MIDI@LERTA
Os Jornais
Rádios, TVs e mídia eletrônica
13-12-2002
Mídia influi em número de acidentes nas estradas
"Detran alerta sobre termos da mídia" é título de nota de 7 centímetros de coluna no Correio do Povo (p.14) hoje. Diz que "dezenas de entidades gaúchas" lideradas pelo Departamento Estadual de Trânsito debateram estratégias para reduzir o número de acidentes nas estradas e divulgaram uma "Carta Aberta à Mídia", que será entregue "às agências publicitárias e empresas jornalísticas como forma de alertar sobre a linguagem considerada inadequada no tratamento dos acidentes de trânsito".
Vale lembrar que o combate de setores da mídia, por motivos simplesmente políticos ou pessoais, contra os pardais, que multam motoristas em excesso de velocidade e comprovadamente reduzem o número de acidentes, foi uma das abordagens mais inadequadas deste problema, dos últimos tempos.
Fera ferida
Na nota de abertura do Panorama Econômico do Correio do Povo (p.15), a jornalista Denise Nunes mostra que a "Federasul (está) na contramão do mercado", por causa das críticas de Paulo Afonso Feijó, presidente daquela entidade, ao apoio do governo do Estado ao Fórum Social Mundial 2003. Para Feijó, o apoio ao fórum "fere interesses empresariais". Segundo Denise, não é bem o que pensam outras entidades empresariais e nem mesmo os associados da Federasul. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Carlos Schmidt, por exemplo: "Nunca, em tempo algum, um dinheiro público foi tão bem empregado. Independentemente de ideologias, um evento desse porte merece respeito e, acima de tudo, estímulo". O presidente do Sindicato dos Hotéis de Porto Alegre, Ricardo Ritter, concorda: "Somos a favor do Fórum e inclusive intermediamos a reunião de seus realizadores com o governo eleito. É normal, em qualquer lugar do mundo, que governos apóiem financeirame nte eventos que alavancam a economia local". O jovem dinossauro da direita, no entanto, prefere distorcer os fatos e perder dinheiro do que admitir os sucessos do adversário.
Mendelski na Pampa : a lesma lerda de sempre
Só mudaram a empresa e as moscas: o resto continua na mesma, no programa de Rogério Mendelski, agora na rádio Pampa. Na edição desta manhã (13), entre outras afirmações estapafúrdias e radicais, sai-se com a seguinte, digamos, "tese", para explicar porque a imagem do governo estadual não foi prejudicada junto à população do interior, especialmente os agricultores: "(...) a Secretaria da Agricultura, nas mãos do senhor José Hermeto Hoffmann, foi muito eficiente no aparelhamento partidário".
"Aparelhamento partidário"? Quer dizer então que a extrema atenção dada pelo governo ao setor primário – com o financiamento do trigo pelo Banrisul, após dez anos de abandono; a criação do Seguro Agrícola, que beneficiou mais de 25 mil famílias; a safra recorde de grãos; o crédito subsidiado para a agricultura familiar; a documentação para as trabalhadoras rurais etc., etc., etc. - não valem nada?
Mendelski, pelo jeito, deve considerar que os agricultores gaúchos são imbecis e não sabem reconhecer um governo que os apoia.
Descompromisso com o ouvinte
Alguém se lembra do comentarista Paulo Sant´ana criticando Lula por, ao não revelar o nome das autoridades da área financeira no novo governo, motivar especulações no mercado e alta continuada do dólar? Foi no dia 6 deste mês, no programa Gaúcha Hoje, da RBS. "Ao que me recorde", escreve um leitor de Midi@lerta, "ele gastou todo o seu precioso tempo sentando a pua no futuro presidente. Ontem, Lula anunciou o presidente do Banco Central e confirmou o ministro da Fazenda. O Sant´ana ocupou ao menos boa parte do seu tempo hoje elogiando a iniciativa do Lula, certo? Afinal, tem compromisso com o que diz ao seu ouvinte, correto? Nada disso: houve uma sutilíssima menção ao tema, com o comentarista apenas praticando o jornalismo-enche-lingüiça, com um comentariozinho insosso, divagando sobre assuntos variados da família do jogador Ronaldo Nazario à estrelinha do PT que o Lula não deu para o Bush".
Seleção de frases
A verdade deve ser dita: bem oportuna a seleção de frases alinhavada pela Zero Hora de hoje em sua pág. 3, sob o título "Os tempos mudam". O texto de introdução explica: "A indicação do ex-presidente do BankBoston, Henrique Meirelles, encontrou poucas manifestação contrárias. Em fevereiro de 1999, a indicação de Armínio Fraga, ligado ao megainvestidor George Soros, encontrou uma reação diferente". Algumas das frases pinçadas por ZH:
"É como se a polícia estivesse indicando Castor de Andrade para mandar prender os bicheiros. Só nos resta rezar". (Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente de honra do PT).
"Continuo pessimista porque tudo indica que o governo não vai mudar de estratégia. Ao contrário, continuará seguindo a cartilha do FMI". (Guido Mantega, economista, um dos formuladores do programa petista).
"Um vampiro vai presidir o banco de sangue". (Lauro Campos, senador do PT-DF).
Título bem certinho
Mas nada supera o título do artigo de Clóvis Rossi na pág. 2 da Folha de S. Paulo de hoje, a respeito da escolha do banqueiro Meirelles para o Banco Central, e tendo como pano de fundo o espírito crítico do Fórum Social Mundial, que mais uma vez acontecerá em Porto Alegre: "Davos 2 X Porto Alegre 0".
Em Roma, a "Saint Peter`s Square"
A coluna Em Foco, na quarta capa do Jornal do Comércio, geralmente bem editada, ontem (12) confundiu legal os idiomas. Ao noticiar que no Vaticano – em Roma, Itália – foi instalada uma grande árvore de Natal, o JC localizou a festa na "Saint Peter`s Square, a principal praça da cidade de Vaticano". Ora, estamos no Brasil, e se diz Praça de São Pedro. Se era para usar uma denominação em língua estrangeira, o certo seria dar o nome original, italiano: Piazza de San Pietro. Usar o inglês neste caso é uma cochilada e tanto. Mas afinal, é natal e os sinos bimbalham.
Foro privilegiado sem crítica
O doutor Fernando Henrique Cardoso, vulgo FHC, deve deixar a Presidência da República dentro de 19 dias. Até lá, ele é responsável pelo que está aí. No balcão de negócios do Congresso Nacional corre o pedido de urgência (para projeto, aliás inconstitucional) de foro privilegiado para algumas das pessoas mais privilegiadas do Brasil, sob o vergonhoso silêncio da mídia. No país campeão das desigualdades sociais, o salário mínimo do brasileiro hoje é US$ 52,08 (200 reais); o botijão de gás de cozinha, R$ 26,50.
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Dos leitores
De: Sonia Guimaraes Laranjeira
Ref: Violência
"Moro em Porto Alegre e sinto-me terrivelmente insegura e não por efeito da RBS, mas por ter experimentado a violência pessoalmente, mais de uma vez e por saber a cada dia de pessoas conhecidas, vizinhos, parentes, amigos, que também a tem experimentado. (...). Vivemos, sim, numa cidade violenta e acho uma pena que nossos governos não tenham a coragem de enfrentá-lo seriamente.(...) o PT deveria enfrentar o problema da violência da mesma forma como anuncia que enfrentará a questâo da reforma previdenciária. (...) serei prejudicada com a reforma, mas julgo que não podemos continuar a conviver com essa situação e é preciso seguir o que já fizeram todos os outros países civilizados. Um abraço".
Midi@lerta responde: Prezada Sônia, seria imbecilidade dizer que não existe violência urbana no RS, um fato terrível que atinge a todos nós. O que Midi@lerta questiona é o avanço do medo da violência em Porto Alegre, que é muito maior (o sentimento) do que o número concreto de casos. Ou seja, em cidades como o Rio de Janeiro, com muito mais ocorrências violentas, o sentimento de medo da população é menor (segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas). Nesse aspecto, não temos dúvida que o tratamento dado pela grande mídia faz diferença sim.
* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.
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13-12-2002
Mídia influi em número de acidentes nas estradas
"Detran alerta sobre termos da mídia" é título de nota de 7 centímetros de coluna no Correio do Povo (p.14) hoje. Diz que "dezenas de entidades gaúchas" lideradas pelo Departamento Estadual de Trânsito debateram estratégias para reduzir o número de acidentes nas estradas e divulgaram uma "Carta Aberta à Mídia", que será entregue "às agências publicitárias e empresas jornalísticas como forma de alertar sobre a linguagem considerada inadequada no tratamento dos acidentes de trânsito".
Vale lembrar que o combate de setores da mídia, por motivos simplesmente políticos ou pessoais, contra os pardais, que multam motoristas em excesso de velocidade e comprovadamente reduzem o número de acidentes, foi uma das abordagens mais inadequadas deste problema, dos últimos tempos.
Fera ferida
Na nota de abertura do Panorama Econômico do Correio do Povo (p.15), a jornalista Denise Nunes mostra que a "Federasul (está) na contramão do mercado", por causa das críticas de Paulo Afonso Feijó, presidente daquela entidade, ao apoio do governo do Estado ao Fórum Social Mundial 2003. Para Feijó, o apoio ao fórum "fere interesses empresariais". Segundo Denise, não é bem o que pensam outras entidades empresariais e nem mesmo os associados da Federasul. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Carlos Schmidt, por exemplo: "Nunca, em tempo algum, um dinheiro público foi tão bem empregado. Independentemente de ideologias, um evento desse porte merece respeito e, acima de tudo, estímulo". O presidente do Sindicato dos Hotéis de Porto Alegre, Ricardo Ritter, concorda: "Somos a favor do Fórum e inclusive intermediamos a reunião de seus realizadores com o governo eleito. É normal, em qualquer lugar do mundo, que governos apóiem financeirame nte eventos que alavancam a economia local". O jovem dinossauro da direita, no entanto, prefere distorcer os fatos e perder dinheiro do que admitir os sucessos do adversário.
Mendelski na Pampa : a lesma lerda de sempre
Só mudaram a empresa e as moscas: o resto continua na mesma, no programa de Rogério Mendelski, agora na rádio Pampa. Na edição desta manhã (13), entre outras afirmações estapafúrdias e radicais, sai-se com a seguinte, digamos, "tese", para explicar porque a imagem do governo estadual não foi prejudicada junto à população do interior, especialmente os agricultores: "(...) a Secretaria da Agricultura, nas mãos do senhor José Hermeto Hoffmann, foi muito eficiente no aparelhamento partidário".
"Aparelhamento partidário"? Quer dizer então que a extrema atenção dada pelo governo ao setor primário – com o financiamento do trigo pelo Banrisul, após dez anos de abandono; a criação do Seguro Agrícola, que beneficiou mais de 25 mil famílias; a safra recorde de grãos; o crédito subsidiado para a agricultura familiar; a documentação para as trabalhadoras rurais etc., etc., etc. - não valem nada?
Mendelski, pelo jeito, deve considerar que os agricultores gaúchos são imbecis e não sabem reconhecer um governo que os apoia.
Descompromisso com o ouvinte
Alguém se lembra do comentarista Paulo Sant´ana criticando Lula por, ao não revelar o nome das autoridades da área financeira no novo governo, motivar especulações no mercado e alta continuada do dólar? Foi no dia 6 deste mês, no programa Gaúcha Hoje, da RBS. "Ao que me recorde", escreve um leitor de Midi@lerta, "ele gastou todo o seu precioso tempo sentando a pua no futuro presidente. Ontem, Lula anunciou o presidente do Banco Central e confirmou o ministro da Fazenda. O Sant´ana ocupou ao menos boa parte do seu tempo hoje elogiando a iniciativa do Lula, certo? Afinal, tem compromisso com o que diz ao seu ouvinte, correto? Nada disso: houve uma sutilíssima menção ao tema, com o comentarista apenas praticando o jornalismo-enche-lingüiça, com um comentariozinho insosso, divagando sobre assuntos variados da família do jogador Ronaldo Nazario à estrelinha do PT que o Lula não deu para o Bush".
Seleção de frases
A verdade deve ser dita: bem oportuna a seleção de frases alinhavada pela Zero Hora de hoje em sua pág. 3, sob o título "Os tempos mudam". O texto de introdução explica: "A indicação do ex-presidente do BankBoston, Henrique Meirelles, encontrou poucas manifestação contrárias. Em fevereiro de 1999, a indicação de Armínio Fraga, ligado ao megainvestidor George Soros, encontrou uma reação diferente". Algumas das frases pinçadas por ZH:
"É como se a polícia estivesse indicando Castor de Andrade para mandar prender os bicheiros. Só nos resta rezar". (Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente de honra do PT).
"Continuo pessimista porque tudo indica que o governo não vai mudar de estratégia. Ao contrário, continuará seguindo a cartilha do FMI". (Guido Mantega, economista, um dos formuladores do programa petista).
"Um vampiro vai presidir o banco de sangue". (Lauro Campos, senador do PT-DF).
Título bem certinho
Mas nada supera o título do artigo de Clóvis Rossi na pág. 2 da Folha de S. Paulo de hoje, a respeito da escolha do banqueiro Meirelles para o Banco Central, e tendo como pano de fundo o espírito crítico do Fórum Social Mundial, que mais uma vez acontecerá em Porto Alegre: "Davos 2 X Porto Alegre 0".
Em Roma, a "Saint Peter`s Square"
A coluna Em Foco, na quarta capa do Jornal do Comércio, geralmente bem editada, ontem (12) confundiu legal os idiomas. Ao noticiar que no Vaticano – em Roma, Itália – foi instalada uma grande árvore de Natal, o JC localizou a festa na "Saint Peter`s Square, a principal praça da cidade de Vaticano". Ora, estamos no Brasil, e se diz Praça de São Pedro. Se era para usar uma denominação em língua estrangeira, o certo seria dar o nome original, italiano: Piazza de San Pietro. Usar o inglês neste caso é uma cochilada e tanto. Mas afinal, é natal e os sinos bimbalham.
Foro privilegiado sem crítica
O doutor Fernando Henrique Cardoso, vulgo FHC, deve deixar a Presidência da República dentro de 19 dias. Até lá, ele é responsável pelo que está aí. No balcão de negócios do Congresso Nacional corre o pedido de urgência (para projeto, aliás inconstitucional) de foro privilegiado para algumas das pessoas mais privilegiadas do Brasil, sob o vergonhoso silêncio da mídia. No país campeão das desigualdades sociais, o salário mínimo do brasileiro hoje é US$ 52,08 (200 reais); o botijão de gás de cozinha, R$ 26,50.
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Dos leitores
De: Sonia Guimaraes Laranjeira
Ref: Violência
"Moro em Porto Alegre e sinto-me terrivelmente insegura e não por efeito da RBS, mas por ter experimentado a violência pessoalmente, mais de uma vez e por saber a cada dia de pessoas conhecidas, vizinhos, parentes, amigos, que também a tem experimentado. (...). Vivemos, sim, numa cidade violenta e acho uma pena que nossos governos não tenham a coragem de enfrentá-lo seriamente.(...) o PT deveria enfrentar o problema da violência da mesma forma como anuncia que enfrentará a questâo da reforma previdenciária. (...) serei prejudicada com a reforma, mas julgo que não podemos continuar a conviver com essa situação e é preciso seguir o que já fizeram todos os outros países civilizados. Um abraço".
Midi@lerta responde: Prezada Sônia, seria imbecilidade dizer que não existe violência urbana no RS, um fato terrível que atinge a todos nós. O que Midi@lerta questiona é o avanço do medo da violência em Porto Alegre, que é muito maior (o sentimento) do que o número concreto de casos. Ou seja, em cidades como o Rio de Janeiro, com muito mais ocorrências violentas, o sentimento de medo da população é menor (segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas). Nesse aspecto, não temos dúvida que o tratamento dado pela grande mídia faz diferença sim.
* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.
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