quinta-feira, novembro 14, 2002


Amigo leitor...


Por motivo de feriado maior, estaremos




até segunda feira.


Obrigado pela visita e volte sempre.

Um abraço dos amigos

"Amir", "Luther" e "Von Croq".






Notícias da mídi@ética


MIDI@ÉTICA INFORMA:


Midi@ética é recebido pela Reitora da UFRGS.

Uma comissão do Movimento em Defesa da Ética na Mídia (MIDI@ÉTICA) foi recebida em audiência pela Magnífica Reitora da UFRGS, Wrana Panizzi, em 13/11. Na oportunidade foi-lhe entregue uma CARTA elaborada pelo Movimento.
A Professora Wrana, em momento de desabafo, externou sua preocupação com as pressões que a Reitoria vem sofrendo em razão da polêmica gerada em torno das pesquisas eleitorais e da sua indicação para o Conselho da RBS.
Anunciou que, em breve, a sociedade gaúcha tomará conhecimento de sua posição sobre esses assuntos.



Francamente: a reitora tá demorando demais pra abrir a boca e desmascarar esta catrefada de ordinários que estão se locupletando na retidão e seriedade dela. É no mínimo constrangedor o silêncio da reitora.



Da série: respondendo aos leitores.

Leitor que escreveu postulando "mais espaço para Deus e a igreja neste site": ok meu caro; Atendendo a tua petição, aí tens um bom texto que fala que fala de Deus e santos...

Bom proveito.

"Amir".


Ensina a teu filho

por Frei Betto


Ensina a teu filho que o Brasil tem jeito e que ele deve crescer feliz por ser brasileiro. Há neste país juízes justos, ainda que es ta verdade soe como cacófato. Juízes que, como meu pai, nunca empregaram familiares, embora tivessem filhos advogados, jamais fizeram da função um meio de angariar mordomias e, isentos, deram ganho de causa também a pobres, contrariando patrões gananciosos ou empresas que se viram obrigadas a aprender que, para certos homens, a honra é inegociável.

Ensina a teu filho que neste país há políticos íntegros como Antônio Pinheiro, pai do jornalista Chico Pinheiro, que revelou na mídia seu contracheque de parlamentar e devolveu aos cofres públicos jetons de procedência duvidosa.

Saiba o teu filho que, no monolito preto do Banco Central, em Brasília, onde trabalham cerca de 3 mil pessoas, a maioria é honrada e, porque não é cega, indignada ante maracutaias de autoridades que deveriam primar pela ética no cargo que lhes foi confiado.

Ensina a teu filho que não ter talento esportivo ou rosto e corpo de modelo,
e sentir-se feio diante dos padrões vigentes de beleza, não é motivo para
ele perder a auto-estima. A felicidade não se compra nem é um troféu que se
ganha vencendo a concorrência. Tece-se de valores e virtudes e desenha, em nossa existência, um sentido pelo qual vale a pena viver e morrer.

Ensina a teu filho que o Brasil possui dimensões continentais e as mais fertéis terras do planeta. Não se justifica, pois, tanta terra sem gente e tanta gente sem terra. Assim como a libertação dos escravos tardou, mas chegou, a reforma agrária haverá de se implantar. Tomara que regada com muito pouco sangue.

Saiba o teu filho que os sem-terra que ocupam áreas ociosas e prédios públicos são, hoje, chamados de "bandidos", como outrora a pecha caiu sobre Gandhi sentado nos trilhos das ferrovias inglesas e Luther King ocupando escolas vetadas aos negros.

Ensina a teu filho que pioneiros e profetas, de Jesus a Tiradentes, de Francisco de Assis a Nelson Mandela, são invariavelmente tratados, pela elite de seu tempo, como subversivos, malfeitores, visionários.

Ensina a teu filho que o Brasil é uma nação trabalhadora e criativa. Milhões de brasileiros levantam cedo todos os dias, comem aquém de suas necessidades e consomem a maior parcela de sua vida no trabalho, em troca de um salário que não lhes assegura sequer o acesso à casa própria. No entanto, essa gente é incapaz de furtar um lápis do escritório, um tijolo da obra, uma ferramenta da fábrica. Sente-se honrada por não descer ao ralo que nivela bandidos de colarinho branco com os pés-de-chinelo. É gente feita daquela matéria-prima dos lixeiros de Vitória que entregaram à polícia sacolas recheadas de dinheiro que assaltantes de banco haviam escondido numa caçamba.

Ensina teu filho a evitar a via preferencial dessa sociedade neoliberal que nos tenta incutir que ser consumidor é mais importante que ser cidadão, incensa quem esbanja fortuna e realça mais a estética que a ética.

Saiba o teu filho que o Brasil é a terra de índios que não se curvaram ao jugo português e de Zumbi, de Angelim e frei Caneca, de madre Joana Angélica e Anita Garibaldi, dom Hélder Câmara e Chico Mendes.

Ensina a teu filho que ele não precisa concordar com a desordem estabelecida e que será feliz se se unir àqueles que lutam por transformações sociais que tornem este país livre e justo. Então, ele transmitirá a teu neto o legado de tua sabedoria.

Ensina teu filho a votar com consciência e jamais ter nojo de política, pois quem age assim é governado por quem não tem e, se a maioria tiver a mesma reação, será o fim da democracia. Que o teu voto e o dele sejam em prol da justiça social e dos direitos dos brasileiros imerecidamente tão pobres e excluídos, por razões políticas, dos dons da vida.

Ensina a teu filho que a uma pessoa bastam o pão, o vinho e um grande amor. Cultiva nele os desejos do espírito.

Saiba o teu filho escutar o silêncio, reverenciar as expressões de vida e deixar-se amar por Deus que o habita.




ZERO HORA NA BERLINDA


Os gaúchos e o sonho de Ícaro

Gilmar Antonio Crestani (*), João Carneiro (**) e Maria de Nazareth Agra Hassen (***)

Era uma vez uma andorinha solitária que, qual Ícaro encarcerado por Minos, cansou-se de desviar seus vôos de tamanho baixo nível na mídia. Pensando que as andorinhas unidas poderiam voar mais alto, e melhor, suspendeu todas as revoadas de fins de tarde para os bares e calçadas da fama, pois achava que deveria fazer a sua parte. Lembrando-se do Barão nas árvores, do escritor italiano Ítalo Calvino, sentou num galho, pegou uma de suas penas e redigiu um manifesto conclamando, via espaço sideral, outras ainda ilustres desconhecidas para cancelarem as assinaturas de um jornal que as vinha maltratando verão após verão.

A bem da verdade, o absurdo do que era publicado lhe fazia tanto mal quanto o frio minuano, pois, todos sabem, andorinha gosta mesmo é do verão. A informação vinha destemperada, provocando os mesmos estragos que o efeito El Niño. E, nós sabemos, quando a verdade morre, o primeiro a chegar é o urubu.

Vejam só, pensava a andorinha, enquanto o Brasil se cobre com o manto de uma via-láctea, as andorinhas gaúchas sofrem nas asas o efeito maligno do buraco da camada de ozônio que, estacionado sobre o céu pampeano, mostra todo seu poder de fogo através de pesquisas. Pesquisas estas urdidas, canta-se, com o único propósito de nos abater. Pesadelo igual só mesmo o de Ícaro, ao ver a cera de suas asas derretendo.

Mas, para a andorinha, o sonho não acabou!

Movimento vai às ruas

Em pleno vôo, aquela ave solitária mandou, via internet, seu manifesto. Em menos de 24 horas obteve retorno que jamais fizera parte de seus sonhos. Outras, da mesma espécie mas que estavam dispersas por outros galhos da rede, uniram-se à revoada. Algumas dessas foram recolhendo novos aliados de lutas antigas e muitas vezes solitárias.

E, agora, todas tinham em comum a mesma perspectiva. Além disso, começaram a chegar informações de cancelamentos espontâneos das assinaturas. Não demorou para descobrir que, como aquele jornal é apenas um dos tentáculos da hydra, mais do que nunca a união da espécie determinaria o destino de ambos: das andorinhas e da hydra. Era preciso unificar toda essa energia. A demanda reprimida, afinal, começava a encontrar um canal de escoamento. Foi assim que as iniciativas dispersas, das mais diferentes origens, foram se reunindo, formando aquela revoada bonita nos céus de Porto Alegre, já magistralmente cantada em prosa e verso por Mário Quintana.

Um grupo de andorinhas, as andorinhas acadêmicas, dirigiu-se à magnífica reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul buscando entender que interesses moviam o instituto de pesquisa do Curso de Administração daquela instituição. De outra banda, andorinhas estudantes, profissionais liberais, donas de casa, professoras, profissionais da comunicação, empresárias, agricultoras, servidoras públicas, enfim, de várias categorias da sociedade programaram encontro para 3/11, ao abrigo das árvores do Parque Redenção, próximas ao Brique de mesmo nome, em Porto Alegre.

Novas adesões

Antes mesmo desse primeiro encontro, o Minos que conduz a hydra com controle remoto veio a público se desculpar, tentando trocar espelhinhos, digo, seu jornal, pela liberdade de voar de suas ex-assinantes. A desculpa era sofisticada, cheia de sofismas e cínica como são os cínicos. Buscava o desonroso, infantil e primário argumento de transferir para as pilhas "raiovac" de seu controle a responsabilidade pelos "excessos" cometidos após divulgação das pesquisas do falso instituto – porque empresa – Ibope. A crescente revoada de ex-assinantes motivou ainda mais. Viram que já estava doendo no bolso de Minos o resultado da credibilidade definitivamente enxovalhada.

O vôo seguinte foi a criação de uma homepage para canalizar o fluxo imenso de contribuições da comunidade gaúcha de andorinhas. Surgia o MIDI@ÉTICA, com seu site [6.900 acessos em menos de quatro dias]. Para surpresa geral, com poucos dias no ar, mensagens de fora do habitat gaúcho, e até mesmo de fora do país, vinham turbinar a iniciativa. Refletiam, na verdade, a agonia de quem se vê de asas cortadas, engaiolada, mas que nem por isso deixa de acompanhar as barbáries perpetradas pelos tentáculos que mexem com meios de comunicação.

Voar, até um besouro, contra todas as leis da aerodinâmica, voa. Por isso, o sonho de toda andorinha é voar livre, curtindo um final de tarde. Foi aí que a iniciativa virou notícia. E a expressiva quantidade de acessos à página impressionou a ponto de merecer atenção e comentários da Agência Carta Maior.

A segunda revoada (5/11/2002) aconteceu, como gostam as andorinhas, nos altos do Mercado Público. Já eram 67. Na seqüência, uma revoada na Feira do Livro, pois não há lugar mais adequado para quem gosta de voar do que os jacarandás floridos da Praça da Alfândega. Foi nesta oportunidade que o canto das andorinhas se fez ouvir até pelo rei Minos, e demais membros da hydra ali presentes. A marca Midi@ética (camisetas, adesivos, manifesto) também está sendo um sucesso na 48ª Feira do Livro de Porto Alegre. Era o mercado reprimido encontrando a demanda sufocada...

E a revoada continua crescendo e ganhando cada vez mais adesões. Agora, a andorinha indignada lá da primeira linha já não voa só. Fez-se verão no Sul do Brasil!

(*) Funcionário público federal; (**) editor; (***) antropóloga

Assinar: assinar-midialerta@grupos.com.br

quarta-feira, novembro 13, 2002

MIDI@LERTA

Os Jornais

13-11-2002




Rigotto na centro-esquerda


Soubemos hoje, na nota "Lá e aqui", do colunista político de ZH José Barrionuevo (p.10), que o futuro governador gaúcho "quer montar uma equipe com perfil de centro-esquerda". Tudo indica que, para a definição de tal perfil, o novo governo só conte com o que restou do PDT, que não poderia estar mais distante das esquerdas. Neste caso, Rigotto terá de mudar o senso comum, o senso de equilíbrio e as bases de percepção do povo. A centro-esquerda faz guerra fiscal? A centro-esquerda abandona o Orçamento Participativo? A centro-esquerda restaura as estruturas viciadas da Segurança Pública e a corrupção nas bandas podres da polícia? Como diria o filósofo José Simão, para dar perfil de centro-esquerda à sua equipe, Rigotto vai ter de tucanar a esquerda, tucanar o centro e tucanar a direita.




Para O Sul, PT e novo governo são a mesma coisa


O Sul, sempre desnorteado, prossegue brindando seus leitores com títulos surpreendentes. Para começar, na edição de hoje (13), pode-se destacar o título da pág. 17: "PT pode baixar tarifas de telefonia ao reduzir impostos das empresas". Ou seja, não é o "novo governo", ou o "governo eleito", é o PT que pode baixar as tarifas. Lendo-se apenas o título, pode-se até pensar que se trata de economizar nas contas telefônicas do partido.




A coabitação de Lula e FHC


O festival de títulos inusitados prossegue já na página seguinte, onde se lê: "Fernando Henrique e Lula já somam 25 anos de coabitação". Coabitação? Não, eles nunca moraram juntos. O Sul, ao escolher esta palavra, quer dizer que eles se conhecem, são ou foram amigos desde 1977 – e compara seu relacionamento (acredite se quiser) com o de "Humphrey Bogart e Claude Rains em "Casablanca"....


Mas delírios à parte, provavelmente O Sul quer dizer que eles somam 25 anos de "coabitação" por morarem no mesmo país, ou – por que não? – no mesmo planeta Terra.


E para fechar o capítulo "Títulos de O Sul" de hoje, vale ler o que abre a pág. 24: "Na nova China, o PC que ser o ‘acionista majoritário’.

É isso mesmo: em vez de "quer ser", um tratamento mais informal – "que ser". Só ficou faltando o acento no "qué". Mas na próxima vez a secretaria gráfica corrige.




Apanhou como um pão sovado


Por falar em título, uma jóia de bom humor e oportunidade o título de matéria à pág. 18 do Correio do Povo de hoje. Olha só: "Ladrão briga mas é sovado por padeiro". A história do bandido que tentou assaltar uma padaria em Porto Alegre e apanhou que nem um pão sovado ganhou um título preciso.




As contas milionárias dos prefeitos


Jornalismo exemplar é o que faz Zero Hora, hoje (13), na matéria "Prefeitos cobram 526,91 milhões do Estado" (p.6), ao descrever o impacto causado nas equipes de transição por informações prestadas (ou cobranças feitas) pela Famurs (Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul) sobre créditos que as prefeituras teriam junto ao Estado. Quem não chora, não mama, poderiam dizer os prefeitos. Os números da Famurs, os cálculos, a contestação do Executivo, o espanto de Germano Rigotto e os contrapontos são apresentados de forma clara e isenta. O leitor e a leitora viram esta página sem sofrer prejuízos de qualquer espécie, e mais bem informados sobre a mecânica dos endividamentos no setor público.




Homens e brancos não!


Voltando a O Sul, é preciso reconhecer que uma leitura atenta de suas páginas oferece boa diversão. Veja a redação desta nota, (pág. 10): "Lula disse que as mulheres não serão apenas um enfeite em seu Ministério. Que não sejam! Tomara que o Brasil nunca mais tenha ministérios formados apenas por homens e brancos, como tem sido até agora".


Primeiro lugar, isso nem é verdade: sem apelar muito para a memória, dá para lembrar o ministro Pelé, o ministro Shigeaki Ueki ou a ministra Zélia Cardoso de Mello, entre vários outros exemplos. Em segundo: em uma coluna não opinativa, temos uma declaração emocionada e politicamente correta do redator, com direito a ponto de exclamação.


Tudo bem: o recado de O Sul para Lula já está dado.




Grupo não quer o FSM


A coluna Bastidores de hoje, editada por Sepé Tiaraju na página 12 do jornal O Sul, traz a seguinte nota: " O grupo intitulado Movimento de Ação Afirmativa Pela Liberdade e a Democracia vai entregar um documento a Germano Rigotto pedindo que o novo governo não patrocine o Fórum Social Mundial e o Orçamento Participativo. Os integrantes do movimento acreditam que, com a derrota do PT, o FSM e o OP foram rejeitados na eleição".


Com uma diferença de 5,6% no resultado final da eleição, é no mínimo forçar a barra, a afirmação deste grupo. Que representatividade eles têm para dizer isso? Que o PT perdeu nas urnas, todos sabem, mas dizer que o FSM e o OP foram rejeitados, é demais. A propósito, a que corrente, movimento ou partido político pertence este grupo?


Em contrapartida, na coluna Observador, na página 8 do Jornal do Comércio, o jornalista Affonso Ritter, na nota "Fórum Social", diz que "o Conselho Internacional do Fórum Social Mundial está reunido em Florença para o encaminhamento final da programação do FSM 2003 de Porto Alegre, sua estrutura e composição de painéis. Depois disso vai ser difícil uma ingerência local no conteúdo. O Fórum Social Mundial tem nível mundial".


O tal grupo deve saber, além disso, que os R$ 2,5 milhões para a realização do evento, caso não venham do governo estadual, poderão vir de outra fonte. Caso o Conselho achar melhor, devido ao novo quadro político ou a posições como a do grupo supra citado, o FSM poderá, inclusive, ir para outra cidade, para a tristeza dos empresários gaúchos do ramo hoteleiro, agentes de viagens, companhias aéreas, restaurantes, comércio, transporte urbano, entre outros. Certamente isso não beneficiaria o Rio Grande do Sul, nem Porto Alegre e nem o novo governo.




O Brasil é do governo popular


Uma nota publicada no site do New York Times pela Associated Press diz que o momento no Brasil é do governo popular, e elogia o Orçamento Participativo, adotado pela prefeitura da cidade paulista de Ribeirão Preto.


Este sistema, que nasceu para o mundo em Porto Alegre, está sendo copiado por outras cidades brasileiras, sul americanas, européias e até mesmo norte americanas por ser justo, democrático e popular. Agora, em seu local de origem, grupos ligados a partidos políticos de oposição ao Partido dos Trabalhadores querem o fim do OP, simplesmente por ser uma marca registrada do PT. Será revanchismo?




Depois do vendaval

Aos poucos, a mídia vai revelando o que sonegou durante toda a administração de Olívio Dutra, para minar seu governo. Hoje (13) a informação vem do colunista Claudio Humberto (http://www.claudiohumberto.com.br/), na nota intitulada "Pioneirismo", como exemplo para o Brasil. "Há três anos o governo petista do Rio Grande do Sul permite o acesso dos cidadãos às contas da Secretaria da Fazenda, na internet, incluindo uma central de licitações on-line (celic.rs.gov.br). Um exemplo a ser seguido."

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Se você é gaucho e ainda não visitou a página aí de baixo...



Então deixa de ser alienado e vai lá Tchê !!!!

Antes que eles te mintam mais uma vez...




CUSTO DA SAÚDE



Despedida de FHC: remédios têm aumento de até 9,92%

A Câmara dos Medicamentos (Camed), órgão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), divulgou ontem um reajuste médio de 8,63% para os preços dos remédios no país. O índice foi decidido pelos ministros da Justiça, Fazenda e Saúde que integram a Câmara. O aumento pode chegar a um aumento máximo de 9,92%, dependendo do produto.

Por meio de uma medida provisória, os preços dos produtos estão congelados até o dia 31 de dezembro. Mas segundo a Camed, o reajuste é para compensar a defasagem provocada pela desvalorização do real em relação ao dólar que, pelos seus cálculos, de janeiro a julho, é da ordem de 31,7%, frente a uma cesta de moedas (dólar, franco suíço e euro). A cesta é um dos itens da fórmula paramétrica utilizada para reajustar os preços dos medicamentos desde a criação da Camed.

Os laboratórios têm até o último dia útil de novembro para repassar seus relatórios de comercialização à Câmara.

Ministério José Serra

Desde dezembro de 2000, os preços dos remédios são controlados por determinação do governo. O então ministro da Saúde José Serra foi o responsável pela criação da Camed e escolha do momento de elevação dos preços do setor.

O primeiro reajuste foi em janeiro de 2001, de 4,4%, em média. O segundo foi liberado em outubro do mesmo ano, em média de 4%, e no início deste ano, o reajuste foi de 4,32%, em média.

Farmacêuticos criticam reajuste

O Conselho Regional da Farmácia do Distrito Federal criticou ontem o reajuste médio de 8,63% no preço dos medicamentos anunciado pela Camed. Segundo o presidente do Conselho, Antonio Barboza, o motivo alegado pelos fabricantes para reajustar o preço dos medicamentos é injustificado. "A indústria informa que precisa aumentar em função da valorização do dólar. Só que nos últimos oito anos o faturamento do setor aumentou 300% enquanto o volume de vendas se manteve estável. E o dólar não subiu tudo isso".

Barboza disse que os preços dos medicamentos já estavam elevados quando foram congelados. "O consumidor já paga caro demais para comprar remédios. Os preços foram congelados justamente para amenizar esses gastos".

O dirigente da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico, Pedro Zidói, afirmou que o anúncio do aumento vai provocar confusão nas tabelas de preços dos laboratórios. "Do jeito que o aumento foi permitido vai haver muita confusão e aumentos diferentes".

"Cada laboratório poderá, se quiser, aumentar os preços. Mas alguns podem deixar para primeiro enviar as informações e só depois aplicar o reajuste. As farmácias vão receber informações desencontradas da indústria", disse Zidói.


Direto do Boletim do Diário Vermelho.

WWW.CRESTANI.HPG.COM.BR


Chorando pelos Botox

Ainda nem começou a governar e o homem do botox começou a chorar. Inclusive, está trabalhando arduamente para implantar na mídia "argumento$ $ólidos" para vender o Banrisul. Em seguida à apuração dos votos, começou a ladainha da falta de dinheiro, e fez a primeira viagem à Brasília para pedir esmola. Aliás, foi a primeira vez que o homem do botox apareceu na mídia pedindo algo pelo RS. Todo o tempo que ocupou o Congresso Nacional, mesmo quando era líder do professor Cardoso, jamais apareceu notícia de seus interesses pela causa gaúcha. Se 10% do dinheiro desviado do Ministério dos Transportes, no episódio dos precatórios, pela gente do Rima Rica, tivesse vindo ao RS, o crescimento que, já foi maior que o nacional nestes últimos quatro anos, teria sido ainda maior. Precisa de botox, vai a Brasília. Precisa de energia, vai a Brasília. Desta forma o símbolo do Rio Grande nestes próximos quatro anos a! inda vai ser uma Brasília...



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A que ponto chegamos

Promover por merecimento é um critério político. Promover pela certidão de nascimento, é critério técnico. Para certos jornalistas amestrados, vale aquela máxima discutida e que acompanha o estudante das Ciências Jurídicas durante todo o período de faculdade, o "gen jurídico", também conhecido pelo QI = quem indica! Por falar nisso, onde trabalha e com base em que critérios, a filha do Zambiasi?


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Diálogo

O termo "diálogo" tem origem grega ( dia_ = com + _logos = conhecimento). Este mesmo radical grego (_dia) está presente na formação de um sem número de palavras da língua portuguesa. É a forma por excelência da diplomacia, em qualquer tipo de ralação. Por exemplo, fazer uma transição é dialogar. Fugir pela porta dos fundos não combina com democracia, muito menos com diálogo. Excluir também não combina com diálogo. Alterar a regra do jogo sem dialogar com o adversário então nem se fala.Excluir a maior bancada de ocupar a presidência da Assembléia Legislativa não é só uma demonstração antidemocrática. É também, antes de mais nada, da indisposição ao diálogo, um revanchismo sem precedentes, mas também uma demonstração cabal do que é atuar com "ódio". Sectarismo é isso aí! Mas, para o geleião da Assembléia Legislativa, base de sustentação do homem botox, diálogo é, como diz o Millôr, "quando você é ob! rigado a calar a boca".



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Posturas


Não é segredo que o Correio do Povo também tem lá seus interesses empresariais e políticos. E que a família Ribeiro é ligada ao PPB. O mesmo se pode dizer do Jornal do Comércio, com colunistas de todos os naipes. Agora nenhum destes dois veículos faz jornalismo com ódio. Esta técnica é exclusiva e vem sendo aperfeiçoada ao longo dos anos. Aliás, esta parece ser condição sine qua non para ser articulista da RBS. Por que será? É claro que sabemos. O povo gaúcho sabe. Agora, nem todos discordam do jornalismo com ódio. Há mais gente com vocação para carrasco do que se possa imaginar! E o nazismo foi sua manifestação exterior mais exacerbada!



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A Propósito

Já cancelou a suja Zero Hora hoje?

terça-feira, novembro 12, 2002

MIDI@LERTA

Os Jornais

12-11-2002



Feira do Livro transforma-se em vitrine da RBS

Um atento jornalista e leitor de Midi@lerta faz interessante observação sobre a crescente "errebeéssetização" da tradicional Feira do Livro de Porto Alegre. O fato é que a maior empresa de comunicação do Sul do Brasil, que tem influência crescente em todos os setores da vida dos gaúchos – como um imenso polvo – vem ano a ano mandando e escolhendo os best-sellers da Feira do Livro também. De quebra, no corrente ano, ela consolidou sua influência massacrante escolhendo entre seus funcionários até o patrono da Feira, Ruy Carlos Ostermann. Leia alguns trechos do artigo enviado:

"Este ano, (...) analisando a cobertura da Zero Hora em sua primeira semana e comparando com os anos anteriores, chego logo a três conclusões: 1- a cobertura não mudou em nada, a ênfase continua sendo em figuras já muito conhecidas; 2- a maioria trabalha na própria RBS; 3- o pessoal da academia de Estocolmo deve estar comendo mosca, pois temos na esquina da Ipiranga com a Érico Veríssimo, sede da RBS, um fenômeno de produção e qualidade literária sem parâmetros no mundo, a julgar pelo volume de publicações de colaboradores da RBS – e adjacentes - destacados com generosos espaços nas quatro páginas diárias dedicadas pelo jornal à feira. Como ainda não veio um Nobel de Literatura para cá??

"Senão, vejamos. Logo no primeiro dia do encarte Feira do Livro, na ZH de 2 de novembro, sábado, ganha uma coluna de alto a baixo na página de David Coimbra - o cronista da feira - o colunista e editorialista de Zero hora Liberato Vieira da Cunha. Com direito a foto, muito confete e, claro, a indicação aos leitores do seu último livro, o "Tratado das Tentações". Difícil algum leitor em dúvida nas compras resistir à tentação de adquirir o livro após a convincente apresentação do David.


"Bem, no domingo, dia 3, o que temos? Na capa de Zero Hora, com chamada em destaque, e na capa do caderno Donna, com foto de página inteira, ela, a cronista preferida de nove em cada dez patricinhas e socialites (...) fala de seu novo romance - romance, livro, bem entendido. Se não adivinhou ainda quem é, você não existe! Pois, não bastasse ter sua própria coluna em Zero Hora, o que por si só já promove mais que qualquer campanha de marketing, Martha Medeiros ainda recebe a generosidade das duas páginas centrais do caderno para falar de sua vida e do livro. Claro, é pura coincidência que a entrevista, ilustrada por fotos familiares, aconteça exatamente no período da feira. O apresentador da RBS TV, Sérgio Stock, por sua vez, ganhou a contracapa inteira do caderno TV+Show, para divulgar o lançamento do seu livro de dicas para falar em público, "Fale sem medo", com direito a foto de quase meia página.


"Na segunda-feira, é a vez do Túlio Milman, jornalista e apresentador da RBS TV e TV Com, e do Heitor Kramer, poderoso diretor de relações com o mercado da RBS, brindarem os leitores com seu saber.(...) Atenção que não estou relatando a badalação toda, desde dias antes do início da feira, nas emissoras de rádio e TV da RBS, em torno destes autores. Vai aí, mais até do que no jornal, um formidável empurrão nas vendas de qualquer obra citada num destes veículos – Gaúcha, RBS TV, TV Com – pelo seu formidável alcance".

O relatado acima, é apenas um pedaço do artigo, que cita minuciosamente – com muitos exemplos - como funciona este jogo de influências, em que um elogia alegremente o outro (funcionário ou colaborador da mesma RBS) em suas colunas e espaços de jornal, rádio, tv. Parecem não perceber – nem eles nem a RBS – que esta é uma prática condenada por qualquer código de ética que mereça este nome. O artigo cita, a propósito, o livro "Os novos cães de guarda", de Serge Halimi, Editora Vozes, no qual ele disseca as mazelas da grande mídia francesa, especialmente os desvios de conduta dos tais "formadores de opinião" ou "comunicadores".







Zero Hora, a Pacificadora

Um dos editoriais de hoje (12) em ZH, "O diálogo bloqueado" (p.16), critica os partidos apoiadores do futuro governo do Estado (PMDB, PTB, PPB e PDT), que teria sido "eleito por uma maioria de gaúchos que não aceitava mais a partilha do Estado entre grupos políticos freqüentemente mais preocupados com rivalidades partidárias do que com os interesses da população". Para a RBS, estes grupos pouco preocupados com os interesses da população seriam, em soma, o PT.


Agora os partidos do novo governo tentam alijar o PT, que elegeu a maior bancada parlamentar, do rodízio na Presidência da Assembléia Legislativa e a RBS protesta. Diz que "a decisão acaba reforçando a idéia de que o maniqueísmo terá continuidade" enquanto "a lição (...) das últimas eleições (...) é a de que a população repudiou as posturas radicalizadas e intolerantes". Defende as minorias, que "mesmo tendo sido preteridas na votação, são parcelas respeitáveis da sociedade. Foi por não terem entendido isso que muitos governantes acabaram adquirindo a pecha de autoritários, prepotentes ou arrogantes". Apela até para o "patriotismo" e para o "compromisso com o bem público."


Ora, a mídia hegemônica não tem compromisso com o bem público que não seja baseado nos seus interesses. Obviamente, a RBS não quer admitir que foi ela, com o seu poder de vida e morte sobre as imagens de partidos e indivíduos, que arrancou de seus aliados, para colar nos inimigos petistas, as pechas de autoritarismo, prepotência e arrogância a que se refere. Mas, com a credibilidade abalada pelos escândalos de suas pesquisas eleitorais, ainda tem muito que rebolar, para que a realidade escancarada não lhe cause maiores prejuízos.




A hora e a vez do MST


A RBS venceu as eleições no RS porque, entre outras coisas, conseguiu pinçar os defeitos do governo Olívio Dutra e ampliá-los de forma descomunal, além de transformar suas reais virtudes em defeitos ou, no máximo, em detalhes sem importância. Agora, chegou a vez do MST. Em editorial ("A apologia do atraso", p.16) e em matéria jornalística ("Ação discute repasses para escola do MST", p.32), ZH intensifica hoje (12) os ataques ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, escolhendo como alvo estratégico a Escola Josué de Castro, instalada em Veranópolis pelo Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária.


Através da mídia hegemonista e partidarizada, quem saberá dos brasileiros cuja dignidade foi resgatada pelas escolas do MST? A RBS não informa sobre jovens que escapam da vida do crime nas cidades graças ao ensino e à orientação recebidos em escolas de assentamentos. Com seu "compromisso com o bem público" a RBS coloca o seu arsenal no combate ao MST, buscando fechar suas escolas. Uma ação contra o repasse (legal) de dinheiro do Estado para a escola Josué de Castro ganhou 75 centímetros de coluna na ZH de hoje (p.32), e o editorial (p.16) usa todo o peso do grupo de mídia para desqualificar e empobrecer os estudantes que elegeu por inimigos. Para a RBS, as atividades dos estudantes do MST são "manifestações de apologia do atraso (que) não deveriam ser favorecidas com o produto dos impostos pagos pelos contribuintes ou até mesmo ter lugar em nossa rede educacional". Devem saber de melhor lugar para o dinheiro público do que a educação.

Confissão geral


No programa Chamada Geral de hoje (12), a Rádio Gaúcha anunciou mudanças internas: "Não daremos apenas destaques para as notícias ruins, para as tragédias, vamos tentar mostrar que o nosso mundo não é feito apenas de fatos negativos". Significativa a mudança., justamente agora que está terminando o governo da Frente Popular e entrando o de Rigotto. Que coincidência!!


Ou seja: a confissão da distorção implantada nos noticiários da RBS nos últimos quatro anos está feita.





Popularidade de Lula incomoda a Veja

A revista Veja desta semana (13 de novembro), mesmo tendo perdido a eleição para presidente, não abandona a pompa e a arrogância e mete-se a dar conselhos ou recomendações a Lula da Silva. Sua "Carta ao leitor" (pág.9) é uma admoestação para que o próximo presidente da República não ceda à "tentação populista". O texto sai-se com pérolas do tipo: "(...) o presidente terá que tratar dum corpo a corpo bem mais ríspido com os problemas com que se defrontará no Palácio do Planalto". Puxa, ainda bem que a Veja alertou!

Afirma lá pelas tantas que "o presidente terá de continuar resistindo aos apelos populistas". O mesmo tom crítico continua na matéria "O corpo a corpo não pode ser assim", a partir da pág. 37 – apelando agora para os problemas que a atitude de Lula com a população vai causar à equipe de seguranças da Presidência.

Descontando-se o tom autoritário do título (quem diz que "não pode"?), Veja revela que segue confundindo os conceitos de popular (defendido e praticado pelo PT e seus partidos aliados) com o populismo, este sim deletério. Além de pretender pressionar o novo governo brasileiro, de modo a enquadrá-lo o mais possível nas mesmas políticas monetaristas e não-sociais praticadas por FHC, a velha revista semanal parece demonstrar, no fundo, um certo incômodo com a popularidade (isso sim!) autêntica amealhada por Lula. Será inveja de um carinho popular que os presidentes que ela apoiou nunca tiveram?



Quem, quando, onde, como, por que?

Um primor de (des)informação é a nota publicada na página 8 do jornal O Sul: "Um motoqueiro morreu ontem em acidente na avenida Baltazar de Oliveira Garcia, zona Norte de Porto Alegre". Acredite se quiser – não há mais nenhuma informação sobre o fato.

A matéria não diz quando foi, como foi e por que ocorreu o acidente. A mesma notícia foi publicada na página 19 do Correio do Povo e na página 42 de ZH, ambas com maiores informações. Mas o jornalismo de O Sul obedece a critérios insondáveis.

Assinar: assinar-midialerta@grupos.com.br
FEIRA DO LIVRO OU FEIRA DA RBS?


Por Ulisses Nenê, Jornalista


Há cerca de 20 anos, quando ainda cursava jornalismo na PUC, em Porto Alegre, fiz um trabalho de redação que mereceu nota dez a respeito da Feira do Livro. Ao circular pelas barracas e filas de autógrafos, entrevistei o jovem autor e também estudante de jornalismo Milton Rauber, um promissor poeta que lançava sua primeira obra e que acabou sendo o centro da minha matéria. Ele denunciou uma faceta que eu ainda não havia percebido na feira. Disse ele, em resumo, que se trata de um evento de cartas marcadas, onde de antemão já se sabe quais serão os livros e os autores mais vendidos, devido à promoção da mídia e ao trabalho de marketing em torno de algumas figurinhas carimbadas do mercado editorial, tornando assim ainda muito mais difícil a luta por um lugar ao sol de quem começa na literatura.


Esta lembrança me vem à memória a cada ano, reforçada pela divulgação que a RBS faz da feira. Este ano, por exemplo, analisando a cobertura da Zero Hora em sua primeira semana e comparando com os anos anteriores, chego logo a três conclusões: 1- a cobertura não mudou em nada, a ênfase continua sendo em figuras já muito conhecidas; 2- a maioria trabalha na própria RBS; 3- o pessoal da academia de Estocolmo deve estar comendo mosca, pois temos na esquina da Ipiranga com a Erico Veríssimo, sede da RBS, um fenômeno de produção e qualidade literária sem parâmetros no mundo, a julgar pelo volume de publicações de colaboradores da RBS - e adjacentes - destacados com generosos espaços nas quatro páginas diárias dedicadas pelo jornal à feira. Como ainda não veio um Nobel de Literatura para cá?? Senão, vejamos. Logo no primeiro dia do encarte Feira do Livro, na ZH de 2 de novembro, sábado, ganha uma coluna de alto a baixo na página do David Coimbra - o cronista da feira - o colunista e editorialista de Zero hora Liberato Vieira da Cunha. Com direito a foto, muito confete e, claro, a indicação aos leitores do seu último livro, o "Tratado das Tentações". Difícil algum leitor em dúvida nas compras resistir à tentação de adquirir o livro após a convincente apresentação do David.


Bem, no domingo, dia 3, o que temos? Na capa de Zero Hora, com chamada em destaque, e na capa do caderno Donna, com foto de página inteira, ela, a cronista preferida de nove em cada dez patricinhas e socialites, a rainha dos institutos de beleza e academias de ginástica, fala de seu novo romance - romance, livro, bem entendido. Se não adivinhou ainda quem é, você não existe! Pois, não bastasse ter sua própria coluna em Zero Hora, o que por si só já promove mais que qualquer campanha de marketing, Martha Medeiros ainda recebe a generosidade das duas páginas centrais do caderno para falar de sua vida e do livro. Claro, é pura coincidência que a entrevista, ilustrada por fotos familiares, aconteça exatamente no período da feira. O apresentador da RBS TV, Sérgio Stock, por sua vez, ganhou a contracapa inteira do caderno TV+Show, para divulgar o lançamento do seu livro de dicas para falar em público, "Fale sem medo", com direito a foto de quase meia página.


Na segunda-feira, é a vez do Túlio Milman, jornalista e apresentador da RBS TV e TV Com, e do Heitor Kramer, poderoso diretor de relações com o mercado da RBS, brindarem os leitores com seu saber. No alto da página central do encarte, com foto e o selo destacando "Autógrafos hoje, às 19h", o jornal noticia que os dois estão lançando "Vença com a mídia". ZH explica: "O livro surgiu quando Tulio percebeu que as pessoas desperdiçavam oportunidades para comunicar suas idéias. Na obra, mostra que qualquer pessoa pode tirar proveito da mídia". Disto os dois sabem muito bem, não há dúvida. Ao lado do comentário, em duas colunas, 52 autores dividem espremidos o espaço que anuncia as demais seções de autógrafos do dia.


Terça-feira, na mesma posição onde estavam no dia anterior Tulio e Kramer, está ela - de novo!, de novo! -, Martha Medeiros, foto jovial e sorridente, anunciando seu primeiro romance, aquele mesmo apresentado na edição de domingo, para dar, digamos assim, uma "forcinha" na sessão de autógrafos da nossa autora. Ah, e do lado, a seção Hoje na Praça, com reprodução das capas dos livros, anuncia mais dois produtos saídos da mesma fonte inesgotável de talentos da Ipiranga com Erico Veríssimo: "RBS: Da voz-do-poste à Multimídia", onde o jornalista Lauro Schirmer, de longa carreira na empresa, "recupera a história da maior rede de comunicação do Sul do país", diz o resumo. E também, olhaí de novo, o "Tratado das Tentações", do Liberato.


Atenção que não estou relatando a badalação toda, desde dias antes do início da feira, nas emissoras de rádio e TV da RBS em torno destes autores. Vai aí, mais até do que no jornal, um formidável empurrão nas vendas de qualquer obra citada num destes veículos - Gaúcha, RBS TV, TV Com - pelo seu formidável alcance.


Dia seguinte, quarta-feira, na mesma seção, que parece ter sido privatizada pelo pessoal da empresa, está lá "o cozinheiro mais popular da TV gaúcha e best seller no ano passado", o tal de Anonymus Gourmet, premiado com as mesmas duas colunas, foto, e a orientação em selo do horário de lançamento de sua nova e saborosa obra "Comer bem, sem culpa", em co-autoria com o médico Fernando Lucchese, amigo da casa, e o chargista Iotti. Convenientemente, o próprio Anonymus recomenda: "É muito bom ver na TV como se faz. Mas a técnica se aprende com o livro".


Completando o espaço abaixo na página, surge a lista dos mais vendidos até aquele dia. Ganha uma receita de doce do citado aí acima quem adivinhar quem lidera a lista: claro, Martha Medeiros. E em segundo? Claro, o Anonymus.


Bem, na quinta-feira as coisas mudaram, porque assim também já era demais. Chega de página interna, vamos ocupar logo a CAPA. Pois é, na capa do caderno Feira do Livro está o trio capitaneado pelo simpático, carismático Anonymus Gourmet, em foto de três colunas, na qual cada um, num rasgo de criatividade do jornal, entrevista ao seu colega autor.


Tlim, tlim, faz a caixa registradora da L&PM, editora do livro, sem culpa.


Eis que chega a sexta-feira, véspera do fim-de-semana, quando todos os leitores e pretendentes a leitores de Porto Alegre - e arredores - desafiam as leis da física e conseguem ocupar, ao mesmo tempo, o exíguo espaço da feira, na Praça da Alfândega. Não pense que só por isso o pessoal da RBS ia repetir a dose que eles não são disso. Não mesmo. Em vez de ocuparem a página 3, agora eles ocupam a página 2. Lá está, como entrevistado do dia, faceirão na foto de uma coluna, o cronista da feira, David Coimbra, agora divulgando seu próprio livro "Crônica da Selvageria Ocidental" que, coincidência, autografa naquele dia.


"Vicejam pelo livro maridos infiéis, devoradoras de homens, zagueiros subornáveis e centroavantes impiedosos", propagandeia Ticiano Osório, numa resenha rapidinha. Na contracapa, em sua página, David dá mais uma forcinha para a Martha Medeiros, afinal, ela precisa. E tem tão pouca gente interessante na feira, não é mesmo? E, vejam só, logo abaixo da entrevista do David, completando a página, o que vem agora? Vocês não vão acreditar: ele, o Anonymus Gourmet, de novo. E ele quer ser anônimo! Caso não tenham notado, ele e Martha Medeiros ganharam espaços três dias, somente na primeira semana: Antes da sessão de autógrafos, no dia, e depois. Dr. Luchese, avisa eles que assim dá indigestão, pô! Num efeito sinérgico que turbina as vendas, o serviço de alto-falantes ainda divulga regularmente os mais vendidos na feira. Rádios e TVs, idem. E assim multiplicam-se os cifrões destes fabulosos autores. Para vocês terem uma idéia, durante a campanha eleitoral, um quadradinho de nada num canto inferior de página da Zero ou Correio saía algo em torno de R$ 5 mil. Imaginem o que eles estão ganhando em publicidade gratuita com toda esta divulgação.


Sábado e domingo não li Zero Hora, mas acho que os exemplos já são suficientes. Para quem quiser comprovar que não se trata de implicância minha, mas de assunto muito sério, recomendo o livro "Os novos cães de guarda", de Serge Halimi, Editora Vozes, no qual ele disseca as mazelas da grande mídia francesa, especialmente os desvios de conduta dos tais "formadores de opinião" ou "comunicadores" - como nós conhecemos muito bem aqui. São incríveis as semelhanças com nossa situação - e um tanto desanimadoras, pois mostram que mesmo na França este é um problema difícil de enfrentar. Bem, um dos capítulos fala exatamente da autopromoção como uma das práticas mais comuns de uma turma de comunicadores cujas prioridades são sustentar o pensamento único neoliberal e trocar favores entre si, promovendo seus próprios livros, enaltecendo seu próprio trabalho, protegendo-se mutuamente em seus empregos, etc, etc.


Na descrição de Serge Halimi, o jornalista fulano recomenda o livro do colega sicrano, que elogia a obra do beltrano, e este rasga elogios ao que escreveu o fulano, fechando o círculo. Isto é considerado tão grave em certos jornais americanos que uma medida drástica foi tomada: "Nos Estados Unidos, alguns jornais cotidianos ´proíbem formalmente` ao chefe de redação confiar a crítica de um livro a quem conheça o autor, ou a quem tenha escrito uma obra cuja resenha tenha sito feita pelo autor, ou a quem ´mantenha vínculos estreitos com uma pessoa citada, várias vezes, no livro em questão", cita o autor. Ele ainda denuncia: "Quarenta mediocratas (no máximo) detêm o poder de vida ou de morte sobre quarenta mil autores (...). Em relação ao trabalho de todos esses profissionais, eles constituem o crivo obrigatório que separa o acontecimento do não-acontecimento, o ser do nada, o útil do absurdo".


É sempre útil lembrar o nosso Código de Ética do Jornalista Profissional, que condena a utilização da função de jornalista para usufruir benefício próprio, como diz o artigo 13º: "O jornalista deve evitar divulgação de fatos com interesse de favorecimento pessoal ou vantagens econômicas". Por fim, uma historinha: um certo aprendiz de comunicador do grupo RBS lançou um livro na feira, anos atrás, mas seu nome não aparecia entre os mais vendidos. Inconformado, "denunciou" o caso numa entrevista irada a seu guru na Rádio Gaúcha, insinuando que estaria havendo boicote dos organizadores contra ele. Vejam a que ponto chegamos.


Não há de minha parte qualquer desapreço pessoal ou sequer qualquer julgamento quanto aos méritos dos autores e das obras aqui citadas, o que está em discussão, no caso, é uma questão ética a ser enfrentada, pois há na cobertura da feira a maciça indução dos leitores à compra de determinadas obras, que não são necessariamente as melhores, e uma flagrante injustiça com aqueles autores e autoras que não dispõem de espaço idêntico na disputa pela preferência e pelos reais dos freqüentadores da Feira do Livro.


Na verdade, o problema não é apenas da RBS, que é citada aqui por ser o caso mais evidente no momento e por ser a Zero Hora o maior jornal do RS. Isto é muito comum na mídia brasileira - assim como no citado caso da França - onde certos grupos de jornalistas e críticos determinam sem muita transparência o que a maioria deve ler, ouvir ou assistir, muitas vezes em benefício próprio ou de seu círculo de amizades. Na Feira do Livro, porém, isto se exacerbou, a um ponto que se tornou insuportável.


Mas ainda resta uma semana, esperemos que a cobertura seja mais equilibrada nestes dias. E também nas próximas feiras, se não for pedir muito.


Em 11-11-2002

Especial para vc...

Especial pra tí parceira...

Lamento mas não conseguí achar um poema do Fernando Pessoa que fala (mais ou menos): só quem já sofreu a loucura pode realmente dizer que viveu, pq amou e sofreu sem restrições...

Captou?

Abraços...








GENTILEZA
Marisa Monte





introd.: C | F | C | G F | C | F | C | G F | C F/C C |

C F
Apagaram tudo
C
Pintaram tudo de cinza
G F
A palavra no muro
C
Ficou coberta de tinta

F
Apagaram tudo
C
Pintaram tudo de cinza
G F
Só ficou no muro
C F/C C
Tristeza e tinta fresca
F
Nós que passamos apressados
G C
Pelas ruas da cidade
F/C C G
Merecemos ler as letras
F C F/C C
E as palavras de Gentileza
F
Por isso eu pergunto
C
A vocês no mundo
G
Se é mais inteligente
F C
O livro ou a sabedoria
F
O mundo é uma escola
C
A vida é o circo
G
Amor palavra que liberta
F C F/C C
Já dizia o profeta

Apagaram tudo pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro tristeza e tinta fresca.

Por isso eu pergunto...
...já dizia o profeta.





QUEM FOI GENTILEZA?

José Datrino, nascido em 11 de abril de 1917, natural de Cafelândia, interior de São Paulo, é esse cavaleiro andante, em plena cidade contemporânea, a conduzir seu estandarte cheio de apliques, metendo-se pelos lugares a levar sua palavra.

Gentileza era um caminhante incansável que estendeu sua presença a vários bairros do Rio de Janeiro, às cidades da baixada fluminense, a Niterói e São Gonçalo. Entre Rio e Niterói, Gentileza consagrou-se como o "pregador da lancha" que liga as duas cidades pelo mar; era conhecido de todos naquela travessia. Conhecido também dos médicos do hospital psiquiátrico de Jurujuba (Niterói) para onde foi levado inúmeras vezes pelas autoridades policiais. Gentileza foi ainda um viajante pelo país inteiro, deixando mensagens por todos os lugares que passou, marcando-se por seu verbo e por sua visualidade.A partir dos anos 80, ele empreende uma nova fase. Inicia os escritos de 55 pilastras do viaduto do Caju, no Rio de Janeiro.

A grafia e os signos, já presentes em seu estandarte e em placas que realizava, inscrevem-se agora na própria cidade, transformando pilastras em tábuas de seus ensinamentos. É neste momento que o Profeta apresenta com toda ênfase sua denúncia às condições do mundo e à ameaça que incide sobre a Natureza: o "CAPETA-CAPITAL" no mundo contemporâneo é a reatualização do mal concreto que assola a humanidade. Mas os escritos do Profeta nos indicam também sua alternativa. É em seu próprio desígnio - gentileza - que se encontra a chave de um Princípio reorientador do mundo. Para tal, Gentileza lança mão de uma simbologia religiosa que desperta a atenção pelos signos dos quais se vale e pelo acréscimo de letras nas palavras. Essa forma singular de apresentar-se marca a apropriação de uma simbologia trinitária e quaternária que Gentileza desenvolve em sua lingugem:

"O UNIVVVERRSSO" é a criação conjunta de F/P/E (Pai, Filho, Espírito) em VVV e duplamente participação em RR e SS.

Assim como o AMORRR ao qual ele sempre se referia: "amor material se escreve com um R, amor universal se escreve com três R: um R do Pai, um R do Filho, um R do Espírito Santo - AMORRR".

Esta mesma marcação aparece em F/P/E/N, incorporando um quarto termo (N) "SSENHORRA" em sua visão religiosa.

Para o Profeta, todos estes termos manifestam gentileza, reafirmando a extensão de sua simbologia. Em última instância, a eficácia de sua alternativa recolhe sua força do alcance de seu próprio desígnio e daquilo que este é capaz de promover: "GENTILEZA GERA GENTILEZA", nos convoca o Profeta proclamando um Princípio ético e divino no mundo.Gentileza era muito atento aos acontecimentos públicos: concentrações populares, comícios e passeatas eram sempre um motivo para que o Profeta pudesse levar sua mensagem às pessoas. Uma dessas últimas ocasiões foi a ECO 92, no Rio de Janeiro, onde ele conclama as nações e os presidentes ao uso da gentileza. A partir de 1993, sua saúde fragiliza-se. Após uma queda, que lhe ocasionou uma fratura na perna, o Profeta já não possuía mais a mesma disposição que o levava sem restrição a todos os lugares. No início de 1996, retorna a Mirandópolis em São Paulo, próximo a sua cidade natal, onde vem a falecer no dia 29 de maio, aos 79 anos.


TV...



segunda-feira, novembro 11, 2002

MIDI@LERTA

Os Jornais

11-11-2002

Derrota de Tarso e sonegação de informação da RBS

A Zero Hora de hoje (11) resolve em oito breves linhas, na matéria "PT Amplo avalia derrota de Tarso" (p.7), a complexa avaliação dos resultados eleitorais dentro do Partido dos Trabalhadores. Com a mesma certeza com que anunciou (errando feio nos números) o resultado das pesquisas antes das eleições, o jornal da RBS noticia que "militantes da corrente PT Amplo e democrático, dos deputados eleitos Adão Villaverde e Paulo Pimenta, avaliaram ontem que a derrota do ex-prefeito Tarso Genro nas eleições está diretamente ligada a falhas na divulgação das realizações do atual governo", e estamos conversados. Pode-se acreditar, pela nota de ZH, que as "falhas na divulgação" tudo explicam, como a RBS gostaria.


Para dar cabo do assunto, ZH gasta sete centímetros de coluna, o Jornal do Comércio 24 centímetros e O Sul 30 centímetros. O JC cita Paulo Pimenta e mostra claramente como ZH sonega informações. "Segundo ele (Paulo Pimenta), não existe um motivo único para o fracasso nas urnas, mas uma gama de razões. (...) ‘Não diagnosticamos a tempo o rolo compressor que uniu forças políticas à Farsul, Fiergs e setores da imprensa’".


O Sul cita a mesma fonte, Paulo Pimenta, exatamente para transmitir o cerne da avaliação, que ZH esconde: "Não existem culpados. Foi uma gama de motivações que levaram a este insucesso". Resta avaliar a distorção reducionista patrocinada por ZH, ao noticiar o encontro do grupo de petistas.



Caladas que não querem perguntar

Passada a eleição, vitória conservadora no RS, resta a pergunta: como ficam alguns casos e personagens que brilharam escandalosamente durante a campanha eleitoral, para logo desaparecerem num pesado manto de silêncio da grande imprensa, a fim de não serem aproximados de Rigotto, de quem são amigos e antigos correligionários? Antonio Britto continua em silêncio obsequioso, relaxando em Canela? Ou já reassumiu seu posto no Opportunity? Assis Roberto de Souza - em que pé estão as investigações sobre as irregularidades e beneficiamento de suas empresas, a partir das privatizações que comandou, na era Britto?


E a salgada multa de R$ 286 milhões imposta pela Receita Federal à RBS? É conseqüência das denúncias feitas por Diógenes de Oliveira sobre envio ilegal de dinheiro da maior empresa de comunicação do sul do Brasil para fora do País?


Pedro Parente, com sua grande influência e relacionamentos federais, vai alavancar as finanças e o prestígio abalado da RBS?


As respostas? É preciso observar atentamente a marcha dos próximos acontecimentos.

Estado do RS tem nova vitória em ação sobre Caso Ford


Ação alegava que governo gaúcho teria usado indevidamente recursos destinados à implantação da montadora. Segundo a decisão da Justiça, houve o expresso desinteresse na continuidade do contrato manifesto pela Ford, sendo desnecessária a manutenção da vinculação da despesa ao contrato rompido.


Porto Alegre - A 5ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul julgou improcedente a ação popular ajuizada pelo advogado Paulo do Couto e Silva contra o governador Olívio Dutra e outros. Na ação, Couto e Silva pedia a nulidade do Decreto 39.899/99, alegando que o governo gaúcho teria zerado a conta bancária com o montante do dinheiro relativo ao financiamento destinado ao cumprimento do contrato com a Ford Brasil S/A, firmado durante o governo de Antônio Britto. Couto e Silva alegou ainda que teria havido indevida utilização do caixa único pelo governo. Alegou, mas não levou.

A sentença rejeitou a tese apresentada pelo autor da ação, acolhendo as teses de defesa, feita pela Procuradoria-Geral do Estado, com base em prova pericial, argumentando que "a destinação dos valores ocorreu de acordo com os parâmetros legais. Não houve, como aponta o autor, sumiço de valores, não sendo errada a utilização da expressão "conta virtual" para se descrever aquela onde estavam depositados os valores destinados ao contrato com a Ford eis que, como visto, tratava-se de conta meramente escritural." Segundo a decisão da juíza de direito substituta, Marcia Kern Papaleo, houve o expresso desinteresse na continuidade do contrato manifesto pela Ford, sendo desnecessária a manutenção da vinculação da despesa ao contrato rompido.

Esta é a segunda ação relacionada ao Caso Ford considerada improcedente pela Justiça. A primeira, datada de maio de 2001, julgou improcedente a ação popular movida por Erhardt Wolhgemuth Staub e outros contra o Estado do RS, o governador, o vice-governador e outros membros do governo. O processo foi extinto pela 1ª Vara da Fazenda Pública, devido a inépcia da inicial e impossibilidade jurídica do pedido. A ação exigia o cumprimento do contrato com a Ford pelas partes envolvidas, com o repasse dos valores e prestação dos serviços pelo Estado e município bem como a implementação do complexo automotivo pela montadora.


Marco Aurélio Weissheimer



MIDI@LERTA


Os Jornais

08-11-2002



Análises do interior reforçam vitória da RBS

Muitas análises têm sido escritas neste Estado, desde o dia 27 de outubro, sobre o pleito que apontou Germano Rigotto como o novo ocupante do Palácio Piratini, a partir de 1º de janeiro de 2003. As razões mostradas pelos analistas para explicar o resultado diferem um pouco, mas dois motivos ao menos estão presentes em quase todos os artigos: a campanha virulenta diária movida pelo grupo RBS contra o governo de Olívio Dutra, desde o dia 1º de janeiro de 1999 até hoje e, recentemente, as pesquisas de intenção de voto realizadas por institutos como Ibope e Cepa-Ufrgs, que mostraram números muito diferentes do que apresentaram as urnas. Abaixo, alguns trechos de dois artigos publicados em jornais do interior do Estado.

No artigo "Fábrica de sonhos" publicado em 1º de novembro, na página 11 do jornal Primeira Mão, de Santo Ângelo, o professor universitário Jorge M. Fensterseifer, ao justificar a pequena diferença que separou no final Rigotto de Tarso Genro, rebateu a Zero Hora. "Quando praticamente um em cada dois gaúchos votou em Tarso Genro é, para dizer o mínimo, má vontade interpretar como fez Zero Hora, ter havido – clara e majoritária rejeição ao PT – Faltou teclar muito 15 para ser um vitória acachapante", salientou ele.

Ao falar da campanha raivosa movida pela mídia, ao longo dos quatro anos do governo do PT, Fensterseifer interpreta que, no final, o grande perdedor foi o grupo RBS, que perdeu o seu bem mais valioso, que é a credibilidade, devido às análises inconsistentes e aos profissionais (pesquisas) que contrata para prestar serviços.

A análise do professor pode, de alguma forma, ser constatada na crescente campanha de cancelamento de assinaturas do jornal Zero Hora, que levou o diretor-presidente do grupo, Nelson Sirotski, a escrever artigo no último domingo, onde pede desculpas aos leitores pelos resultados das pesquisas e parabeniza o jornal Correio do Povo pelo resultado, quase que na mosca, de sua pesquisa em relação aos números finais da eleição.

Além disso, a recente contratação do ministro chefe da Casa Civil do governo FHC, que também ficou conhecido como o ministro do apagão, Pedro Parente, pode ser uma tentativa de buscar junto à opinião pública, uma recuperação da credibilidade, muito abalada após o resultado da eleição para o governo do Estado.

No artigo "Por que Tarso perdeu?", publicado na página 4 do Diário de Canoas, a socióloga Cármem Sílvia Machado Galvão, aponta algumas razões para o resultado das urnas, no último dia 27 de outubro. Entre estas estão erros estratégicos do PT cometidos no interior do Estado. Também salienta que "se o candidato fosse Olívio, a militância teria sido mais aguerrida" e deixa escapar que houve uma certa "teimosia" do próprio governador Olívio Dutra, quando manteve o secretário Bisol no cargo.

No final, Galvão é vigorosa ao afirmar que o desempenho do grupo RBS foi fundamental para que o candidato do PT, Tarso Genro, fosse derrotado, e o neoliberalismo e a política do Estado mínimo fossem vitoriosos. "O governo teve erros, sim, mas também muitos acertos, que jamais foram admitidos , por uma rede que só via o negativo. E quando não via, inventava" .



Só Barrio viu equívoco na questão do rodízio da AL

A imprensa gaúcha, em sua maioria, não parece ter se dado conta da dupla contradição em que estão se colocando as bancadas do PDT, PMDB, PPB e PTB ao excluírem o PT - a maior bancada - do rodízio pela presidência da Assembléia Legislativa.

Em primeiro lugar, vão contra a essência do discurso "paz e amor" de Rigotto, de pacificação etc., e de todo o clima de transição colaborativa que vem rolando no RS. Raivas e rancores vêm falando mais alto, o que poderá prejudicar até a aprovação de futuros projetos de interesse geral na AL.

Em segundo lugar, esses deputados também vão contra todo o movimento de "grande pacto nacional" que vem sendo costurado pelo petista Lula da Silva às vésperas de assumir a Presidência da República. Enquanto Rigotto prega colaboração com Lula, aqui na província os parlamentares que fizeram duríssima oposição ao governo Olívio, querem mais sangue.

Por uma questão de justiça, precisa ser dito que José Barrionuevo na ZH de hoje é uma exceção entre os jornalistas políticos e palpiteiros da imprensa de modo geral: ele critica o movimento equivocado de "soberba" desses partidos. E não resiste à fazer suas previsões.

Com a atual oposição se articulando equivocadamente desse jeito, Barrio consulta os astros e decreta: "Olívio Dutra começa a asfaltar o caminho para retornar ao Palácio Piratini dentro de quatro anos. Nos braços do povo".



RBS disputa o mercado da liberdade de imprensa


Soa como fato consumado a notícia divulgada pela RBS de que o grupo acaba de contratar o ministro do apagão, Pedro Parente, para gerir seus negócios. É o livre mercado em sua forma mais avançada, que enfia goela abaixo nos cidadãos a noção de que tudo é permitido, inclusive as relações incestuosas entre os interesses nacionais de que Parente, em princípio, deve ainda ser defensor, e os interesses privados de um grupo de comunicação que ele passará a defender. Sem nenhum intervalo entre escândalos e manipulações, aqui e lá.



Jornal do Comércio promove Rigotto


Deu no JC, "Rigotto pode virar articulador de Lula" (p.18). Com certeza, ninguém há de contestar o chavão de que "política é a arte do possível", mas promover o governador eleito do RS (PMDB) a articulador de Lula é, no mínino, forçar a barra. Vá lá que o deputado Rigotto, que há mais de dois anos e meio atrás trabalhou num projeto de reforma tributária, seja um interlocutor do governo Lula. Mas interlocução e articulação são coisas distintas, como o JC bem sabe.



Guerra de equipes de TV na revolução farroupilha

Qual farroupilhas contra imperiais, a equipe da Globo, que gravava a minisérie "A Casa das Sete Mulheres", e a da RBSA TV, que filmava a filmagem, em São José dos Ausentes, quase partiram para a guerra. A notícia está em O Sul de hoje (dia 08), e conta que o diretor da minisérie, Jayme Monjardim, agrediu um câmeraman da RBS, quebrou seu equipamento e ainda teria quebrado o vidro de um carro da equipe gaúcha. Monjardim teria se irritado com a intromissão da RBS, que estaria atrapalhando seu trabalho.

Além da fofocagem, a história é boa pois funciona como uma caricatura dos interesses da grande mãe Globo e de sua filiada RBS, que às vezes são divergentes.

Só tem um detalhe na história, que mostra que O Sul continua O Sul: o quiproquó todo teria rolado "por volta do dia 15 de outubro". O item atualidade, no jornal impresso da Pampa, parece não fazer parte de seus critérios jornalísticos.




O Sul anistia motoristas infratores


"Motorista não precisa mais pagar a multa mesmo para recorrer em segunda instância", diz o título de O Sul da pág.17 de hoje. Mas antes de exclamar "oba! estamos anistiados!", é bom lembrar que se é notícia de O Sul, a história é outra. A matéria fala, com as regulamentares duas semanas de atraso, de uma medida provisória de 25 de outubro que perdoa multas que são objeto de recursos que ficaram 60 dias sem ser julgadas.