entrar e shhhh... já foi nascendo e mamando como um bezerro. Eu batizei o menino, eu e a minha namorada Lili, uma menina da roça, mas linda demais.
Eu via que, desde pequeno, o Lula tinha tendência para qualquer coisa na vida. Só pelo jeito de conversar. Acho que ele tem o jeito parecido com o pai dele, meu irmão. O Aristides era bom, assim, daquele jeito antigo. O que deixou ele ruim foi a bebida. Foi por causa da filharada que começou a beber tanto. O Lula eu já não vejo há mais de 20 anos. Só pela TV mesmo, mas é preto e branca. Eu vivo aqui sozinho, cuidando desse sítio. Só tenho a companhia da minha vaca Mimosa e do bezerro Negrinho.
Uma vez meu patrão começou a falar mal do Lula: 'Se o Lula ganhar vai acontecer...' Eu respondi: 'O meu sobrinho deve ter puxado pelo menos um pouquinho da minha honestidade.' Meu patrão começou a rir, disse que o Lula não tinha nenhum parente, nem família."
Hoje, às 21 horas...
Yamandú Costa e a Orquestra de câmara do Theatro São Pedro tocam o Concerto nº 4 para Violão e Cordas, de Radamés Gnatalli.
Estaremos lá no camarote maior a convite do grande timoneiro. Eu tenho mais dois convites ainda. Quem quiser ir me ligue até às 16:00h.
Yamandú Costa e a Orquestra de câmara do Theatro São Pedro tocam o Concerto nº 4 para Violão e Cordas, de Radamés Gnatalli.
Estaremos lá no camarote maior a convite do grande timoneiro. Eu tenho mais dois convites ainda. Quem quiser ir me ligue até às 16:00h.
Nojenta demais...
Foi a reportagem na ZH de ontem, falando das crianças assassinadas no estado desde 2000.
Tipo assim, é impressão minha ou só começaram a contar do Olívio pra frente?
Foi a reportagem na ZH de ontem, falando das crianças assassinadas no estado desde 2000.
Tipo assim, é impressão minha ou só começaram a contar do Olívio pra frente?
Iniciativa do caraio
Foi a da feirinha de doação de cães e gatos que rolou neste final de semana.
Eu fui com a Vívian e a sogra, e adotamos um guaipeca que já está morando com a véia.
Quando tiver outra eu publico a data com antecedência.
Foi a da feirinha de doação de cães e gatos que rolou neste final de semana.
Eu fui com a Vívian e a sogra, e adotamos um guaipeca que já está morando com a véia.
Quando tiver outra eu publico a data com antecedência.
O fim de semana foi bom...
Muito sol e muita coisa pra fazer também.
A festa foi um sucesso...
Já chegaram três advertências desde ontem...
Alguém conseguiu atropelar as lixeiras do prédio ao tirar o carro da garagem...
Alguém conseguiu vomitar no hall de entrada...
E alguém esqueceu uma meia calça na escada de incêndio.
Como 90% dos moradores têm mais de 80 anos, obviamente quem fez tudo isso foi nós...
Hehehehehehehehe...
Muito sol e muita coisa pra fazer também.
A festa foi um sucesso...
Já chegaram três advertências desde ontem...
Alguém conseguiu atropelar as lixeiras do prédio ao tirar o carro da garagem...
Alguém conseguiu vomitar no hall de entrada...
E alguém esqueceu uma meia calça na escada de incêndio.
Como 90% dos moradores têm mais de 80 anos, obviamente quem fez tudo isso foi nós...
Hehehehehehehehe...

