sexta-feira, dezembro 13, 2002

MIDI@LERTA

Os Jornais
Rádios, TVs e mídia eletrônica
13-12-2002



Mídia influi em número de acidentes nas estradas


"Detran alerta sobre termos da mídia" é título de nota de 7 centímetros de coluna no Correio do Povo (p.14) hoje. Diz que "dezenas de entidades gaúchas" lideradas pelo Departamento Estadual de Trânsito debateram estratégias para reduzir o número de acidentes nas estradas e divulgaram uma "Carta Aberta à Mídia", que será entregue "às agências publicitárias e empresas jornalísticas como forma de alertar sobre a linguagem considerada inadequada no tratamento dos acidentes de trânsito".

Vale lembrar que o combate de setores da mídia, por motivos simplesmente políticos ou pessoais, contra os pardais, que multam motoristas em excesso de velocidade e comprovadamente reduzem o número de acidentes, foi uma das abordagens mais inadequadas deste problema, dos últimos tempos.




Fera ferida


Na nota de abertura do Panorama Econômico do Correio do Povo (p.15), a jornalista Denise Nunes mostra que a "Federasul (está) na contramão do mercado", por causa das críticas de Paulo Afonso Feijó, presidente daquela entidade, ao apoio do governo do Estado ao Fórum Social Mundial 2003. Para Feijó, o apoio ao fórum "fere interesses empresariais". Segundo Denise, não é bem o que pensam outras entidades empresariais e nem mesmo os associados da Federasul. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Carlos Schmidt, por exemplo: "Nunca, em tempo algum, um dinheiro público foi tão bem empregado. Independentemente de ideologias, um evento desse porte merece respeito e, acima de tudo, estímulo". O presidente do Sindicato dos Hotéis de Porto Alegre, Ricardo Ritter, concorda: "Somos a favor do Fórum e inclusive intermediamos a reunião de seus realizadores com o governo eleito. É normal, em qualquer lugar do mundo, que governos apóiem financeirame nte eventos que alavancam a economia local". O jovem dinossauro da direita, no entanto, prefere distorcer os fatos e perder dinheiro do que admitir os sucessos do adversário.




Mendelski na Pampa : a lesma lerda de sempre

Só mudaram a empresa e as moscas: o resto continua na mesma, no programa de Rogério Mendelski, agora na rádio Pampa. Na edição desta manhã (13), entre outras afirmações estapafúrdias e radicais, sai-se com a seguinte, digamos, "tese", para explicar porque a imagem do governo estadual não foi prejudicada junto à população do interior, especialmente os agricultores: "(...) a Secretaria da Agricultura, nas mãos do senhor José Hermeto Hoffmann, foi muito eficiente no aparelhamento partidário".

"Aparelhamento partidário"? Quer dizer então que a extrema atenção dada pelo governo ao setor primário – com o financiamento do trigo pelo Banrisul, após dez anos de abandono; a criação do Seguro Agrícola, que beneficiou mais de 25 mil famílias; a safra recorde de grãos; o crédito subsidiado para a agricultura familiar; a documentação para as trabalhadoras rurais etc., etc., etc. - não valem nada?

Mendelski, pelo jeito, deve considerar que os agricultores gaúchos são imbecis e não sabem reconhecer um governo que os apoia.



Descompromisso com o ouvinte


Alguém se lembra do comentarista Paulo Sant´ana criticando Lula por, ao não revelar o nome das autoridades da área financeira no novo governo, motivar especulações no mercado e alta continuada do dólar? Foi no dia 6 deste mês, no programa Gaúcha Hoje, da RBS. "Ao que me recorde", escreve um leitor de Midi@lerta, "ele gastou todo o seu precioso tempo sentando a pua no futuro presidente. Ontem, Lula anunciou o presidente do Banco Central e confirmou o ministro da Fazenda. O Sant´ana ocupou ao menos boa parte do seu tempo hoje elogiando a iniciativa do Lula, certo? Afinal, tem compromisso com o que diz ao seu ouvinte, correto? Nada disso: houve uma sutilíssima menção ao tema, com o comentarista apenas praticando o jornalismo-enche-lingüiça, com um comentariozinho insosso, divagando sobre assuntos variados da família do jogador Ronaldo Nazario à estrelinha do PT que o Lula não deu para o Bush".



Seleção de frases

A verdade deve ser dita: bem oportuna a seleção de frases alinhavada pela Zero Hora de hoje em sua pág. 3, sob o título "Os tempos mudam". O texto de introdução explica: "A indicação do ex-presidente do BankBoston, Henrique Meirelles, encontrou poucas manifestação contrárias. Em fevereiro de 1999, a indicação de Armínio Fraga, ligado ao megainvestidor George Soros, encontrou uma reação diferente". Algumas das frases pinçadas por ZH:

"É como se a polícia estivesse indicando Castor de Andrade para mandar prender os bicheiros. Só nos resta rezar". (Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente de honra do PT).

"Continuo pessimista porque tudo indica que o governo não vai mudar de estratégia. Ao contrário, continuará seguindo a cartilha do FMI". (Guido Mantega, economista, um dos formuladores do programa petista).

"Um vampiro vai presidir o banco de sangue". (Lauro Campos, senador do PT-DF).



Título bem certinho

Mas nada supera o título do artigo de Clóvis Rossi na pág. 2 da Folha de S. Paulo de hoje, a respeito da escolha do banqueiro Meirelles para o Banco Central, e tendo como pano de fundo o espírito crítico do Fórum Social Mundial, que mais uma vez acontecerá em Porto Alegre: "Davos 2 X Porto Alegre 0".



Em Roma, a "Saint Peter`s Square"


A coluna Em Foco, na quarta capa do Jornal do Comércio, geralmente bem editada, ontem (12) confundiu legal os idiomas. Ao noticiar que no Vaticano – em Roma, Itália – foi instalada uma grande árvore de Natal, o JC localizou a festa na "Saint Peter`s Square, a principal praça da cidade de Vaticano". Ora, estamos no Brasil, e se diz Praça de São Pedro. Se era para usar uma denominação em língua estrangeira, o certo seria dar o nome original, italiano: Piazza de San Pietro. Usar o inglês neste caso é uma cochilada e tanto. Mas afinal, é natal e os sinos bimbalham.



Foro privilegiado sem crítica


O doutor Fernando Henrique Cardoso, vulgo FHC, deve deixar a Presidência da República dentro de 19 dias. Até lá, ele é responsável pelo que está aí. No balcão de negócios do Congresso Nacional corre o pedido de urgência (para projeto, aliás inconstitucional) de foro privilegiado para algumas das pessoas mais privilegiadas do Brasil, sob o vergonhoso silêncio da mídia. No país campeão das desigualdades sociais, o salário mínimo do brasileiro hoje é US$ 52,08 (200 reais); o botijão de gás de cozinha, R$ 26,50.






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Dos leitores

De: Sonia Guimaraes Laranjeira

Ref: Violência

"Moro em Porto Alegre e sinto-me terrivelmente insegura e não por efeito da RBS, mas por ter experimentado a violência pessoalmente, mais de uma vez e por saber a cada dia de pessoas conhecidas, vizinhos, parentes, amigos, que também a tem experimentado. (...). Vivemos, sim, numa cidade violenta e acho uma pena que nossos governos não tenham a coragem de enfrentá-lo seriamente.(...) o PT deveria enfrentar o problema da violência da mesma forma como anuncia que enfrentará a questâo da reforma previdenciária. (...) serei prejudicada com a reforma, mas julgo que não podemos continuar a conviver com essa situação e é preciso seguir o que já fizeram todos os outros países civilizados. Um abraço".

Midi@lerta responde: Prezada Sônia, seria imbecilidade dizer que não existe violência urbana no RS, um fato terrível que atinge a todos nós. O que Midi@lerta questiona é o avanço do medo da violência em Porto Alegre, que é muito maior (o sentimento) do que o número concreto de casos. Ou seja, em cidades como o Rio de Janeiro, com muito mais ocorrências violentas, o sentimento de medo da população é menor (segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas). Nesse aspecto, não temos dúvida que o tratamento dado pela grande mídia faz diferença sim.





* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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Os Jornais

Rádios, TVs e mídia eletrônica

12-12-2002



A vergonha na mídia

Ex-presidentes terão foro privilegiado em processos. Esta vergonha foi aprovada ontem na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, sob o silêncio complacente da mídia. Juntos, os quatro jornais diários de Porto Alegre deram dez centímetros de coluna ao escândalo que faz do povo brasileiro cidadãos de segunda categoria. MidiAlerta computou no Correio do Povo cinco centímetros dedicados a noticiar o projeto de lei que privilegia também ex-ministros e o escambau. "Isto significa que eles serão julgados pelo Supremo Tribunal Federal e não por juízes singulares em julgamentos por improbidade administrativa" (p.2). O Sul gastou seis centímetros (p.14) para dizer que "o PT retirou um recurso, do líder do PDT, Miro Teirxeira, que levaria ao plenário projeto de lei aprovado pelas comissões da Câmara, instituindo foro especial para ex-presidentes da República, ex-governadores, ex-ministros e ex-parlamentares. Sem o recurso, o projeto segue direto para o Senado." Na Zero Hora (RBS) e no Jornal do Comércio não se sentiu nem o cheiro da carniça. Os dois jornais não tocaram no assunto.


Estará a mídia, já incapaz de indignar-se, envergonhada de revelar que os brasileiros deixam de ser iguais perante a lei, para o benefício de quem os assalta?



Menos adolescentes analfabetos no RS,

mas ZH não dá qualquer mérito ao Estado

Matéria da edição de hoje (pág. 41) de Zero Hora – "Unicef reverencia educação de cidades gaúchas" revela que dos dez municípios brasileiros com melhores índices de alfabetização de adolescentes, oito ficam no Rio Grande do Sul. O levantamento é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mas quem edita é a Zero Hora, e ao se ler a matéria só por detalhe fica-se sabendo que o governo do Estado tem algum mérito nisso tudo. Um boxe destaca a cidade de Barra Funda (desmembrada de Sarandi, no norte gaúcho) e que tem o menor índice de analfabetismo entre jovens dos 12 aos 17 anos. Toda ênfase é dada à Prefeitura local, que "extinguiu as escolas multiseriadas" no interior do município, onde "os alunos de níveis diferentes ficavam em uma mesma sala (...)".


Hoje, continua o texto, "há escola estadual com ensino completo em dois turnos e municipal com até a 7ª série (...)". Ora, foi o atual governo estadual quem providenciou que lá houvesse esta escola com ensino completo em dois turnos. E mais: é citado pelo prefeito que um dos "estímulos" aos estudantes foi o transporte gratuito. Transporte gratuito que, diga-se de passagem, é uma iniciativa do atual governo (que em quatro anos repassou, em alguns casos com atraso, R$ 32 milhões para este fim aos municípios gaúchos – e foi o primeiro governo estadual, em toda a história, a fazer isso).


É verdade que a matéria guarda um espaço para destacar o Programa Municipal de Atenção Integral a Crianças e Adolescentes em Situação de Rua (Paica-Rua), da Prefeitura de Porto Alegre, que vem alfabetizando e recuperando meninos e meninas de rua. Mas, na realidade, o Paica-Rua é destacado por sua eficiência pela própria Unicef.



Alta rotatividade na secretaria de O Sul

Conforme o site Coletiva.Net, o jornal O Sul acaba de perder seu secretário de redação, Luiz Gonzaga Gonçalves. Ele será substituído pelo atual editor de esportes, Júlio Sortica. Considerando que em pouco mais de um ano de existência, o impresso da Rede Pampa já teve três secretários de redação (a saber, antes de Gonzaga, Nelson "Mola" Ferrão e Núbia Silveira), entrando agora no quarto nome para o posto, é de se perguntar: o que é que faz com que pouca gente chegue a esquentar a cadeira por lá?



Mas o jornal continua revolucionando o jornalismo

Por falar em O Sul, a edição de hoje traz mais uma revolucionária novidade no campo do jornalismo impresso: um título com declaração entre aspas em que nenhuma fonte fez a declaração! O fenômeno encontra-se na matéria da pág. 6 do seu Caderno Reportagem. O título: "Todo mundo achava que o PT queria o poder. Agora sabemos que queria o poder, a pompa e a circunstância". A matéria, sobre os preparativos da festa de posse do presidente eleito, não explica qual fonte fez a afirmação.

Lá pelas tantas, o redator avisa o leitor: "Sobre isso, apenas um comentário. Todo mundo achava que o PT queria o poder. Agora sabemos (quem sabe? O redator?) que queria o poder, a pompa e a circunstância". Ela prossegue sempre nessa toada opinativa/afirmativa. Mas isso não é o pior: em um tom completamente elitista, termina por ser ofensiva à população brasileira,. Entre outras coisa, o texto sai-se com essa pérola de desprezo: "Os palcos terão currais (CURRAIS???) para o povo (...)".

Para completar, ao fim da matéria lê-se que na verdade ela é a transcrição da coluna social de César Giobbi, de O Estado de S. Paulo, através da Agência Estado. Ou seja: uma coluna de opinião embaixo da cartola Reportagem.

Não podia dar certo.



Lasier e Ibsen: juntos para bater no governo petista

Além de todos os espaços que tem nos veículos da RBS, o apresentador Lasier Martins ainda aluga um espaço no Canal 20/Telenotícias – para fazer exatamente o que faz na RBS. Em seu programa Plano Aberto de ontem (10), em entrevista com Vitor Bertini, porta-voz da equipe de transição de Rigotto, e Ibsen Pinheiro, cotado para a secretaria de Comunicação do novo governo estadual, Lasier resolveu bater na área de comunicação do governo que agora sai. Ajudado por Ibsen, claro.

Para Lasier, o governo "não soube fazer diálogo". Disse que "se alguém do governo é criticado e se essa crítica passa do limite, não custa nada para o governo ligar para o órgão de comunicação e dizer que quer responder o que foi dito".

Seria ótimo, se fosse fácil assim. A imprensa do Piratini informa que nem sempre Lasier Martins aceita colocar no ar uma informação contraditória ao que ele ou um entrevistado tenha afirmado, e nos casos em que, após muitas explicações, a versão do governo ganha espaço, só vai ao ar no dia seguinte, quando o momento do debate passou.

Já Ibsen palpita: "Um governo que (...) se dedica a processar jornalistas na quantidade em que isso ocorreu, não passará a imagem da tolerância". O governo – e ele deveria se informar melhor, jornalista que é - não processou um só jornalista. Os que foram processados o foram em caráter pessoal, por autoridades que, dentro do governo, sentiram-se moralmente ofendidas. Mais: em quase todos estes casos, a justiça deu ganho de causa aos ofendidos.

E cabe lembrar: para combater um governo que inverteu prioridades, defendeu os excluídos e desagradou muitos privilegiados, uma meia dúzia de comunicadores de direita (sempre os mesmos) vomitou nestes quatro anos a maior quantidade de ofensas e afirmações virulentas e sem limites que o RS já presenciou. Nestes casos, procurar a justiça é não apenas reafirmar a democracia, mas a verdade que foi distorcida.




Leitor ou inocente útil?

Na página 3, Zero Hora reproduz hoje (11), num box (retângulo) de 30 centímetros quadrados um cartaz que diz, "HUGO INUTIL", com a letra H transformada numa suástica, o símbolo nazista. A única explicação é uma legenda de três linhas: "O radicalismo dos confrontos entre opositores e simpatizantes do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pode ser percebido no cartaz". Até aí, nada demais. Apenas a fiel (?) reprodução de um cartaz, e a sonegação de esclarecimentos. O símbolo nazista vai colado ao nome de um presidente que, queira a mídia ou não, foi democraticamente eleito. Dirão alguns que Hitler também foi eleito, mas o extremismo não é argumento. Os argumentos da RBS só aparecem no editorial da página 20, "A violência como argumento", em que critica "o radicalismo dos grupos inconformados" supostamente manifestado nos ataques aos meios de comunicação privados da Venezuela, que o Secretário-geral da OEA chamou de "atentado à liberdade de expressão".


ZH fala de uma "disposição golpista" no ar da Venezula. "Sem entrar no mérito da crise política que afeta o vizinho país, até mesmo porque há uma manifesta disposição golpista por parte de setores oposicionistas ...". Isto é louvável, mas logo a seguir, vem o troco: "... é evidente que as tentativas de intimidação à imprensa e ao Judiciário é que se constituem o verdadeiro atentado à democracia". Ou seja, para ZH o golpismo não é um verdadeiro atentado à democracia.


O leitor, transformado em inocente útil ao não ser informado sobre o que a imprensa e o Judiciário venezuelanos vêm aprontando para merecerem uma reação tão indignada da população, fica à mercê da versão de ZH. "Os ataques à mídia na Venezuela mostram claramente até onde podem chegar o radicalismo de grupos inconformados. Ao verem seus projetos políticos rejeitados pela população, tentam lançar suspeitas sobre a imprensa para desviar a atenção de seus próprios fracassos e não hesitam em apelar para a violência quando lhes falta argumento racional." Os ataques à mídia na Venezuela mostram também que a própria mídia desagrada intensamente a população, não presta o serviço público que deveria prestar, manipula e sonega informações. Como faz ZH ao dizer que os projetos políticos do governo democrático da Venezuela foram rejeitados pela população. As suspeitas que recaem sobre esta imprensa que só defende o interesse das elites são, no mínimo, legítimas.





Contagem regressiva : faltam 20 dias

O doutor Fernando Henrique Cardoso, vulgo FHC, só deixará a Presidência da República dentro de 20 dias. Hoje, com FHC presidente, o salário mínimo do brasileiro é de US$ 52,08 (200 reais). A mídia não deve e não pode esquecer isto. Só ontem, o passeio de FHC e sua corte por Nova York, custou US$ 70 mil (264 mil reais) ao contribuinte brasileiro.








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Dos leitores


De: Carlos André Silveira Ramos

Ref. Violência assusta gaúchos


"Noto também que o medo na nossa capital é maior porque a criminalidade especializada é uma realidade relativamente nova por estas paragens.

O narcotráfico já existe no Rio de Janeiro à várias décadas. E os cariocas - infelizmente - tiveram que se acostumar com ele.

Em São Paulo, sequestros é a especialidade dos marginais de lá, mas também já existe desde os tempos da ditadura.

Curitiba, que eu pessoalmente considero uma das mais violentas do país, possui uma polícia especializada em desarmamento de bombas e resgate de reféns, pois são as especialidades dos criminosos de lá.

O Rio Grande do Sul sempre foi um Estado relativamente pacífico, e as modalidades de crimes acima citados, normalmente são praticados por criminosos de outros estados que aproveitam a "falta de concorrentes" e acham o "nosso mercado muito promissor". E é isto que está deixando os gaúchos preocupados, pois não tínhamos estes tipos de crimes por aqui. Mas a nossa polícia sempre soube administrar problemas - ainda que dentro da sua capacidade estrutural - e está combatendo com muito mérito a criminalidade, seja ela qual for".




De: Luiza Moll

Ref.: Pedágio - tarifa (custo com lucro privado)


"O que estes imbecis "pretensos liberais" da imprensa ignoram ou em que se equivocam, é que os pedágios a que estão combatendo, fazem parte da política de privatização da qual são defensores. Por que reclamam de algo que queriam ? Perceberam tardiamente que pagar serviços públicos com lucro embutido é uma "roubada" ? Olívio fez o que pode para revogar as concessões ( e onde fez, fez mal, porque dar subsídios ao trânsito por rodovias é uma péssima política pública de desenvolvimento, no máximo tolera-se ao transporte de carga e ao coletivo).


p.s.: Explique-se que o sentido de subsídio compreende a manutenção de rodovias com verbas do Estado. Todos pagam, quando nem todos utilizam".



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Os Jornais

Rádios, TVs e mídia eletrônica

11-12-2002




Medo: com a RBS, você também vai sentir


Zero Hora voltou hoje a um de seus temas prediletos, abordando em matéria de página inteira (42) uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas que mostra o medo da violência que sentem os moradores das grandes cidades. Na pesquisa, Porto Alegre aparece como uma das cidades em que este sentimento da população é mais espalhado. Chega a estar na frente do Rio de Janeiro, onde a violência real é várias vezes maior.


Midi@lerta já havia abordado o assunto na semana passada (edição do dia 03/12), comparando a pesquisa do "medo" com outra – do IBGE – mostrando números concretos de violência urbana. Resultado: não há necessariamente correlação entre a quantidade de crimes violentos que correm num lugar e a sensação que a população experimenta. Até pelo contrário: em quantidade de crimes violentos o RS figurava em 10º lugar entre os estados brasileiros; mas, em "sensação de medo" nas capitais, ficamos junto com São Paulo – e abaixo do Rio de Janeiro (que, como se sabe, vive uma autêntica guerra urbana, alimentada pelo tráfico de drogas).


Na realidade, no caso de Porto Alegre, o comparativo entre as duas pesquisas demonstra que aqui vigora a pleno vapor uma insegurança fabricada pela mídia – para não dizer RBS, diuturnamente (com a ajuda de alguns comunicadores de direita, em outros espaços). Esta campanha ganhou destaque inusitado, em todos os jornais, rádios e TVs da megaempresa, como clara estratégia de desestruturação do governo da Frente Popular a partir de um dos setores mais delicados (para qualquer administração).


Não há outra explicação para que os gaúchos sintam mais insegurança do que os moradores de outros estados e cidades em que os índices reais de criminalidade são bastante superiores.

De quebra, é assunto para os estudiosos da academia – que, aliás, há muito estão nos devendo uma boa análise do avassalador "Efeito RBS" sobre a população do RS.




Mendelski, a volta do justiceiro


Na sua diatribe de hoje, na Rádio Pampa, Rogério Mendelski explora o "índice do medo", da Fundação Getúlio Vargas, com a mesma irracionalidade de seus tempos de RBS: "Só faltou o Governo ter uma verba aí para comprar bombons da Copenhague para dar aos bandidos, recheado com cerejas. Só faltou isso". O justiceiro da Pampa associa os altos "índices de medo" no RS, com a violência. Indignado, ataca: "Nosso ilustre secretário da Segurança dizia que (a violência) era uma invenção da mídia. Que a mídia é que tinha criado a violência".


Como vimos na nota anterior, só a campanha do medo, promovida pela mídia, explica os índices de medo mais altos e os índices de violência mais baixos do que a média brasileira, no RS. Mas, Mendelski não pensa muito e não pára por aí. Faz sua salada de medo e violência, primeiro dizendo que a mídia nada tem a ver com isso, depois, exibindo a pérola: "Será que as nossas autoridades de segurança acham que bandido não lê jornal ou não ouve rádio?". Ou seja, mídia influencia bandidos e mocinhos, mas, estando acima do bem e do mal, não tem nada a ver nem com o medo, nem com a violência.




Aumenta o cerco da grande mídia contra Chávez na Venezuela


Midi@lerta analisou, na última segunda-feira, o tratamento da crise venezuelana pela mídia hegemônica. Hoje (11), um passar de olhos pelos nossos diários mostra como a situação vem se deteriorando. Zero Hora usa dois terços de página (32) para divulgar a versão que demoniza os meios de comunicação não-hegemônicos e o governo (legítimo) de Chávez, com a visão simplista das atribulações daquele país, que é o maior produtor de petróleo da América Latina. "Pelo menos nove prédios de veículos de comunicação críticos ao governo foram cercados ou depredados ontem – Simpatizantes de Chávez atacam emissoras de TV", diz a manchete de ZH. O jornal se apressa em repetir a clivagem feita pelas agências de notícia entre o bem (emissoras de TV que criticam Chávez) e o mal (rádios estatais, simpatizantes do governo).


O que é permitido para os meios de comunicação privados é proibido para as estatais. "O cerco às emissoras, claramente organizado, é uma tática já usada com sucesso depois que Chávez foi brevemente tirado do poder, em abril, por um golpe militar. O governo acusa a imprensa de apoiar a greve geral, que visa a obrigar o presidente a renunciar ou a antecipar as eleições". Mesmo afirmando o caráter "claramente organizado" da manifestação pró-Chávez, a matéria admite, em seguida, que um ataque à emissora de TV Globovisión "aconteceu depois que emissoras de rádio estatais convocaram os simpatizantes de Cháves a ‘defender a democracia’ nas ruas e divulgaram o endereço dos veículos privados de comunicação". Não menciona a campanha sistemática da mídia contra o governo - democraticamente eleito, é importante lembrar - de Hugo Chávez.


A matéria repercute o apelo do secretário-geral da OEA, César Gaviria – "As liberdades de imprensa e de expressão devem ser protegidas" – e afirma que os bancos venezuelanos estão apoiando a greve anti-chavista. ZH dá notícia também de uma carta de solidariedade a Chávez, enviada ontem pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).


O Jornal do Comércio trata mais objetivamente a questão, que cheira a petróleo e a dinheiro ("Associação dos bancos adere à greve geral", p.15), mostrando quem manda verdadeiramente no país, com apoio da grande mídia.




Finanças internas do PT preocupam O Sul


Fixação dos donos da Pampa ou de algum de seus editores, as finanças internas do PT são novamente motivo de especulação na pág. 2 do Caderno Reportagem de O Sul de hoje. O título da matéria: "Chegada ao poder vai engordar caixa do PT". A matéria abre afirmando que além da vitória de Lula na disputa presidencial do País, o PT tem "outro grande motivo para comemorar (o resultado das urnas): o caixa anual do diretório nacional do partido deverá dobrar, passando de R$ 20 milhões este ano para quase R$ 40 milhões em 2003".


Para chegar a este número, o jornal especula, chuta valores e generaliza contribuições concretas e imaginárias (como se todos os CCs em gestões petistas fossem filiados ao partido), e conseguiu pinçar uma declaração do secretário de Finanças do PT de que o número "poderá dobrar, porque será maior a cota que receberemos do fundo partidário e o volume das contribuições". Ou seja, boa parte dos recursos virá do fato de o partido ampliar sua participação no fundo partidário.


E a pergunta que não quer calar é a seguinte: por que O Sul não se dedica a analisar o crescimento financeiro de outros partidos? Como fica o caixa do PMDB do Rio Grande do Sul, por exemplo, que ganhou a eleição estadual? Está aí a sugestão de pauta.




Revista Exame não passa em exame


O boletim eletrônico do vereador Adeli Sell divulgou um erro sério na última edição da revista Exame, de 11 dezembro de 2002. Numa pesquisa divulgada em extensa matéria sobre as 100 melhores cidades para se fazer negócios do Brasil, Porto Alegre fica em um honroso 2.º lugar, após Curitiba, capital do Estado do Paraná.


A revista apresenta uma série de dados nos quais foi baseada esta classificação. Nas páginas 42 e 43 uma grande tabela mostra os principais indicadores sócio-econômicos das 10 melhores cidades brasileiras para negócios. Porém, em pelo menos 3 destes indicadores, há sérios indícios de erro. Primeiro, "a frota de veículos de Porto Alegre, para a revista, seria de 506 mil veículos. Absurdo!"


"Verificando-se o site do Detran-RS (http://www.detran-rs.gov.br), podemos conferir que a frota real da cidade, no mês de novembro de 2002 (o dado mais recente disponível) é de 658.306 veículos ! Entrando em contato com o Denatran, órgão federal de trânsito, solicitando este dado, a resposta que me foi dada, é que é o Detran-RS é o responsável por este tipo de informação. Portanto, o sistema do Detran consultado no site acima é oficial."


"Conseqüentemente, o índice de veículos por mil habitantes também está errado. Segundo a revista, 365 veículos por mil habitantes. Na realidade, este número seria de 476 veículos por mil habitantes, tornando-se o mais alto índice do país, ultrapassando o índice de Curitiba.


Outro dado errado que a revista nos apresenta é relativo a expectativa de vida dos habitantes da cidade de Porto Alegre. Conhecida nacionalmente como uma das capitais com maior expectativa de vida, temos que olhar, na tabela da revista, 66,4 anos!!!!


Segundo os dados constantes no site da Prefeitura Municipal de Porto Alegre (http://www.portoalegre.rs.gov.br), a nossa expectativa de vida é 71,4 anos.


O site da Prefeitura ainda nos mostra a diferença entre a expectativa de mulheres e homens. Veja abaixo:


- Expectativa masculina: 66,2 anos

- Expectativa feminina: 76,2 anos


71,4 portanto, é a média da expectativa masculina e feminina. De onde a Revista retirou o dado de 66,4 anos? Com estes 3 erros apontados, não me surpreenderia que você, ao ler a revista, encontre outros erros. Por enquanto, parece-me que estes erros podem ser comprovados".


Provavelmente, se não fossem os erros de Exame, Porto Alegre estaria em primeiro lugar na lista da própria revista...




Cadê o novo visual anunciado?


Tentando dar um tom mais light à sua coluna em ZH, José Barrionuevo hoje (11) publica uma nota com o titulo "Novo visual de Camini". Ele refere-se a uma repaginada no rosto da secretária da Educação Lúcia Camini, que, diz Barrio, "revelava o toque de mãos habilidosas de exímio cirurgião plástico". Aí o leitor procura a foto que mostraria a mudança e - propaganda enganosa! - encontra uma foto dos líderes do magistério e rivais políticos, Juçara Dutra e Luiz Afonso, conversando afavelmente.


Na realidade, além de não ter a foto que justificaria a chamada, o colunista usou um truque para mostrar a movimentação política pós-eleitoral, no jantar organizado para ajudar a pagar as dívidas acumuladas pelo comitê suprapartidário na campanha de Tarso Genro.




Serviço completo

Outra façanha de O Sul ficará registrada na página 9 de seu caderno de reportagem de hoje (11), com a matéria "Pai é acusado de registrar site pornô em nome da filha de 1 ano.". Já conhecido por publicar matérias sem as informações básicas, hoje o jornal faz o contrário. Consegue divulgar o endereço eletrônico completo de uma série de sites pornográficos da internet.





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Os Jornais

10-12-2002



ONU dá puxão de orelhas na distorção de Zero Hora

Com sua mania de retocar a notícia ao sabor de seus interesses econômicos, políticos ou mesmo ideológicos, Zero Hora acaba de levar um puxão de orelhas da ONU. Isso mesmo: no dia quatro deste mês, sob o título "ONU recomenda menos filhos para vencer pobreza", o principal jornal da RBS largou matéria a partir do relatório do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa). Na edição, tratou de colocar sua opinião – que é a mesma de todos os setores conservadores, que recomendam menos filhos para os pobres, em vez de salário digno. Só que na edição de hoje (10), teve que publicar carta de Rosemary Barber-Madden, representante da Unfpa no Brasil, em que ela julga "imprescindível esclarecer algumas imprecisões".

A representante da ONU informa ao jornal que desde 1994, a partir de conferência mundial no Cairo, a ONU aboliu qualquer alusão ao controle de natalidade, e em vez de metas demográficas, passou a defender a conquista de direitos humanos básicos como alimentação, saúde, educação etc. "Dessa forma", diz Rosemary Barber-Madden, "(a ONU) defende o direito de todos terem quantos filhos quiserem". Segundo a ONU, "a concepção e a contracepção são um direito, não um dever da sociedade. É uma questão de saúde reprodutiva, não de coerção sobre as opções individuais".

Por essas e outras, percebe-se como estão atrasados em sua mentalidade não só os principais "comunicadores" da mídia no RS, mas também os veículos.



Assim até o Rigotto vai ficar enrubescido

Processos de fazer agrados ao futuro governador do Estado são visíveis em todos os pontos da imprensa gaúcha. Às vezes os afagos passam um pouquinho do ponto. Caso da nota "Governador de Estrela", na coluna de Fernando Albrecht do Jornal do Comércio de hoje (10). O colunista diz que "depois do périplo do governador eleito pelo exterior, tem gente achando que ele dá certo, que ele tem estrela, por ter fechado vários acordos e negócios (...)". Albrecht prossegue elogiando, dizendo que Rigotto montou uma equipe competente, etc.

Só lá no fim, sentiu-se na obrigação de reconhecer a realidade: "Muitos negócios já estavam alinhavados pelo governo Olívio Dutra". Há bom.



Redes de cooperação: milagre sem santo

O Programa Redes de Cooperação, criado pela Sedai do governo do estado, vem promovendo, sem muito alarde, uma grande alavancada para dezenas de pequenas e médias empresas em todo o Estado, ampliando o alcance de produtos e serviços e barateando os custos, divididos entre vários parceiros. Mas o assunto, além de não receber muito espaço na mídia, termina saindo de forma incompleta, quando recebe atenção.

O lançamento, amanhã (11) da marca Mixpaper, dentro do projeto da Sedai (e que reúne também a Feevale e a Associação Gaúcha de Papelarias e Livrarias Independentes – Agapli), foi saudada na coluna de Denise Nunes, no Correio do Povo. Também foi citado por Affonso Ritter, no Jornal do Comércio. Mas ele esquece de citar a participação fundamental da Sedai na organização das redes de cooperação. Conta o milagre mas não revela o santo.



No meio do caminho tinha um pedágio

Como podem comunicadores, que devem informar, tripudiar em cima de informações sonegadas? Por que esta pauta diversionista, se o Estado conseguiu evitar a instalação de 14 pedágios contratados por Britto e lutou pública e bravamente para eliminá-los todos, sendo barrado pela Justiça? Teriam esquecido a intensa pressão do Judiciário, do Ministério Público, do Ministério dos Transportes e da Agergs sobre a administração estadual, que se fosse ceder teria 42 praças de pedágio licitadas pelo governo anterior e não as 28 de agora? Será isso parte da campanha política permanente da mãe RBS, desdém pela solução de conflitos dentro do estado de direito ou farpas de uma convicção deformada? No Programa Gaúcha Hoje (10/12), o âncora tira o seguinte comentário da cartola:

Antônio Carlos Macedo: "Lembra Flávio, lembra Aldair, daquele adesivo da campanha de... 98? Foi? Foi! Britto é o pedágio e Olívio é o caminho? Ou Olívio é o caminho e Britto é o pedágio? Vamos mudar aquele adesivo no final do governo Olívio, Britto era o pedágio, Olívio também. Porque assumiram, fizeram campanha em cima da proposta de terminar com o pedágio, passou-se aí o tempo de governo e nada. Houve uma tentativa, na base da bravata, de reduzir os preços, a Justiça mandou voltar... aí vem aqueles discursos dos deputados da situação. 'Ah... mas os contratos estavam tão bem amarrados que nós não pudemos desmanchá-los'. Mas aí então faltou informação. Prometeram em cima de algo que não sabiam e os contratos foram aprovados pela Assembléia. Foram feitos e eram públicos. Bastava ter lido os contratos! 'Ah... mas em época de eleição a gente promete e depois vai ver se dá para cumprir'. Foi isso, né? Prometeram algo que sabiam que não poderiam cumprir ou no mínimo não tiveram curiosidade de ver se poderiam cumprir. Então o governo termina com esse adesivo. Britto era o pedágio, Olívio também".


José Aldair: "Esperamos que o Rigotto seja o caminho".


Antônio Carlos Macedo: "Não pense o pessoal do governo do Estado que a crítica é pela crítica. Não! É apenas uma crítica em cima de algo que foi dito por quem estava por assumir e queria assumir o governo naquela época. Usou isso para ganhar a eleição e não cumpriu".



Mas é preciso lembrar: foi no governo Britto que se amarraram os contratos, para impedir tentativas de negociação e estipulando multas em prejuízo dos cofres públicos, com indenizações de mais de R$ 400 milhões em favor das concessionárias, por qualquer rescisão. De todas as formas, o governo Olívio tentou desatar o nó, que ficará na garganta dos gaúchos por 15 anos por conta do governo passado. Pelo menos isso há que ser recordado, para dar algum equilíbrio a comentários desse tipo.




ZH sonega informação e politiza a questão do ensino

Representantes das comissões de Serviços Públicos, Agricultura e Educação da Assembléia Legislativa reuniram-se ontem (09), na Câmara de Vereadores de Veranópolis, com diretores do Instituto de Educação Josué de Castro e depois visitaram a escola, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O tratamento muito diferente que esta visita recebeu em Zero Hora e no Correio do Povo mostra até onde a RBS chegou, na tentativa de inviabilizar uma experiência de ensino por motivação política.

A matéria de ZH (p.35) é tratada como "Questão Agrária", sob o título "Parlamentares foram conhecer colégio de Veranópolis – Deputados vistoriam escola do MST". Fala de uma "incursão" de deputados "pelas dependências de uma das mais polêmicas instituições de ensino do Rio Grande do Sul". Uma polêmica, aliás, fabricada pela RBS.

Os deputados foram "conferir de perto o destino dos R$ 892 mil empenhados pelo governo estadual na escola" e os critérios pedagógicos que a norteiam. "A visita ao colégio foi motivada por reportagem publicada por Zero Hora em novembro, mostrando que os 400 alunos da escola do MST dedicam parte do tempo a cantar hinos de motivação revolucionária". ZH diz mais: "Na parada de 7 de Setembro de 2000 (alguns) estudantes da Josué de Castro ... empunhavam foices e martelos, símbolos da revolução russa, o que assustou vários moradores de Veranópolis."

Zero Hora sonega do leitor até a informação do oposicionista Elmar Schneider. No Correio do Povo, a questão é tratada, naturalmente, como matéria de "Ensino", sob o título "Iterra expõe trabalho pedagógico". Nela, Elmar Schneider não abandona a crítica raivosa ao repasse de recursos públicos - mas é obrigado a reconhecer que a "escola é bem vista na comunidade pelo trabalho que realiza, especialmente na área agrícola". O CP ouve também um deputado da situação (Edson Portilho, PT), contraponto impensável para ZH. Principalmente porque desmonta os argumentos de Zero Hora, segundo a qual "os parlamentares de oposição estranharam o fato de a escola do MST ter sido beneficiada com o repasse de R$ 892 mil". O CP não sonegou a informação: "O deputado Edson Portilho lembrou que outras instituições particulares, como Escola Evangélica (Panambi), Colégio Medianeira (Candelária) e Glória (Carazinho) receberam até mais verbas que a Josué, mas só uma situação é contestada ".


Um leitor de Midialerta, comentando a matéria de ZH, observa que até a foto utilizada é de Elmar Schneider, olhando uma pintura na parede, e que "até o jornalismo perde, pois é um primor a legenda: ‘Parede: deputado Elmar Schneider ficou surpreso com pinturas do MST’. Que pinturas deveriam estar nas paredes de uma escola do MST? O Pato Donald?"



Errata

No comentário da edição de ontem sobre "Paulistério pode afastar gaúchos do primeiro escalão", o Jornal Gente, da Band, ancorado por Felipe Vieira, foi chamado de Jornal Hoje, pelo Midi@lerta. Erramos.



* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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segunda-feira, dezembro 09, 2002

MIDI@LERTA

Os Jornais


09-12-2002




Imprensa amestrada esconde golpe na Venezuela




Alinhada à política de Washington, a grande imprensa esconde dos seus leitores o real significado dos últimos acontecimentos na Venezuela. Trata-se, na verdade, de uma tentativa de golpe de estado contra um presidente legitimamente eleito. Primeiro, não há motivos concretos que justifiquem a exigência de renúncia do presidente Hugo Chávez: ele não é um corrupto e nem um usurpador do poder, está lá porque o povo quis.


A este respeito, diz apropriadamente a revista Carta Capital desta semana (11/12): "O presidente da Venezuela pode ser acusado de personalismo e de inabilidade em lidar com a oposição, mas não de atentar contra a democracia – ao contrário, tem tolerado uma barragem constante da virulenta e rancorosa propaganda da mídia venezuelana contra o seu governo. Também não pode ser acusado de ameaçar os seus vizinhos".


Em segundo lugar, quando fala que a "oposição" quer a renúncia de Chávez, a nossa imprensa, amestrada pelas agências internacionais de notícias, não explica que oposição é esta. São os grandes grupos de comunicação, com fortes vínculos internacionais (leia-se com os EUA), facções militares, grande empresariado e sindicatos pelegos (aliados do empresariado, nada a ver com a nossa CUT, por exemplo). O que está em jogo é o controle de uma das maiores fontes de petróleo do mundo, a Venezuela, que os americanos querem sob a administração de alguém de sua absoluta confiança, assim como no Iraque. Por trás de tudo, Tio Sam mexe os cordões.


Mais uma vez, estamos diante da velha incapacidade da direita de conviver com a democracia. Via de regra, ela se insurge quando a esquerda ou apenas um nacionalista como Chávez chega ao poder, mesmo que seja pela via eleitoral. Já vimos este filme antes, no Chile de Salvador Allende, no Brasil de 1964, ou aqui mesmo, no RS, onde a oposição retrógrada tudo fez para sabotar o governo da Frente Popular. O mais preocupante é que há um presidente de esquerda tomando posse no Brasil, ao mesmo tempo em que a imprensa brasileira faz vista grossa para um golpe contra a democracia num país vizinho.




Zero Hora cria milhares de empregos na era Rigotto

Um exemplo de chute político/jornalístico, sem qualquer consistência, a matéria das páginas 4 e 5 de domingo (8), com a manchete "Novos investimentos criarão mais de 21 mil empregos no RS em 2003". Um muito atento leitor de Midialerta – e dos jornais diários da Capital gaúcha – nos envia a seguinte observação:


"A matemática da matéria ‘Investimentos somam R$ 2,8 bi’, anunciando mais de 21 mil empregos em 2003 no Estado é, mais que absurda, patética em sua ânsia de divinizar o futuro governo.

A maior parte das 24 empresas consultadas não apresenta resposta concreta à indagação sobre o aumento de empregos nos próximos anos. Apenas oito destas 24 respondem com alguns números tímidos, que variam de 60 a 858 vagas. Este último é o caso da Souza Cruz, onde as vagas são projetadas até 2005!).

E a maior geradora de vagas -1.600 - é uma estatal, a CEEE.

A mágica que permite à ZH chegar aos 21 mil novos empregos é simples:

Aos números modestos das oito empresas(cerca de 3.600), eles somam oito mil empregos temporários das obras de construção civil da Refap, mais cinco mil sazonais (por temporada) da safra de fumo e - o mais grave - adicionam 4.455 associados/clientes de novas agências do banco de crédito cooperativo (Sicredi) que, de maneira alguma, podem ser classificados como empregos indiretos".

Assim fica fácil chegar ao número que se quiser. Zero Hora, além de confirmar que está engajada de corpo e alma no projeto Rigotto, acriticamente, ainda nos dá uma lição de jornalismo: como não fazer.



Imprensa mostra: "Paulistério"

pode afastar gaúchos do primeiro escalão

Setores dos maios variados matizes da imprensa gaúcha vêm apontando um fenômeno muito claro na formação do Governo Lula: uma disputa de beleza (e cargos e poder) que vem refletindo-se – de forma claramente engajada - na mídia do centro do País, tentando dar um chega pra lá nos gaúchos ministeriáveis.


Felipe Vieira, da Band, no jornal Hoje desta segunda-feira (9), adverte contra nota na coluna Radar, de Veja desta semana, em que Dilma Rousseff, uma das mais respeitadas especialistas em energia no Brasil (e ex-secretária do setor no governo Olívio), com reconhecimento internacional, é chamada de "Fera petista" e "radical". O movimento contra a representante do RS teria começado, no fim de semana, na Folha de S. Paulo, que parece defender o cargo de ministro de Energia para o paulista Luiz Pinguelli Rosa.


Observação semelhante é feita pelo colunista Armando Burd, em seu espaço no Correio do Povo de hoje. Na nota "RS corre atrás", Burd lembra que Dilma e Olívio têm entrado e saído nas listas de ministeriáveis e afirma que há um "tratamento injusto com o PT do RS, que detém dois feitos jamais atingidos pelos paulistas, que comandam a cena: quatro mandatos consecutivos na prefeitura da Capital e o governo estadual".


Enfim, enquanto a imprensa gaúcha registra o claro movimento bairrista que periga alijar o RS no primeiro escalão do novo governo federal, a imprensa paulista, com todo o seu poderio, faz campanha para que a segregação de fato se confirme.





JC: Olívio fala de transição atual e anterior

A entrevista de duas páginas na edição de hoje do Jornal do Comércio, com o governador Olívio Dutra, é um dos raros exemplos de espaço, na imprensa gaúcha, para que o governador fale, entre outras coisas, sobre as transições em curso no País (federal e no RS) e inclusive a anterior, aqui no Estado.

Respondendo a uma pergunta, Olívio lembra: "Existem duas transições, já que os que ganharam as eleições aqui, perderam em nível nacional. (...) Estamos fazendo (no RS) uma transição pautada pela transparência e pelo respeito à cidadania, que deu vitória a um projeto diferente do nosso, e ao patrimônio público. Quando fomos eleitos, em 1998, isso foi desrespeitado. Até os disquetes que continham elementos informativos do estado foram apagados. O então governador (Britto) saiu antes, pela porta dos fundos, para não passar o cargo para nós, que fomos eleitos (...) Estamos recuperando um padrão qualificado de transição, da alternância de poder, entregando todos os dados referentes à situação em que o Estado se encontra, melhor do que aquela que nós recebemos. Não há elemento algum que não tenha sido disponibilizado para a equipe do governo eleito".

O curioso é que os comunicadores que parecem assumir como reais as críticas de alguns membros da equipe de transição de Rigotto, relativas à "falta de informações sobre a situação real", não demonstraram a mesma pressa em criticar a péssima transição do governo Britto para o atual.



OP só é notícia quando acaba


Um dos critérios básicos do jornalismo para a publicação de uma notícia é o interesse público. No entanto, o Orçamento Participativo, que decide onde serão investidos os recursos públicos, que mobiliza milhares de pessoas, com reflexos óbvios na vida da população, tem sido sistematicamente boicotado pela grande imprensa, especialmente pela RBS. Até para avisar da realização das assembléias, o governo estadual e a prefeitura da capital precisam pagar anúncios caríssimos ou nada é publicado.


Mas ontem, domingo, à página 14, Zero Hora publicou matéria de página inteira sobre o OP. Explica-se: a matéria é para dizer que "O Orçamento Participativo tem dias contados", conforme o título, e que a "Equipe de Rigotto prevê o fechamento do Gabinete de orçamento e Finanças", diz a linha de apoio (frase explicativa junto ao título). Mesmo que o OP seja conhecido internacionalmente, ZH ignora o assunto durante os meses da sua realização, ou seja, dane-se o interesse público. Porém, quando se anuncia o seu fim, com o desmonte do Gabinete de Orçamento e Finanças – que coordena o OP estadual - ela se apressa em noticiar. Ou comemorar.




Lula lá é tabu aqui, na FSP e em ZH

Dos grandes jornais brasileiros, além da Folha de S.Paulo, talvez o único outro a não noticiar na capa a viagem do presidente Lula aos EUA hoje (9) foi Zero Hora. Neste, a matéria foi prensada em 20 linhas, no pé da página 6, com um título anódino, "Lula embarca hoje para os Estados Unidos". O fato foi manchete em dois jornais de Porto Alegre: Correio do Povo, "Lula exigirá diálogo franco com os EUA", e Jornal do Comércio, "Lula vai aos EUA sem anunciar o ministério".



Jornal de crônica policial

Em compensação, Zero Hora lascou na manchete de capa, "Quadrilha assalta aduana em Jaguarão e rouba R$ 5,7 milhões", dedicando ao assunto a maior parte da página 44. Nos velhos tempos do jornalismo marrom uma coisas dessas se justificaria, digamos, num furo de reportagem, uma matéria exclusiva, mas nem isso aconteceu. O Correio do Povo narra o mesmo episódio em quinze linhas ("Quadrilha leva carga milionária", p.20) sem ficar devendo ao leitor nenhuma informação crucial. Aliás, o CP diverge de ZH, afirmando que "o valor da carga está estimado em R$ 5,8 milhões". Em tempo, a credibilidade do CP para estimar números está incomparavelmente maior do que a do seu concorrente.


Se alguém duvida que ZH volta a ser um jornal de polícia, não é só a manchete principal de hoje que indica isto. Ontem (domingo, 8) a capa mostra desenhos em preto de assaltantes armados, com garrafais letras vermelhas sobre um fundo amarelo ocre, "O PROBLEMA ... HÁ SOLUÇÃO?" Ainda na capa, a resposta está pronta: "As frias estatísticas da criminalidade não refletem o drama (...) Apesar da disseminação do crime (...)".

O assunto é tratado das páginas 38 a 43, e para quem duvida de que a mídia é instrumental na criação do medo, eis o título, em caixa alta (todo em maiúsculas) que se repete nessas seis páginas de ZH: "O MEDO DA VIOLÊNCIA". E alguns títulos de retrancas (matérias secundárias), citando pessoas entrevistadas: "A polícia parou para não se incomodar"; "A inocência que tinha se acabou"; "Hoje, estou chorosa, triste"; "Sinto mais falta é de poder correr"; Acho que essa dor nunca vai passar"; "Minha vida terminou ali"; "É um desperdício"; "É um terrorismo psicológico"; "O problema é nacional"; "Tem de haver investigação"; "Estado deve estar presente"; "Enfrentar a corrupção"; etc.

No fim, também em letras garrafais, ZH tem "SOLUÇÕES". No preâmbulo, "a certeza de que o crime se instala onde o Estado está ausente", e a afirmação de que "a união das polícias (...) também mostra-se eficiente no combate à criminalidade". As soluções citadas são "atividades culturais e esportivas e (...) serviços de saúde e assistência social à comunidade", que foram, justamente, ações das administrações petistas. ZH cita programas municipais, como o Segurança Cidadã, que reduziu a violência em 90% onde foi implantado. Como não dá ponto sem nó, ZH introduz na matéria: "O projeto estagnou quando o então prefeito Tarso Genro deixou a prefeitura para concorrer a governador". Sinal de que, na campanha para as eleições municipais, daqui a dois anos, o partido da RBS já sai jogando duro.



A apoteose de FHC

Zero Hora dá duas páginas (18 e 19) hoje (9) a FHC, em mais uma longa entrevista com o presidente brasileiro em exercício, integrada na campanha nacional de transferência de responsabilidades pelo desmonte do país nos últimos oito anos. Além disso, como todos os outros jornais, noticia a passagem de FHC com sua corte por Nova York, para receber um prêmio da ONU. Ainda que o esforço do neoliberalismo em dourar a pílula de seu maior representante entre chefes de governo na América Latina, com o intuito de largar o abacaxi nas mãos do governo Lula, seja evidente, nenhum desses baluartes da mídia procurou dar a informação completa, nesse episódio. O governo federal está gastando cerca de R$ 4 milhões, ou mais de um milhão de dólares, apenas para dar publicidade a esta promoção pessoal de um presidente ...




Ataques ao PT têm o apoio da Folha de S.Paulo


A leviandade da Folha de S.Paulo, expressa na edição de domingo (p.A15) ao falar da viagem de Lula aos EUA, é de embasbacar. Desde o título, "Ataque ao Iraque pode ter o apoio do PT", a matéria da sucursal de Brasília do jornal paulista baseia-se em conjeturas do jornalista, que abre dizendo que, devido ao "neopragmatismo" petista, Lula "deverá apoiar o eventual ataque norte-americano ao Iraque caso o presidente George W., Bush toque no assunto, como prevêem os dirigentes do PT."


"Segundo a Folha apurou, a posição do PT e de Lula deverá ser a de referendar a guerra, se ela tiver a chancela da ONU", diz o jornal. Mas, a Folha deveria saber que Bush não é a ONU, antes de cair no maniqueísmo bushista do tipo quem-não-está-comigo-está-contra-mim de suas "apurações". Para completar a matéria desastrosa, a Folha não apresenta qualquer "dirigente do PT" que fundamente suas afirmações. Tudo, absolutamente tudo, vem da imaginação do editor do material ou do autor do texto. O desmentido já foi feito, hoje, através de Aloízio Mercadante, mas isso não corrige o estrago feito pelo jornal. Enfim, uma "cascata" (notícia inventada) jornalística para entrar na história.



* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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Oded Gajew defende ação conjunta de meios de comunicação no debate de problemas sociais


fonte: lista de discussão sobre 3o setor
autor desconhecido




Montar uma agenda entre a Associação Brasileira das Empresas de Rádio e TV (Abert), Associação Nacional de Jornais (ANJ) e Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) para discutir, na mídia, soluções para os problemas sociais. Essa foi a idéia do presidente do Instituto Ethos de Responsabilidade Social, Oded Grajew, lançada neta quinta-feira, dia 25, durante o debate "Governo, Mídia e Sociedade - qual o papel de cada um?", na manhã do último dia do evento MaxiMídia 2002. O assunto foi debatido por Antônio Manuel Teixeira Mendes, diretor superintendente do jornal Folha de S. Paulo, Jorge da Cunha Lima, presidente da TV Cultura, e Yakoff Sarkovas, presidente da consultoria Articultura.

Segundo Grajew, conferencista do debate, a mídia tem um poder extraordinário de mudar a realidade. "Na primeira vez que encontrei Roberto Marinho, disse a ele que, o dia que as Organizações Globo decidissem que todas as crianças brasileiras deveriam estudar em uma escola de qualidade, isso iria acontecer", afirmou.


Com isso, o presidente do Instituto Ethos quis apontar o quanto a mídia pode influenciar e ampliar a discussão de um tema, tornando-o relevante nas esferas pública, privada e civil. Para Grajew, diferentemente do tradicional discurso de isenção, feito pelas empresas jornalísticas, o que se deve defender é um jornalismo comprometido com o bem-estar social.

Yakoff Sarkovas, da Articultura, destacou que hoje a mídia é considerada o espaço público - ocupando nas novas gerações o papel de informar e formar o indíviduo, antes ocupado prioritariamente pela família e pela escola. Daí o cuidado com o que se transmite via meios de comunicação. Para Cunha Lima, da Cultura, para se evitar uma banalização da notícia, comum na abordagem da violência, por exemplo, é preciso que o veículo se pergunte se aquilo vai causar algum tipo de reflexão crítica por parte da sociedade.

Já na opinião de Teixeira Mendes, da Folha, o principal papel da mídia é garantir o pluralismo de idéias e opiniões, para favorecer o desenvolvimento da democracia.







Números em defesa dos pardais


Jorge Furtado


Nunca entendi a lógica dos que atacam os pardais. A velocidade máxima permitida nas ruas de Porto Alegre é de 60 quilômetros por hora, ponto. Se há ou não há pardais numa rua ou avenida pouco importa: quem passa de 60 está infringindo a lei, colocando em risco a vida alheia (além da própria) e deveria ser multado. E quem não passa não tem por que se preocupar com pardais.

Entre 1991 e 1996, os casos de morte no trânsito no Brasil aumentavam mais de 4% ao ano. Desde 1997, com o novo Código de Trânsito, as mortes diminuem 6% ao ano. O número de mortes ainda é absurdo, mais de 20 mil por ano. As vítimas da velocidade são, em boa parte, crianças. Os atropelamentos são a segunda maior causa externa de morte infantil no país. Segundo o Ministério da Saúde, 1.150 crianças morreram atropeladas em 2000. As crianças mais atingidas são, adivinhe, as mais pobres.

Um estudo recente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) constata que os pardais reduziram em pelo menos 1,5 mil o número de mortes no trânsito no Brasil, por ano. Foram comparadas as estatísticas de acidentes de trânsito, antes e depois da colocação dos radares, de 24 cidades brasileiras, além de trechos de rodovias estaduais e federais. Em São Paulo, são 16 mil atropelamentos por ano, com média de 862 mortes. A velocidade é a principal causa dos atropelamentos, seguida da falta de atenção de motoristas e pedestres. Os pardais diminuem a velocidade média dos veículos, o número de acidentes e também sua gravidade. Num atropelamento, há pouca chance de morte se o carro estiver a 30 km/h. A 40 km/h, a chance vai para 15%. Num carro a 60 km/h, a chance de morte salta para 70% e, caso o pedestre seja apanhado a 80 km/h ou mais, as chances de ele sobreviver são bem pequenas.

Graças aos pardais, 1,5 mil brasileiros deixam de morrer, por ano, na guerra do trânsito. Mais de quatro por dia. É chato ser multado, mas, a não ser que você acredite que o prazer de acelerar e de infringir a lei justifica a morte de quatro brasileiros por dia, tem que concordar comigo: os pardais deveriam ser camuflados. E móveis.


Juízes visitam MST no Rio Grande do Sul


Em 20 de julho de 2002, um grupo de doze juízes, integrantes do Núcleo de Estudos Críticos, realizou visita a um assentamento e a um acampamento do MST no Rio Grande do Sul.

De acordo com o relato do núcleo*, a visita foi importante por ser uma oportunidade de conhecer a realidade distante dos gabinetes. “Mesmo que se tenha consciência das dificuldades que amargam milhões de brasileiros, o contato direto com a realidade viabiliza uma dimensão mais exata da demanda social e instiga a formular uma infinidade de questionamentos sobre a atividade jurisdicional”.

A seguir, trechos do relatório e das conclusões dos juízes:

O assentamento

O assentamento de Charqueadas tem 11 anos de existência e funciona por intermédio de uma cooperativa criada pelos assentados. Não houve divisão de lotes. As casas foram construídas em um único local, onde há escola, creche, centro comunitário, posto de saúde e uma pequena estrutura urbana.

A terra é trabalhada por todos, atendendo a projetos de produção da EMATER (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) e com acompanhamento de técnicos do próprio MST, que desenvolvem atividades sem a utilização de transgênicos ou produtos químicos, tanto na lavoura como na criação de animais.

A ração dos animais é feita com os produtos da própria lavoura. O leite é produzido de forma inteiramente mecanizada. Na lavoura, utilizam pouca mecanização e repudiam a monocultura. Os alimentos consumidos pelos assentados são todos produzidos no local. O excedente é colocado no mercado, com boa aceitação em virtude dos meios naturais de produção. Ao todo, são 28 famílias assentadas, que trabalham de forma compartilhada. Cada família recebe uma remuneração de acordo com a produção do assentamento.

O acampamento

O acampamento visitado foi formado em 2001, com seiscentas famílias. Durante o período em que estão acampados, o grupo estabelece debates sobre gênero, educação, saúde e cidadania. Dividem as tarefas em grupos (saúde, educação, limpeza, segurança, alimentação etc.).

As crianças têm atividades educacionais e recreativas diariamente. Há também programas de alfabetização de adultos e uma farmácia que funciona 24 horas dentro do acampamento. Todo medicamento é produzido com manipulação de ervas medicinais plantadas no local. Existe abastecimento de água e recolhimento de lixo.


O local prima pela organização que não existe em muitos aglomerados urbanos. Os acampados não têm problemas de violência, exceto no que diz àquela da precariedade da estrutura em que vivem, sem saneamento básico, água encanada, sistema elétrico ou pavimentação. A ausência de violência entre os acampados pode ser justificada pelo trabalho comunitário desenvolvido.

Todos os dias um grupo de trabalhadores usa um ônibus para ir às frentes de trabalho, exercendo atividades remuneradas e revertendo o fruto do trabalho ao coletivo.

Conclusões

A vivência com as populações carentes possibilita a observação da forma como as pessoas se organizam para buscar a superação da miséria, ao mesmo tempo que ajuda a desmistificar esses grupos. A conduta organizada de atuação demonstra que a luta pela reforma agrária atende uma estratégia pacífica de reivindicação.

É importante um debate sobre a exclusão social no seio da magistratura. A falta de informações sobre as condições sócio-econômicas das populações miseráveis e as opções que estas elegem para alcançar inclusão social afetam a livre convicção do juiz.

A determinação daqueles que buscam o conhecimento pelo contato com populações que estão abaixo da linha da pobreza deve contar com o apoio ou, pelos menos, tolerância de seus pares, visando uma análise mais fidedigna do fenômeno social. O ideal seria inserir na formação do magistrado a possibilidade de contato direto com a realidade social antes do ingresso na carreira, visando uma maior percepção do efeito coletivo e difuso da decisão judicial.

A lógica do liberalismo oitocentista que justificava o trabalho escravo também fundamenta o latifúndio do terceiro milênio. Hoje, assim como nos tempos do abolicionismo, o Poder Judiciário aparece como a via de absorção das demandas decorrentes das contradições sociais.

A compreensão desse papel do Poder Judiciário na questão agrária é um dos grandes desafios do nosso tempo. A justiça distributiva é uma utopia a ser realizada que não pode cair na desesperança.



Todos os dados deste artigo foram extraídos do texto elaborado pelo Núcleo de Estudos Críticos do Direito: "Relato e conclusões sobre a visita ao assentamento de Charqueadas e a um acampamento do MST", de 8/11/2002.