sexta-feira, novembro 22, 2002

MIDI@LERTA

Os Jornais

22-11-2002




Continua a guerra da comunicação antipetista na RBS


A diatribe do dia, no Programa Gaúcha Hoje, pelo radialista Rogério Mendelski, da RBS, é mais um ataque ao serviço de comunicação que o governo Olívio Dutra presta à sociedade. "Porque o governo ... só falava com a imprensa amiga". Porque "tinha jornalistas vetados, que não recebiam informações". Porque "hahahaha, quer dizer, é uma anticomunicação".


Mendelski coroa o deboche, que ao longo dos últimos quatro anos alavancou, através das ondas poderosíssimas da RBS, com a noção toda falsa de que o governo Dutra não soube se comunicar, com falácias. O que houve, como Midi@lerta não se cansa de constatar, foi uma contra-comunicação combativa e desigual da parte do maior grupo hegemonista de mídia do Brasil meridional.


Tanto comunicadores quanto cidadãos comuns têm acesso a todos os materiais de divulgação do Governo pela internet (www.estado.rs.gov.br). Está tudo lá, todo santo dia. Nunca o Estado foi tão transparente quanto nesta administração petista. O radialista não pode alegar que a RBS não lhe dá condições de se informar como um cidadão moderno. Nem esquecer que as concessões públicas de comunicação existem para realmente informar, e não para fazer campanhas político-ideológicas de qualquer natureza.








Repercute a exclusão absurda do PT na Assembléia


Rosane de Oliveira, editora política de Zero Hora, escreve em "Um erro em gestação" (p.8) que está prestes a se consumar "o primeiro equívoco político protagonizado pelos vencedores da eleição deste ano no RS: a exclusão do PT no rodízio na presidência da mesa diretora da Assembléia Legislativa". Lúcida, lembra que não se trata duma bancada de três ou quatro deputados, mas da maior delas – 13 parlamentares, ou mais de um quarto das cadeiras.


Este processo corre por conta do PMDB, do PPB, do PDT e do PTB. Cada um presidiria a AL por um ano, excluindo o PT. "A situação é tão absurda que uma das vozes mais contundentes contra a exclusão do PT é o insuspeito deputado César Busatto, um dos mais combativos adversários do atual governo", lembra Rosane.


Na rádio Gaúcha, o programa Atualidade entrevistou Cézar Busatto (PPS). "Talvez, ao lado do PT, sejamos a força política que fomos mais sacrificados, porque perdemos a eleição. Até porque a discussão entre os dois partidos desgastou os partidos e a sociedade que queria uma alternativa dessa polarização, onde o povo cansou de brigas e optou pela candidatura de Rigotto. Então (...) é um gravíssimo erro político das forças majoritárias desta casa, estou falando da Assembléia, excluir qualquer força política do entendimento. Ainda mais uma força política que tem a maior bancada da casa, eleita pelo povo". No final da entrevista, Busatto responde à pergunta da jornalista Ana Amélia Lemos, dizendo que o déficit no caixa único do Estado é de R$ 1 bilhão e 500 mil reais.




Especulações contraditórias no JC

Afinal, quem está certo? A editoria do jornal ou o colunista? A nota publicada na coluna Começo de Conversa, do Jornal do Comércio, "Por falar em Rigotto", bate de frente com a matéria publicada na página 20 do mesmo jornal: "Rigotto convida PPS para participar do governo".

Fernando "Cascatinha" Albrecht diz que "quem foi oposição firme ao PT nos últimos anos e acha que isso abre porteiras no governo Rigotto, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Muita gente armada desta credencial que foi à fonte acabou voltando com o cântaro vazio. Muita gente ficou magoada, aliás. Parece que a terceira via seguirá sendo o norte da futura administração".

Só que a matéria do JC diz que Rigotto "formalizou o convite para que o partido do ex-governador Antônio Britto integrasse o governo". É verdade que o texto diz que "a tendência, contudo, é o PPS adotar uma posição de apoio independente". O tempo vai dizer o que é verdade e o que é jogo de cena.




Camelos não temem atentados, na pág. 3 de ZH


Sempre atenta, a pág. 3 de Zero Hora de hoje (22) espanta-se com o sangue frio e a serenidade de três camelos, atravessando "tranqüilamente" uma rodovia do Kuwait. A legenda da foto estranha que a trinca de camelos esteja "indiferente" ao cruzar a pista. Afinal, nos informa a nota, naquela mesma estrada soldados americanos foram gravemente feridos em um atentado.

Hipótese: os camelos não estavam sabendo do atentado e por isso a tranqüilidade.


*Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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FICHA CORRIDA


Gastos

O novo governo gaúcho deve iniciar a gestão com pelo menos duas boas notícias. Primeira, não precisará de assessoria de comunicação social. Já dispõe de um conglomerado ao inteiro dispor. Contudo, todavia, entretanto, a abundância de governalistas poderá, ao invés de ajudá-lo, atrapalhar, uma vez que credibilidade não é o forte desta turma. Associar-se a tal grupo é passar recibo ou coisa pior. Mas cada um passa o quer, nós saberemos diferenciar o que já trafegou e trafega entre eles. Não será difícil identificar o momento em que a fatura estiver sendo apresentada.

A segunda notícia boa vem da FIERGS, que, mais uma vez, recolhe os cacos que soçobram das naus destroçadas pelo turbulento mar eleitoral. O novo governo não precisará dar emprego ao Senador Fogaça. A FIERGS, a quem serviu mais do que Jacó servira Labão por causa de Raquel, retribuirá os bons serviços prestados. Não era sem tempo que a união estável enveredasse do ramo da convivência ao altar da sociedade. O povo gaúcho folga em saber-se livre de sabujos no parlamento!

A RBS merece uma MARCAÇÃO CERRADA, e o jornalista Willians Barros já se encarregou da tarefa.


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Comissão

Não sei de quanto foi a comi$$ão, mas que parece uma escola de samba de aluguel, lá isso parece: Escola de Samba Independente da RBS. Que me lembre jamais existiu um grupo de mídia que precisasse sair correndo de calças arriadas em busca de alguém para higienizá-la. Se triste já papel delegado, pior ficou depois de cumpridos os salamaleques de limpeza. Se a comissão de frente é assim, imagine o que não é a cozinha. De fato, há sabujo para qualquer serviço! Se isso é tudo o que o coronelismo eletrônico consegue recrutar para suas hostes, bem só ficou em termos de bucha de canhão, pois melhores há em artilharia. Ou resta comprovado que, de fato, os medíocres se atraem?!

Embora a dita comi$$ão em momento algum tenha se manifestado a respeito das pesquisas, o coronelismo encampou a idéia esquecida, até porque para isto havia feit! o o chamamento. Mesmo sem querer, a Unidos da RBS marcou um ponto no quesito "chute à distância" ao cobrar "imparcialidade na cobertura jornalística". A comi$$ão não sabe, mas a "posição da empresa" sempre foi muito clara. Seus colunistas são pessoas escolhidas a dedo por terem os pés, os quatro, sempre firmes numa única posição: de quatro para a sabujice.

O leitor Marcelo Narh não deixa pedra sobre pedra. Recupera, num trabalho de verdadeira arqueologia, a história e põe os fatos no devido lugar.


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Fome ou Desnutrição

Precisaremos de muito mais tempo para reconstruir do que os oito anos de destruição que o tucanato perpetrou por este Brasil afora. Conseguiram até alterar as leis biológicas, transformando tucano em ave de rapina. Nada poderia ser mais paradigmática do que a escolha de uma ave-símbolo conhecida pela desproporção entre bico e cérebro. Não fosse a sabujice de uma imprensa ame$trada, há muito que esta personagem de triste figura já teria sido depenada. A tão inteligência passou atestado com a declaração que no Brasil não há fome, mas desnutrição. E foi dizer isso na Inglaterra, dentro de uma Universidade. Pior, não teve ninguém para questionar a lógica que torna possível existir alguém desnutrido sem ter passado fome... Aliás, o tal cavalheiro já havia dado declarações que deixa dúvida se o cérebro do tucano é ou não maior que o dele (quem não sabe vai ser professor!), mas esta foi de lascar. Não p! or acaso é também conhecido por Maria Antonieta do Planalto. Aliás, um de seus Ministros também declarou que o problema brasileiro não era o desemprego, mas "impregabilidade".

A tão propalada competência desta idade média que se acaba neste ano pode ser medida pela existência de uma personagem como Eliseu Padilha Rima Rica



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Armadilha

Uma das irmãs texanas lançou uma campanha na internet no sentido de se boicotar os derivados de petróleo da Petrobrás. Pior, muita gente bem intencionada caiu na armadilha. Como alguém pode se deixar levar por uma campanha dessas, sem se dar conta, haja vista que não há lógica que a sustente. Vejamos. Uma campanha para pressionar a baixa de combustível, primeiro, não deveria ser pela maior, exatamente por ela ser a maior. No mínimo levaria mais tempo. Segundo, por que logo a "pública", em vias de privatização, Petrobrás? Terceiro. É mais fácil evitar consumir produtos da Shell do que da Petrobrás, pois, em determinados lugares, se não consumires Petrobrás não terás alternativa. Muito ao contrário se a vítima for Shell. Facilmente poderia ser substituída pela Petrobrás, já que é a maior rede. Daí que...



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Pacificador de Cemitério

O homem botox recebe todos os espaços que precisa para dizer que não está satisfeito com a transição que está sendo oferecida. Reclama de tudo e os jornais dão trela. A pergunta que não quer calar é se ele não merece uma transição ao estilo de seu partido. Ou ninguém mais lembra como foi que se comportou o PMDB quanto saiu do governo pela porta do fundos? E isso ainda foi o de menos. Formataram todos os computadores, esconderam aparelhos, desprogramaram centrais telefônicas. Não é muita cara de pau, não?!

EU AINDA ME LEMBRO O QUE O PMDB FEZ NA TRANSIÇÃO PASSADA!


E não bastasse a falsidade como regra, a mentira como meta e a empulhação norteando a prática, revela-se agora um pacificador de cemitério. Amadrinhados pelo homem botox, a sua base de sustentação cumpre a promessa pacificadora de "erradicar" o PT. Mesmo tendo a maior bancada, o partido está sendo excluído da Mesa da Assembléia, demonstrando na prática o que eles entendem por radicalização e pacificação. Na verdade, só beócios e pulhas acreditam em discurso que não casa com a prática pretérita. Estão aí as razões da negação da história, pois não fazem história, fazem adubo.


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Social


O homem botox tem razão em cortar os investimentos do Estado na realização do Fórum Social Mundial. Não foi eleito para isso. Todos sabemos a fatura que terá de pagar por ter sido "o escolhido". De social só as colunas que o lambem. Um evento que colocou o nome do RS e de Porto Alegre, quase que de graça, no âmbito internacional não merece mesmo o dedo emporcalhado de gente da gamela. Até porque faltaria para ressarcir seus patrocinadores.



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A Propósito

Quanto da dívida da RBS para com a Receita Federal foi abatida na contratação de Pedro Parente?



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Abraços
Gilmar Crestani
http://www.crestani.hpg.com.br/

MIDI@LERTA

Os Jornais

21-11-2002



Proposta orçamentária não era ficção – mas quem se importa?

Foi com discrição que todos os jornais da Capital (com exceção de O Sul, que desconheceu o tema) trataram da aprovação, por unanimidade, pela Comissão de Finanças da Assembléia Legislativa, do relatório ao projeto orçamentário estadual para 2003, enviado pelo atual governo. Ora, tal aprovação, em última análise, joga por terra as argumentações da oposição – inclusive utilizadas por Rigotto durante a campanha eleitoral – que chamavam a proposta orçamentário do governo de "peça de ficção".


Mas, estranhamente, depois de ter virado manchete nas semanas anteriores, agora – depois de aprovado na AL – o assunto não só foi tratado com discrição pela imprensa como a mídia e seus "comunicadores" também recusaram-se a fazer a dedução óbvia: todos os ataques anteriores à proposta, como "ficção", não passavam, eles sim, de uma invenção para desgastar mais o governo petista.

Mais uma vez, a realidade, ao ser restaurada, sai sem qualquer destaque.



O melhor governo para o turismo desde os anos 70

A coluna Panorama Econômico, assinada por Denise Nunes na pág. 16 do Correio do Povo de hoje (21) informa que a Câmara de Turismo do RS, entrega hoje a Olívio Dutra uma placa de agradecimento pelo apoio do governo estadual ao setor. Mais: a nota informa que o setor turístico considera Milton Zuanazzi o melhor secretário estadual da área desde os anos 70...


Ou seja: de leve, com discrição, a verdade começa aparecer, em pílulas, na imprensa. E a verdade, que a oposição e a mídia sempre souberam, é que o governo Olívio não foi tão ruim assim. Até muito antes pelo contrário.



Cresce número de universitários, mas ZH não cita a Uergs


Zero Hora de hoje traz chamada de capa e matéria de duas páginas (4 e 5) com o título: "Ensino Superior cresce 32,4% no Rio Grande do Sul". Mesmo considerando que a matéria baseia-se no censo divulgado ontem pelo governo federal, relativo aos anos de 1999, 2000 e 2001, causa estranheza que a matéria – editada no Rio Grande do Sul, e valorizando naturalmente dados que dizem respeito ao Estado – tenha desconhecido por completo a Uergs, que começou a funcionar em 2001.


Afinal, neste primeiro ano de atividades, a Uergs (promessa efetivada pelo governo estadual) acrescentou mais 1.790 vagas universitárias, em cursos espalhados por 29 cidades do RS. Inacreditavelmente, porém, a nova universidade pública dos gaúchos não mereceu sequer uma linha de ZH. .



Do RS acéfalo ao Bicho de sete cabeças

Está lá, na primeira nota da coluna do porta-voz político da RBS, com quase todas as letras (Zero Hora, p.12): "Sem cair na tentação de projeções catastróficas sobre a administração de um estado a caminho da insolvência (...) há uma espécie de acefalia no governo do Estado. De um lado o atual governador mais preocupado com a agenda social da despedida (...); de outro lado um governador preocupado em organizar a casa, mas sem mostrar com clareza com quem vai governar e o que pretende fazer a partir de janeiro". O bicho de sete cabeças gaúcho que domina os meios de comunicação, que tentou pautar o governo Dutra durante quase quatro anos, começa a pautar o governo Rigotto. Pautar, para a mídia hegemonista, significa dominar.



Vem aí a equipe neoliberal de FHC

Está lá também, na capa de ZH, a chamada: "Transição estadual: Rigotto tenta trazer técnicos do governo FH". Neste sentido, nada mais faz o governador eleito do que acompanhar a RBS, que já anunciou a contratação do técnico-mor de FH, ministro Pedro Parente, para suas hostes. Na abertura da página 6, ZH fica mais explícito: "O Futuro Governo: Everardo Maciel, secretário da Receita, e Caio Carvalho, ministro do Esporte, são cotados para a equipe – Rigotto procura técnicos fora do Estado".


A matéria diz que Rigotto cumpre maratona em Brasília prospectando nomes para sua equipe. "Se depender do governador eleito, profissionais de alta qualificação que, a partir de janeiro, deixarão cargos federais no governo Fernando Henrique Cardoso, terão lugar na futura administração estadual". Além de citar Caio Carvalho e Everardo Maciel, afirma que "pelo menos quatro integrantes da equipe de José Serra no Ministério da Saúde estão nos planos de Rigotto". Some-se a estes nomes o de Parente e temos sete cabeças prontas para o transplante.


Se esses movimentos estiverem de alguma forma articulados, e só os ingênuos admitiriam que as forças hegemonistas dão chance ao azar, podemos estar assistindo à instalação do quartel-general das forças privatizadoras neoliberais fundamentalistas de oposição ao governo Lula e ao Partido dos Trabalhadores não no Planalto central, mas nos pampas gaúchos.




A negligência global


Ainda hoje (21) em ZH, o editorial "Globalização da negligência" (p.18) clama por uma reação mundial "contra as empresas predadoras e irresponsáveis" como aquela do navio Prestige, "que acaba de afundar junto à costa espanhola (e) é o exemplo dessa globalização da negligência". Nada mais justo.


Segundo consta, o navio causador do desastre é propriedade de um liberiano, com tripulação filipina, bandeira das Bahamas, operado por empresa grega, fretado por subsidiária suíça de um conglomerado industrial russo e autorizado pelos Estados Unidos a singrar os mares. "O mundo não pode continuar sem condições de reagir contra as empresas predadoras e irresponsáveis. O mau uso das vantagens da globalização – ocorra ele na especulação financeira, no crime organizado ou na constituição dos transportes transoceânicos – deve ser tipificado como delito internacional e os infratores, punidos."


ZH esquece de incluir no rol dos puníveis por "mau uso das vantagens da globalização" as empresas de comunicação irresponsáveis. E há outros problemas. O xerife global, que nega e concede autorizações, é do ramo da indústria familiar do petróleo. E como será, se apesar da irresponsabilidade criminosa derem ao chefe uma cadeira de senador vitalício? Ficaremos a ver navios afundando.

*Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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quinta-feira, novembro 21, 2002

Pra quem gosta de gatos...

E se incomoda com maus tratos...

Este é o link.


História de Zumbi confunde-se com a da escravidão


Já que andam falando em dia da consciência negra...


A história do mais conhecido rei de Palmares, Zumbi, confunde-se com a própria história da escravidão negra na América. Sua trajetória foi recuperada nos anos 60 e 70 pelo movimento negro. Estima-se que Zumbi tenha vivido de 1655 a 1695. Mas a carência de dados sobre a época dificulta o trabalho dos pesquisadores.

Sabe-se que muitos escravos, submetidos ao duro trabalho nos engenhos de açúcar ou em outras atividades, se rebelavam e fugiam do cativeiro. Longe dos maus tratos de seus senhores, eles formavam uma sociedade paralela, os quilombos ou mocambos, possivelmente inspirados na organização de sociedades africanas.

"Há registros de comunidades de escravos fugidos em muitos outros países na América. Na Colômbia, por exemplo, formaram-se os palenques. Na Venezuela, os cumbes. Para entender o quilombo dos Palmares é preciso conhecer o tráfico de escravos feito pelo Oceano Atlântico", diz o professor e pesquisador Flávio Gomes.

Localizada na Serra da Barriga, antiga capitania de Pernambuco, Palmares foi o maior e mais duradouro quilombo do Brasil. Seu provável início se deu em 1597, após a fuga de 40 escravos de um engenho de Porto Calvo, sul da capitania. Distantes das fazendas e da ira de seus senhores, eles fundaram o quilombo na Serra da Barriga, um local de terras férteis e água em abundância. Dali também se tinha uma visão privilegiada de toda a área próxima.

Zumbi nasceu no Quilombo dos Palmares, provavelmente em 1655, mas cresceu distante dele. Com poucos meses de vida, foi capturado por uma expedição militar e doado ao padre Antônio de Melo, do distrito de Porto Calvo. Batizado como Francisco, o menino aprendeu a ler e escrever na paróquia. Apesar de benesses incomuns aos negros daquela época, por volta de 1670, aos 15 anos, ele decidiu voltar, ao lado de escravos fugitivos, para sua terra natal. Em Palmares, Francisco assumiu o nome de Zumbi e destacou-se como chefe militar.

A existência dos quilombos incomodava o sistema colonial português. Palmares mantinha-se em intenso contato com as comunidades vizinhas e, ainda que os quilombos não expressassem "necessariamente uma alternativa contra a sociedade escravista", como afirma o historiador Manolo Florentino, os conflitos na região eram muito comuns.

Além disso, os negros no cativeiro ouviam histórias de Palmares e alimentavam a esperança de fugir e juntar-se aos quilombolas. Em seu apogeu, o Quilombo dos Palmares abrigou mais de 20 mil habitantes, em uma área de quase 27 mil quilômetros quadrados. Talvez por isso, as notícias em sua referência fizeram o caminho contrário ao tráfico de escravos. "Tudo indica que, por meio de autoridades coloniais ou mesmo de escravos, a história de Zumbi e do Quilombo dos Palmares atravessou o Oceano Atlântico e chegou até os negros na África", ressalta Flávio Gomes.

Fonte: Agência Informes.
MIDI@LERTA

Os Jornais

rádios e revistas

20-11-2002



Relações perigosas


A última revista Veja (20/11/02), na reportagem "O desafio dos 1000 cargos" (p. 40), traz o seguinte destaque: "Algumas das áreas mais importantes do governo são comandadas por funcionários de carreira, como o ministro Pedro Parente, da Casa Civil, e o secretário Everardo Maciel, da Receita Federal. Eles ganharam fama de tucanos mas já estão no serviço público há mais de trinta anos e trabalharam para vários presidentes."


Esta observação faz lembrar que o ministro Parente foi contratado para ocupar a vice-presidência executiva da RBS a partir do início do próximo ano, sem o empecilho da quarentena regulamentar exigida dos funcionários públicos de alto escalão que migram para a iniciativa privada. É um fato no mínimo curioso, considerando os grandes interesses em jogo na área das comunicações. Mais ainda quando se considera que a RBS, detentora de concessões públicas, está notoriamente envolvida na política partidária do RS e é suspeita de interferir no processo eleitoral, através de pesquisas eleitorais e de boca de urna manipuladas.


Zero Hora, o principal jornal do grupo RBS, publica hoje um editorial intitulado "O custo da corrupção" (p.16) em que parece defender posturas que ela própria não assume. Alguns de seus pressupostos são altamente discutíveis, como a assertiva de que "nos últimos anos, o Brasil vem assegurando ganhos importantes na moralização da política", mas ZH dá mostras de sintonia com a sociedade, quando fala, por exemplo, de "uma incômoda sensação de que o país corre o risco de perder a guerra contra o crime organizado, o que é intolerável".


E é. Mas, ZH atribui-se virtudes que devem ser questionadas. "Na luta contra a erradicação desses males, a imprensa livre tem-se mostrado uma aliada incondicional da sociedade, ao denunciar abusos e excessos de qualquer ordem – inclusive os que dão margem à improbidade." Ora, não seriam as relações entre o público e o privado, como as que a RBS anuncia, um convite à improbidade?




Lasier acusa e recebe resposta

O apresentador Lasier Martins, como é acostumado a fazer, primeiro critica de forma irresponsável, sem averiguar a veracidade do fato e, muitas vezes sem ter um conhecimento mais profundo do assunto, para depois, em algumas ocasiões, ouvir o outro lado. Um bom exemplo aconteceu ontem (19), durante o Gaúcha Repórter.


O apresentador fala de um e-mail recebido no dia anterior do presidente da Câmara de Rio Grande, Juarez Molinari, que reclama dos atrasos nas obras do aeroporto de Rio Grande, que deveriam estar concluídas em agosto e que esta condição deixa as cidade sem vôos.


Lasier enfeita o teor do e-mail de Molinari dizendo que tem sido difícil atrair investimentos para Rio Grande, pelo fato da cidade, um grande porto marítimo, estar sem aeroporto. Ele chega ao cúmulo de dizer que o ministro Pratini de Moraes não inaugurou a 28ª Expofeira por não ter como ir de avião.


Neste momento da leitura, a assessoria do secretário dos transportes, Fernando Variani, ligou para a produção do programa e o secretário começou a responder as acusações contidas no e-mail de Molinari.


Variani explica que as obras terminaram em agosto, como certamente o senhor Juarez Molinari estava ciente, mas ao receber a ampliação da pista, os técnicos da Secretaria constataram que a pista não estava adeqüada, não estava em boas condições e, por isso, foi exigido da empresa Pelotense, responsável pela obra, que refizesse o serviço. Segundo Variani "não poderiamos receber uma obra executada de forma inadeqüada, porque isso compromete não só a segurança, mas as finanças do Estado, e não é nossa política fazer esse tipo de coisa".


O secretário aproveitou a oportunidade para rebater a acusação de que o ministro Pratini de Moraes não foi a Rio Grande porque o aeroporto estava interditado. Variani disse que o ministro não foi a Rio Grande porque não quis, uma vez que existe aeroporto em Pelotas, situado a cerca de 60 quilômetros.


Antes de finalizar, Variani disse que as obras no aeroporto devem ser entregues ainda este ano e explicou que o atraso deveu-se às pesadas chuvas que vêm castigando o Estado este ano. Ele mencionou ainda que o governo já havia aplicado mais de R$ 20 milhões na ampliação dos aeroportos do Rio Grande do Sul. Lasier agradeceu a participação e disse que a matéria estava bem explicada.


É bom salientar que a matéria foi explicada porque os assessores do secretário entraram em contato com a produção do programa e foi possível desfazer a imagem, que já ia sendo vendida sem contraponto, de que o governo é incompetente.


Só para lembrar: a contrutora Pelotense, aqui citada, pertence ao deputado do PMDB Luiz Roberto Ponte, colega de Pratini de Morais




A fome do presidente

Vale a pena ler hoje (20) a análise da mídia nacional do jornalista Bernardo Kucinski, que fala de como "jornais, jornalistas e o próprio presidente da República têm usado um ingênuo jogo de palavras para dizer que não há fome no Brasil". http://agenciacartamaior.uol.com.br/boletim/boletim.asp?id=549



Mistérios da reportagem

Um novo meio do jornal O Sul ativar a perplexidade de seus leitores é o "Caderno Reportagem". Além de não se diferenciar graficamente do restante do jornal, para que pudesse caracterizar-se como um "caderno" especial, ele traz artigos de agências, e não tem reportagens. Ou seja: é exatamente igual ao restante do jornal.

Um dia de muita violência em O Sul

Midi@lerta faz um esforço para não se deter nas, digamos, "revoluções" jornalísticas patrocinadas por O Sul. Mas vamos combinar que é praticamente impossível. Na edição de hoje (20) os leitores são brindados com mais uma inovação, que pode ser batizada de "cartola-título". Vamos lá:

Na pág. 5 de O Sul, lê-se o título: "Um dia de violência: polícia apreende cocaína e maconha. Drogado joga mulher do sétimo andar".

Na pág. 7 o título repete-se (pelo menos a metade dele): "Um dia de violência: pedófilo atira em menina de dez anos e se suicida em Guaíba". Ou seja, "Um dia de violência" é a mais nova cartola (identificação de editoria) do jornal impresso da Rede Pampa.




Colunista desnorteado

José Barrionuevo, em sua coluna de hoje (20) em Zero Hora, é o único comentarista político do RS a estranhar, com justiça, que ao final da próxima legislatura, serão completadas duas décadas com o PT alijado da presidência da Assembléia Legislativa gaúcha. Além do fato do acordo excludente fechado pelas demais bancadas ir contra o discurso de pacificação pregado por Germano Rigotto, a quem apóiam, no caso atual a situação torna-se ainda mais esdrúxula, pois o PT elegeu a maior bancada do Legislativo. Um lance nada democrático do PMDB, PDT, PTB e PPB.

Por outro lado, o mesmo Barrionuevo não resiste à tentação de bater no atual governo: ele considerou "patética a saída apressada de deputados do PT e do PMDB, negando quórum ontem para evitar a aprovação do projeto que impede antecipação de receita". Ora, deixar o plenário é das práticas mais usuais dos legislativos para evitar aprovação de projetos. De outro modo, o que pretendia o colunista? Que o atual e o próximo governo embarcassem na jogada oportunista do PPS, que aparentemente quer prejudicar o pagamento do 13º salário do funcionalismo e jogaria esta obrigação para o próximo governo?

O colunista de ZH é a favor desta tentativa de vingança dos parceiros de Britto contra o PT e contra seus ex-companheiros do PMDB, mesmo que às custas do funcionalismo gaúcho?


*Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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Da realidade, ou "um dia depois do outro"


Mais do mesmo Jornal...




"Nem o PMDB sabe como agir

Com exceção da formação da Mesa, um processo em que Rigotto estimulou o alijamento do PT da presidência, não há nenhuma outra orientação às bancadas que darão sustentação ao futuro governo em questões que estão em debate no período mais importante da atual legislatura, que se encerra 31 dias após a troca do inquilino do Palácio Piratini. Líder do futuro governo até o final de janeiro, José Ivo Sartori tem agido mais em cima de sua sensibilidade política e da larga experiência de cinco mandatos. Faz falta uma orientação política mais clara do próximo governador".


Ué, agora é que não entendí nada mesmo... O governo do Rigotto não era pra ser o governo da união ???
Alijar um partido que obteve 47 por cento do respaldo da sociedade gaúcha de um direito que é seu é propor união ???
E é assustador perceber que nem o colunista mais a favor de Rigotto já não consegue esconder que o dito não sabe nem por onde começar a governar...
Bah...
Que medo deu agora...
Da realidade, ou "um dia depois do outro"...

Os parágrafos abaixo foram extraídos do jornal predileto de Rigotto...

Como agora já não precisam mais dourar a pílula, o "home" começa a ser mostrado como é...



"Se depender do governador eleito Germano Rigotto, profissionais de alta qualificação que, a partir de janeiro, deixarão cargos federais no governo Fernando Henrique Cardoso, terão lugar na futura administração estadual.

Um dos objetivos da maratona de reuniões que Rigotto cumpre em Brasília desde terça-feira é prospectar nomes para a sua equipe.

– A formação do primeiro e segundo escalões será feita com integrantes de partidos que me apóiam e até mesmo com técnicos sem filiação partidária, alguns até gaúchos, que estão deixando o governo federal em determinadas áreas – revelou Rigotto ontem, ao deixar o prédio do Ministério da Fazenda, onde se reuniu com o secretário do Tesouro, Eduardo Guardia".



Em tempo: fora o cara estar escolhendo só os rebotalhos do governo FHC, alguém deveria lembrar pra ele que foi eleito governador do RIO GRANDE DO SUL...

Será que não existem profissionais competentes no estado em quantidade suficiente para assumir tais cargos a ponto de Rigotto precisar importá-los?

Ou a vinda de tais pessoas já estaria condicionada ao apoio recebido do governo federal durante a campanha ???

Em tempo dois: seria coincidência o fato de a RBS também ter contratado um ex-ministro de FHC para seu quadro de funcionários ???


E dá-lhe Rio Grande...

quarta-feira, novembro 20, 2002



"Caros Amigos" radiografa a democracia

Em edição especial publicada em novembro, a revista "Caros Amigos" traz uma série de artigos que tenta desvendar "Para onde vai a democracia?". Em dois textos distintos, o professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Muniz Sodré, e os jornalistas do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom), Daniel Herz, Pedro Luiz Osório e James Görgen fazem uma análise da democracia na área das comunicações. A partir de pesquisas do instituto, os três últimos elaboram um apanhado histórico da democratização da comunicação no País, constatando que "mais de 20 anos depois da redemocratização do Brasil, um reduto (o sistema de comunicação de massa) continua intocado". Segundo o texto, a falta de uma intermediação efetiva do Estado, permitiu que "o rígido controle imposto pelos principais proprietários de veículos de comunicação sobre as redes tornou-se o cadeado que restringe a liberdade do setor". Eles citam aqui o estudo "Donos da Mídia", realizado pelo Epcom, que mapeou a configuração do setor no Brasil, "fornecendo um raio x da perversa concentração".

Conforme a pesquisa, seis redes privadas nacionais de televisão aberta e seus 138 grupos regionais afiliados controlam 667 veículos de comunicação, entre televisões, rádios e jornais. Através destes "aliados locais", ressalta o texto, os "donos" controlam 294 emissoras de televisão em VHF (90% do total de emissoras do país), 15 em UHF, 122 emissoras de rádio AM, 184 rádios FM, duas rádios em onda tropical (OT) e 50 jornais diários. Os jornalistas argumentam que "todos ajudam a sustentar e amplificar a programação e a ideologia das chamadas 'cabeças de rede' - os sistemas Globo, SBT, Record, Bandeirantes, Rede TV! e CNT". Na opinião dos autores esta estrutura vertical produzida pela concentração na propriedade da comunicação "começa a minar a democracia". O artigo cita ainda um estudo realizado em 2001 pelo assessor do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados, o engenheiro Israel Bayma, que aponta os reflexos políticos desta concentração. Ele mostrou que, das 3.315 concessões de rádio e televisão distribuídas pelo governo federal, 37,5% pertencem a políticos filiados ao PFL, PMDB (17,5%), PPB (12,5%), PSDB (63%) e PDT (3,8%). O estudo mostrou também que cinco governadores de Estado e 47 deputados federais são proprietários de emissoras de rádio e/ou televisão.

"Espaço público-publicitário"

Sem citar dados mas seguindo o mesmo raciocínio, Muniz Sodré sustenta em seu artigo para a "Caros Amigos" que "a presença cada vez mais forte da mídia, impulsionada pelas novas tecnologias da comunicação" transformou a cidadania política em "performance estética". A prevalência dos meios de comunicação em substituição ao espaço público, que historicamente representou a mediação entre sociedade civil e Estado, observa o professor, deveu-se à crise do próprio Estado, à intensificação da globalização econômica e ao esvaziamento da representação da política formal. "Do ponto de vista do discurso, a mídia emerge como um espaço público tecnicamente alargado, mas sob o ângulo da democracia real como simulacro ou espectro da antiga mediação, ou seja, como uma espécie de política desossada, em que a palavra é apenas burocrática, e os votos meras simulações jurídicas de uma voz e uma ação inexistentes", analisa Sodré. Mencionando o "caso do PT no Brasil", o professor salienta que "as redes informais de sociabilidade (família, sindicatos, associações, vizinhança)" podem levar as pessoas a votar contra "candidatos midiáticos". No seu entendimento, mesmo assim, hoje "não se luta por idéias ou argumentos, e sim por segundos a mais no vídeo", ou seja, a democracia resultante deste tipo de "espaço público-publicitário" é "algo tão vazio de substância vital e de possibilidades transformadoras quanto uma imagem de televisão".

Civilização da mídia

Como forma de alterar este predomínio da mídia sobre as relações sociais, os jornalistas do Epcom sugerem que por meio de espaços públicos como o Conselho de Comunicação Social, órgão auxiliar do Congresso Nacional para assuntos desta área, consiga-se "civilizar" os meios de comunicação. "O setor, que não admite sequer falar em normas regulatórias, apoiando-se sempre no fantasma da censura, terá de se submeter ao controle público a que todos os demais concessionários de serviços públicos estão sujeitos no Brasil. Terá de ceder espaço às demandas de cidadãos organizados no debate sobre uma nova lei de comunicação social de massa, sobre as definições e regulamentações da digitalização da mídia eletrônica e sobre as suas responsabilidades na formação e sustentação de um indivíduo que seja mais cidadão e menos consumidor. Por isso, a sociedade brasileira precisa se conscientizar de que tem legitimidade para equilibrar as condições que dão acesso aos meios de comunicação no país. Nunca o momento foi tão propício para a cidadania civilizar a mídia, a exemplo do que foi feito em outros setores nas últimas décadas".

Outros enfoques

Além dos dois artigos sobre comunicação e mídia, intelectuais e escritores também escrevem sobre os demais aspectos da democracia. Para o cronista Luís Fernando Veríssimo a etimologia dos termos "demo" e "demônio" explicaria a "raiz da ambigüidade moderna com a democracia, que pode parecer demoníaca ou não dependendo de como é olhada". Na opinião do jurista Dalmo de Abreu Dallari, "é preciso discutir o aparato jurídico em que se baseiam as definições de democracia". Em seu texto intitulado "Luzes e Trevas da Paixão Igualitária", a socióloga e professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Maria Victoria de Mesquita Benevides, analisa a "situação contemporânea dos direitos humanos no Brasil", argumentando que a solidariedade, "no plano pessoal e grupal" deve constituir a base para a criação da "democracia radical" contra "o novo capitalismo selvagem e o novo imperialismo", representados pelo "mais perverso neoliberalismo econômico". Em outro artigo, o professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e PhD em ciência política, José Eisenberg, e a mestre em teoria do Estado e Direito Constitucional e mestranda em ciência política no Iuperj, Thamy Pogrebinschi, comentam seu livro "Onde está a democracia", ressaltando que a obra é "um manual de sobrevivência na selva da democracia brasileira". Em entrevista à publicação, o sociólogo Francisco de Oliveira, que dirigiu o Centro Brasileiro de Análises e Pesquisas (Cebrap), fundado por Fernando Henrique Cardoso, afirma que a "democracia só se completa com o socialismo" e que o presidente da República "nunca foi um social-democrata, porque social-democratas merecem mais respeito".

Fonte: AcessoCom (www.acessocom.com.br)

O link para a revista está aí do lado.
MIDI@LERTA

Os Jornais

rádios e revistas

19-11-2002



Vaias fascistas e vaias democráticas

Um samba do radialista doido, o comentário de hoje na rádio Gaúcha de Rogério Mendelski. Sempre em tom de pressa e despreocupado com a veracidade do que afirma, ele mostra ainda mais ausência de conteúdo quando quer utilizar exemplos históricos para defender seus pontos de vista. Assim, revoltado com as vaias espontâneas que Rigotto levou à saída do Clube do Comércio, no final da Feira do Livro, Mendelski pega pesado: diz que são neofascistas, filhotes de Mussolini e de Hitler, os populares que vaiaram o governador eleito.


Segundo ele, existem vaias democráticas e vaias fascistas. A democrática é aquela que o político recebe quando já está governando (e cita vaias recebidas por Olívio Dutra como democráticas, até mesmo em um show de Roberto Carlos...). A vaia fascista é quando o cara vaiado ainda não tomou posse (mesmo que suas posições neoliberais sejam conhecidas, assim como os votos anti-trabalhadores que deu no Congresso nacional).


E além do mais, historicamente Mendelski pisa no tomate: afinal, quem seria doido para vaiar Hitler ou mesmo Mussolini? Na melhor das hipóteses iria ser esquecido numa masmorra. Mas se os que vaiam é que são fascistas, o absurdo do radialista matinal da Gaúcha é ainda maior: militantes nazistas e fascistas não vaiavam: espancavam e passavam bala.


Enfim, mais uma vez, um amontoado de besteiras e exageros ditos como quem sabe do que está falando.


Trecho da diatribe: "Ao sair do Clube do Comércio, no encerramento da Feira (do livro), o futuro Governador, Germano Rigotto, junto à praça, recebeu uma vaia de um bando de jovens neofascistas caboclos. Foi assim em 1923 na Itália, foi assim durante a Alemanha... estou lendo um livro sobre o grande segredo de Hitler. Hitler era homossexual e tinha suas preferências, seus namoricos... E agora nós temos os neofascistas caboclos, distribuindo panfletos contra a imprensa, distribuindo panfletos, assediando as pessoas, agredindo as pessoas. Agora nós temos agora as brigadas neofascistas em Porto Alegre. Foram os que vaiaram o Dr. Rigotto. Segundo o Barrionuevo, a vaia dá o indicativo de que alguns setores não absorveram os resultados da urnas. Claro! Fascista não gosta de eleição. Fascista só gosta de eleição quando o Mussolini ganha ou quando o Hitler ganha. Vaiaram o Governador. Não fez nada ainda. Não tem nenhum motivo para levar vaia... se já tivesse já indicado um se cretário ou coisa assim, mas não. É a vaia ideológica. Quando a vaia é democrática, aí é uma demonstração que há descontentes, aí sim. O governador é vaiado no cinema, o governador é vaiado, depois de 3, 4 anos, o governador Olívio foi vaiado no show do Roberto Carlos, foi vaiado no Festival de Cinema, né? Aí o pessoal tem motivos para vaiar. Pelo menos parte da platéia, aí é democrático. Mas não, são os filhotes do Mussolini. A gente imaginava que isso não acontecesse, mas tem ainda aí, a filhotada está toda aí".



Mala preta no Pará, silêncio aqui

Com exceção do Correio do Povo, que levantou a bola e vem discutindo o assunto, há uma quase total cortina de silêncio na imprensa gaúcha sobre o que de fato teria rolado entre dirigentes do Inter e do Paysandu, antes do juiz apitar o início da partida.


A imprensa do Pará levantou suspeitas de "corpo mole" dos jogadores do time paraense, para que o Inter ganhasse e não fosse rebaixado à Segunda Divisão. Até o presidente do Paysandu, acusado pelos torcedores, diz que "um integrante da própria diretoria tentou negociar com o Inter e vou exonerar esse cidadão"...


O colunista Hilton Monbach na pág. 18 do Correio do Povo de hoje (19), em duas notas com o título de "Fumaça" constata: "Os próximos meses nos dirão se aconteceu alguma coisa de anormal ou não". Na matéria do jornal, página 19, o presidente do clube paraense afirma ainda que foi procurado "por seis ou sete pessoas interessadas em intermediar um encontro, entre eles e o vice de futebol, Ibsen Pinheiro".


Já Zero Hora dedicou sua página 50 à vitória do Inter no Pará. Sob o título "Jogadores dividem R$ 100 mil", o jornal conta o esforço de dirigentes e conselheiros para reunir dinheiro – as famosas "malas pretas" – para distribuir entre os atletas colorados (caso se classificassem) e ainda para o Figueirense vencer o Paraná e o Vitória ganhar do Palmeiras.


Mas, embora tenha feito uma matéria minuciosa, em nenhuma de suas linhas o diário da RBS sequer cita, nem a título de informação, o escândalo e as denúncias de "amolecimento" do time do Paysandu para o Inter, fato que vem incendiando a imprensa e a torcida paraenses.



Veja, a que ponto chegamos

Enquanto a revista Veja de 20 de novembro dá novas provas de desequilíbrio editorial, dedicando nada menos do que 12 páginas (86 - 97) a uma entrevista presidencial (FHC, oito anos depois) que, diante dos fatos registrados durante os dois mandatos, acaba sendo um elogio ao esquecimento, outros setores da mídia hegemonista mostram-se mais recatados. Veja tem a coragem de afirmar, sobre a relação dos meios de comunicação com o entrevistado, que "Mais se falou mal do que bem dele, nestes últimos meses – ou anos –, para justificar-se: "então falemos bem: eis um presidente que soube conduzir a nau do Estado dentro da normalidade democrática." Veja chama de normalidade democrática, portanto, os oito anos de medidas provisórias e atentados ao estado de direito que levaram o país a um estado de falência múltipla (social, econômica, moral e política) jamais visto na sua história.




O Sul se salva


Em se tratando de oba-oba, quem dá hoje (19) uma demonstração de equilíbrio, ao lidar com o sistema de blindagem por medalhas do (ainda) presidente, é o jornal O Sul. Depois de divulgar nas últimas semanas um prêmio cavado nas Nações Unidas, um título com cerimônia para inglês ver na mais antiga universidade da Inglaterra, diplomas aqui e acolá explicados com falácias por porta-vozes e pela mídia ignara, O Sul se reabilita. Dá apenas 12 linhas curtas (p.16) a "FHC recebe medalha.". Nem ignora, como fazem o Jornal do Comércio e o Correio do Povo, nem abre páginas inteiras para o factóide da entrega da Medalha do Mérito Mauá. "Concedida pelo Ministério dos Transportes a brasileiros que tenham prestado serviços relevantes ao setor", a medalha foi entregue a FH pelo ministro João Henrique "como agradecimento ao seu empenho no desenvolvimento dos transportes no país". Transportes de divisas para os credores internacionais?


Já Zero Hora destaca o factóide em foto, "FH recebe homenagem" (p.17), e admite (por falta de questionamento), ao citar o agraciado, um suposto milagre do presidente: "— O que aconteceu na área dos transportes nesses anos foi muito difícil: fazer funcionar sem dinheiro. E nós fizemos."




Um jornal repetente


Mas O Sul, ao que parece, anda sem assunto para colocar em suas páginas, pois é useiro e vezeiro em repetir matérias e fotos, tanto na mesma edição como ao longo da semana.


Um bom exemplo disso podemos ver hoje (19) na página 2 do recém-criado Caderno Reportagem. A matéria "Apenas com os novos postos na administração federal, estima-se que o PT arrecade cerca de R$ 17 milhões ao ano." fala da arrecadação que o PT conseguirá com o preenchimento dos 22.401 cargos à disposição do governo federal, através da contribuição mensal que os filiados, eleitos e comissionados têm que fazer.


Pois a mesma matéria veiculou recentemente, inclusive utilizando a mesma legenda, apenas trocando o título.




O Sul tem novo caderno

O recém criado Caderno Reportagem do jornal O Sul consegue afirmar sua existência apenas pela mudança na numeração de suas 16 páginas e uma pequena e tímida cartola no alto de página. No mais, não há um tratamento gráfico diferenciado, a tipologia é a mesma do corpo do jornal, e não há um critério para selecionar o assunto que se enquadre como reportagem, uma vez que as matérias do 1º Caderno têm o mesmo teor das matérias do novo caderno. É bem verdade que na edição de hoje, o assunto predominante é o PT, o que pode lhe acarretar um codinome: Caderno do PT.


Para comprovar, basta ver os títulos da edição de hoje, alguns deles, verdadeiras pérolas. Capa, "PT cria manual do poder.". Página 2, "Apenas com os novos postos na administração federal, estima-se que o PT arrecade cerca de R$ 17 milhões ao ano." Página 3, "Para ficar perto do PT, grupos de pressão trocam de lugar e entopem corredores do Congresso.". Página 4, "PT vai vender vinhos, panetones e ovos de Páscoa.". Página 5, "Ministros do STF que vão sair e ser substituídos por Lula.". Página 6, "Saiba como serão as mudanças nos ministérios." Então, tá.

*Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

Assinar: assinar-midialerta@grupos.com.br

terça-feira, novembro 19, 2002

E agora José?

Bastaram cinco horas desde a retirada de pardais em alguns locais do Rio de Janeiro para que cinco acidentes fatais ocorressem...

Aquí, idiotas sem propostas consistentes para o bem comum vociferam contra os controladores de velocidade por conta de uma alegada "fúria arrecadatória" do governo.

Na boa, fúria arrecadatória existe mesmo é na praça dos pedágios ...

Por exemplo, para me deslocar a um local distante 120 quilometros de POA, gastei R$ 5.70 em pedágio. E apesar da rodovia contar com dois pardais, não levei nenhuma multa.

Como é um percurso que faço regularmente, em cerca de 21 idas a este destino acabo pagando o valor inicial de uma multa por excesso de velocidade...

E tudo isso para andar em uma estrada apenas maquiada...


E agora José?





MIDI@LERTA

Jornais de P. Alegre

18/11/2002



ZH retoma a pauta da violência e da criminalidade


A pauta da violência promete voltar – e já vem voltando - com força para as páginas do maior jornal impresso da RBS esta semana. Hoje (18) a manchete de contracapa de Zero Hora dá a impressão de rigor e contundência, ao usar todos os números para avançar a causa da empresa: "Um gaúcho foi assassinado a cada 3 horas e meia no feriadão".


A chamada para as páginas 4 e 5, integralmente dedicadas ao tema, joga com o contraponto fotográfico de aprazível praia no litoral norte. E, na mesma edição, os comentários políticos de José Barrionuevo (p.12) se ocupam, coincidente e prioritariamente, da mesma questão: "RS bate recordes na criminalidade".


Não se trata de contestar os dados da criminalidade e da violência, mas de criticar o uso desses dados, feito de forma a facilitar uma percepção distorcida para pior, do estado real da violência e da segurança pública no RS. A parte noticiosa do esquema é tecnicamente defensável, pois baseia-se em estatísticas:


"O feriado de tempo bom no RS terminou ontem à noite com uma trágica estatística: até as 24h de ontem, pelo menos 21 gaúchos tinham sido assassinados (...). Além de superar todos os assassinatos registrados no ano passado em municípios como Esteio ou Sapucaia do Sul, o número de mortes nos últimos três dias foi igual à soma das ocorridas em outros dois feriados prolongados (...)."


A coluna de Barrionuevo, por sua vez, são brasas puxadas para a própria sardinha (da RBS). Trata de "um estudo mais amplo do que a Secretaria Nacional de Segurança Pública apresentou na semana passada em relação ao RS", por dois economistas, e que "vai virar livro". O estudo "mostra os padrões de criminalidade sob a batuta de José Bisol ao longo de quatro anos (...)". Para quem esquece, José Bisol é o secretário de Segurança Pública do governo Olívio Dutra. Mas seria, também, candidato a vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989, não fossem as denúncias caluniosas da RBS, que o retiraram do páreo e que culminariam numa ação judicial, na qual a RBS foi condenada a pagar indenização milionária ao caluniado.


Para início de conversa, ao falar em "padrões de criminalidade sob a batuta de José Bisol" o colunista dá a impressão de querer transferir a batuta da mídia hegemônica para a mão de algum bode expiatório. Não prova sua acusação nem desvencilha-se do embaraço estatístico, dentro do qual busca engambelar o leitor e a leitora. "O dado mais inquietante é que, mantida a atual tendência, o RS experimentará um aumento de 10% nas taxas de roubo a cada seis anos, ocorrendo o mesmo com a taxa de furto, que dobrará a cada sete anos". Aqui, já fala de tendências e projeções da criminalidade. E vai além:


"Diante dessa dramática possibilidade, o estudo considera ‘indiscutível’ a necessidade de se modificar o modelo de operação do sistema de segurança pública do RS, para evitar que o Estado "se aproxime das regiões mais violentas do Brasil, as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Recife".


A honestidade intelectual e factual exigiria informar que o RS possui um sistema de coleta de dados sobre a criminalidade superior ao da maioria dos estados brasileiros, o que pode distorcer as comparações selvagens. O apelo para "modificar o modelo de operação do sistema de segurança" do RS sem dizer qual é este modelo soa como prévia justificativa para a volta de estruturas podres e já saneadas da Segurança Pública do Estado, na atual gestão. E o argumento é insustentável. Pede tudo isso para "evitar que o Estado ‘se aproxime das regiões mais violentas do Brasil’...", onde o modelo de operação é, justamente, aquele que o colunista defende para diminuir a violência.


O resto é notícia de Zero Hora. Fatos diversos, que os jornais juntam em pequenas notas no fim das páginas policiais, tornam-se manchete nas primeiras páginas de ZH: "21 assassinatos em três dias de feriado"; "Brigas amorosas causam quatro mortes"; "Motivos fúteis geram violência"; (...); (p.4, 5). Com isso, o jornal da RBS usa fatos reais para inventar a "falsa realidade" de que há mais violência e insegurança no RS governado pelo PT do que no resto do país, se não do mundo. E prepara-se, ao mesmo tempo, para o novo período de "paz e amor", novamente sob a sua batuta.





A volátil opinião de um colunista


Após passar quase quatro anos batendo e ampliando qualquer problema do governo Olívio (e nunca elogiar qualquer acerto), em sua coluna de ZH, José Barrionuevo na edição de domingo (17) volta a mostrar sua recente mudança de opinião. Com o título "Navegar é preciso", ele ironiza à vontade o passeio que o governador do Estado deu à bordo do veleiro Cisne Branco, da Marinha brasileira, para concluir: "O governador encerra o mandato sem maior desgaste". Diz também, em tom de quem dá o furo, que Olívio "é nome certo para o ministério de Lula" e "já se apresenta como forte candidato à sucessão de Rigotto em 2006".

Para explicar a mudança radical de avaliação, agora que Olívio não representa mais perigo, Barrio diz que ele "acabou repassando ao ex-prefeito (Tarso) o desgaste da derrota". Enfim, mais uma vez o colunista joga à vontade, acirra ânimos e contribui para ampliar divergências internas no PT. E o que é pior: muitas vezes com a colaboração de petistas, que não resistem a uma citação elogiosa em sua coluna.


Pesquisas de ZH: comissão lava as mãos e sai de cena

Uma lavagem de mãos de quem não tem nada a ver com o assunto, ao estilo Pôncio Pilatos. Assim pode ser lida a "conclusão" publicada na ZH de domingo (dia 17) , na pág. 14, pela comissão de notáveis convocada às pressas pela RBS, para tentar deter a onda de indignação e cancelamento de assinaturas causada pela manipulação das pesquisas eleitorais pelos veículos da empresa.


Assinada pela reitora a Ufrgs, Wrana Panizzi, pelo professor de direito constitucional Eduardo Carrion, pelo presidente da ARI, Ercy Torma e pelo integrante do Conselho do Leitor de ZH, Nestor Streb, a tal comissão elaborou um texto que é um primor de generalidades. Uma das poucas recomendações um pouco mais específicas é "a identificação clara, quando for o caso, nos seus editoriais, da posição da empresa jornalística".


A comissão "recomenda a constituição de um fórum convocado por instituições e agremiações representativas de diferentes setores da sociedade civil, cuja formatação deverá ser definida pelos envolvidos, para um debate amplo, aberto, crítico e democrático sobre o tema". Quais instituições? A Farsul e o MST, por exemplo, vão sentar para discutir Zero Hora e as eleições?


Enfim, quando se recomenda a realização de um grande fórum – genérico, amplo e irrestrito – quase sempre trata-se de uma maneira de jogar qualquer discussão objetiva para as calendas. Ao que tudo indica, a tal comissão resolveu fazer uma pequena recolha de sugestões cheias de boas intenções (na prática, pouco viáveis) e se desligar o quanto antes do assunto (RBS/eleições/Ibope/Cepa-Ufrgs) – que na verdade cheira mal e já vem provocando conseqüências dentro da próprio Universidade Federal do RGS, que viu seu prestígio e renome chamuscados pelo escândalo das manipulações das pesquisas, que contribuíram para a vitória de Germano Rigotto.


Em tempo: na mesma página, a RBS "agradece a valiosa contribuição" da comissão e compromete-se a aceitar desde já as sugestões apresentadas. Mais adiante, depois de se auto-elogiar ao lembrar a realização de um recente Seminário de Ética e Comunicação (isso mesmo!) pelo grupo, a empresa diz, com ingenuidade: "Acreditamos que o processo de comunicação requer constante aperfeiçoamento".


Pois Midia Alerta não concorda. Para nós, a RBS não precisa de mais aperfeiçoamento: já é mestra na arte de manipular, omitir e degradar a informação, de acordo com seus interesses.



"Cascatinha" respinga veneno sobre imagem do PT

Inacreditável a nota "Direto ao ponto" publicada por Fernando Albrecht, em sua coluna da pág. 3 do Jornal do Comércio de hoje (18). Sem dar o nome de ninguém, sem citar o município, a identidade ou ao menos o cargo do "funcionário público" que teria participado da conversa que ele apresenta, o colunista publica uma autêntica fofoca, com o propósito – escancarado e único – de desgastar o PT.

Diz ele que o prefeito de uma cidade governada pelo partido da estrela recusou dar aumento ao funcionalismo público local, não quis explicar os motivos ao porta-voz dos funcionários e, pressionado, teria se saído com essa: "Qual é cara, tu ainda não entendeu que agora a gente é patrão?".

Ora, esse é um típico exemplo de não jornalismo – tudo que não se deve fazer, quando se preza a ética na comunicação. Do jeito que ele publicou, pode ser tudo apenas e puramente invenção. Por essas e outras é que o apelido do dono da coluna é, há décadas, "Cascatinha".



Feira do Livro com melancolia e informação errada

A matéria publicada na página 33 de Zero Hora, sobre o encerramento da 48ª Feira do Livro, tem pelo menos dois aspectos para análise e correção:

Primeiro é o título. "O melancólico adeus à festa do livro" passa uma conotação de tristeza ou de fracasso, o que não se verifica, tanto no texto como na foto. A linha de apoio, inclusive, diz que a feira foi um sucesso – "Batendo recordes de vendas e de público, a 48ª Feira do Livro foi encerrada ontem com uma série de atividades".

A matéria traz no boxe que tem o título "Encontros e desencontros" uma informação incorreta. Conforme o texto "o governador Olívio Dutra não compareceu à festa capitaneada pelo xerife Júlio Laporta, que contagiou a praça da Alfândega". Apenas para informar, o governador Olívio Dutra esteve presente sim à festa de encerramento da 48ª Feira do Livro. Ele cumprimentou muitas pessoas e, no final, esteve ao lado de Júlio Laporta em mesa do Bistrô do Margs.



Para O Sul, o PT é uma S/A

A matéria publicada em O Sul de Hoje (18) na página 11 - "PT S/A fatura mais com chegada ao poder" - tem uma conotação maldosa. O texto diz que com os 22.401 cargos à disposição, o PT vai arrecadar R$ 17 milhões, uma vez que, segundo a matéria, "a sobrevivência do PT está baseada na contribuição quase que religiosa de filiados, eleitos e comissionados". Na legenda da foto diz: "José Dirceu, se for ministro, receberá R$ 8.280,00 de salário e contribuirá com R$ 1.821,00".

Normalmente as pessoas contribuem para aquelas instituições que elas acham que valem a pena, que são honestas ou que ajudam a comunidade. Muitos destinam uma pequena parcela de seus rendimentos a clubes esportivos, instituições de caridade, de ensino, culturais e também entidades políticas. Portanto, qual é o problema de um filiado contribuir com o seu partido? Mais uma vez, na ânsia de criticar a esquerda, O Sul tropeçou no bom senso e ficou desnorteado.

*Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

Assinar: assinar-midialerta@grupos.com.br

segunda-feira, novembro 18, 2002


Ao mesmo tempo em que sua majestade FHC gasta rios de dinheiro para tirar umas fériazinhas com as netas...


O Diretório Acadêmico "Mário Quintana" do Curso de Comunicação Social da Universidade
Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul, realizará um manifesto dia 20, quarta-feira,
em frente ao Centro de Ciências Sociais e Humanas da UFSM na rua Floriano Peixoto
centro de Santa Maria. O manifesto foi decido em reunião pelos integrantes do
D.A. e tem como objetivo protestar contra a negligente atitude da direção do
CCSH e da reitoria em relação ao curso de Comunicação Social. As salas de aulas
estão em precárias condições de uso: morcegos, falta de equipamentos, laboratórios,
papel etc. Em contrapartida a reitoria da universidade deslocou os estúdios
de tv para as dependências da reitoria. Dessa forma tanto a TV Universidade,
quanto a Rádio Universidade 800 AM estão sob a vigilância e controle da reitoria
indicada pelo Ministro Paulo Renato. O manifesto será em apoio às rádios comunitárias
e à democratização dos meios de comunicação.

Cristóvão Corrêa Soares
Aluno de Jornalismo
membro do D.A. "Mário Quintana"


FICHA CORRIDA


+livro & - feira

A RBS, através de massiva intervenção, está tentando transformar a Feira do Livro de Porto Alegre uma espécie de Expointer. Pior, uma feira agropecuária particular. Primeiro porque só os animais amestrados de sua cabanha ganham espaço. Somente transita por tais veículos somente os que tiverem paciência bovina e estiverem cobertos de medalha quais generais de "Banana Republic". O espaço destinado é diretamente proporcional ao grau de amestrabilidade. E há cabritos para todos os gostos.

Não bastasse esta tentativa de monopolizar, também trabalha no sentido de fazer da feira apenas uma exposição dos melhores da raça. Até a linguagem lembra os leilões agropecuários.

Isto tem a ver com a sociedade feita com aquele boçal da FARSUL?





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A advogada Ana Cândida escreve sobre O empresário e o cooperativismo no Brasil.


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Campanha contra baixaria na TV

Foi lançada pela Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional o seminário que trata da campanha: "Quem financia a baixaria é contra a cidadania". A campanha consiste no acompanhamento da programação da TV, que eu estenderia aos programas de rádio e jornal (são todos mídia, não?!), para denunciar os que, de forma sistemática, desrespeitam valores universais como a dignidade do cidadão. Lembre-se, quem financia a baixaria é contra a cidadania. Fique longe da RBS! Drogas fazem mal à saúde.

Para mais informações acesse o sítio da Comissão do Congresso que trabalha contra a Baixaria na TV


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A RBS merece uma MARCAÇÃO CERRADA, e o jornalista Willians Barros já se encarregou da tarefa.

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"Padrão Padilha de Qualidade"

Vejam se não é sina. Escrevi algumas Fichas atrás, que todo mau caráter tem chance de ser articulista na RBS. E a RBS resolveu mostrar que eu tinha razão. Pior, revelou seu "modus operandi" de maneira a mais escrachada possível. O caráter de seus mentores e condutores está de corpo e alma no episódio Pedro Parente. O que fez este sujeito? Alterou a parte do ordenamento que iria beneficiá-lo, possibilitando transitar da esfera pública para a privada, sem tapar o nariz, sem esperar pela quarentena. Este é o Padrão Padilha de Qualidade da RBS. Esta promiscuidade entre a coisa pública e sua privada pauta todos os seus veículos de comunicação. Veja-se o ilustre Senador Sérgio Zambiasi. Todas as denúncias feitas contra ele (Nem a Lei Seca de Chicago mostrou tão bem de que lado está o caráter. Por exemplo, o que aconteceu com o Vinagre Zambiasi?!) jamais ganharam qualquer vírgula de espaço na RBS.! E assim se locupletam todos.

Para quem não conhece o Padrão Padilha de Qualidade da RBS, aí vai um antalogia: Método Padilha


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100 milhões de reais

Esta era a dívida da RBS com a Receita Federal. Foi denunciada, Pedro Parente segurou e agora garante o emprego. Mas a história não termina aí. Está nos pasquins gaúchos o recado do "homem botox": quer contratar Everardo Maciel para ser consultor de seu Governo. Pelos serviços prestados a uma empresa que deixa de pagar tamanho débito, Everardo está conseguindo o seu "Seguro Desemprego". E pelo maior beneficiado do serviço sujo. Já é o segundo do Governo Federal.

A vitória do "homem botox" fez com que o Rio Grande virasse a lixeira da sobra federal!


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Tratado de Tordesilhas

Nem tomaram posse o grupo amadrinhado pelo "homem botox" já partiu para a pancadaria. A partilha de cargos na Assembléia Legislativa está acirrando os ânimos de tal modo que os episódios na Câmara de São Leopoldo, onde o PMDB governa, pode parecer um Convento. O butim dos cargos é o verdadeiro coração da espécie. Lá no interior meu avô tinha um ditado que explica este triste episódio: Porco vira até o cocho para lamber a "lavagem"! Desculpem-me, mas não encontrei nenhum menos sutil para exemplicar!



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III Fórum


O Terceiro Fórum está chegando. Todos sabemos o quanto o primeiro foi menosprezado e o, boicotado. O eixo do mal que está se instalando no RS fará de tudo para que o próximo Fórum tenha muito problemas. A RBS continuará distorcendo, mostrando aspectos folclóricos, ou algumas baixarias, que é o que seu público gosta. Mais do que nunca é hora de trabalhar para que o pessoal do "homem botox" não manche o nome desta cidade para o resto do mundo.



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A Propósito

Por que só a RBS não precisa pagar suas dívidas?



Ficha corrida é de autoria do Gilmar Crestani.

Clica aquí para ir no site dele.

> Boletim informativo do deputado Flavio Koutzii (37)
>
> "Não creio que Lula tenha tempo para falar comigo hoje,
> mas lhe diria que sua vitória é um dos poucos eventos
do
> começo do século 21 que nos dá esperança para o
resto
> deste século." (Eric Hobsbawm, historiador, em
> entrevista à Folha de S.Paulo em 13 de novembro de 2002)
>
> União pelo Rio Grande exclui o PT
>
> FLAVIO KOUTZII
> A disputa para governador nem havia se resolvido e, em
> outubro, pouco após o primeiro turno, os quatro partidos
> que fazem oposição ao governo da Frente Popular já
se
> movimentavam para novamente excluir o PT da Presidência
> da Assembléia. As primeiras notícias na mídia não
davam
> conta sequer de um embate a caminho: anunciavam como
> irreversível um acordo vitorioso entre PMDB, PDT, PPB e
> PTB e um derrotado por antecipação, o PT, o partido
que
> conquistou a Presidência da República graças
também a
> uma cultura de esquerda em construção em Estados como
o
> Rio Grande do Sul e em capitais como Porto Alegre.
>
> A postura autoritária da atual oposição em bloco,
que se
> recusa a partilhar o comando do Legislativo gaúcho
> justamente com o partido eleitor do maior número de
> deputados estaduais, é inaceitável. Ela só subsiste
e
> consegue ser apresentada como proposta séria por conta
> de um lamentável automatismo que mancha decisões
> políticas no Estado desde o final de 1998. Por esta
> época, o então governador Antonio Britto quebrou um
> protocolo de décadas de civilidade, ausentou-se da posse
> de Olívio Dutra e do alto de seu cargo deu a primeira
> grande deixa para tratar o PT como subraça partidária.
> Desde suas primeiras aparições como candidato, no
início
> deste ano, Britto marcou seu discurso com um antipetismo
> raivoso. Terminou a eleição com 13% dos votos
válidos,
> depois de ter sido colocado em primeiro lugar por
> pesquisas do Ibope que hoje se assemelham mais a peças
> de ficção.
>
> Pleitear a Presidência da Assembléia em apenas um dos
> quatro anos do próximo mandato parlamentar é uma
> aspiração legítima para um partido forte e
organizado no
> Estado, e só não soa como natural, e só precisa ser
> naturalizada à força, porque há muito os
significados
> das palavras e das ações se confundem, a linguagem
> interpreta-se muitas vezes pelo seu sentido contrário,
> na cindida política gaúcha. A inversão dos valores e
o
> absurdo das provocações chega ao cúmulo numa
pergunta
> clássica elaborada aos petistas em dias de disputa: "Por
> que o PT se preocupa tanto com cargos?" Para o senso
> comum, é como se PMDB, PDT, PPB e PTB não estivessem
se
> engalfinhando pelas mesmas dezenas de cargos da
> Presidência, eles que antecipadamente se fecharam em
> bloco para assegurá-la. Para os que unem forças contra
a
> ocupação dos cargos pelo PT, ninguém faz perguntas
sobre
> benesses do poder público. É mais uma vez uma
discussão
> surreal, portanto.
>
> O PT defende a proporcionalidade e a transparência na
> divisão dos cargos da Mesa diretora da Assembléia,
> conjunto que inclui a Presidência. A proposta petista
> estende esse critério também para as comissões
temáticas
> permanentes. Cabe lembrar que o orçamento da
Assembléia
> representa cerca de 3% do orçamento estadual. Nós
defendemos que
> nenhum partido seja excluído da administração da
Casa, e
> pleiteamos que seja respeitado o tamanho e a
> representatividade de cada bancada. Por exemplo, o PT
> elegeu 13 deputados estaduais, mesmo número da soma dos
> parlamentares do PTB (seis) e PDT (sete) eleitos em
> outubro para a próxima legislatura.
>
> O Partido dos Trabalhadores administra a Capital desde
> 1989, está ou esteve no comando de dezenas de
> prefeituras gaúchas, reelegeu ou elegeu recentemente
> prefeitos de cidades importantes da Região
> Metropolitana. Completa agora em dezembro quatro anos de
> um primeiro governo estadual que retomou o crescimento
> agropecuário e industrial do Estado, investiu
> pesadamente em educação e fez da inclusão social e
da
> participação popular duas prioridades, para citar
apenas
> algumas das realizações do governador Olívio Dutra.
No
> embalo dessas conquistas, destes ganhos de capilaridade
> expressiva junto à população, fizemos mais de quatro
> milhões de votos para o Senado e elegemos pela primeira
> vez um senador do PT. Aumentamos a bancada estadual,
> elegendo 13 deputados, mantivemos a bancada federal com
> oito parlamentares petistas, e no segundo turno, contra
> todos os partidos e contra todas as pesquisas falsas que
> nos derrotaram com uma semana de antecedência, fizemos
> 47% dos votos para governador.
>
> O que ainda falta para a oposição reconhecer que o PT
> tem patrimônio político suficiente para estar na
> Presidência da Assembléia? Estão esperando e
exigindo
> que governemos a galáxia? A incoerência da
> propaganda "União Pelo Rio Grande" com a renovada
> prática de exclusão do PT é tão gritante que até
setores
> da mídia passaram a considerar como básico o direito
de
> partilha dos quatro anos. Mas não podemos nos iludir.
> Boa parte da mídia gaúcha estimulou ao longo de quatro
> anos esse antipetismo odioso, que renova a caça às
> bruxas comunistas em pleno século 21, e agora, de uma
> hora para a outra, passa a defender mais equilíbrio,
> menos radicalismo nas decisões. De uma hora para outra
> não: desde a noite de 27 de outubro, quando Lula se
> elegeu presidente da República e comandante de
políticas
> sociais, o que também inclui a palavra final sobre o
> destino das verbas publicitárias para a divulgação
do
> seu governo nas TVs, nas rádios e nos jornais.