Sexta-feira, Março 07, 2003



MIDI@LERTA
05/03/2003



MANCHETES DOS JORNAIS DE HOJE EM PORTO ALEGRE
Jornal do Comércio - FMI libera parcela de US$ 4,6 bi em março
O Sul - FMI pode liberar US$ 4,6 bilhões para o Brasil ainda este mês.
Correio do Povo - FMI aprova revisão de acordo com Brasil e vai liberar US$
4,6 bilhões
Zero Hora – ZH: FMI dá novo aval ao governo Lula



O SUL FAZ OPOSIÇÃO A LULA ATÉ NO CARNAVAL

Nem na Terça-Feira Gorda nem na Quarta-Feira de Cinzas: O Sul não aliviou as críticas a Lula nem durante o carnaval. Veja os títulos do jornal impresso da Pampa, em páginas espelhadas do seu assim chamado Caderno de Reportagem, na edição de ontem, terça-feira (4): "Há risco de Lula desperdiçar a lua-de-mel com a opinião pública e gerar grande frustração" (pág. 4). "Gente mais próxima de Lula já nota sinais de envelhecimento em apenas dois meses de poder" (pág. 5).

Nesta quarta (5) o jornal volta à carga, à página 1 do mesmíssimo Caderno: "Prevista queda de popularidade de Lula num período de três a seis meses".

Mas há um lado útil na campanha desenvolvida pelo jornal: O Sul pode estar demostrando, com clareza pedagógica, que para alguns setores do conservadorismo brasileiro, por mais concessões que o atual governo federal faça, ele será sempre um inimigo a ser combatido.



SEGURANÇA: CORPORAÇÕES BRIGAM, SOB O SILÊNCIO DA MÍDIA

A nota saiu na coluna de Fernando Albrecht no Jornal do Comércio, no dia 28, sexta-feira pré-carnavalesca. Mas – como se verá – o assunto continua mantendo, há muito tempo, sua atualidade. Albrecht, na nota "Algemas partidas", cita os crescentes conflitos entre a Secretaria de Justiça e Segurança (SJS) estadual e a Associação dos Delegados de Polícia (Asdep), chefiada por Leão de Medeiros. Leoninamente, Medeiros reclama de que a SJS estaria "tomada por oficiais da Brigada Militar e fechando os olhos para as necessidades da Polícia Civil".

Ou seja, continua tudo na mesma. Ou pior – houve um retrocesso no problema da rivalidade entre as duas corporações, em relação ao governo anterior. Como se recorda, apesar da feroz oposição na mídia e nos setores tradicionais da política, o governo Olívio avançou bastante na política de integração das duas corporações. No entanto, o combate à corrupção policial e aos privilégios de minorias na PC e na BM, foi atacado por comunicadores como se fosse uma prova de "ideologização" das polícias...

A questão é bem outra – como pode ver agora o secretário José Otávio Germano. Mas é fácil imaginar que, se essa crítica da Asdep tivesse sido feita no governo anterior, o tema não estaria em notinhas escondidas em colunas, mas ganharia manchetes de jornal e, certamente, programas de rádio e tv cheios de indignação contra a SJS. Ou alguém tem alguma dúvida disso?



BARRIO TENTA MANCHAR A ROMARIA DA TERRA

O titular da coluna Página 10 de Zero Hora demonstrou uma certa intenção maldosa na nota “Faroeste caboclo”, ao comentar a presença do ministro das Cidades, Olívio Dutra, na Romaria da Terra.
Barrionuevo fala que os seguranças do ministro portavam armas “com uma certa ostentação” e que a Polícia Rodoviária Federal acionou dois patrulheiros vestidos com coletes a prova de balas para “enfrentar o grupo, em pleno carnaval”. Conforme a nota, “a pendenga foi resolvida com a identificação dos seguranças”.
Ora, o ministro Olívio Dutra, uma autoridade nacional, não pode sair sem seguranças. Por sua vez, os responsáveis pela segurança do ministro precisam portar armas para desempenhar a função. Vale lembrar ainda que Olívio Dutra, durante a 26ª Romaria da Terra, teve seu discurso interrompido várias vezes pelos aplausos, conforme relata a matéria de ZH na página 25.



A MULHER NA MÍDIA

A revista Carta Capital desta semana, edição 230, traz como matéria principal “Brasil: A mulher na mídia. E no imaginário”, que trata da superexposição da nudez feminina nos meios de comunicação do país. A reportagem, de oito páginas, mostra como isto produz graves distorções na escala de valores dos brasileiros e torna ainda mais difícil a vida das mulheres. Por exemplo, “de acordo com uma pesquisa do Instituto Gallup, feita no Brasil, EUA, Canadá, Austrália e França, 61% dos brasileiros têm a certeza de ser um físico atraente algo decisivo para alguém prosperar na sociedade. Nos outros países, na média, tal convicção não ultrapassa os 26%”.

Dos anos 80 para cá, o tema bum-bum e mulher pelada ganhou cada vez mais espaços até se tornar a principal arma da mídia na briga pela audiência. E a nudez virou um ambicionado passaporte para o sucesso. Uma pesquisa realizada em São Paulo, segundo CC, mostrou que para 90% das paulistanas a programação da televisão incentiva as meninas a serem mais sensuais, erotizando-as antes do tempo. E 80% das entrevistadas acham que a mídia não transmite uma imagem real, verdadeira, da mulher brasileira.

A revista faz uma pergunta intrigante: se a crítica é consenso, porque não existe no país um forte movimento de repúdio à vulgarização da mulher?
Enfim, pessoas interessadas na discussão da condição da mulher brasileira devem conferir a reportagem de Carta Capital, que abre um novo flanco nos debates sobre o país que a mídia ajuda – ou não – a construir.







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