Quinta-feira, Janeiro 30, 2003

MIDI@LERTA

Os jornais
29/01/2003



O Sul omisso
O jornal O Sul omitiu participação do governo anterior na implantação da energia eólica. Os quatro grandes diários da capital noticiam, hoje, que o Rio Grande do Sul terá um parque de energia eólica em Osório e uma indústria de aerogeradores, a serem implantados por investidores espanhóis. A confirmação veio numa audiência do governador Germano Rigotto, em Porto Alegre, com representantes do grupo espanhol Elecnor/Enerfin. O Sul, no entanto, foi o único que omitiu a informação de que os primeiros contatos da Elecnor com o Estado ocorreram no governo anterior, em 1999, através da então secretária das Minas e Energia Dilma Roussef, que por sua competência foi designada ministra da mesma área no governo Lula.





Se o PT correr o bicho pega, se ficar...

Muito bom o artigo de Juremir Machado da Silva, hoje, no Correio do Povo (p. 4), no qual exprime como ninguém fez ainda a extensão do paradoxo vivido pelo PT, agora que governa o país. Veja um trecho: “Durante duas décadas, o Partido dos Trabalhadores foi acusado de não mudar. Agora, está sendo acusado de ter mudado. Quando era fiel aos seus princípios, ditos ortodoxos de esquerda, o PT levava pau por ser radical, ultrapassado, teimoso e incapaz de negociar e fazer alianças. Na fase atual, de paz, amor e aceitação dos opostos, o PT está sendo massacrado por ser inconstante, negociar demais, fazer alianças estapafúrdias e fugir da sua linha ideológica. Se correr o bicho pega, se ficar...”.




Acredite: para O Sul, FSM deu "prejuízo"

O título seria inacreditável em qualquer outro jornal, mas como se trata de O Sul, os critérios perdem o norte. O fato é que a pág. 9 da edição de hoje (29) de O Sul abre com o título: "Fórum Social Mundial deu prejuízo de R$ 900 mil".

Prejuízo??? Ora, até as pedras da Rua da Praia - sem falar em todo o mundo comercial de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul - sabem que o III Fórum Social Mundial foi um tremendo sucesso em termos de negócios (além do enorme papel político do evento que projeta a capital gaúcha no mundo todo).

O tal "prejuízo" não passa de custo da mega iniciativa para os organizadores, e gastos com pessoal e hospedagem assumidos pelo poder público. Se quisermos pensar apenas em termos comerciais, o correto é dizer que foi um investimento, com lucros exorbitantes. Afinal, todo o comércio e o turismo, as redes hoteleiras, taxistas, bares, restaurantes, etc, etc, receberam uma injeção de milhões de dólares deixados no Estado, em menos de dez dias, pelos participantes do Fórum.

O que pretendeu O Sul com esse título desnorteado? Aplicar uma "pegadinha" no leitor desavisado? Ou dar sua contribuição para solapar um evento mundial que enriquece a busca de novas alternativas na degradada ordem econômica e social do planeta?

Já com saudades dos dólares deixados aqui pelos participantes do FSM, nem a direita riograndense concordará com a visão de O Sul. O próprio jornal foi obrigado a dar no pé da página um boxe com o título, "Comércio da Capital fatura R$ 30 milhões com o Fórum."

Em tempo: foi essa mesma visão apequenadora do processo que levou o novo governo estadual a cortar R$ 1 milhão na ajuda à organização do evento, contribuindo para que no ano que vem o IV Fórum Social Mundial não aconteça em Porto Alegre. Depois, consciente do equívoco, o governo Rigotto tentou consertar, mas já era tarde. E Porto Alegre só terá de novo as idéias generosas e - o que importa para o comércio - os dólares dos participantes do FSM em 2005.





Silêncio na BM e na mídia
O novo comandante da Brigada Militar proibiu a capitã Maria Jaqueline Machado de participar ontem (28) de um programa da rádio Gaúcha, que abordou a impossibilidade regimental das mulheres PMs chegarem ao posto máximo de coronel, dentro da corporação.

O assunto virou nota na pág. 3 de Zero Hora de hoje, que ouviu o comandante-geral da Brigada, Nelson Pafiadache. Em suma, o coronel disse que a capitã foi proibida de falar pois "não solicitou autorização; quem me representa são as pessoas que eu escolho; não divido minha autoridade". E mais: "Ela já havia dado entrevista sem estar autorizada, fazendo avaliações que não lhe competiam". Ou seja, por essa lógica, um segmento que luta por mudanças (a justa reivindicação das mulheres de também chegarem ao posto máximo da BM) jamais pode manifestar à sociedade a sua posição. Só os que possuem posição contrária - e o poder de mando - podem defender sua opinião junto à opinião pública.

Aliás, o veto às mulheres de chegar ao comando da Brigada já não tem qualquer justificativa razoável nos dias de hoje, e a impossibilidade de que essa discussão seja levada às claras mostra que a linha dura chegou às corporações, com a vitória conservadora no RS, cheia de subprodutos e efeitos negativos que alguns setores da mídia nem imaginavam. Esperemos que a RBS e seus atentos comunicadores mostrem agora a mesma indignação que mostravam contra o governo estadual da Frente Popular, que por uma questão de consolidação de posições procurava centralizar informações de secretarias e todos os órgãos através da Imprensa do Palácio Piratini.




Parabéns, Vietnam
O encontro de ontem do governador Rigotto com uma comitiva vietnamita liderada pelo embaixador Nguyen van Huynh ficou relegado a duas pequenas notas, uma no Jornal do Comércio (Começo de Conversa, "Números vietnamitas", p.3) e outra no Correio do Povo (Panorama Econômico, "Surpresa", p.11), quando deveria despertar a curiosidade de toda a mídia, não apenas pela recuperação das vitoriosas vítimas do velho império norte-americano, mas também pelo fato de demonstrar os benefícios da paz e desmascarar os seus inimigos, hoje representados por Bush. Em todo caso, soubemos do crescimento da expectativa de vida para homens (65 anos) e mulheres (70), que apenas 6,3% da população não sabe ler e escrever, dos US$ 3 bi investidos no exterior e dos US$ 16 bi exportados. Graças aos colunistas. Esta vitória do Vietnam é mais um exemplo para toda gente de paz, que diz não à guerra e ao derrame do petróleo.





E a mídia não viu
O Fórum Social Mundial lançou domingo passado um filme obrigatório e a mídia não viu. Por que, ninguém sabe, pois o Teatro da Puc, com mais de 600 lugares, apesar de cheio, daria para o punhado de críticos que não viram nem gostaram do fórum exercitar os neurônios. Verdade que o vídeo de 70 minutos apresentava Noam Chomsky e Eduardo Galeano em contraponto ao depoimento de defensores e gestores da escola de assassinos que o exército dos Estados Unidos mantêm em Fort Benning, na Georgia.

'Hidden in Plain Sight,' dirigido por John Smihula e narrado pelo ator Martin Sheen, inclui narrativas, além da dos pensadores Noam Chomsky, Eduardo Galeano, Michael Parenti e outros, ouve o general John LeMoyne e o coronel Glenn Weidner, os parlamentares Barbara Lee e Jim McGovern, os ativistas Padre Roy Bourgeois e Sandra Alvarez e muitas, muitas vítimas. Para conseguir o filme na internet, www.hiddeninplainsight.org, e e-mail info@hiddeninplainsight.org.

A US Army School of Americas (SOA), Escola das Américas, baseada em Fort Benning, na Georgia, treina soldados latino-americanos para combate. Ex-alunos da SOA são responsáveis por alguns dos piores abusos de direitos humanos na América Latina. Entre os 60,000 diplomados da escola estão os notórios ditadores Manuel Noriega e Omar Torrijos do Panama, Leopoldo Galtieri and Roberto Viola da Argentina, Juan Velasco Alvarado do Peru, Guillermo Rodriguez do Ecuador e Hugo Banzer Suarez da Bolivia. Diplomados de escalões inferiores participaram de abusos de direitos humanos que incluem o assassinato do arcebispo Oscar Romero e o massacre de 900 civis de El Mozote.





Notícia estranha
No Correio do Povo de sábado (25), ao pé da página dois, em duas colunas, foto de identidade 3X4 de Olívio Dutra no centro do quadro, e o título "Revista traz novas denúncias". A primeira relação que o leitor faz é foto e título. Novas denúncias... contra Olívio Dutra? Se assim deduzir, o que é bem possível, o leitor terá sido induzido ao erro pelo jornal.

A matéria trata de denúncias publicadas na revista Istoé contra o ministro de Transportes, Anderson Adauto. Nada a ver com o ex-governador gaúcho, que entra na história meio de contrabando, no último parágrafo, em duas frases curtas: "O ministro das Cidades Olívio Dutra descartou ontem que venha a assumir os Transportes, caso o atual titular saia do posto devido às suspeitas de envolvimento em irregularidades. Olívio, que se reuniu com o presidente Lula, em Porto Alegre, afirmou que Adauto é uma pessoa séria."

E o CP, foi sério, subliminarmente, sabendo-se que a revista IstoÉ foi instrumental na divulgação de denúncias improcedentes contra o governo Olívio durante a longa e pouco limpa campanha eleitoral em que a imprensa hegemonista venceu o PT gaúcho? Ou terá sido equívoco subliminar?






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Quarta-feira, Janeiro 29, 2003

29 de janeiro de 2003

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
Mensagem final do FSM: daqui pra frente, se Davos quiser, ele que nos siga


Mesa da coletiva
A terceira edição do Fórum Social Mundial realizou nesta terça-feira de manhã sua última atividade pública: uma coletiva de imprensa, aberta também aos delegados, que lotou o auditório central da PUC-RS. Centenas de jornalistas compareceram para ouvir a comissão organizadora do Fórum fazer um balanço do evento.

Inicialmente, os delegados não participariam do encontro, mas acabaram pressionando os organizadores do evento a abrir as portas para centenas de pessoas.

Coca-cola

Um pouco antes da coletiva começar, um zum zum zum entre os participantes indicava que alguma coisa estava fora da ordem no recinto. Soube-se que eram copos com a indefectível logomarca da Coca-Cola inocentemente colocados sobre a mesa de onde falariam os organizadores do Fórum.

O “problema” foi comunicado à mesa e rapidamente os copos de refrigerante deram lugar a garrafas de água, evitando que os organizadores do evento celebrassem o término de mais uma edição do fórum tendo no cenário um dos símbolos mais contundentes do expansionismo comercial norte-americano.

Balanço


"Temos que festejar. O fórum está crescendo e se tornando uma onda de cidadania", afirmou Cândido Grzybowski, do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), umas das oito ONG's (Organizações Não-Governamentais) que fazem parte do comitê organizador.

Segundo ele, o fórum não tem uma declaração final, pois é uma "usina de idéias". "O fórum é um espaço de discussão de várias idéias. Não há uma proposta única. A declaração final é a soma da nossa diversidade de produção", disse. "Criamos uma usina do pensar, e talvez seja essa a melhor definição para o Fórum Social Mundial."

O comitê apresentou alguns números relativos ao financiamento do evento. O custo total foi de US$ 3,485 milhões e, apesar dos US$ 800 mil arrecadados com taxa de participação, do US$ 1 milhão vindo dos governos municipal, estadual e federal e de mais um montante doado por ONG's, o fórum chegou ao final com um déficit de US$ 247 mil.

Politicamente, o 3º Fórum Social Mundial confirma a impressão de que o evento está se tornando "uma gigantesca onda de cidadania", cada vez mais representativo de forças que se contrapõem às idéias neoliberais do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça). Este movimento da sociedade civil conseguiu "deslegitimar o neoliberalismo" diante da opinião pública mundial, afirmou. Mas Grzybowski salientou que o Fórum Social Mundial já superou a necessidade de ser simplesmente o evento que se opõe ao Fórum Econômico Mundial de Davos.

Um dia antes, ele já havia afirmado que o FSM nasceu para se contrapor a Davos, mas agora é Davos que busca se contrapor e ao mesmo tempo dialogar com Porto Alegre.

Maria Luisa Mendonça (Rede Social de Justiça e Direitos Humanos) membro do CO, falou também sobre a dificuldade de uma interlocução entre Davos e Porto Alegre. “Estamos nos referindo a iniciativas diferentes. O Fórum de Davos segue a estrutura de uma empresa e aqui construímos um espaço para o diálogo da sociedade civil”, disse.

Gigantinho

Cândido chamou atenção para o fato de se ter conseguido reunir, no ginásio Gigantinho, mais gente do que o total de participantes do primeiro fórum. O encontro no Brasil reuniu 15 mil ativistas no primeiro ano (2001). Este ano, segundo os organizadores, 100 mil pessoas de 156 países compareceram à capital do Rio Grande do Sul.

O desafio da terceira edição do fórum foi pensar em como valorizar toda a diversidade e evitar que houvesse dispersão de idéias. "É este o compromisso que estamos recolhendo de todos os participantes", ressaltou Grzybowski.

A mensagem mais clara e unitária do Terceiro Fórum Social Mundial foi manifestada contra uma possível guerra no Iraque. Porém, apesar de seu crescimento e da clareza de suas mensagens, ainda resta muito trabalho para as ONG's, reconheceu Grzybowski.

"Estamos longe de uma vitória que possa ser traduzida em novas políticas macroeconômicas e sociais no mundo", lamentou, para logo depois acrescentar: "Ainda teremos que sofrer muito para conseguir levar adiante essa agenda social de uma nova ordem mundial mais justa e eqüitativa".


Relação com os partidos

Ao serem perguntados pelo jornalista do Vermelho se esta terceira edição havia criado alguma disposição do Fórum para se abrir mais aos partidos, a resposta foi um melindroso não. Segundo os organizadores, "nunca houve dificuldade de relação com os partidos". Mas a decisão de manter os movimentos sociais, ONG's e igreja como os grandes protagonistas do evento, constante da Carta de Princípios do Fórum, deve continuar. "Achamos importante manter esta reserva política", disse.

Segundo Grzybowski, os partidos e governos têm seus próprios fóruns de discussão. Ele afirmou, no entanto, que várias mesas de debates e conferências do 3º FSM tiveram a participação de lideranças partidárias.

A principal diferença que se sente de 2002 para 2003, segundo Francisco Whitaker, organizador do fórum e representante da Comissão de Justiça e Paz da CNBB, é que o FSM transformou-se de um evento para um processo, perpetuando-se por meio dos fóruns regionais e nacionais, que se multiplicam desde o ano passado.

O Terceiro Fórum Social Mundial encerrou uma fase para o movimento: a partir de 2004 o evento mudará de continente pela primeira vez e será realizado na Índia.

A despedida do Fórum Social Mundial 2003 foi feita em clima de vitória e, mais uma vez, pitadas de emoção, com a ativista brasileira Rosa cantando a música Los Hermanos.

Do lado de fora do prédio onde ocorreu a coletiva, o movimento ainda era grande com alguns grupos promovendo pequenas manifestações e outras milhares de pessoas buscando adquirir nas barracas montadas no local as lembranças deste que pode ser considerado o maior acontecimento político de cada ano, conforme qualificou o presidente venezuelano Hugo Chávez durante sua visita a Porto Alegre.

Cláudio Gonzalez
enviado especial do PC do B a Porto Alegre

Segunda-feira, Janeiro 27, 2003

MIDI@LERTA
Os Jornais
24/01/2003


Manchetes de hoje


Correio do Povo – “Davos precisa ouvir Porto Alegre”


Jornal do Comércio – Fiergs critica IR, juros e entraves para exportação


O Sul – Lula abre oficialmente hoje o Fórum Social Mundial em Porto Alegre


Zero Hora – Lula transfere cúpula do governo para Porto Alegre




Comentário: O Correio do Povo usou uma frase do presidente Lula, com uma linha de apoio explicando que ele fala hoje no Fórum Social Mundial e depois segue para a Suíça. A manchete d`O Sul parece conter um erro de informação. Todos os jornais, inclusive o próprio Sul (p. 13) informam que a abertura oficial foi ontem, com o ministro chefe da Secretaria-Geral da presidência, Luis Dulci, representando o presidente na solenidade. A programação oficial do evento também aponta a abertura como sendo ontem. Lula discursa hoje, às 18h, no Anfiteatro Pôr-do-Sol.





Jornais garantem espaço à abertura do FSM


Como não poderia deixar de ser, na edição de hoje (24) todos os diários de Porto Alegre deram amplo destaque à abertura do Fórum Social Mundial, ocorrida ontem à tarde, no Centro de Eventos da PUC. O Correio do Povo dedicou cinco páginas e mais a capa ao tema, enquanto Zero Hora foi de sete páginas, além da sua capa. O Jornal do Comércio dedicou capa e mais quatro páginas e meia, enquanto o Sul foi mais econômico, reservando ao assunto (que coloca Porto Alegre no foco do mundo inteiro nestes dias) apenas duas páginas, além da capa e de notinhas esparsas.





Discrição nas vaias ao governador



Mas registraram-se alguns diferenciais: só ZH deu na capa, por exemplo, uma chamada sobre as vaias recebidas pelo governador Rigotto durante a cerimônia: “Aplausos e vaias marcam participação de Rigotto no FSM”. Mas tratou de logo elogiar o governador, como contrabalanço. Assim, em notinha na página 3, com o título “Vaia aos vaiadores” (no qual houve um erro de revisão, saindo como “vaidores”), a Zero diz que Rigotto e Olívio “mostraram coragem e retidão ao enfrentarem platéias adversas e suas vaias – Olívio na passagem de governo, Rigotto na abertura do Fórum Social”. O ex-governador petista parece ter entrado de carona no elogio que ZH quis fazer ao atual governador, pois não o elogiou por ocasião do verdadeiro “corredor polonês” que o petista enfrentou no Palácio Piratini, na passagem do cargo, dia 1º de janeiro.

O Correio do Povo citou as vaias em nota discreta, na pág. 3.

Já O Sul nem tocou no assunto vaias, em seu noticiário. Em compensação, a colunista Vera Spolidoro, daquele jornal, deu detalhes dos apupos ao governador: “(...) não foi poupado das vaias, que soaram diversas vezes”. Vera relata também o “barulhento protesto de integrantes” do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (Codene), cujos coordenadores e conselheiros foram impedidos, no último dia 20, de ingressar na sede do Conselho, por ordem do atual secretário do Trabalho, Edir Oliveira.

Germano Rigotto chegou a ser chamado de “racista” e terminou agendando uma conversa com os membros do Codene.





Mendelski aturdido com o FSM


Semana passada comentamos que o Rogério Mendelski ficou falando sozinho contra o Fórum Social Mundial, já que até mesmo os presidentes da Farsul e da Federasul, do outro lado do campo ideológico, manifestaram publicamente seu apoio ao evento. Parece que isto deixou Mendelski um pouco aturdido, pois hoje ele ocupa toda a sua coluna no Sul citando 20 frases de personalidades do FSM, retiradas dos jornais diários da capital. Sem nenhum comentário. Será um apoio constrangido? Parece que o Fórum deu um nó na cabeça do normalmente ferino colunista.





Barrionuevo não viu e não gostou



Falando em colunista ferino, José Barrionuevo volta a espicaçar o governo que passou na sua coluna de hoje, em Zero Hora. Na nota “Profissionalismo”, ele comenta que a TVE “sem a presença dos militantes petistas no comando da emissora deu ontem um show de cobertura no primeiro dia de Fórum Social Mundial”. Cita alguns profissionais, “sem engajamento ideológico”, que estariam trabalhando para tornar a emissora mais pública e mais jornalística. Barrionuevo é mais um da turma que não viu a TVE na gestão passada e não gostou. Se fosse mais profissional e menos preconceituoso, ele saberia que o FSM sempre teve a cobertura completa da TVE nas suas edições anteriores. Houve um único problema, um fato isolado, ano passado, com o prefeito Tarso Genro, logo esclarecido, que ocorreu por problemas técnicos, quando um discur so seu não foi ao ar. Saberia, também, que todos os debates na emissora sempre foram pluralistas e democráticos, com a presença de representantes de todos os lados envolvidos nas questões em discussão. Não poucas vezes, instituições como Fiergs, Federasul, Farsul, universidades e outras integraram as mesas-redondas promovidas pela emissora, com muito profissionalismo, sim senhor.





Imprensa poupa Rigotto da culpa pela perda do FSM



É impressionante a badalação da imprensa da capital em torno do fórum, agora que ele é unanimidade até em setores importantes do empresariado. Não é para menos, graças ao FSM o presidente Lula veio a Porto Alegre com quase todo o seu ministério. “Na semana do Fórum Social Mundial, 17 ministros de Estado e secretários especiais do governo federal teráo passado por Porto Alegre”, diz Zero Hora na sua capa de hoje. A editora de política Rosane Oliveira, em sua coluna, sintetiza bem: “Nunca um presidente veio ao Estado com uma comitiva de ministros tão significativa – em número e expressão política...E nunca um governador de oposição ao governo federal (Germano Rigotto) teve a oportunidade de receber no Palácio Piratini o presidente da República acompanhado de seus principais ministros e conversar com a maioria deles na mesma semana”.



Mas como o fórum vai embora, acontecerá na Índia em 2004, é de se perguntar o que diria a nossa imprensa se o governador fosse Olívio Dutra. Seria crucificado por perder o fórum, provavelmente, enquanto Rigotto está sendo poupado. Um fato é indiscutível: mal assumiu, Rigotto cortou profundamente a verba do FSM, estimulado pela direita raivosa. Nas duas últimas semanas, tentou corrigir o erro mas já era tarde. Uma das razões para a mudança de local é, justamente, a falta de financiamento do evento, que precisou ser socorrido pelo Governo Federal. Tomara que volte mesmo em 2005, como estão dizendo. Fica para reflexão uma nota de Fernando Albrecht, no Jornal do Comércio (p. 3) de hoje: “Se o governo do PT mandou a Ford embora (sic) o PMDB mandou o Fórum embora...A economia formal e a informal perderão um rico dinhe irinho sem o grande evento das esquerdas”.




Um novo jornal para um novo Brasil


Todos são convidados para o Ato Político e Cultural de Lançamento do jornal Brasil de Fato, amanhã (sábado) às 20h30min, no Auditório Araújo Vianna, no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Anunciado como “uma visão popular do Brasil e do mundo”, Brasil de Fato será uma publicação de circulação nacional, sob a coordenação do jornalista José Arbex Jr. (o convite não esclarece a periodicidade, mas consta que será semanal). Participam do ato de lançamento João Pedro Stedile, Aleida Guevara (filha do Che), Hebe Bonafini, Sebastião Salgado, Eduardo Galeano e Plínio Sampaio, entre outros convidados.



Tucanaram o atraso salarial do funcionalismo


Coluna de Denise Nunes, nas páginas centrais do Correio do Povo, avisa que o secretário Paulo Michelucci vai anunciar o calendário de pagamento do funcionalismo estadual na segunda-feira. “Não será necessariamente dia 29”, informa a colunista. Ela reproduz declaração de Michelucci: “Pode haver ajuste de dias”. Ou seja, em vez de “atraso”, agora o termo é “ajuste de dias”. Como diria José Simão, da Folha de São Paulo, tucanaram a linguagem...



Debate sem debatedores


Correio do Povo, em nota à pág. 14, informa sobre debates previstos no programa Correio Rural de amanhã, às 10h30, na Rádio Guaíba. E anuncia que Nestor Hein, da Farsul, vai falar sobre transgênicos e Fórum Social Mundial. Mas como os demais participantes irão falar de outros temas, é de se perguntar: com quem Nestor Hein – defensor intransigente dos transgênicos, conforme posição conhecida da Farsul, onde ele trabalha – irá debater o tema?

Curiosamente, na mesma página do CP, há matéria com o novo presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, sob o título “Embrapa avaliará impacto dos transgênicos”. Ele garante que a empresa pretende gerar mais informações científicas sobre o impacto dos transgênicos no meio ambiente e na saúde humana.





Propaganda: caiu a ligação


Alguns publicitários parecem especialistas em serem “criativos” às custas dos outros. É o caso da nova propaganda de uma operadora de telefonia, que vem colocando na TV uma apresentadora falando dos novos tempos do país, e incentivando os espectadores a utilizarem o seu número. Com os dedos indicador e polegar, ela faz um “L” – por acaso, a marca de Lula durante a campanha presidencial. Ao fundo, atrás da apresentadora, uma bandeira vermelha.

O que é o senso de oportunidade.