A lógica excluída da mídia
A liberdade de imprensa é sagrada. Também é sagrado o direito ao respeito e
à dignidade pessoal e política. Estes dois conceitos paralelos compõem o
dilema sobre o qual se manifesta um grupo de políticos e intelectuais, que
divulgou na Assembléia o Manifesto pela Liberdade de Imprensa e Defesa do
Estado de Direito.
O problema não é, como querem fazer crer, a existência de um cenário de
retomada da censura, que combatemos ardentemente ao longo de nossas vidas,
enfrentando ditaduras e repressão. O que se oculta por trás desse movimento
supostamente indignado é o desejo de que nós não nos defendamos e ainda
colaboremos, por omissão, com um bombardeio que mistura
(mal-intencionadamente) conteúdos críticos, que devemos respeitar, com
calúnias, exageros, deformações, desrespeito e caricatura, que precisamos
repudiar. Não somos sócios deste lado obscuro da política gaúcha.
Há cronistas de jornal, de rádio e de TV que de forma absoluta, sem
pausas,
nos criticam pela manhã, tarde e noite sobre todas as questões que dizem
respeito ao governo do Estado. Em raras ocasiões, tão raras que nem me
lembro quando e onde, a pauta admite o direito e a lógica de nossa visão de
mundo. Para estes setores, a nossa lógica, que é diferenciada mesmo, por
ser
de esquerda, de sólida reação à hegemonia neoliberal, já é espúria por
definição. Mesmo as nossas conquistas - o seguro agrícola, a Universidade
Estadual, os milhares de servidores contratados para melhorar a qualidade
de
vida da população, a ampliação fantástica da participação popular na
escolha
dos investimentos - são permanentemente excluídas dos debates.
No momento, há o clima de vitimização da mídia, construído a partir de
recentes decisões judiciais. Mas vale lembrar que recebemos hostilidade
desde janeiro de 1999. E deveríamos achar isso bom? Já virou chavão, no Rio
Grande do Sul, tachar a administração petista de "governo do ódio", de
intolerante, de antidemocrática. Na verdade, antidemocrático é suscitar a
idéia de que não deveriam existir os legítimos recursos da sociedade na
esfera judicial, decisões soberanas que têm sido criticadas e definidas
como
"exóticas" por estes defensores da liberdade da expressão.
Tais posições não constituem um movimento pela democracia. São, antes
disso,
movimentos de censura à radicalidade de esquerda. Porque nós entendemos os
protestos como parte do sentido da política. Respeitar o direito à
inconformidade não significa desrespeitar a propriedade privada ou ser
condescendente com a quebradeira. O governador se expôs a todo tipo de
críticas quando inverteu a lógica que criminaliza os protestos e propôs
que,
pelo menos uma vez em 500 anos, fossem respeitados os motivos -de quem se
revolta. É este corajoso viés de solidariedade, surpreendente da parte dos
poderes públicos, que está tão difícil de entender. A lógica da exclusão é
a
preferida do discurso neoliberalizante, o mesmo que prega um Estado livre
sobretudo de responsabilidades sociais.
* Flavio Koutzii é deputado estadual do PT e foi chefe da Casa Civil
do governo Olívio Dutra (1999-2002)
Nota de Von Croq: não digo que o FK seja um gênio... Mas que tem uma puta sensibilidade lá isto tem...
Maravilha de texto, não precisa nem comentar não é mesmo???
Agora um pouco de propaganda do próprio :
O comitê central na Protásio Alves é ponto de encontro para organização e
mobilização. Nas plenárias das quartas-feiras, a partir das 19h, são
definidos locais e horários de panfletagem, colagem de cartazes e afixação
de bandeirolas na Capital e Região Metropolitana. Também estaremos
divulgando os principais atos da campanha de Lula, Tarso, Emília, Paim,
Flavio Koutzii e Henrique Fontana. Participe! Pegue a bandeira, ajeite o
bottom e o lenço vermelho e ajude a levar a campanha para as ruas! Os
telefones do comitê são (51) 3333-5023 e 3333-0911.