quinta-feira, novembro 28, 2002

MIDI@LERTA


Os Jornais


28-11-2002




A mal contada história da aftosa


Nenhuma notícia é tão importante, hoje, para os gaúchos quanto a volta do Estado à condição de zona livre de aftosa com vacinação. O Sul, no entanto, segue surpreendendo de forma negativa e foi o único jornal da capital que não deu manchete para o assunto na capa. Publica a notícia com algum destaque na abertura da página 3, em matéria de apenas meia página, e ainda escolhe para ilustrá-la a foto de um búfalo, que não é lá o melhor exemplo de rebanho atingido pelo problema da aftosa.


Já Zero Hora, Jornal do Comércio e Correio do Povo deram o destaque devido à notícia, também amplamente divulgada pelas emissoras de rádio e TV. Encerra-se assim, de forma favorável ao RS, pelo menos por enquanto, um dos episódios mais graves e que mais acirrou os ânimos no enfrentamento ideológico ocorrido nas plagas gaúchas nos últimos quatro anos. O surto de aftosa em alguns municípios colocou de um lado o governo do Estado e grande parte dos criadores e do outro o Governo Federal, Ministério da Agricultura (leia-se ministro Pratini de Moraes), e a Farsul, do sr. Sperotto.


Na cobertura de hoje faltou lembrar justamente a guerra de interesses e de versões que o problema despertou. O Governo do Estado sempre advertiu que era um erro a suspensão da vacinação contra a aftosa, determinada pelo Ministério, sem o controle da doença nos países vizinhos. Agora, ao final e ao cabo, o governo estadual e os criadores que defenderam a volta da vacinação, ao contrário da direção da Farsul e do Ministério, tiveram a sua tese vencedora. Este episódio é mais um exemplo gritante dos prejuízos que a irracionalidade e o preconceito ideológico de um setor retrógrado da sociedade, com o apoio da imprensa hegemônica, causaram ao RS.




Beijinho, beijinho


E enquanto a aftosa ganhava apenas meia página, uma transcendental matéria de O Sul, sobre as "484 formas de beijar", recebeu duas páginas completas (14 e 15) e várias fotos. Por elas o vivaz leitor e a romântica leitora do jornal da família Gadret ficam sabendo, por exemplo, que existe o beijinho chamado "selo seco frontal, ou selinho", que apenas toca de leve os lábios de outra pessoa; ou o "beijo com mordida de lábio"; o "beijo que marca", que é o selinho dado com força, ou ainda, o revolucionário "beijo de língua invertido".


Preocupado com a precisão da informação, o editor ainda bolou um quadro com o raio X do beijo, onde fica-se sabendo, entre outras preciosidades, que no beijo o ser humano movimenta 29 músculos (12 dos lábios e 17 da língua), que o beijo apaixonado pode significar uma pressão de 12 quilos sobre os lábios dos parceiros, e que o beijo também pode passar 250 vírus e bactérias diferentes de uma boca para a outra. Antes de sair beijando por aí, corra às bancas e compre O Sul, para não dar mancada.





"Companheiro" Barrio na linha justa


Chega a ser tocante o esforço empreendido por José Barrionuevo, em sua pág. 10 de Zero Hora, no sentido de assegurar um ano ao PT na presidência da Assembléia Legislativa. A intransigência da bancada do PMDB tem sido atacada constantemente pelo colunista, que até já fez com que as demais bancadas repensassem e discutissem a relação PT e Presidência da AL, tendo Zambiasi chegado a propor que o Partido dos Trabalhadores ocupe o lugar na vaga do seu PTB. Tudo está sintetizado em sua nota de hoje (dia 28): "PMDB insiste na exclusão do PT".


O mesmo movimento de Barrio pode ser observado em relação à Câmara de Vereadores de Porto Alegre, como ilustra outra nota, no centro da página: "Uma mulher na presidência da Câmara". Abaixo, a foto da vereadora petista Helena Bonumá no plenário. O texto diz que ela "é nome de consenso dentro e fora do PT para presidir a Câmara em 2004". Diz mais: "(...) se for confirmada, será a primeira mulher a assumir o cargo em 230 anos de existência da Casa". E a paulada: "Diferentemente da Assembléia Legislativa, a Câmara da Capital não tem medo do PT".


Ajuntado à recente queda do campeão de audiência (e de ofensas à esquerda) Rogério Mendelski, da rádio Gaúcha, a nova postura de Barrio pode apontar um rearranjo editorial da RBS, maculada em sua credibilidade pelo escândalo das últimas pesquisas eleitorais ao governo do Estado.



A despedida do xodó dos anunciantes

Rogério Mendelski fez questão de se despedir de todos na Rádio Gaúcha. Aos ex-colegas de trabalho teria dito que saía bastante chateado. Não esperava que depois de tantos anos pudesse ser cortado, sem muitas explicações, no fim de um rol de sacanagens "inexplicadas" da empresa.


A partir da próxima segunda Antônio Carlos Macedo passa a apresentar o programa Gaúcha Hoje e permanece no Chamada Geral 1ª edição, Oziris Marins fica no Chamada Geral 2ª edição, e Benfica assume o posto de Macedo nas coberturas esportivas.


Especula-se que Mendelski, assediado pela Rede Pampa, preferirá o espaço maior da Band. Na RBS, a única preocupação é perder 30% dos anunciantes do Gaúcha Hoje. O programa é o que mais fatura nas rádios mil da RBS. Será que Mendelski os levará consigo?



Por que tanto empenho em dourar a pílula de FHC?

Editorial (p.2) do Jornal do Comércio está bem alinhado hoje (28) com as sôfregas tentativas da mídia hegemonista de fazer tábula rasa dos desastres e indecências sofridos pelo país durante os oito anos de FHC. O título já indica esta sofreguidão, "Governo Lula se parece cada vez mais com FHC". Primeiramente, é preciso lembrar que o Governo Lula só começa no ano que vem. Ainda estamos em novembro. E isso torna o texto um pretexto: "Os oito anos de FHC não foram um desastre indecente, menos ainda Lula da Silva fará uma reconstrução do Brasil, tornando-o inteiramente novo e decente." Inteiramente, não, mas mais, sim. E mesmo assim, previsões do futuro não ocultam o passado.


Segue uma lista de maravilhas que se lixa para realidades incontestáveis como o sucateamento da matriz energética, a compra de votos da reeleição, os incêndios não combatidos na Amazônia, a entrega do patrimônio público às multinacionais, o afundamento da plataforma P-35 da Petrobrás, a recusa de intervir no estado do Espírito Santo sob controle do crime organizado, o desprezo pelo estado de direito, a dilapidação do tesouro transformado em dívida, a imensa relação de atos de totalitarismo desvinculados do interesse público e movidos a medidas provisórias ... Não é preciso caçar bruxas, mas não se podem inverter impunemente as verdades históricas.




As aparências enganam

"Palácio da Alvorada e Granja do Torto estão sendo reformados para receber Lula." Este é o título da primeira página do Caderno Reportagem no jornal O Sul de hoje. A matéria mostra as reformas que estão sendo feitas nas duas residências oficiais do presidente da República, onde estão sendo trocados tapetes, sofás, quadros, além de reformas para consertar problemas hidráulicos. Alias, no texto do jornal O Sul, as coisas funcionam por música: "Agora, tudo está concertado (sic)".


Na página 2 , a matéria intitulada "Cores e pisos novos no Planalto" diz que o Palácio, sede do governo brasileiro, está sendo lavado, pintado e os pisos de mármore polidos. Conforme a matéria, há 30 anos que o piso do Palácio do Planalto não passava por uma limpeza como esta.. Tudo para receber o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva no dia 1º de janeiro de 2003.


Nem todos vêem concertos e consertos com os mesmos olhos. Uma nota publicada na página 18 de ZH, "Petista diz que país vive situação grave" mostra um outro lado do mundo de luz e cores da matéria anterior. De acordo com o deputado João Paulo Cunha (PT) de São Paulo, em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo, a situação deixada pelo atual governo é muito grave. "Nós precisamos mostrar para o povo brasileiro que a casa que vamos herdar não é uma casa tão bem pintada como muita gente quer mostrar", disse o deputado




Inconformismo diante do inegável

Zero Hora. Dia 28. Página 6. Linha de apoio: "Governo do Estado – As alternativas para honrar compromisso vão da antecipação do ICMS à venda de créditos do Banrisul". Manchete: "O que o Piratini pode fazer para garantir o 13º". Trechos: "O tempo é inimigo do Palácio Piratini", "A folha de pagamento referente a dezembro e o 13º totaliza R$ 880 milhões", "A Secretaria da Fazenda se recusa a comentar as alternativas", "O Piratini não poderá prescindir delas diante do aperto financeiro" e, no entanto, o governo continua em dia com o servidor.


Vai fazer quatro anos que a RBS bate na mesma tecla, apostando que o governo não conseguirá pagar o funcionalismo. Deve ter sido um flanco importante a ser atacado durante a longa campanha, mas as eleições passaram, o partido RBS venceu. Para que insistir? Para dizer em futuras campanhas que o governo petista não pagou o funcionalismo? Pois pagou, e se pagar o próximo 13º será impossível negar mais este aspecto do conjunto de realidades que faz deste o melhor governo da história gaúcha.




*Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.






Pornografia infantil é crime.

Hoje recebemos duas visitas de pessoas procurando por pornografia infantil.

Os IPs já foram rastreados e depois os registros foram encaminhados ao MP.



quarta-feira, novembro 27, 2002

MIDI@LERTA

Os Jornais

27-11-2002




Mendelski: o fim da era da irresponsabilidade sem limites?

A súbita demissão do sarcástico Rogério Mendelski da RBS, após mais de 15 anos à frente de seu programa matinal na rádio Gaúcha (entre outros espaços em veículos da mesma empresa), anunciada na tarde de ontem (dia 26), custou tanto a ser assimilada, por suas implicações, que a imprensa escrita da Capital praticamente não deu nada sobre o fato hoje. "Praticamente", pois na pág. 3 do Jornal do Comércio, Fernando Albrecht noticiou o assunto, em nota sob o título "Jogo pesado".

Como se sabe, Mendelski foi demitido pela empresa após um gancho de alguns dias, por ter atacado uma grande empresa de telefonia anunciante da RBS, em favor explícito de outra empresa do ramo, que patrocinava seu programa. Os sites e espaços de jornalistas, na internet, foram mais rápidos e divulgaram a queda do comentarista, algoz costumeiro de movimentos sociais, excluídos, marginalizados, sindicalistas e políticos de esquerda. Seus pares Diego Casagrande e Políbio Braga lamentaram sua saída (Políbio dizendo que a queda nada teria a ver com a crítica infeliz à Tim Celulares); a Coletiva e a Press também noticiaram. Na imprensa radiofônica, quem comentou a saída foi Wilson Rosa, no programa Primeira Hora, da Band.

A explicação da Gaúcha para mandar embora seu campeão de audiência é de que seu estilo (com as opiniões agressivas e irresponsáveis que o caracterizam) não se enquadrava no "novo formato" que a Gaúcha pretende imprimir à sua programação.

Na realidade, toda a RBS mostra-se em processo de repaginação, adaptando-se a um período de "boas notícias" sob o governo Rigotto. Além disso, não se pode esquecer que a empresa corre atrás da credibilidade (e dos assinantes e leitores perdidos), desde o escândalo da manipulação das pesquisas eleitorais, no pleito para governador do Estado neste ano.

É hora de maneirar. E até mesmo porque o novo presidente da República – apesar de todo o esforço da empresa – é do PT. E, por certo, há muito o que negociar.

Seja como for, a queda de Mendelski parece significar, de certo modo, o fim de um período na imprensa gaúcha, marcada pela virulência e a irresponsabilidade sem limites de alguns comunicadores.

Por isso, um certo espanto e silêncio da mesma mídia sobre a queda do mito.





Sorridentes e às vezes brincalhões

Manchete de capa de Zero Hora, hoje (27): "Fernando Henrique Exclusivo: ‘Espero que Lula não vá pelo caminho do populismo’". A matéria abre na própria capa: "Sorridente e às vezes brincalhão, o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, fez ontem a jornalistas da RBS um balanço de oito anos no Palácio do Planalto". E segue pelas páginas 4, 5 e 6. O título cita o próprio entrevistado, "A herança que fica é a da estabilidade", e o conjunto tenta transformar o pior governo da história brasileira num conto de fadas.


A RBS mostra o seu entrevistado "rodeado de obras do filósofo francês Montesquieu e de clássicos", "bem humorado", ora avaliando seu governo, ora desabafando "contra as injustiças que sofreu", ou lembrando mágoas e mandando recados ao PT: "Não convém inventar a roda. Melhor é continuar a pedalar". E ao próprio Lula: "Acho que seria errado se ele, como presidente, for usar – o que até agora não fez – um apelo às massa para governar num sentido, queira ou não, autoritário e fascistóide".


Diz o jornal que FHC "revelou o tipo de imagem que gostaria de deixar na memória dos brasileiros: a de uma pessoa com valores democráticos...". Esquece que FHC governou por medidas provisórias durante oito anos, editando uma MP em cada 19 horas de governo (mais de uma medida provisória por dia) e que as negociatas e as compra de votos para sua reeleição foram comprovadas.


Entrevistadores e entrevistado brincam com adjetivos que, aparentemente, gostariam de colar em Lula (populista, autoritário, facistóide, corporativista, contraditório...) e, num certo momento, FHC flerta com uma virada de mesa hierárquica: "Acho que nós temos de valorizar mais a instituição do ex-presidente".


O que ZH não diz é se a entrevista foi acompanhada pelo ministro da Casa Civil, Pedro Parente, contratado para administrar a própria RBS, quando sair do governo.



Por falar em MP e Pedro Parente

A Folha de S.Paulo de hoje abre a página p.A8 com cartola, linha de apoio e manchete: "Pós-Governo – Conselheiros da Comissão de Ética Pública apuram se ministro-chefe da Casa Civil participou de elaboração de MP – Comissão investiga ida de Parente para RBS". A suspeita, com a qual Parente se diz "indignado", é de que ele teria participado da elaboração da medida provisória 70, que alterou as regras de controle das empresas de radiodifusão. "A medida, aprovada em 2 de outubro, favorece os grupos que concentram muitas concessões de radiodifusão, como a RBS".


Será interessante verificar se a RBS tocará neste assunto, já que se trata de investigação da máxima importância, originada de uma nota publicada no site "Carta Maior". As questões da comissão de ética sobre quem propôs a MP, quem participou da elaboração até a aprovação pelo Presidente da República, se a RBS é afetada pela MP e qual o papel específico de Pedro Parente no imbróglio ainda não foram respondidas, nem pela Secretaria Geral da Presidência da República nem pelo ministro das Comunicações, Juarez Quadros. Parente definiu a situação como "o fim da picada" e garantiu: "Apenas levei a medida provisória para o presidente assinar".



Julgamentos pela imprensa

Muito se tem falado sobre a autocrítica jornalística incompleta na questão da Escola Base, em que suspeitos de molestar crianças foram literalmente julgados e condenados pela mídia, antes de poderem provar sua inocência. O caso envolve a cumplicidade entre um aparelho policial ineficiente e uma imprensa que ouve e publica, com as conseqüências nefastas que todos conhecem. O que Midi@lerta observa hoje (27) no Correio do Povo (p.18) pode ser um deslize de proporções bem menores, mas ainda assim merece ser reparado.


O título da matéria de 12 linhas é simples: "Crime da psicóloga vai à Justiça". Segundo o CP, o delegado de polícia encarregado do inquérito sobre a morte de uma psicóloga, que caiu do sétimo andar de um prédio no centro de Porto Alegre, "acredita que a vítima tenha sido arrastada da sala até a sacada, onde foi empurrada. A psicóloga e o companheiro viviam juntos havia 14 anos e ela já tinha feito dois registros em delegacias por lesão corporal e ameaça, apontando o conturbado relacionamento."


O delegado, citado textualmente, está convencido de que se trata de um homicídio cruel. "Temos convicção de que não houve suicídio ou acidente, o que houve foi um crime bárbaro regado a cocaína e álcool". Ainda assim, não houve julgamento do acusado, nem confrontação de provas. E o jornal escorrega: "O delegado (...) entrega hoje de manhã ao Judiciário o inquérito final sobre a morte de uma psicóloga, de 38 anos, jogada do sétimo andar (...)." Se é certo que ela foi "jogada", o caso está, na prática, julgado.



Presidência do Legislativo: com quem está a verdade?

A exclusão do PT da presidência da mesa diretora da Assembléia Legislativa vem sendo tratada pelos jornais da capital com diferentes enfoques.


O jornal do Comércio, na página 18, traz a matéria "PT insistiu mas não levou presidência do Legislativo". No texto, o deputado Alexandre Postal (PMDB) diz que sobre esta questão, o acordo entre PPB, PDT, PTB E PMDB está selado, cabendo ao Partido dos Trabalhadores a participação em outros cargos da Mesa. O deputado Ivar Pavan (PT), por sua vez, disse que ainda há uma possibilidade de seguir nas discussões para o partido obter um ano na presidência da Assembléia.


O jornal Zero Hora vai por outro caminho. Na abertura da coluna Página 10 – na matéria "Avança diálogo com o PT na Mesa" - o colunista diz que o presidente da Assembléia, deputado Sérgio Zambiasi interferiu pela primeira vez no processo de escolha da futura Mesa. Conforme Barrionuevo, o petebista está disposto a abrir mão da presidência que caberia ao PTB, para evitar uma política de exclusão, como vem sendo interpretado pela opinião pública. Barrio diz ainda que "o alijamento da maior bancada pode comprometer o debate de graves problemas a serem enfrentados pelo novo governo.


A polêmica do alijamento do PT da presidência da Mesa da Assembléia Legislativa traz alguns questionamentos que estão escondidos e que a imprensa ainda não mostrou ao leitor. Entre as perguntas que não querem calar estão: que vantagens tem o partido detentor da presidência da mesa? Que poderes a presidência confere ao partido?



Parabéns para a ZH

Causou uma certa confusão o título da nota na página 3 do jornal Zero Hora "Parabéns, RBS". O texto traz duas homenagens prestadas pela Federasul e Amrigs pelos 45 anos da empresa,. No entanto, na primeira leitura do título, feita por muitos leitores, é de que a RBS estava parabenizando a si própria.



*Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

Assinar: assinar-midialerta@grupos.com.br




BOLETIM de NOTÍCIAS do

CENTRO de MÍDIA INDEPENDENTE de

PORTO ALEGRE


nº 68 -26/11/2002

Por uma rede de informação e solidariedade

entre os movimentos sociais e segmentos oprimidos.


Rio Grande do Sul


Comitês de Resistência Popular convocam Encontro de Organizações Populares Autônomas para janeiro

CMI-PoA

No último sábado, realizou-se no galpão do Comitê de Resistência Popular de Gravataí na Vila Pontilhão, uma plenária que reuniu além de Gravataí, comitês da Vila Santa Isabel (Viamão), da Restinga e do Morro Santana (Porto Alegre). Também participaram representantes do Coletivo pela Universidade Popular e o CMI-PoA.

A plenária debateu sobre três questões: 1) Pobreza e miséria do povo e dívida pública que é paga pelo governo; 2)Princípios de uma organização popular autônoma e 3) Planejamento de tarefas para o encontro.

A perspectiva de continuidade do pagamento das dívidas internas e externas significa que continuará não havendo dinheiro para os problemas sociais que sofre o povo. Situação de miséria se vê agravada com o crescente aumento dos gêneros alimentícios, que ocorre pelo fato das dívidas serem contraídas em dólar, assim, os alimentos sobem com a subida do dólar.

Não há esperanças de que essa situação mude com o próximo governo. Só a luta popular pode trazer as mudanças necessárias. Para isso as organizações sociais devem ser independentes dos governos, dos patrões e dos partidos, para que o povo seja o protagonista. Para transformar, é preciso construir outra forma de poder - o poder popular - por isso nossas entidades devem ter democracia de base, construindo novas formas de organização onde todos os oprimidos tenham voz. Fazendo da solidariedade de classe a maneira de nos fortalecer para combater a burguesia.

"A idéia é de realizar um encontro (...), que reúna militantes sociais como nós, que atuam em comunidade de periferia, em fábrica, na escola ou universidade e em outras áreas, para fortalecer a luta popular em todos os rincões da América Latina. Aproveitaríamos a situação do Fórum Social Mundial para conhecermos outras experiências sociais, para acertar planos de apoio mútuo e unidade com outros movimentos, a partir de um espaço onde a gente debateria sobre nossa realidade de pobres e os princípios de ação para enfrentar a dominação dos ricos".

O encontro reunirá militantes de entidades sociais que se baseiem nos princípios de LUTA POPULAR, INDEPENDÊNCIA DE CLASSE, DEMOCRACIA DE BASE E SOLIDARIEDADE. O encontro acontecerá nos dias 25 e 26 de janeiro, no DCE da UFRGS, e os horários e pautas serão definidos pela Comissão Organizadora.

Maiores informações sobre o encontro serão enviadas em breve pelo CMI-PoA, que também integra a Comissão Organizadora.


Atividades do Coletivo pela Universidade Popular

Fonte: COLUP

26/11 (terça), 19h - Reunião do Núcleo de Apoio aos Catadores (COLUP/CEUE)- Curso de Informática Popular, no DCE da UFRGS (João Pessoa, em frente à Praça Argentina).

27/11 (quarta), 19h - Reunião do Coletivo pela Universidade Popular, no DCE.

28/11 (quinta) , 19h - Chimarrão ConSciência + Núcleo de Apoio Catadores, após isso Hora do Graxaim, na Biologia - Campus do Vale.


Audiência Pública das Rádios Comunitárias

Fonte: CUT-RS

Por solicitação da Conrad (Conselho Regional de Radiodifusão Comunitária), a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa promove nesta quarta-feira, dia 27, uma Audiência Pública para debater a situação das rádios comunitárias do Estado. A audiência inicia às 10h, no Auditório da Comissão, 3º andar da Assembléia Legislativa.


Semana de incertezas no Distrito Industrial de Gravataí

CMI PoA

A semana passada foi conturbada para os trabalhadores de duas empresas que compõem o Distrito Industrial de Gravataí. A empresas Zivi e Carlos Becker apenas reafirmaram o triste contexto de perda de direitos em seus respectivos "acordos" trabalhistas.

A empresa Zivi negociou o parcelamento das férias coletivas com a patronal Força Sindical deixando os empregados à margem da situação. Esse acordo pretende retirar do trabalhador o direito à remuneração durante o período de férias. Tentando evitar essa situação, quinta
pela manhã (dia 21), houve agitação e distribuição de panfletos em frente à fábrica pelos trabalhadores metalúrgicos com o apoio do Comitê de Resistência Popular e também do Movimento dos Trabalhadores Desempregados.

A Carlos Becker acertou na Terça-feira, dia 19, algumas questões com os empregados, porém boa parte do conteúdo do acordo não estava explícito, constavam páginas de 01 à 05 e depois pulava direto para a página 16. Diversas partes não foram discutidas, por exemplo, o desconto de 6% nos salários para depósito nos cofres do Sindifantasma (sindicato da Força Sindical). Ainda nestas páginas que não foram apresentadas, consta a autorização à empresa para utilizar o mecanismo Banco de Horas, que serve somente para explorar o trabalhador. Questões fundamentais como o problema das horas-extras, Férias e 13º salário eles nem tocaram. Ainda na tal assembléia, o Sindifantasma disse para os trabalhadores que os acordos têm sido feitos em várias metalúrgicas de Gravataí, o que é mentira. A única empresa foi a GM, em 1999, para fechar um acordo por 5 anos que trouxe diversos prejuízos ao trabalhador.


Massacre contra Radialistas é constante

Fonte: Sindicato dos Radialistas

Segue manifesto do sindicato à sociedade gaúcha:

"O Sindicato dos Radialistas do RS é defensor intransigente da liberdade de expressão e de imprensa. Para nós, é imprescindível que a sociedade tenha livre acesso à informação desatrelada a interesses políticos e econômicos. E, infelizmente, o que presenciamos na maioria das vezes, é a veiculação do oposto ao que almejamos: inverdades e manipulações.

Nossa categoria, que trabalha para divulgar e veicular notícias, não tem espaço na mídia para expor suas mais elementares reivindicações. Na condição de funcionários de empresas de comunicação, não temos como expor o descaso com que somos constantemente tratados.

Estas empresas de comunicação, e em especial a RBS - Rede de Baixos Salários, aproveita-se da condição de detentora do poder e controle da comunicação e omite da sociedade o tratamento que dispensa a seus trabalhadores. Demite aleatoriamente, sendo que, só o Grupo RBS já dispensou cerca de 100 profissionais, entre jornalistas e radialistas. A média salarial dos demitidos na categoria dos radialistas não ultrapassa o mísero valor de RS 300,00. Ao mesmo tempo em que reduz despesas com cortes na folha de pagamento, investe pesado numa só contratação para o seu alto escalão: a do ministro de FHC, Pedro Parente, que em fevereiro assume como vice-executivo da RBS.

E, no atual momento em que nos encontramos em campanha salarial, a classe patronal tenta de todas as maneiras furtar os nossos direitos. Negam-se a avançar e sinalizam para o retrocesso de nossos direitos. Eles se recusam a negociar horas-extras e adicional noturno e não têm a menor vergonha em oferecer apenas 6% de reajuste, enquanto que a inflação do período é de 10,26%"




Brasil


Definidos novos passos da Campanha Nacional Contra a Alca

Fonte: MST Informa.

A coordenação da Campanha Nacional Contra a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) divulgou, em 20 de novembro, um comunicado reforçando o posicionamento em relação ao acordo.

Já está marcada para 27 de janeiro, durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, uma grande conferência com a participação de representantes internacionais. Durante a conferência será iniciado o recolhimento de 1 milhão de assinaturas para que o plebiscito sobre a Alca se torne um projeto de incitava popular e seja votado no Congresso Nacional.


Solidariedade com trabalhadores rurais presos no MT

Fonte: MST

Já é sabido a prisão de sete trabalhadores e uma trabalhadora rural no Mato Grosso por motivos politicos. Já se passaram 116 dias de prisão, juridicamente não há nenhum elemento que os mantenha em cárcere, porém como a justiças no nosso país funciona somente para os detentores do poder, esses pais e mãe de famílias amargam longos dias de prisão injustamente.

Por isso fazemos um apelo a toda sociedade organizada que enviem fax exigindo a liberdade desses companheiros e companheira trabalhadores/a rurais inocentes. Para os seguintes telefones:

- Juiz Dr. Luis Veras Gadelha: Juiz da Comarca de Mirassol D'Oeste onde tramita o processo dos companheiros/a presos.

FAX: (0XX65) 241-1391

- Desembargador Dr. Donato Fortunato Ojeda, STJ/ MT: Onde tramita o habeas-corpus nº 38796/2002.

FAX: (0xx65) 617-3000

- Dr. Rogério Salles Governador do Estado de Mato Grosso, no fax: (0xx65) 613-4120/613-4130 ou no e-mail: rogerio.salles@cepromat.com.br .


Quando a fome vira "negócio"

Fonte: Laerte Braga (trechos do artigo). Para ver o artigo na íntegra, acesse

http://www.midiaindependente.org:8081/front.php3?article_id=42504&group=webcast

A notícia divulgada pela imprensa brasileira sobre o lobby da Monsanto, uma das maiores multinacionais da área de alimentação em todo o mundo, para que os Estados Unidos apoiem o programa de combate à fome de Lula em troca do fim da proibição de transgênicos no Brasil, transforma a fome e um programa social, num grande "negócio".

É a lógica do capitalismo. Combate à fome só se for rentável. Se significar ganho. Caso contrário a fome não é problema.

O representante do sistema financeiro internacional que ocupa o que seria a presidência da República há quase oito anos, entre outras trapalhadas deliberadas, "privatizou" a EMBRAPA através de um contrato que dá a Monsanto, a Novartis e a Nestlé, principalmente essas, o controle e a exclusividade de 45 mil pesquisas realizadas ao longo de sua história.

Isso, na prática, entre outras coisas, no caso da Monsanto, quer dizer o monopólio das sementes. Acaba, inclusive, aquela história de semente gerar semente. As da Monsanto só fazem isso uma vez. Depois tem que comprar mais. Esse é o objetivo, esse é o propósito.

A Monsanto cultiva, produz transgênicos no Brasil, em flagrante desrespeito à lei brasileira, que proíbe esse tipo de experiência. A Europa inteira rejeita os transgênicos. Insensatez? Conservadorismo diante da evolução?

Nada disso. Direito à saúde, à segurança quanto ao alimento que vai ser comido.
O argumento dos bandidos é simples: com transgênicos produz-se mais, em menor espaço (no caso da agricultura) e alimenta-se um maior número de pessoas, tudo a um custo mais baixo. Omitem o lucro, real interesse.

Os caras percebem no programa de combate à fome a possibilidade de eliminarem as restrições aos transgênicos. De auferir maiores lucros. Ganhos. E... De aumentar o controle sobre o futuro governo. Quebrando cada resistência, apropriando-se de cada projeto social e transformando-os em fontes de lucros. Acabar com a fome é irrelevante para essa gente. Ao chegar a Washington, em sua despropositada viagem aos Estados Unidos, Lula, com toda a certeza, vai ouvir de George Bush sobre a piedade e a preocupação do terrorista da Casa Branca com a fome no Brasil e sua disposição de ajudar o futuro governo.

A proposta da Monsanto não é sequer para ser estudada. Ou recebida. O lugar dessa turma é na cadeia. São criminosos.


Manifesto de educadores populares à Lula

Fonte: Manifesto ao presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva (trechos). Para ver o manifesto na íntegra acesse

http://www.midiaindependente.org:8081/front.php3?article_id=42503&group=webcast

Educadores e educadoras populares associados à Rede de Apoio à Ação Alfabetizadora do Brasil (RAAAB), participantes dos Fóruns Estaduais de Educação de Jovens e Adultos e membros da Coordenação Nacional dos movimentos de alfabetização (Movas), reunidos em São Paulo nos dias 12 e 13 de novembro, redigiram um manifesto ao presidente Lula com alguns posicionamentos em relação às políticas mais adequadas para buscar soluções em relação ao analfabetismo no Brasil.

Segundo o manifesto: "No Brasil existem mais de 16 milhões de pessoas jovens e adultas analfabetas absolutas e cerca de 65 milhões com escolaridade inferior ao Ensino Fundamental completo, excluídas, portanto, de um direito básico que lhes garante a Constituição nacional."

"Neste contexto nacional, uma das grandes inovações (...) são os Movimentos de Alfabetização de Jovens e Adultos - MOVAs, que a partir da experiência de Paulo Freire, em São Paulo, vêm rompendo com as práticas das antigas campanhas com vieses assistencialistas, descomprometidas com a continuidade da escolarização e com a transformação da sociedade brasileira. Os MOVAs vêm promovendo uma ação alfabetizadora popular que extrapola a visão da alfabetização apenas como decodificação da escrita, pautando-a nos princípios da formação cidadã, envolvendo toda a sociedade civil em parcerias com os poderes públicos para a garantia da alfabetização enquanto ação cultural."

A Rede de Apoio à Ação Alfabetizadora do Brasil - RAAAB, reivindica o comprimento do direito à educação, a inclusão da Educação de Jovens e Adultos nos mecanismos de financiamento da educação básica; incorporação da Educação de Jovens e Adultos definitivamente ao Sistema Nacional de Educação, entre outras propostas.

Será formado um grupo de trabalho que apresentará, nos próximos dias, uma proposta para o MOVA Brasil que contemple a concepção de educação popular que permeia este manifesto.



Internacional


Greve de fome em protesto contra construção de usina

CMI-Brasil

Há três semanas, a mãe da cantora islandesa Björk, Hildure Runa Hauksdottir, 56 anos, está em greve de fome em protesto contra a construção de uma usina em uma reserva ecológica na Islândia. Ela já emagreceu seis quilos e sua saúde é considerada frágil. A companhia americana Alcoa, junto com o governo da Islândia, está planejando construir uma usina de alumínio de US$ 3 bilhões e uma usina hidrelétrica em Vatnajokull, a maior geleira da Europa.


Palestinos humilhados

Fonte:Agência EFE

Milhares de operários palestinos teriam sido humilhados por soldados israelenses, segundo uma rádio israelense.

Esse fato ocorre diariamente na fronteira de Erez, onde os soldados israelenses obrigam os palestinos a tirarem suas jaquetas e outros pertences antes de entrar em Israel. A denúncia foi feita pela rádio pública Kol Israel. Os trabalhadores, que costumam ir aos postos de controle militar muito cedo para chegar a tempo ao trabalho em território israelense, só recebem suas jaquetas no dia seguinte.

Recentemente, segundo a correspondente de assuntos militares da rádio israelense, Carmela Menashé, os soldados do posto militar os fizeram deixar suas chaves, seu dinheiro e seu cigarro. No dia seguinte, as chaves foram devolvidas, mas o dinheiro o cigarro não. Fontes militares disseram à jornalista que "os soldados entenderam mal" as ordens que receberam de seus superiores.

terça-feira, novembro 26, 2002

Os Jornais

rádios e tevês

26-11-2002



TVE: Hohfeldt não viu e não gostou



Muito esclarecedora a entrevista concedida pelo vereador e futuro vice-governador do Estado, Antonio Hohfeldt, no mais recente número da "Press Adversiting", que apesar do nome é escrita em português. Lá pelas tantas, Hohfeldt afirma: "Não, não vejo a TVE. Não agüento mais. Catequese eu parei de fazer aos oito anos de idade, quando fiz a primeira comunhão (...)". Só que na mesma resposta, diz que vai manifestar (sua opinião sobre a TVE) "como jornalista, espectador (tóóóim!!!) e futuro vice-governador: acho que no caso da TVE é preciso um tratamento drástico".


Ou seja, ele confessa que não vê a emissora estatal gaúcha mas fala como "espectador" e anuncia tratamento drástico. Ainda sem assistir, diz que a TVE não pode "dar de novo a ideologia do partido (!!), manipular programas e entrevistas, e isso vale também para a FM Cultura" – que ele igualmente não escuta: "Faz quatro anos que não ouço a FM Cultura (...) hoje só ouço a rádio Universidade".


Sem ver a TVE nem ouvir a rádio FM Cultura, ameaça: "Tem que repensar de alto a baixo". Quer dizer: formou sua opinião só por ouvir dizer, através de terceiros.

Se, ao contrário e jornalisticamente, se detivesse a ver alguns programas da emissora estatal, certamente seria surpreendido pelo bom nível cultural e informativo de sua programação – e inclusive pela total abertura a todas as correntes e a todos os partidos políticos.


No mínimo injusta, a conclusão desinformada do Hohfeldt sobre a TVE e seus profissionais, a quem, de quebra, dá uma desqualificada legal: "Temos que repensar os diretores de TV, colocar gente que realmente entenda do assunto".


E ainda, por uma questão de justiça, faltou ao novo vice-governador reconhecer que o governo que entra pegará a TVE totalmente modernizada em seus equipamentos e com sua área de transmissão ampliada.


Mas, ao que tudo indica, Hohfeldt é mais um dos vencedores da eleição para quem o discurso da "pacificação de todos os gaúchos" foi só uma estratégia, uma mentirinha de campanha para enganar eleitor.



Paulo Santana comenta mortes nas estradas do RS


No comentário que faz todas as manhãs no programa Gaúcha Hoje, veiculado pela Rádio Gaúcha, o jornalista Paulo Santana falou nesta terça-feira (26) do bárbaro acidente acontecido no início da tarde de ontem (25), na Br 290, na Ilha das Flores, quando um caminhão desgovernado atropelou e matou cinco pessoas de uma mesma família. O assunto foi, inclusive, retomado no programa seguinte, (Gaúcha Atualidade) por Armindo Ranzolin.


Santana lembrou que no final de semana que passou (período de sexta-feira até domingo) registraram-se 27 mortes no trânsito. Pelo tom do seu comentário, esta situação é inconcebível e é preciso conter esta violência no trânsito.


O comentário de Santana é procedente, pois é preciso parar com esta violência nas estradas e ruas do Rio Grande do Sul. O governo do Estado vem fazendo um bom trabalho no que diz respeito à conscientização dos motoristas e também com a utilização de equipamentos controladores de velocidades, como pardais, lombadas eletrônicas e radares.


Vale lembrar que o jornalista da RBS, apesar de estar de posicionando contra a violência das estradas, foi um dos grandes opositores da instalação dos pardais em estradas e ruas do Estado e da capital, equipamento indispensável para controlar a velocidade no trânsito.






Mendelski é nocauteado com um gancho de direita


O jornalista Rogério Mendelski, apresentador do Programa Gaúcha Hoje, conhecido pelo seu linguajar agressivo, principalmente contra o PT, não comparece já há alguns dias ao programa e o comentário que circula é que ele foi suspenso pela empresa, devendo ficar, provavelmente, uma semana afastado do programa. O motivo do afastamento do radialista teria sido um comentário (Gaúcha Hoje, 21 de novembro) que levou a empresa agredida, a Tim Celular, a pedir sua cabeça.


Rogério Mendelski - "O nosso ouvinte, o Roberto Weissheimer, está reclamando que comprou um aparelho celular da Tim modelo Nokia 6510, e constatou que o mesmo não efetua ligação para os números de três dígitos. Incluindo aí os de emergência, polícia, EPTC, auxílio a lista e etc. Tenho feito reclamações diárias desde o dia 25 e até agora nada. Atualmente possuo um celular que não liga para emergência não efetua interurbanos, o que é inaceitável. E esse aparelho continua sendo vendido, as explicações são de que esses problemas são temporários, o que não é verdade pois nunca funcionou. Se for necessário envio as notas fiscais do produto."


Mendelski segue lendo o e-mail do ouvinte depois responde: "Roberto eu estou passando isto aqui. Se a Tim quiser mandar mais alguma informação... Mas, na dúvida, se você quer falar com todo mundo, Telefônica Celular não tem problema nenhum, você fala com o Estado inteiro, com três dígitos, com cinco dígitos, com dez dígitos. A Telefônica Celular está aí para isso, 98% do território gaúcho atendido pela Telefônica Celular. A Tim só atende a Região Metropolitana, e ainda não liga para os número de emergência. Está guardado seu e-mail aqui."


O interessante é que Mendelski atacou centenas de vezes, de forma covarde e sem chance de defesa, o governo da Frente Popular, sem que a direção da RBS tenha se manifestado ou tomado qualquer decisão. No entanto, como a Tim é uma grande empresa, com grande potencial para anunciar, desta vez, sentindo que o bolso seria prejudicado com o tal comentário, a direção da empresa teria imposto a suspensão exemplar ao radialista.





Briga de cachorro grande

O Jornal da Noite, da TV Bandeirantes, denunciou ontem (25) um projeto do senador Ney Suassuna que permite a abertura para o capital estrangeiro de até 100% do controle acionário das empresas de TV a Cabo. A reportagem abordou a tramitação relâmpago que o projeto está tendo no Congresso sem permitir que haja a necessária discussão na sociedade. A matéria questionou os motivos da pressa na aprovação do projeto e a quem ela interessaria. Segundo denunciou a reportagem da TV Bandeirantes, o projeto atenderá os interesses da Globopar, subsidiária da TV Globo, e que atravessa uma grave crise financeira.



Morte de cachorrinho

Um leitor atento escreve, "Vocês viram o drama do cachorrinho ganhando contracapa especial na ZH de sábado e chamada de capa hoje? Esta merece o Oscar do Jornalismo...". O leitor tem razão.


Toda a contracapa de Zero Hora (dia 23) é dedicada ao "Drama ignorado na rotina da cidade grande". Na foto, um homem debruçado sobre uma cachorra deitada no asfalto, tetas salientes, olhos e boca semi-abertos; no texto, a história de "uma amizade de 10 anos entre um homem e seu cão (que) terminou na manhã de ontem na movimentada Avenida ...". Indigna-se o leitor: "Isto é um abuso ao bom senso...".


Hoje (26), a chamada de capa: "Drama de mendigo comove o Estado". Em foto legenda, o mesmo homem, com a mesma roupa, já com outro cachorro: "Gestos de carinho tentam ajudar Clóvis Rodrigues, que chorou a morte de seu cão". E dedica metade da página 29 ao caso: :"Gente: após morte de cão, morador de rua mantém luta pela sobrevivência – Drama de sem-teto da Capital sensibiliza dezenas de gaúchos". E o leitor pergunta: "Perdemos a perspectiva do jornalismo?"





A desculpa do nevoeiro


Algumas manchetes de hoje (26) no mundo. De Zero Hora (pp. 26 e 27): "Golfo Pérsico – investigações começam amanhã – ONU dá largada a inspeções de armas no Iraque"; "EUA – Bush institui superministério da Defesa"; "Terrorismo – CIA tenta esboçar possíveis mudanças – Bin Laden pode estar com novo visual"; "Lama de petróleo (do petroleiro Prestige naufragado na costa da Espanha com 70 mil toneladas de óleo bruto)". O Brasil, no mesmo jornal (p.13): "O futuro governo – presidente disse que o sucessor terá de aprender a navegar sob ‘nevoeiro denso’, referindo-se aos choques e crises financeiras internacionais a que o Brasil esteve sujeito nos últimos anos".


Triste, que a imprensa hegemonista tupiniquim, e a gaúcha especialmente, veja a política e as relações exteriores brasileiras também pelas lentes oficiais da imprensa norte-americana e não discuta em profundidade nem o belicismo bushista, nem as implicações dos escândalos de Wall Street (Enron & Cia) com os amazônicos (Sivam e Cia), nem nada.


Como na fábula bretchiana, primeiro foram pulverizados os chilenos e os vietnamitas, e nem dei bola, pois não era chileno nem vietnamita. Depois foram os afegãos, e, não sendo afegão, fechei os olhos. Em seguida, sacrificaram os argentinos, mas não me importei, porque não era argentino. Depois foram os iraquianos, mas, não sendo iraquiano, dei de ombros. Outro dia foram os palestinos, e tampouco me importei, pois não era palestino. Agora são os brasileiros, do Amazonas ao sul do Rio Grande, mas agora é tarde. Não sobrou nenhum espaço democrático para alarde.






Iotti venceu mas mostra mágoa da "petezada"


O cartunista Iotti, de Zero Hora, é outro que está nas páginas da última edição da "Press" (foi escolhido um dos vencedores do Prêmio Press 2002: parabéns!). E na hora de receber o prêmio, sentiu-se na obrigação de ... claro: fazer piada, justificando o título de humorista.


Até aí, normal. Só que o vilão da piada dele era um representante da, nas palavras dele, "petezada". Fez a piada certa para o ambiente. O texto confirma: "Risada geral".






Zero Hora deve bem para o INSS


A coluna de Claudio Humberto na internet, mostra hoje que a Zero Hora Editora Jornalística S. A. é uma das grandes devedoras do INSS em todo o Brasil, devendo R$ 14.881.798,00.


A propósito (como diria a pág. 3): Será que leremos uma reflexão sobre a questão das grandes empresas devedoras, em algum editorial próximo de Zero Hora sobre a necessária reforma da Previdência?

Confira:

Maiores Créditos Totais - INSS

1.353º Lugar

CGC 92.821.701/0001-00

ZERO HORA EDITORA JORNALISTICA S.A

R$ 14.881.798,00




*Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.


Extra! Extra!

Mendelski demitido hoje da Rádio Gaúcha


Acredite se quiser: depois de 15 anos e nove meses de comentários preconceituosos através de seu programa matinal na rádio Gaúcha ("Gaúcha Hoje"), onde fez do sarcasmo e dos ataques duros aos movimentos sociais, aos segmentos desfavorecidos, aos agricultores sem terra, aos sindicatos e partidos de esquerda, o seu estilo, Rogério Mendelski foi demitido esta tarde (dia 26/11/2002) da emissora principal da RBS.

Carrasco do MST, do orçamento participativo, do fórum social mundial e de qualquer outra coisa que signifique luta por igualdade, justiça, direitos humanos, Mendelski teria passado dos limites, no entender da mega empresa de comunicação do Sul do Brasil, ao criticar de modo duro a Tim Celular, em favor da concorrente Telefônica Celular – patrocinadora de seu programa.

Mendelski já estava suspenso há alguns dias do programa, e a medida foi transformada em "rescisão amigável de trabalho", na tarde de hoje, por volta das 15 horas.

Seja como for, após quatro anos em que cumpriu seu papel de crítico ácido do governo da Frente Popular, agora – na fase "boas notícias" que a RBS já anunciou, para o próximo governo estadual, digo, próximo ano – o estilo de Mendelski ficaria deslocado.

Precisa ser considerado também que, em nível federal, a Presidência da República agora é do PT – partido que causa brotoeja no radialista radicalmente neoliberal, mas que está no poder maior do Brasil.

Seja como for, o desfecho do caso é a prova de que, na grande mídia, pressão política em defesa de excluídos pouco vale – mas quando mexe-se com os interesses do grandes grupos econômicos, aí o jogo endurece.

*Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

Assinar: assinar-midialerta@grupos.com.br
Capitalismo...

CAPITALISMO IDEAL: Você tem duas vacas. Vende uma e compra um touro.
Eles se multiplicam, e a economia cresce. Você vende o rebanho e aposenta-se, rico!

CAPITALISMO AMERICANO: Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO FRANCÊS: Você tem duas vacas. Entra em greve porque quer três.

CAPITALISMO CANADENSE: Você tem duas vacas. Usa o modelo do capitalismo americano. As vacas morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro e adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.

CAPITALISMO JAPONÊS: Você tem duas vacas. Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

CAPITALISMO ITALIANO: Você tem duas vacas. Uma delas é sua mãe, a outra é sua sogra, maledetto!!!

CAPITALISMO ENRON : Você tem duas vacas. Vende três para a sua companhia de capital aberto usando garantias de crédito emitidas por seu cunhado. Depois faz uma troca de dívidas por ações por meio de uma oferta geral associada, de forma que você consegue todas as quatro vacas de volta, com isenção fiscal para cinco vacas. Os direitos do leite das seis vacas são transferidos para uma companhia das Ilhas Cayman, da qual o sócio majoritário é secretamente o dono. Ele vende os direitos das sete
vacas novamente para a sua companhia. O relatório anual diz que a companhia possui oito vacas, com uma opção para mais uma. Você vende uma vaca para comprar um novo presidente dos Estados Unidos e fica com nove vacas. Ninguém fornece balanço das operações e o público compra o seu esterco.

CAPITALISMO BRITÂNICO: Você tem duas vacas. As duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS: Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.

CAPITALISMO ALEMÃO: Você tem duas vacas. Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO: Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e vê que tem 12 vacas. Você para de contar e abre outra garrafa de vodca.

CAPITALISMO SUIÇO: Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra para guardar a vaca dos outros.

CAPITALISMO ESPANHOL: Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO PORTUGUÊS: Você tem duas vacas. E reclama porque seu rebanho não cresce...

CAPITALISMO CHINÊS: Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba de ter pleno emprego e alta produtividade. E prende o ativista que divulgou os números.

CAPITALISMO HINDU: Você tem duas vacas. Ai de quem tocar nelas.

CAPITALISMO ARGENTINO: Você tem duas vacas. Você se esforça para ensinar as vacas mugirem em inglês. As vacas morrem. Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano do FMI.

CAPITALISMO BRASILEIRO: Você tem duas vacas. Uma delas é roubada. O governo cria a CCPV - Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca. Um fiscal vem e te autua, porque embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite,
queijo, sapatos de couro, botões, presumia que você tivesse 200 vacas e para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo....


Um pouco de humor... Pq só lenha não dá certo...
Liberdade para Mendelski
(Campanha Free Mendelski)




Nós, jornalistas e cidadãos gaúchos, manifestamos nossa irrestrita solidariedade a este baluarte da liberdade de imprensa e opinião, hoje perseguido pelas forças de mercado. O jornalista Rogério Mendelski foi alvo de uma sórdida pressão comercial de uma empresa de telefonia que, incapaz de conviver com a crítica**, pediu (e levou) um "gancho" para este bravo jornalista que está há dias afastado da "latinha" da Rádio Gaúcha.

Conclamamos a RBS, que bravamente resistiu à patrulha vermelha, que não seja tão sensível ao tilintar do vil metal e permita o breve retorno deste heróico jornalista às suas funções.

Não desista, Mendelski, que o Movimento Pela Liberdade de Imprensa e o Estado Democrático de Direito, juntamente com o Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Associação Riograndense de Imprensa (ARI), Repórteres Sem-Fronteiras e o Clube dos Editores de Opinião haverão de se manifestar contra o "enganchamento" da liberdade de opinião.



** PROGRAMA GAÚCHA HOJE - 21/11/2002

Rogério Mendelski - "O nosso ouvinte, o Roberto Vaisseimer, está reclamando que comprou um aparelho celular da TIM modelo NOKIA 6510, e constatou que o mesmo não efetua ligação para os números de três dígitos. Incluindo aí os de emergência, polícia, EPTC, auxílio a lista e etc. Tenho feito reclamações diárias desde o dia 25 e até agora nada. Atualmente possuo um celular que não liga para emergência não efetua interurbanos, o que é inaceitável. E esse aparelho continua sendo vendido, as explicações são de que esses problemas são temporários, o que não é verdade pois nunca funcionou. Se for necessário envio as notas fiscais do produto." Mendelski segue lendo o e-mail do ouvinte depois responde: "Roberto eu estou passando isto aqui. Se a TIM quiser mandar mais alguma informação... Mas, na dúvida, se você quer falar com todo mundo, TELEFÔNICA CELULAR não tem problema nenhum, você fala com o Estado inteiro, com três dígitos, com cinco dígitos, com dez dígitos. A TELEFÔNICA CELULAR está aí para isso, 98% do território gaúcho atendido pela TELEFÔNICA CELULAR. A TIM só atende a Região Metropolitana, e ainda não liga para os números de emergência. Está guardado seu e-mail aqui".


Ë mole ou quer mais???

O site do dia

É o do CEDECA.

O CEDECA - Centro de Defesa da Criança é a entidade organizadora da I Conferência Internacional sobre Pornografia Infantil na Internet.

Segundo a Polícia Federal, atualmente, a maior incidência de crimes de informática no Brasil são os crimes de divulgação de pornografia envolvendo crianças pela Internet.


Então faça a sua parte: denuncie os abusos e também dê suporte às entidades que tentam acabar com a pornografia infantil na rede.


Visite o site do CEDECA.
O asfalto... Que cheira a carniça...

Impressionante os números do trânsito do últimos 4 dias: 21 mortos em acidentes, mais de 40 feridos.

Eu fico imaginando o quanto este caldo ainda vai entornar se o homem do Botox realmente cumprir a promessa de remover os pardais das estradas.

Com o sentimento da impunidade, as pessoas que habitualmente correm, com certeza vão voar...

Agora, impunidade de fato não vai existir, pq o Botox planeja mais pedágios nas estradas...

E dá-lhe Rio Grande!!!





Boletim eletrônico da CUT/RS


Quem tiver interesse em assinar, o endereço está lá em baixo.


Veja nesta Edição do Informa CUT/RS:



1 - Audiência Pública das Rádios Comunitárias;


2 - Mulheres lutam contra a violência;
3 - Definidos novos passos da Campanha Nacional Contra a Alca;
4 - Segundo Encontro Hemisférico de Luta contra ALCA acontece em Cuba;

5 - Trabalhadores portugueses marcam greve para dezembro;

6 - Povo deve mostrar sua arte por toda parte no dia da posse de Lula, pede Augusto Boal;

7 - Abertura do cabo ameaça mídia, diz FNDC;

8 - Imprensa dos EUA esconde fatos essenciais sobre o Iraque, diz Solomon;

9 - Entidades lançam Campanha contra assassinato de dirigentes na Colômbia;

10 - O que representa a vitória de Lucio Gutiérrez;

11 - Agenda.




Audiência Pública das Rádios Comunitárias

Por solicitação da Conrad (Conselho Regional de Radiodifusão Comunitária), a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa promove nesta quarta-feira, dia 27, uma Audiência Pública para debater a situação das rádios comunitárias do Estado. A audiência inicia às 10h, no Auditório da Comissão, 3º andar da Assembléia Legislativa.




Mulheres lutam contra a violência
A Comissão Estadual sobre a Mulher Trabalhadora da CUT/RS realizou nesta segunda-feira, dia 25, uma manifestação na Esquina Democrática, das 12h às 14h, em Porto Alegre. O objetivo foi marcar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. Na ocasião, mulheres estavam caracterizadas com marcas deixadas pela violência. Participaram representantes do Sindisprev, do Sindisaúde e do Cpers, além de representantes de entidades do movimento feminista.

O dia 25 de novembro foi designado em 1999, pelas Nações Unidas, como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. Antes da designação pela ONU, o 25 de novembro já era trabalhado pelo movimento internacional de mulheres, particularmente pelas latino-americanas, a partir do 1º Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, em 1981. Leia abaixo artigo da coordenadora da Comissão Nacional sobre a Mulher Trabalhadora/CUT Maria Ednalva Bezerra de Lima.

25 de novembro

Dia Internacional pela Eliminação da violência contra a mulher
Maria Ednalva Bezerra de Lima
A violência contra a mulher, caracterizada principalmente como violência sexual, reflete-se ainda como um grande tabu e aponta para um grande desequilíbrio das relações de poder entre os gêneros, como a maior causa de índices de mortes, mutilações, constrangimentos, maus tratos, abuso sexual, etc. E o que é esta violência?

A violência contra as mulheres é todo ato que tenha como resultado possível ou real um dano físico, sexual ou psicológico. Inclui as ameaças, o assédio sexual, a pressão ou a privação arbitrária da liberdade, seja no espaço público ou privado. A violência se manifesta de diferentes formas: violência doméstica, assédio sexual, relações sexuais forçadas e exploração sexual, entre outras.

A desigualdade existente entre homens e mulheres independente de raça, idade, classe social, opção sexual, fronteiras geográficas, etnia, religião ou cultura, tem sido marcada por um alto índice de violência contra a mulher, inclusive no âmbito do lar, o que caracteriza a violência doméstica, lugar que por excelência deveria ser um espaço de garantia da segurança e integridade física e mental na família.

A violência doméstica, ou intrafamiliar, inclui agressão física, sexual e psicológica. Devido à falta de dados absolutos, esse tipo de violência ainda não é suficientemente dimensionado no Brasil, mas tem adquirido cada vez mais visibilidade. No final da década de 80, o IBGE constatou que 63% das vítimas de agressões físicas ocorridas no espaço doméstico eram mulheres. “Na América Latina e Caribe, de 25 a 50% das mulheres são vítimas de violência doméstica; 33% das mulheres sofrem abuso sexual entre os 16 e 49 anos e pelo menos 45% delas são objeto de ameaças, insultos e destruição de bens pessoais. Em algum momento de suas vidas, metade das latino-americanas é vítima de alguma violência” (Unifem, 1999).

A violência acontece também na rua, restringindo de forma assustadora o direito de ir e vir sem medo de ser abordada por um agressor. A violência sexual – ou abuso sexual – muitas vezes também é difícil de ser detectada. Atos libidinosos, atentado ao pudor, sedução, entre outros, podem não deixar marcas físicas, mas invariavelmente deixam seqüelas psicológicas. Já a violência institucional pode ser exemplificada no mau atendimento em serviços de saúde, no assédio sexual no local de trabalho, na dificuldade em ascender a postos de comando e no controle da estética feminina pela ótica masculina.

Esta história não é recente, porém, hoje ocupa lugar de destaque diário nas manchetes das páginas policiais e na mídia como um todo. É assustador, aterrorizante, ouvir, ler ou ver explicitações de maníacos que relatam com muita tranqüilidade suas perversões cometidas contra as mulheres. Parece sentirem-se donos e as tratam como objeto de desejo e como propriedade privada.

Diante desses fatos que nos deixam cada vez mais frágeis, assustadas, revoltadas e indignadas com a violência cometidas por homens contra as mulheres, é que sempre se tem colocado que as mulheres de vítimas acabam sendo as culpadas por serem estupradas, assassinadas ou vítimas de outra violência qualquer. As indagações são as mesmas: “o que fazia uma mulher fora de casa a noite?” ou “também veja a roupa que ela usa!”, como se fosse natural que as mulheres sempre tivessem que estar se protegendo, porque o monstro anda solto.

Ora, ser vítima da violência, abuso sexual, é uma experiência traumática e suas conseqüências podem prolongar-se por muito tempo, e até mesmo por toda a sua vida. Seus sentimentos são os mais variados possíveis: culpa, desvalorização, vergonha, depressão, ódio, isolamento, marginalidade, enjôo, desconfiança, entre outros.

As estórias de violência sofridas pelas mulheres na sociedade se expressam nas mais diversas formas e se repetem na mente, no corpo ferido e mutilado destas mulheres, que vítimas do machismo e da cultura patriarcal reforçada pela ideologia dominante lhes determina como propriedade de um outro ser humano – homens desconhecidos, conhecidos e, em muitos casos, seus próprios maridos ou parceiros. Este problema, só começou a ser denunciado na década de 70, pelo movimento feminista. Com a criação das Delegacias da Mulher, que mesmo com muita dificuldade, ainda são espaços em que as mulheres conseguem chegar e fazer a denuncia da violência sofrida. Hoje a violência contra as mulheres ocupa as páginas policiais da grande imprensa, os registros das delegacias da mulher, e principalmente as denúncias nos grupos de mulheres, onde elas buscam apoio e conforto emocional.

A sociedade brasileira, não pode mais ficar omissa diante do quadro aterrorizante deste fato e nem as autoridades podem continuar tratando a violência sexual como uma banalidade, um problema tão sério que afeta a integridade, o respeito e a dignidade de quem é vítima deste desequilíbrio social. É preciso reconhecer os direitos das mulheres, como direitos humanos, e que estão protegidos pela legislação internacional. A Convenção Interamericana para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher, de 9 de julho de 1994, foi ratificada pelo Brasil, pelo decreto legislativo n.º 107/95. (convenção de Belém do Pará).

A violência contra a mulher no Brasil pode ser caracterizada como uma epidemia, causando danos físicos, morais e mentais, quando não leva a morte da vítima! Provoca suicídio, porém também homicídio. É preciso garantir os direitos humanos e legais da mulher.

É preciso que o Estado execute políticas públicas de prevenção e de assistência às mulheres vítimas de violência. É fundamental que as instituições não governamentais, a sociedade civil organizada e os poderes públicos realizem campanhas de sensibilização sobre um problema de tamanha gravidade.

No Brasil, começaram a ser implantadas políticas públicas para o enfrentamento da questão, por meio da criação de delegacias de defesa da mulher, casas de apoio, casas abrigo, centros de orientação social, jurídica e psicológica, além de campanhas de informação sobre direitos e recursos existentes. Porém tais iniciativas no âmbito das políticas públicas ainda são insuficientes. O número de delegacias especializadas ainda é muito pequeno, e é reduzidíssimo o número de casas abrigo existente.

O combate à violência exige ações integradas em diversos níveis:

1- exigir o fim da impunidade

2- implantar uma rede de atenção às vítimas da violência

3- capacitar os profissionais da saúde e adequar hospitais e postos de saúde para diagnosticar a violência e contribuir para a solução do problema.

4- Lutar por uma educação não sexista e que combata a discriminação.

É preciso uma mudança cultural profunda, onde as relações entre os gêneros sejam eqüitativas e igualitárias, e sobretudo, livres de violência.

Maria Ednalva Bezerra de Lima é Coordenadora da Comissão Nacional da Mulher Trabalhadora/CUT.




Definidos novos passos da Campanha Nacional Contra a Alca
A coordenação da Campanha Nacional Contra a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) divulgou, em 20 de novembro, um comunicado reforçando o posicionamento em relação ao acordo.

Já está marcada para 27 de janeiro, durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, uma grande conferência com a participação de representantes internacionais, entre eles Evo Morales, Líder Camponês da Bolívia. Durante a conferência será iniciado o recolhimento de 1 milhão de assinaturas para que o plebiscito sobre a Alca se torne um projeto de incitava popular e seja votado no Congresso Nacional.

Fonte: MST Informa.




Segundo Encontro Hemisférico de Luta contra ALCA acontece em Cuba

De 25 a 28 de novembro acontece em Havana, Cuba, o Segundo Encontro Hemisférico de Luta contra a Área de Livre Comercio das Américas (ALCA), no âmbito do processo de sensibilização, educação e mobilização social intercontinental em torno da oposição à ALCA. O evento, que inclui oficinas, reuniões setoriais e plenárias, acontece no Palácio de Convenções de Havana. A abertura foi às 10h, desta segunda-feira, dia 25.

Mais informações: no site http://www.alcaabajo.cu/ ou pelo e-mail leonelgonzalez@ctc.cu. Contato: Leonel González González, Comitê Organizador do II Encontro Hemisférico de Luta contra a ALCA.

Fonte: www.forumsocialmundial.org.br




Trabalhadores portugueses marcam greve para dezembro

A Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), principal central sindical do país, escolheu o dia em que se comemora 54 anos da aprovação da Declaração Universal dos Direitos do Homem — 10 de Dezembro — para a realização de uma greve geral.

O objetivo é combater o novo Código de Trabalho (uma espécie de reforma trabalhista) e as políticas sociais e salariais do Executivo. A paralisação envolve também diversos setores da administração pública portuguesa, cuja reforma previdenciária que entrará em vigor em janeiro desagradou muitos servidores.

Sob o lema "Contra o pacote laboral, por políticas salariais e sociais justas", a convocação da greve recebeu o apoio imediato de partidos da Esquerda portuguesa, como o PCP, e o repúdio das organizações patronais. A UGT, outra central sindical do país, anunciou que irá aguardar até o fim da discussão pública (16 de dezembro). A entidade disse preferir realizar uma greve em janeiro, caso não haja recuo por parte do governo.

Mas para a sindicalista Deolinda Machado, da CGTP, o tempo de espera por um recuo significativo do Governo está esgotado. A sindicalista informa ainda que apesar da posição da UGT, outros sindicatos fora da CGTP já teriam aderido à paralisação.

"A desregulamentação total mantém-se e o Governo continua firme em manter os seus objetivos. Por isso, não temos outra solução do que começar a preparar a greve geral", salientou a sindicalista.

Fonte: www.vermelho.org.br.




Povo deve mostrar sua arte por toda parte no dia da posse de Lula, pede Augusto Boal

A posse de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República não poderá se reduzir "a uma obediente cerimônia protocolar em Brasília, mas deverá medir, milímetro por milímetro, 8 milhões e meio de quilômetros quadrados de largura e comprimento, por 175 milhões de altivez". Na opinião do diretor teatral Augusto Boal, a eleição de Lula foi única: "jamais se viu festa popular tão sincera, esperança tão arrebatada, feita, não de expectativa paralisante, mas de paixão criadora: começo da realização do desejo". Em artigo para o jornal "O Estado de São Paulo", Boal sugere que, no dia da posse, em cada cidade ou povoado as pessoas dêem vida a seu sonho. Para isso, ele enumera sete recomendações, conclamando orquestras, bandas, pintores, escultores, artistas de circo, poetas, "todo o povo" para estetizar seu sonho, mostrando sua arte em toda a parte. "Vamos saudar o dia, decretar a prorrogação da primavera por quatro anos ininterruptos", convida Boal. Ele pede ainda que as pessoas instalem mesas nas calçadas, levem alimentos e dividam com os outros, doem o que tiver de descartável em suas casas, pratiquem esportes e realizem tribunas livres nas praças no dia da posse de Lula. "Enquanto em Brasília dura a festa, no Brasil vive a alegria. Tudo é cultura", concluiu.

Fonte: www.acessocom.com.br




Abertura do cabo ameaça mídia, diz FNDC

Sob o título "Capital estrangeiro no cabo ameaça a luta pela democratização da comunicação", o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), lançou em 19/11, um manifesto que revela a versão da entidade sobre o "que está em jogo" com a abertura irrestrita da cabodifusão aos investidores estrangeiros. O texto destaca as resoluções e posições tomadas pela entidade, alertando que abertura da mídia sem a mediação de "todos os instrumentos antitruste e normas de direito econômico a que estão sujeitas as empresas nacionais poderá estabelecer o predomínio de conglomerados internacionais no controle do sistema de comunicações do Brasil". Em 5/11, a Comissão de Educação (CE) do Senado Federal aprovou, em caráter terminativo, o projeto-de-lei 175/01, de autoria do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que prevê a abertura total do capital societário das empresas de TV a cabo aos investidores estrangeiros, modificando a Lei do Cabo (nº 8.977, de 6/1/1995), que estabelecia este limite em 49%. A proposta depende aprovação da Câmara dos Deputados para entrar em vigor.

De forma inédita, o Fórum alerta a sociedade que a entrada do capital estrangeiro na rede de 43 mil quilômetros de cabos construída no País, a um custo de US$ 5 bilhões, "representa mais do que o controle da programação dos canais de TV por assinatura". Para a entidade, os grupos privados internacionais poderão controlar "a oferta de serviços de telecomunicações e acesso à internet por banda larga" e influenciar a definição da tecnologia digital a ser adotada pelo País. Cabe ao Congresso, auxiliado pelo Conselho de Comunicação Social (CCS), diz o texto, "elaborar um parecer que identifique possíveis ameaças à ordem econômica e os limites da concentração a que estariam sujeitos os investidores e os conglomerados resultantes das negociações de aquisição e fusão de ativos financeiros para fins de complementação da regulamentação proposta".

Resoluções e posições

No manifesto, o FNDC solicita que a Câmara dos Deputados rejeite o projeto 175/01 até que seja analisado, produzido e divulgado para a sociedade o "impacto" que a legislação teria. A entidade propõe que o CCS seja acionado para emitir parecer sobre a abertura ao capital estrangeiro na cabodifusão. O Fórum ainda reivindica que o Congresso Nacional não abdique de garantir, sob forma de projeto-de-lei, a tramitação da MP nº 70, que o Congresso elabore uma proposta de regulamentação para o artigo 221 da Constituição Federal e que consulte o CCS em todas as questões relativas à Comunicação Social.

Manobras políticas

O documento do FNDC denuncia ainda que o processo de abertura da mídia brasileira tornou-se ilegítimo e antidemocrático pelo modo como foi encaminhado. Uma sucessão de abusos, que podem indicar favorecimento a autoridades e submissão à pressão de grupos de mídia, tem marcado as decisões do governo FHC no setor das comunicações. Depois de ter se comprometido de enviar ao Congresso Nacional, sob a forma de projeto-de-lei, a regulamentação do artigo 222 da Constituição Federal permitindo a entrada de capital estrangeiro, no limite de 30%, em empresas jornalísticas e de radiodifusão, o governo editou em 2/10 a Medida Provisória nº 70 para normatizar a emenda. Na época, o ministro das Comunicações, Juarez Quadros, chegou a admitir que o governo teria tomado a iniciativa para atender ao pedido de "grandes grupos de mídia do país". Um dia depois, o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, e o presidente Fernando Henrique Cardoso assinaram uma alteração na regulamentação do Código de Ética Pública, que possibilitou à Parente o não cumprimento da quarentena a que estão sujeitos todos os altos funcionários do governo. Na época, a imprensa viu uma interferência direta de Parente no caráter de urgência com que foi proposta a MP pelo Ministério das Comunicações. Em 7/11, o ministro anunciou que iria assumir o cargo de vice-presidente do conglomerado de mídia gaúcho RBS assim que deixasse o governo.

Radiodifusores atentos

Para embasar a sustentação da tese, o documento menciona a opinião do consultor do SBT e presidente da União Nacional de Emissoras e Redes de Televisão (UneTV), Luiz Eduardo Borgerth, para quem a desnacionalização das empresas de TV a cabo, resultará, em pouco tempo, na desnacionalização da televisão brasileira, já que "mãos bilionárias e competentes" adequarão seu preço ao "bolso nacional". Conforme noticiou "AcessoCom", na época o consultor mostrou-se surpreso com o fato de exatamente na hora em que a Globo Participações e Comunicações (Globopar) anunciou o reescalonamento de sua dívida de US$ 2,6 bilhões, a CE do Senado, "com o apoio explícito do atual governo", tenha aprovado o projeto-de-lei 175. Matéria da revista "Forbes Brasil", registrada por "AcessoCom", também questionava se "a rapidez com que o projeto do senador Ney Suassuna foi aprovado" não estaria ligada à "solução Murdoch", ou seja, a compra da NET Serviços (ex-Globo Cabo) e a entrada do magnata australiano de mídia Rupert Murdoch, da News Corp., na estrutura acionária da TV Globo. O manifesto do FNDC recupera ainda as sugestões encaminhadas pela Rede Bandeirantes durante o período de consulta pública da regulamentação da abertura do capital estrangeiro na mídia aberta, que ocorreu entre 29/7 e 15/8.

Texto constitucional

Matéria da revista "Pay-TV" já tinha identificado a ameaça. Divulgando um estudo realizado pela Associação Brasileira de Informática e Telecomunicações (ABDI), a revista informava que os juristas consultados pela entidade haviam encontrado "brechas" no texto da emenda que regulamentou o artigo 222 da Constituição. Segundo eles, a alteração "pode provocar em breve grande confusão na interpretação dos diversos dispositivos incluídos no texto constitucional". Em outro texto, a publicação apresentou a interpretação de um advogado ligado ao segmento da TV paga que também questionava a nova redação do artigo 222.

Fonte: www.acessocom.com.br




Imprensa dos EUA esconde fatos essenciais sobre o Iraque, diz Solomon

À medida que os preparativos de uma ofensiva militar norte-americana ao Iraque se aproximam, a cobertura da imprensa parece se debruçar sobre o que é menos relevante. Os jornais, a TV, os noticiários da internet, aponta o crítico de mídia norte-americano Norman Solomon, dedicam grandes espaços ao debate sobre os prós e os contras das possíveis táticas de invasão. Contudo, como registrou a revista "Reportagem", os fatos que poderiam ajudar a opinião pública a assumir posição sobre a guerra são sonegados. Conforme a publicação, a imprensa dos Estados Unidos e da maior parte do mundo esconde, por exemplo, "que a inspeção das instalações militares iraquianas fracassou, há quatro anos, devido à postura adotada por uma parte dos inspetores, que passaram a atuar como espiões". Essa situação foi denunciada pelo ex-chefe da Comissão de Inspeções das Organizações das Nações Unidas (Unscom), Scott Ritter, no livro "Endgame: Solving the Iraq Problem Once and for All". Na obra, o militar norte-americano revela que os EUA convenceram parte dos inspetores a se desviar de seu mandato e praticar espionagem. A revista informa que Ritter pode ser considerado o responsável pelo adiamento da guerra. Em setembro de 2002 ele viajou a Bagdá, onde manteve seguidos contatos com autoridades iraquianas a fim de convencê-los a aceitarem a volta dos inspetores. Esse fato, no entanto, foi ignorado pela mídia dos EUA.

Fonte: www.acessocom.com.br




Entidades lançam Campanha contra assassinato de dirigentes na Colômbia
A Confederação Nacional das Federações dos Trabalhadores na Administração Municipal, Confetam (estrutura orgânica da CUT) e a Internacional dos Serviços Públicos, ISP (órgão vinculado à Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres, Ciosl) lançam, dia 28, em todo o país, uma jornada de lutas contra os assassinatos de dirigentes sindicais na Colômbia sem que nenhum mandante ou executor tenham sido presos, julgados e condenados. Haverá ato público em frente ao Consulado da Colômbia em São Paulo.

Fonte: jornalista Cláudia Santiago/CUT-RJ.




O que representa a vitória de Lucio Gutiérrez

Emir Sader

O que há de novo na vitória de Lucio Gutiérrez para a presidência do Equador? A pressa de assimilá-lo como um Hugo Chávez, pela sua origem militar e pelo fato de ter participado de uma tentativa de assalto ao poder, não capta o essencial dessa vitória.

Durante muito tempo na América Latina os movimentos sociais foram os principais protagonistas da resistência ao neoliberalismo – MST e CUT no Brasil, indígenas na Bolívia e no Equador, os zapatistas no México, CTA na Argentina. Havia uma dificuldade para traduzir esses movimentos em força política, produzindo um certo fosso entre a luta de massas e a luta institucional.

A chegada de Evo Morales ao segundo turno das eleições presidenciais na Bolívia representou um elemento novo, porque um líder do movimento cocalero, de origem camponesa e indígena, havia fundado um partido político, organizado uma plataforma e disputado com grande força as eleições presidenciais.

O caso do PT e de Lula também poderia ser invocado, embora o PT tivesse, por uma prática partidária de duas décadas, se organizado como força institucional e não poderia ser colocado diretamente no mesmo caso.

Lucio Gutiérrez expressa uma alternativa vitoriosa eleitoralmente, mais parecida com Evo Morales do que com Hugo Chávez, porque se assenta diretamente num movimento social organizado – uma frente de organizações camponesas e indígenas. Nesse aspecto conta menos sua origem militar e sua participação num movimento de tentativa de assalto direto ao poder, até porque o protagonista real deste foi o movimento indígena, que buscou sua liderança e não foi o efeito direto de uma rebelião militar, como foi o caso de Hugo Chávez.

Nesse sentido a vitória de Gutiérrez aparece mais como um incentivo aos movimentos sociais latino-americanos para buscar traduzir sua força em força política, do que um apelo para que militares busquem intervir diretamente nos processos políticos.

Tendo sido vitorioso, o movimento social equatoriano vai ter que enfrentar temas de governo – como o espinhoso de como enfrentar a dolarização e suas possíveis alternativas, que provavelmente só podem se dar no plano regional, com a criação de uma moeda comum --, apresentando-se como um desafio novo para as lutas sociais e de massa no continente.

Fonte: Emir Sader, O Mundo pelo Avesso/Agência de Notícias Carta Maior.




Agenda
25 a 28 de novembro – Encontro hemisférico de luta contra a ALCA, em Havana, Cuba. Inscrições abertas. Informações sobre a programação e sobre formas de hospedagem podem ser solicitadas através do site jubileubrasil@caritasbrasileria.org

26 de novembro – 10h, Reunião do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva com sindicalistas que participaram da sua campanha, no Hotel Hilton, centro de São Paulo. Lula agradecerá ao movimento sindical pelo apoio que deu à sua campanha.

28 e 29 de novembro – Reunião da direção nacional da CUT, em São Paulo.

28, 29 e 30 de novembro – Fórum Social Campinas. Informações www.fsmcomitecampinas.org/campinas ou pelo e-mail forumsocialcapinas@fsmcomitepaulista.org

4, 5 e 6 de dezembro – Seminário Brasil- Reino Unido "Comunidades Locais e Comunicação", na PUC/RS. Promoção: Prefeitura de Porto Alegre, PUC/RS e British Council. www.comunidadeslocais.palegre.com.br

6 e 7 de dezembro – Reunião da Comissão Nacional de Combate à Discriminação Racial da CUT, em São Paulo.




INFORMA CUT/RS é um informativo da Central Única dos Trabalhadores do RS

Presidente: Quintino Severo - Secretária de Comunicação: Selene Rodrigues Michelin

Jornalista Responsável: Katia Marko (Tel.: 3224-2484 / 9173-6899) - Endereço Eletrônico: impcutrs@terra.com.br





FICHA CORRIDA


De onde menos se espera...

... vem um avião da Al-Qaeda ou um Pedro "Acxiom Corporation" Parente. O besouro, que, segundo as leis da aerodinâmica, não teria condições de voar, tanto é verdade que precisou receber um "aporte liberal" de uma empresa norte-americana, está prestes a se esborrachar sobre a Região Sul. A perda contínua de assinantes é fichinha diante da perda acelerada da credibilidade. Qualquer camelô da praça da alfândega que resolver oferecer em voz alta um produto da RBS vê surgir ao redor de si um vazio. O público consumidor hoje já tem o Código de Defesa do Consumidor. Sugiro que todos os ex-assinantes do jornal Zero Hora que, ofensivamente, continuam recebendo o dito cujo, acionem o PROCON. Afinal, produto defeituoso faz mal à saúde.


Estou curioso para saber os termos do acordo a ser celebrado (o pessoal do Cartel de Medelin daria outro nome) entre a RBS Direct e a Acxiom Corporation, em São Paulo, nesta quarta-feira (27/11/2002). Não é todo dia que a amizade construída numa viagem de férias pelo Caribe, Ilhas Cayman e quejandos, rende casamento. Boa sorte ao coronelismo eletrônico!


Ah! e parem de demitir gente que não é culpada pelo ódio dos capitães de mato. A demissão é a primeira palavra dos incompetentes. Façam jornalismo ao invés de disseminar ódio.



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Pornografia I

Colocaram as fotos da Carla Perez num sítio pornô americano. Virou notícia porque ela não sabe os motivos...



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Pornografia II

Melhor que limpar é não sujar. Lembrei-me desta frase hoje ao ver a estampa de um sujeito metido a besta, e por isto está na pasta de agricultura. Para quem não lembra, o sinistro da agricultura, Pratini "faz jus ao sobrenome" de Moraes, levou quatro anos para erradicar a aftosa. Graças a deus, neste final de ano, teremos duas boas notícias. Os dois vão embora, juntos como chegaram. Saudações Aftosas (foi um dos primeiros artigos que escrevi ao Observatório da Imprensa), pra ti, Pratini! E que o pasto lhe seja fresco.



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Acidente I

Este foi mais um fim de semana de carnificina. Só que desta vez não deve sair na capa da Zero Hora (alguém depois me conte que eu não olho prá coisa feia!). Foram 15 mortes causadas pela violência no trânsito. Deve ser culpa do Bisol ou da política de segurança do Estado. Este é o típico fenômeno que se poderia co-responsabilizar o coronelismo eletrônico que faz a apologia da violência. Quem luta para que não haja controle eletrônico de velocidade também é co-responsável. Os familiares das vítimas deveriam citar como testemunhas os defensores do neoliberalismo nas estradas.



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Acidente II

O jornal, que anda cada vez mais parecido com seu concorrente, traz a manchete: "Rigotto se propõe a ajudar Olívio na busca do dinheiro do RS em Brasília." Foi um acidente de manchete que explica mais do que duas campanha eleitorais juntas. Primeiro: Rigotto aparece pela primeira vez acompanhado do verbo "ajudar". Segundo: ao terminar dizendo "do dinheiro do RS em Brasília", falta um complemento explicativo que atende a pergunta QUEM? Quem havia levado o dinheiro do RS para Brasília? Alguém ainda lembra da luta do Olívio para refazer o pacto federativo, e a luta de alguns parlamentares contra a Lei Kandir? Pois é, lá também não consta o nome do homem botox, enquanto parlamentar. Agora consta dos diários de todo o país que a dita lei será mudada. Até a lei dos fisiológicos é fiosiológica. Aqui no Estado este filme já passou, pois, no intervalo entre a divulgação do Olívio e a tomada d! e posse, a bancada do ódio promoveu mudanças nas regras do ICMS. Aliás, a Lei Kandir contribuiu muito para que aqueles 30% dos precatórios do DNER acontecessem. Detalhes, com Eliseu Padilha, vulgo Rima Rica, ajudante de ordens do homem botox.

Mais detalhas da biografia dos amigos de confiança do homem botox AQUI!


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Falta de Recursos


O Governo Federal vendeu o que pode e deixou uma dívida astronômica. Não bastasse isso, pediu e ganhou vários bilhões do FMI. E a imprensa amestrada não o acusa pela falta de recursos. A RBS está indo à falência. Precisa urgentemente de recursos, a que uma empresa americana está prestes a entrar no bolo, mas ninguém a acusa de má gestão ou de incompetência. O atual governo estadual não vendeu nenhuma empresa pública. Honrou todos os compromissos, mesmo os leoninos perpetrados pelo bambi da RBS. Não aumentou nenhum imposto, em que pese as várias tentativas que a Assembléia canhestra barrou. Além disso, ninguém pode acusá-lo de malversação de recursos, inclusive pela criação de uma Universidade Pública gratuita. A dívida da União foi cobrada inclusive na justiça, mas até agora os competentes de porra nenhuma ainda não saldaram. E aí vem o coronelismo eletrônico, entrouxado de jornalistas amestrados, como celulares pré-pagos, acusar o governo estadual por falta de recursos no último mês de gestão. Isso é canalhice pura!



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A Propósito

Se Lula resolveu falar duro com os EUA, que são o câncer nacional, por que o homem botox não fala duro com a RBS, a Aids gaúcha?




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Abraços
Gilmar Crestani
http://www.crestani.hpg.com.br/


segunda-feira, novembro 25, 2002

MIDI@LERTA

Os Jornais

25-11-2002



Combatendo junto com a mídia amiga

Cresce no Rio Grande do Sul, como é natural, o espaço do governador eleito na mídia, na medida em que se aproxima a hora da posse. Hoje (25) ele falou ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, pertencente à RBS. O mote são as finanças, e a exploração do mesmo ajuda a tirar o foco das muitas realizações do governo que se despede. "Eu vou ajudar em tudo o que puder ajudar, mas o que nós devemos realizar é uma transparência da situação financeira do Estado", diz o futuro governador.


"As dificuldades são grandes. O próprio Orçamento do Estado está sendo votado na Assembléia. Não adianta acreditar que eu possa mudar o Orçamento porque eu não posso criar receita, mas está subestimado o gasto com o pessoal, está subestimado o gasto a pagar a dívida com a união, o que significa que tem um rombo na proposta orçamentária. Alguns dizem: porque não modifica? Modifica como? Eu vou criar receita? Eu vou conseguir criar receita? Eu tenho que mostrar que existe esse rombo, mas eu tenho que saber qual é a realidade do Estado. Então, através da Rádio Gaúcha, estou me dispondo a combater esse pleito de conseguir os recursos para o Estado junto ao Governo Federal ..."


A Rádio Gaúcha é apenas um dos aliados de Germano Rigotto. "Eu acredito que o PMDB, meu partido que me lançou como governador, e depois todos os partidos que me ajudaram nessa empreitada, vão compor comigo o Governo, mas temos que qualificar antes de tudo. Tem tanta gente em Brasília, e gaúchos, que estão deixando o Governo e que podem vir qualificar aqui. Eu não convidei ninguém ainda".


A RBS já convidou Pedro Parente, ministro da Casa Civil de FHC, que virá de mala e cuia, com todo um cabedal de conhecimentos de negócios do Estado, para qualificar aqui a rede de interesses da RBS. Aquela que, durante quatro anos, sonegou as melhores notícias sobre o RS, mas que agora já prepara a mudança.




Pauta de Segurança não falta em Zero Hora


O importante para ZH (ainda) é mostrar o que vai mal no Estado. Em qualquer emergência, enquanto não muda o governo, a (falta de) segurança garante matéria negativa. Em "Comunidade escolar pede mais segurança" (p.36) um rol de queixas, com certeza fundamentadas, da comunidade de uma escola estadual da Zona Sul dá hoje (25) mais uma oportunidade a ZH de tratar o ensino nas páginas policiais. São coisas que acontecem, embora nos veículos da RBS aconteçam apenas e tão somente coisas desse tipo.


O Correio do Povo, no mesmo dia (25), trata da educação e do ensino público do RS com informações do tipo geralmente sonegado por ZH. "Inclusão destaca ensino público do RS: experiência gaúcha será levada esta semana ao encontro da esquipe de transição de Lula na área educacional". O CP recupera algumas ações (do governo que a RBS combateu diariamente nos últimos quatro anos) que ZH metodicamente esconde:

"* Formação permanente dos educadores. * Investimentos superiores a R$ 270 milhões em obras escolares e equipamentos. * Ampliação do acesso ao ensino, com mais vagas e nomeação de docentes. * Democratização do ensino, com eleição direta de diretores de escolas públicas. * Desenvolvimento de políticas educacionais e PPDs, indígenas, adultos, Escolas Abertas, Itinerantes e Técnicas. * Informatização nas escolas. * Criação da Uergs." O problema é que, mal ou bem, o Correio do Povo comporta-se como jornal, e os órgãos da RBS como partido político.




Recepção festiva - mas cadê o povo?

A coluna do porta-voz político da RBS, José Barrionuevo, na ZH de hoje (25) abre com uma foto em duas colunas de Rigotto cercado de políticos amigos, correligionários e membros de seu futuro governo. A nota relativa à foto afirma que "Rigotto teve uma recepção festiva ontem em Nova Petrópolis, onde desfilou em carro aberto (...)". Ele estava acompanhado do vice Antonio Hohfeldt, de Alberto Oliveira, Kalil Sehbe, José Sartoni e outras personalidades, inclusive o prefeito local.

Sem querer desmentir a nota de Barrio, Midia Alerta é obrigado a dizer que a recepção pode ter sido "festiva", só que o povo não participou da festa: basta observar bem a fotografia para ver que não há sequer uma pessoa na calçada a saudar o novo governador, que abana diretamente para o fotógrafo.



Coração espanca a estrela

O chargista Iotti de Zero Hora, na página 17 da edição de sábado (23), tenta mostrar isenção e se recuperar com os simpatizantes e filiados do PT. Ele publica um coração, com olhar diabólico e dentes à mostra, batendo com um pedaço de madeira em uma amável estrela com uma flor na mão. A charge tem como destino a disputa pela presidência da Assembléia Legislativa, onde o PT, que tem a maior bancada, foi escanteado pelo PMDB, PSDB, PTB, PDT e PPB.

Como se recorda, outra charge sua com as mesmas personagens (mas onde o agressor era a estrela petista), publicada durante o 2º turno da eleição para o Governo do Estado, ajudou a fortalecer o fabricado sentimento antipetista.



Conquistas do governo Olívio e a cortina de silêncio

Sob o título "Paim diz que abre mão de ministério pela vaga no Senado", o Jornal do Comércio de hoje traz boa entrevista do político petista nas págs. 20 e 21. Lá pelas tantas, ao analisar os motivos que teriam levado à derrota do PT nestas eleições para o governo estadual, Paim enumera, entre essas razões, o fato de que "nosso governo perdeu a batalha da comunicação".

Ele mesmo só ficou sabendo de "números, atos e projetos, enfim, investimentos que o governo Olívio fez", segundo suas palavras, "somente na campanha". Mais: "perdendo esta batalha, não conseguimos justificar nem o que não fizemos (...)".

A análise está perfeita. Uma vez mais, porém, faltou acrescentar um dado principal que determinou esta não divulgação à contento das realizações do governo Olívio: o verdadeiro e inexpugnável paredão de silêncio, omissão e distorção, pela mídia majoritária, de conquistas do governo petista, paredão erguido pela RBS, em orquestração com a oposição conservadora.

Só como um exemplo, até tardio, desta política de silêncio, basta olhar matéria de ZH na semana passada que fala do aumento de vagas universitárias no RS mas que em nenhuma linha refere-se à Uergs - criada no atual governo e que trouxe mais 1.790 gaúchos para o estudo universitário, em 29 cidades, em seu primeiro ano de existência (a partir de 2001).

Falando simplesmente: se a RBS domina e insere-se de forma cada vez mais profunda em todos os setores do universo de comunicação do Rio Grande do Sul – e se o que não é divulgado por ela (de uma peça de teatro infantil a um projeto governamental) "não existe" – é fácil perceber a enorme dificuldade de fazer chegar à população as realizações do atual governo. Tema para muito debate, mas jamais para omissão.



Problemas de visão em O Sul


O que é mais importante: a presidência do Banco Central – com a polêmica possibilidade de Armínio Fraga permanecer alguns meses no cargo, já no governo Lula – ou o fato do presidente eleito usar óculos para "vista cansada"? Óbvio que a segunda opção é, naturalmente, a acertada – para O Sul, claro. Tanto é assim que o jornal impresso da Rede Pampa abre sua matéria da pág. 7 de seu "Caderno Reportagem" com o título: "O distúrbio visual do presidente eleito".

A matéria – com foto enorme mostrando Lula e sua mulher Marisa lendo no avião, usando óculos – teria importância se, por exemplo, Lula estivesse com risco de cegueira ou algo assim. Mas não se trata disso: é apenas opção preferencial de O Sul pelo detalhe corriqueiro, pela fofoca, pela superficialidade.

Só a partir do quarto parágrafo, é que o leitor fica sabendo de: A) uma reunião de Duda Mendonça e líderes do PT para a posse do novo presidente e B) (finalmente) negociação de Guido Mantega com Armínio Fraga, sobre o Banco Central, noticiada sem qualquer destaque.

Não há dúvida que estamos diante de um jornalismo que tem, ele sim, sérios problemas de visão.



Quem garante é o Ibope

O Sul vem publicando há vários dias, no canto superior esquerdo da capa, um anúncio amarelo com letras vermelhas, dizendo que "O Sul já tem 417.000 leitores só na Grande Porto Alegre, sem falar no interior". A fonte da informação é o Ibope – jul/set 2002.

Não é por nada não, mas vale recordar que o Ibope teve sua credibilidade seriamente abalada depois do episódio das pesquisas, durante o período eleitoral. Além disso, o órgão responsável para medir a tiragem de um jornal é o Instituto Verificador de Circulação – IVC...



Alhos com bugalhos

Uma nota publicada na página 12,e a legenda da página 2 de O Sul, devem ter causado algumas dúvidas nos leitores.

A nota diz que "o compositor mineiro João Gilberto encerrou neste final de semana o Circuito Cultural Banco do Brasil com um show na Tenda Principal do Parque Marinha do Brasil. João Gilberto tocou seus sucessos acompanhado do músico gaúcho Gelson Oliveira".

Em primeiro lugar, João Gilberto é baiano; e em segundo, quem se apresentou no Marinha do Brasil foi João Bosco (esse sim, mineiro).

A legenda da página 2 diz que "após tentativas frustradas, a Nasa conseguiu lançar, neste final de semana, o ônibus espacial Endeavour. O ônibus leva para a Estação Espacial Internacional sua tripulação, formada por dois astronautas norte-americanos e um cosmonauta".

A legenda não explica a diferença entre astronauta e cosmonauta e a coisa fica por isso mesmo. No espaço.


Males da imprensa brasileira


Uma pesquisa da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) , realizada com 56 jornais impressos de todo Brasil e três revistas semanais, revela que a imprensa brasileira aborda superficialmente temas complexos, como desenvolvimento humano e pobreza. Na cobertura de temas sociais, por exemplo, dedica menos de 1% das matérias à discussão da democracia.


Segundo a pesquisa, a maioria das matérias sobre pobreza e desenvolvimento são produzidas para divulgar políticas públicas. Cerca de 60% são pautadas pelos organismos internacionais, a partir dos anúncios oficiais. Apenas 15,8% são produzidas por iniciativa da própria imprensa.


Apesar de 35% das matérias sobre desenvolvimento humano terem a pobreza como foco, somente 14,5% falam sobre a criança e o jovem; 2,7% priorizam a discussão dos direitos humanos; 1,3% abordam meio ambiente e apenas 0,8 propõe questionamentos sobre democracia. Para os especialistas, pobreza, infância, democracia, meio ambiente e economia são fatores que constróem o desenvolvimento humano e social de um país e não podem ser analisados separadamente.

*Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

Assinar: assinar-midialerta@grupos.com.br