quinta-feira, janeiro 09, 2003

MIDI@LERTA

Os Jornais
08-01-2003



Vera Spolidoro estréia coluna política em O Sul

O Sul, assim, investe num diferencial a mais, em tempos de Lula lá: Vera Spolidoro, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas do RS, já foi coordenadora de Imprensa da Prefeitura de Porto Alegre, por muitos anos assessorou Tarso Genro e representa, pela primeira vez na história gaúcha, a chegada de um profissional assumidamente de esquerda como titular de uma coluna de notas políticas.

Não há exagero: muitos dos que dão palpite sobre o assunto na imprensa riograndense são assumidamente liberais ou neoliberais; outros tantos não têm coloração ideológica, ao menos em teoria.

Mas conforme tese acadêmica do jornalista Marco Antonio Schuster, a imprensa no RS, desde os tempos de A Federação, jamais contou em seus quadros com um colunista político, voltado aos temas locais, claramente de esquerda. Já era hora.

Parabéns, O Sul!



Escuta clandestina pode ter bisbilhotado a gestão Olívio, diz CP

Armando Burd, em sua coluna "Panorama Político", na pág.4 do Correio do Povo de hoje (08), na nota "Pergunta", faz um importante questionamento, a respeito dos três aparelhos de escuta clandestina descobertos no Palácio Piratini: quando foi realizada a última varredura pela Casa Militar do governo anterior? Burd argumenta que é até possível que as escutas tenham sido colocadas para "bisbilhotar a gestão Olívio, e esquecidos na hora de sair".

Na verdade, sua hipótese é tão válida quanto qualquer outra. Cabe à imprensa ficar em cima do lance, para ver se afinal chega-se aos autores de artifício tão imoral.

Já a Zero Hora de hoje, sobre o mesmo tema – ampla matéria na pág. 6 ("Piratini sofre tentativa de espionagem"), traz entrevista com o coronel Lauri Schröeder (que comandou a Casa Militar entre setembro de 2001 e novembro de 2002). E dá ao, menos em parte, a resposta pedida por Armando Burd, do Correio: "No meu período, não fizemos nenhuma verificação".

Schröeder chega a surprender pela ingenuidade em alguns trechos da entrevista: "(...) a própria empresa telefônica dá informação sobre suspeita de algum tipo de escuta". E essa: "Alguém entrar no palácio para colocar uma escuta é impossível, em função da segurança interna".

Então tá.



Comportamento do retrocesso humano

A polêmica sobre a mudança de comportamento da Brigada Militar, cristalizada no episódio dos quatro assaltantes mortos em confronto com policiais, está causando uma certa divisão na sociedade gaúcha, nos últimos dias. Um bom exemplo é a comparação de opiniões de dois colunistas da imprensa gaúcha.

De um lado, famoso por posições do tipo "Bandido bom é bandido morto", temos Rogério Mendelski. Em sua coluna de hoje em O Sul, apesar de utilizar alguns paliativos e dizer que "o enfrentamento não significa que estamos vivendo um novo tempo, onde vai imperar o sistema de Tolerância Zero", deixa clara sua posição, que na prática é mesmo tolerância zero. Mendelski, em seus programas na Rádio Gaúcha, em estilo esquadrão da morte implícito, comemorava cada vez que um bandido morria em confronto com policiais.

A colunista e editora de Política de Zero Hora, Rosane de Oliveira, por sua vez, ao analisar a ação policial que culminou com a morte dos assaltantes, levanta duas possibilidades: pode ter sido um incidente de percurso, onde os policias responderam ao fogo bandido, ou também pode ser uma mudança de comportamento da Brigada, que "estaria liberada para matar". Neste caso, de acordo com a colunista, "os gaúchos estariam divididos em dois grupos: os que aplaudem este novo comportamento da BM e aqueles que ficam estarrecidos com a perspectiva de o extermínio se consagrar como método de combate à criminalidade". Rosane de Oliveira alerta para riscos que o atual governo pode correr, no caso de se consagrar o método do extermínio, como o "Caso do Homem Errado", ou também para a morte de cidadãos em áreas de grande movimento, que possam ser atingidos por balas perdidas, inclusive disparadas por policiais. Vale ressaltar um pequeno trecho do texto de Rosane: "Combater a criminalidade sem apelar para a barbárie é o desafio dos governadores que tomaram posse em 1º de janeiro e do presidente da República."

Apenas para informar: ainda sobre o episódio desta semana, no centro de Porto Alegre, quando um bandido morreu, há notícia de que duas outras pessoas, pedestres que se encontravam nas redondezas, ficaram feridas à bala, na troca de tiros. No entanto, nenhum veículo deu destaque à informação.



Radical e trotsquista?

O colunista do Jornal do Comércio, Fernando Albrecht, na nota "Curiosidade americana" comenta que um jornalista americano do New York Times está em Porto Alegre para saber como é que o PT gaúcho perdeu as eleições "em um estado que é – ou foi – mundialmente considerado como pólo da esquerda radical e trotsquista".

Radical e trotsquista? Jornalistas conservadores, e conservadores em geral, não cessam de querer colar ao PT este tipo de rótulo – mais de 20 anos depois do Partido dos Trabalhadores ter sido fundado e após ter governado dezenas de cidades, capitais e estados brasileiros, sempre dentro dos princípios da lei e da Constituição. Aliás – diga-se de passagem, caso alguém tenha esquecido – mais dentro da lei, na imensa maioria dos casos, do que grande parte dos partidos e organizações conservadoras...



Banco Central: um falso consenso

A imprensa toda destacou, com razão, a posse do novo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que substitui a Armínio Fraga. Dos jornais gaúchos, Zero Hora deu a notícia na capa e acertou em cheio na questão mais importante, ao destacar a proposta de autonomia do Banco Central, defendida pelo novo presidente e pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Faltou, no entanto, o contraponto questionando a idéia, já que não há consenso a este respeito nem mesmo dentro do PT. Desde quando se começou a falar nisso, logo após o anúncio do ministério de Lula, a proposta vem transitando na imprensa como se não houvesse divergências a respeito.

Sem dúvida, o mercado financeiro, os que até ontem eram governo, a elite empresarial e adjacências do conservadorismo, aplaudem a idéia. Ainda que a autonomia não signifique independência total, como tenta mostrar Zero Hora, o fato é que já no governo FHC o Banco Central assumiu, de fato, o comando da economia brasileira. Tendo Meirelles, um ex-banqueiro, à frente do BC, e ainda autônomo, como é que fica a política econômica do novo governo? O jornal O Sul, por exemplo, chegou a colocar como título, na página 11: "Banco Central tem presidente novo, mas o discurso é o mesmo".

Por estas e outras, seria bom a imprensa abrir o debate, já que a proposta de autonomia precisa ser aprovada pelo Congresso, ouvindo outras opiniões além do governo, banqueiros e economistas ligados a eles. É um tema importante demais para os próximos anos do País, sobre o qual não se pode deixar passar um falso consenso, quando está em jogo nada menos que a proposta desenvolvimentista e de mudança que o povo elegeu.



Imprensa acorda para o Fórum Social Mundial

Finalmente, nesta semana, a imprensa gaúcha parece ter acordado definitivamente para o que promete ser o maior acontecimento do ano no RS, o Fórum Social Mundial, de 23 a 28 deste mês. Às vezes dá a impressão que as redações ainda não entenderam a dimensão deste evento. Mas, volta e meia sem o destaque merecido, o assunto vem sendo notícia nos últimos dias. Zero Hora de hoje chega a dedicar um editorial ao tema, no qual conclama a população a dedicar aos visitantes a mesma hospitalidade dos anos anteriores. Mesmo ressalvando uma suposta "carência de pluralismo" por ser um evento de esquerda, o jornal reconhece: "A visibilidade que esse evento deu a Porto Alegre retrata a importância das questões postas em debate, conferindo à capital gaúcha a condição de contraponto político e ideológico para a maneira como os países hegemônicos utilizaram e utilizam a liberdade de comércio, a supremacia tecnológica e as vantagens da globalização".




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segunda-feira, janeiro 06, 2003









Informa CUT/RS:



1 - CUT defende a manutenção da multa de 40% sobre o FGTS;

2 - Partidos escolhem suas lideranças no Congresso;

3 - Minicom retomará formulação de políticas, diz Teixeira;

4 - II Festa Social Mundial será dia 10 de janeiro;

5 - Agenda.




CUT defende a manutenção da multa de 40% sobre o FGTS
O presidente nacional da CUT, João Felicio, afirmou nesta segunda-feira, dia 6, que “a CUT defende a continuidade da multa de 40% sobre o saldo do FGTS tanto como uma forma, ainda que não ideal, de compensar a baixa remuneração que o FGTS recebe, como para inibir dispensas”. Felicio reconhece que podem existir trabalhadores que negociam essa multa com os empregadores, mas “são uma minoria e não podemos penalizar a maioria pelos excessos de alguns”, diz ele.
O presidente da CUT disse ainda ser a favor de mudanças na legislação trabalhista e na própria CLT, mas ser contra a perda de direitos dos trabalhadores, de resto já bastante penalizados pelo desemprego e baixos salários.
Fonte: Agência de Notícias da CUT.



Partidos escolhem suas lideranças no Congresso
Os partidos políticos representados no Congresso, mesmo antes de começar a nova legislatura, começam a definir o comando partidário nas duas casas do Parlamento Brasileiro.

O PT, maior bancada partidária na Câmara, escolheu o deputado Nelson Pellegrino (BA) para liderar a bancada nesse ano. Pellegrino é advogado e está em seu 2º mandato. Foi deputado estadual por dois mandatos (1991-95 e 1995-99) e diretor regional da União Nacional dos Estudantes (UNE). Filiado ao PT desde 1980, já presidiu o partido no Estado (1991-92 e 1995-96). Destaca-se na Câmara pela defesa dos direitos humanos e educação, além de ter colocado o seu mandato a serviço da luta contra a privatização do Banco do Brasil, Petrobras, Serpro e Previdência Social.

O deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP) será o líder do governo na Câmara. Os interesses do novo governo estarão representados pelo experiente deputado por São Paulo, eleito para o seu 4º mandato. Jornalista, deputado de boa formação intelectual, tem bom trânsito no Congresso, liderou o Partido na Câmara. Ex-presidente da UNE, tem fortes vinculações com os movimentos populares, sindicais e estudantis. Debatedor qualificado, prioriza a defesa do interesse nacional e dos trabalhadores, servidores públicos e aposentados. Nessa legislatura que se encerra em fevereiro, é presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional.

No Senado, o líder do PT será o senador Tião Viana (AC). Médico, o senador de primeiro mandato é irmão do governador reeleito do Acre, Jorge Viana. É membro titular das Comissões de Assuntos Sociais e Relações Exteriores e sua principal área de atuação é a saúde.

Ao senador eleito Aloizio Mercadante (SP) caberá a tarefa de liderar o governo federal no Senado. O deputado estava em seu 2º mandato federal e foi eleito senador por São Paulo com mais de 11 milhões de votos. Paulista, economista e professor universitário. Principal assessor econômico e coordenador de programas de governo do PT, é uma das mais importantes referências da esquerda na área econômica. Oriundo do movimento estudantil, atuou no movimento sindical, na condição de vice-presidente do Andes – Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (1981-94) e foi assessor econômico da CUT.

Outro parlamentar de destaque que já definiu seu posto é o senador Eduardo Suplicy (PT/SP). Economista, 2º mandato é o atual líder do PT no Senado. Parlamentar atuante e de visão nacional, destaca-se por sua preocupação com a transparência da formulação e execução das políticas públicas, além da defesa da eqüidade social. O senador Suplicy será o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Trata-se de uma das comissões mais importantes daquela Casa legislativa juntamente com a Comissão de Constituição e Justiça. A CAE é responsável por matérias ligadas à política de crédito, finanças públicas, câmbio e sistemas monetário e bancário, etc.

Para Paulo Paim (PT/RS), experiente e atuante parlamentar eleito para o seu primeiro mandato no Senado, caberá a Primeira Secretaria da Mesa Diretora do Senado Federal. Metalúrgico, Paim está no exercício do 4º mandato de deputado federal. É um dos principais interlocutores dos trabalhadores no Congresso Nacional.

Fonte: Agência Diap.




Minicom retomará formulação de políticas, diz Teixeira
Ao tomar posse no Ministério das Comunicações em 2/1, o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) deixou claro que em sua gestão a pasta será a responsável pela formulação e pelas decisões políticas do setor, e não a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). “Se os ministros anteriores renunciaram a essa prerrogativa, não farei o mesmo”, disse Miro, explicando que a definição política é de alçada do Minicom. No seu discurso de posse, Teixeira assegurou que em sua gestão não haverá espaço para "leviandades" e serão cumpridos os dispositivos constitucionais e as determinações da Justiça. "Daqui sairão políticas públicas relevantes. Espero não decepcionar o meu partido, o PDT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o povo brasileiro", afirmou o novo ministro. O novo titular do Minicom também deixou claro que a criação de novas políticas públicas que contemplem a escolha de um padrão para a TV Digital e o acesso à internet nas escolas públicas vão merecer atenção concentrada. A cerimônia de posse de Miro Teixeira – único ministro do PDT no governo Lula – foi marcada pela ausência do presidente do partido, Leonel Brizola, que preferiu prestigiar a posse do professor Cristóvam Buarque no Ministério da Educação.

A “Gazeta Mercantil” registrou que Miro Teixeira acredita que o país possa “desenvolver o seu próprio padrão digital, ao invés de adotar um dos três já existentes - norte-americano, europeu e japonês”. Neste sentido, a realização de acordos internacionais de desenvolvimento tecnológico com países do porte da China e Índia, por exemplo, poderá viabilizar a escala industrial necessária para o projeto de produção de receptores de televisão compatíveis com o padrão brasileiro. Para Teixeira, como informou o serviço de notícias “Tela Viva News”, o desenvolvimento de um padrão próprio vai facilitar a implantação de uma política industrial para o País. O ministro cita como exemplo da viabilidade e pertinência de sua idéia, o fato da escolha do PAL-M como sistema de transmissão em cores da televisão analógica brasileira ter permitido o desenvolvimento da indústria de televisores no Brasil. Mas o ministro disse que esta proposta ainda terá que ser discutida com o presidente da República. A respeito da política de implantação de acesso à internet nas escolas públicas, Teixeira sugeriu a internacionalização do processo, de forma a atrair investidores externos. O ministro desvinculou a utilização de recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) para a implantação de redes que permitam às escolas o acesso à internet. Declarando que deverá se encontrar com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, para propor o descontingencionamento de R$ 2 bilhões arrecadados a título de contribuição das empresas ao Fust, Teixeira afirmou que pretende separar os equipamentos do contrato de prestação do serviço. “‘A questão do Fust não pode ser confundida com compra de computador’”, afirmou ao jornal “O Estado de São Paulo”.

Transparência na radiodifusão
Miro Teixeira afirmou ainda, segundo a “Tela Viva News”, que uma das suas primeiras ações no comando do Ministério das Comunicações será tornar públicas todas as informações sobre as empresas concessionárias do serviço de radiodifusão, inclusive as composições societárias das concessionárias. “O que se passa com as concessões é uma caixa preta. São conhecidos apenas os nomes fantasias das empresas. Como se trata de uma concessão de serviço público, o público tem direito de saber qual é a verdadeira identidade das empresas", disse Teixeira. Sobre as declarações do ex-ministro Juarez Quadros sobre atos "levianos" que teriam sido cometidos durante o processo de outorga de concessões de radiodifusão (referindo-se aos problemas que levaram a destituição de três membros da Comissão de Licitação e exoneração do secretário de Radiodifusão, Antônio Carlos Tardelli), Miro Teixeira disse que sua equipe também terá mecanismos para combater este tipo de atitude.

Novos nomes
Miro Teixeira aproveitou a oportunidade para anunciar alguns dos nomes de sua equipe no Ministério das Comunicações. José Guimarães Palácio Neto será o secretário-executivo do ministério. Ex-diretor de Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações do Distrito Federal (Sinttel-DF) e filiado ao PDT, Palácio atuou também como diretor da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações (Fittel) durante o período de privatização do Sistema Telebrás. De acordo com o “Tela Viva News”, existe ainda a possibilidade de o Sinttel-DF indicar o nome do novo secretário de Serviços de Telecomunicações (cargo a ser criado no Minicom), sendo que o nome mais cotado para a posição é o de Brígido Ramos, que colaborou na equipe de transição do PT. Resta ainda saber a que grupo partidário será designada a Presidência dos Correios, reivindicada pela bancada do PT para o coordenador da transição no setor, o engenheiro Israel Bayma.

Escolha acirrada
As negociações para a indicação de um secretário de Serviços de Radiodifusão também já começaram. O serviço de notícias registrou que o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) deverá sugerir nomes, mas que Miro Teixeira tem deixado claro que não pretende criar polêmica com os radiodifusores. Ele tem evitado, por exemplo, comentar sobre possíveis irregularidades no processo de licitação de rádios e TVs e não dá declarações claras sobre o projeto de Lei de Comunicação Social Eletrônica, o que pode ter implicações na escolha do nome. Nesse sentido, pode ser então que Miro Teixeira, mais uma vez, acate a sugestão da Fittel. O nome recomendado pela federação foi o do acadêmico Marcos Dantas. Contudo, algumas entidades do FNDC reivindicam o cargo para o professor de comunicações da Universidade de Brasília (UnB), Murilo César Ramos.

Encontro com entidades
Duas horas depois da posse, Teixeira esteve reunido com um grupo de entidades de trabalhadores da área das comunicações – Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) e Associação Brasileira de Canais Comunitários (Abccom) - e telecomunicações (Fittel e diversos sindicatos de trabalhadores em empresas de telecomunicações), incluindo representantes dos funcionários dos Correios. O ministro lembrou aos sindicalistas que o presidente Lula quer pressa na tomada de decisões em benefício da população, mas que "não haverá espaço para leviandades". Teixeira disse ainda que está avaliando a possibilidade de rever alguns atos do ministro Juarez Quadros nos últimos dias de sua gestão, como a concessão e a revogação de outorgas de retransmissoras de televisão, por considerá-los “estranhos”.

Reivindicações e críticas
Na reunião com Teixeira, a presidente da Fenaj, Beth Costa, reivindicou a possibilidade de discutir o projeto de Lei do Serviço de Comunicação Social Eletrônica, cujas duas minutas foram apresentadas pelo ex-ministro Juarez Quadros para apreciação do novo governo. O representante da Abraço, José Soter, pediu ao ministro uma atuação no sentido de se pacificar o segmento para que este possa atender aos objetivos para o qual foi criado. Já o diretor-executivo da Abccom, Paulo Miranda, fez duras críticas ao atual modelo de comunicações brasileiro, pedindo ao ministro que recupere as prerrogativas do ministério e que se fosse preciso, "acabe com a Anatel, um elemento de política neo-liberal que existe apenas para esvaziar o poder de intervenção governamental". Miranda, registrou o serviço “Tela Viva News”, sugeriu a criação de um fundo de sustentação para as emissoras comunitárias para permitir o desenvolvimento deste segmento de radiodifusão. A Anatel também foi duramente criticada pelo presidente da Fittel, José Zunga, para quem o órgão “acabou com os empregos especializados e de qualidade no setor através da terceirização acelerada dos diversos serviços e que ao invés de universalizar os serviços, criou dois tipos de usuários de telefone: os que têm telefone, e os que estão com o nome no Serasa por inadimplência”.

Fonte: www.acessocom.com.br




II Festa Social Mundial

O Comitê Gaúcho do Fórum Social Mundial organiza a sua II Festa Social Mundial. Será dia 10 de janeiro, a partir das 21h30min, no CTG Estância da Azenha (rua Aureliano de Figueiredo Pinto, 155). O ingresso custa R$ 5,00. Na compra de uma camiseta do Comitê Gaúcho, o ingresso é grátis. A sede do comitê fica no Cpers-Sindicato, rua Alberto Bins, 480 3º andar.




Agenda
16 de janeiro – 14h, Reunião da Comissão Estadual de Combate à Discriminação Racial (CECDR-CUT), na sede da CUT/RS (Rua Barros Cassal, 283).

16 a 19 de janeiro – Fórum Social Pan-Amazônico, em Belém do Pará, Brasil. Informações no site www.fspanamazonico.com.br . Contatos (e-mails): • Pep Valenzuela - pepvalenzuela@yahoo.com,
gtanacional@gta.org.br • Luis Antônio Papa - cri-pmb@belem.pa.gov.br, luis_antonio_papa@hotmail.com
15 a 22 de janeiro – X Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação Social, no Instituto de Educação Flores da Cunha, em Porto Alegre.Informações no site www.enecos.org.br/x-cobrecos . Contato com Daniel Cassol pelos fones (51) 3388 4729 (51) 9944 8407 e e-mail dbcassol@yahoo.com.br

18 a 29 de janeiro – Acampamento Intercontinental da Juventude, no Parque da Harmonia, em Porto Alegre. Mais informações: Site: www.juventudefsm.org Email: juventudefsm@portoweb.com.br Fone: 51 3228 1604.

19 a 22 de janeiro – II Fórum Mundial de Educação, no Gigantinho, em Porto Alegre. Informações em

www.forummundialdeeducacao.com.br ou pelos e-mails organizacao@forummundialdeeducacao.com.br e imprensa@forummundialdeeducacao.com.br

23 a 28 de janeiro – III Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Informações em www.forumsocialmundial.org.br

23 de janeiro – 17h, Marcha de Abertura do III Fórum Social Mundial. Concentração no Largo Glênio Peres. A marcha irá até o Anfiteatro Pôr-do-Sol pela avenida Borges de Medeiros.

25, 26 e 27 de abril – 10º Congresso Estadual da CUT/RS.

27 a 31 de maio – 8º Congresso Nacional da CUT, em São Paulo.




INFORMA CUT/RS é um informativo da Central Única dos Trabalhadores do RS

Presidente: Quintino Severo - Secretária de Comunicação: Selene Rodrigues Michelin

Jornalista Responsável: Katia Marko (Tel.: 3224-2484 / 9173-6899) - Endereço Eletrônico: impcutrs@terra.com.br


MIDI@LERTA

Os Jornais
06-01-2003



OP de Porto Alegre atrai curiosidade estrangeira (e mídia silencia sobre o fim do OP estadual)


Notícia à pág. 3 do Correio do Povo de hoje (06/1) informa: "Hondurenho vem conhecer o OP". Mais uma vez, como acontece desde o início dos anos 90, visitantes estrangeiros – jornalistas, pesquisadores universitários, políticos, administradores públicos – vêm a Porto Alegre conhecer de perto o Orçamento Participativo, que virou marca das administrações petistas e é adotado em centenas de cidades e regiões pelo mundo inteiro.

A matéria do CP diz que o seminário "Orçamento Participativo: regras e dinâmica" foi apresentado hoje ao ministro de Governo e Justiça de Honduras, Jorge Ramon Ghernandez Alcerro, no Gabinete do Planejamento municipal, em Porto Alegre.

Nos últimos quatro anos, ao ser instalado também no Estado, o OP-RS envolveu cerca de 1 milhão e 200 mil pessoas em sua dinâmica, definindo a melhor aplicação dos recursos públicos. Agora, com o novo governo estadual, a morte do OP-RS está decretada, em troca do ressurgimento dos velhos Coredes. Processos de consulta popular, com alguma relação ao OP – mas sem sua abrangência e protagonismo – vão ganhar espaço. No fundo, bem no fundo, apenas o regresso, com outra cara, da velha política dos gabinetes fechados e do compadrismo na hora de distribuir verbas.

A sociedade riograndense agora assiste ao enterro discreto do OP estadual, sob o silêncio e a omissão da maior parte da mídia. O tema não mereceria ao menos análises sérias e, se for o caso, comparações objetivas?




Na posse do novo governador, violência de seus partidários ganha omissão da imprensa


O mesmo silêncio ensurdecedor da imprensa (com uma ou outra pitada de ironia discreta em algumas colunas) envolveu a baixaria protagonizada por manifestantes anti-PT na corajosa cerimônia de transmissão de cargo de Olívio Dutra para Germano Rigotto, no Piratini, dia 1º deste ano.


A grosseria – com vaias, ofensas, ameaças e tentativas de agressão física ao governador que saía e aos seus secretários e assessores – tomou a forma de "corredor polônes", das escadarias do Palácio até um trecho da rua Duque de Caxias. "Cachaceiro" foi uma das frases educadas rosnadas pela turba, que tentava bater com as bandeiras nos que saíam do Palácio, jogando bolas de papel e o que mais estivesse à mão.


O fato de que o governo da Frente Popular transmitiu o cargo civilizadamente ao seu oponente, e saiu corajosamente pela porta da frente (ao invés de fugir pelos fundos, como o ex-governador Britto) foi tratado pela mídia de Porto Alegre como nada mais do que uma obrigação.


Quanto à baderna e a violência dos manifestantes rigottistas e brittistas, irmanados na festa da posse, nenhuma crítica nos jornais da Capital. É de se imaginar se coisa semelhante fosse feita por petistas: "Fascistas", "intolerantes", "xiitas", "radicais", etc seriam os adjetivos mínimos com que os comunicadores brindariam os militantes da Frente Popular.


Fica o registro para a história.




Divisão nas equipes de imprensa do Piratini


E prossegue a série de temas e notícias omitidas em relação ao novo governo estadual, especialmente no que tange à comunicação do Piratini. Como até as pedras da rua Duque de Caxias sabem, ocorre um duelo de foice no escuro entre os integrantes da equipe de imprensa que fez a campanha de Rigotto e os profissionais advindos do governo Britto, recauchutados agora pelo secretário peemedebista Ibsen Pinheiro.


A situação chegou a tal ponto que uma equipe vem trabalhando nos porões do Palácio (onde de fato fica a assessoria de imprensa) e a outra, improvisadamente, no Salão Negrinho do Pastoreio, no andar superior. Nem o setor de fotografia escapou da disputa: surgiram dois coordenadores – um de cada ala - para o mesmo cargo.


Mais uma vez, o que se nota nas colunas de fofocas políticas de Porto Alegre é um silêncio cúmplice e compreensivo ("no andar da carruagem, as abóboras irão se acomodando"). Uma compreensão e tolerância nunca estendidas (muito pelo contrário!) aos governos petistas da Capital e do Estado.




ZH, O SUL e Correio omitem motivo da suspensão da licitação da BR-101

Os quatro jornais da capital publicam hoje, com destaque, matérias sobre a suspensão da licitação para duplicação da BR-101, no trecho RS-SC. O tema é pertinente, pois é indiscutível a importância desta estrada e da obra prevista para os dois Estados, tanto economicamente quanto para a segurança no trânsito. No entanto, há muito desencontro de informações sobre o real motivo da suspensão da licitação – desta e de todas as outras abertas nos últimos quatro meses, num total de 60. Assim, fica parecendo que houve uma decisão arbitrária e descabida do Governo Federal.

O Correio do Povo, por exemplo, diz que as obras comprometeriam as prioridades do governo Lula. O Sul não cita qualquer motivo numa nota de capa. E Zero Hora, que ocupou as páginas 3 e 4 com a pauta, não parece preocupada em esclarecer isto. Apenas o leitor mais atento vai perceber na página 4, perdida no meio de um cronograma, a informação de que houve uma decisão do Tribunal de Contas da União, em outubro, e uma liminar obtida por uma empresa, em dezembro, contrárias à licitação.

Somente o Jornal do Comércio joga um pouco de luz no caso, noticiando que o novo ministro dos Transportes, Anderson Adauto, é do PL e que há denúncias de corrupção no ministério, um reduto tradicional do PMDB, a serem investigadas. Será que os demais jornais de Porto Alegre estão tentando proteger o ex-ministro Eliseu Padilha (PMDB-RS) destas denúncias, omitindo o que há por trás da decisão do ministério? Em respeito à verdade e aos leitores, espera-se informações mais precisas destes jornais amanhã.



Será verdade ou Cascata?

O colunista Fernando Albrecht, do Jornal do Comércio, traz a nota "Buraco Negro", onde fala que "na Secretaria de Obras, o novo titular, Frederico Antunes, descobriu que todos os programas de computador foram apagados. Não havia, até sexta-feira, sequer como descobrir quais eram as obras em andamento e sua situação legal. Antunes quer acionar a PGE para punir os responsáveis pelos equipamentos até que tudo foi deletado" (reprodução da nota).

Crítica semelhante foi feita pelos novos assessores de imprensa do Palácio Piratini, de que os programas tinham sido deletados, quando, na verdade, os jornalistas simplesmente estavam sem a senha para entrar no sistema e, consequentemente, nos programas.

Será que na Secretaria de Obras não aconteceu caso semelhante?



JC noticia retomada das exportações gaúchas

Interessante matéria foi veiculada na página 6 do Jornal do Comércio de hoje - "RS surpreende com retomada de exportação" - onde destaca que, contrariando todas as estimativas pessimistas feitas no início do ano passado, o Rio Grande do Sul conseguiu reverter a queda nas suas exportações, após 10 meses de retração. De acordo com o texto, o Estado obteve em novembro último, um crescimento acumulado de 0,05%, em comparação ao período de janeiro/novembro de 2001. A matéria, que tem como fonte a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), foi publicada apenas do Jornal do Comércio. Será porque se trata de resultado obtido no governo de Olívio Dutra?

Os principais produtos gaúchos que tiveram um bom desempenho são motores, tratores e óleo de soja. O economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE), Álvaro Garcia, explica as razões da retomada dos exportadores gaúchos, como o redirecionamento das exportações para outros mercados, ante a retração da Argentina, Estados Unidos e Japão. E o presidente da Fiergs, Renan Proença salienta a atitude dos exportadores gaúchos, que "fizeram o dever de casa e estão conseguindo superar as dificuldades".



Um exemplo de irresponsabilidade

Uma minúscula nota publicada na página 8 do jornal O Sul é um bom exemplo de um jornalismo descompromissado com a verdade e irresponsável. A nota impressa sobre um quadrado azul diz o seguinte: "A dúvida é quem cai primeiro. Se Luiz Fernando Furlan ou Gilberto Gil." Então tá!



Mais um caso de título-lead em O Sul

Já fazendo escola no RS, o jornal O Sul oferece aos seus leitores, diariamente, exemplos de "novos padrões" de jornalismo. Os títulos de três ou quatro linhas, trazendo a informação e a interpretação, muitas vezes com rebuscados recursos ortográficos, sempre com o ponto final, estão presentes em todas as edições. O exemplo de hoje está na página 14. "Lula mal tomou posse e as diferenças entre as correntes ideológicas do PT anunciam choque que está por vir." Ufa!



Alhos com bugalhos

O jornal O Sul, há algum tempo, vem insistindo em chamar o governo federal de PT. Um bom exemplo está no título da página 8 do Caderno Reportagem . "O PT será tão bom na ação quanto é no discurso?" Conforme a matéria, o título é uma referência à política monetária a ser seguida pelo novo governo e como o Banco Central vai atuar daqui para frente. O interessante é que no início do texto o jornal trata como "o novo governo", mas logo a seguir volta a chamar o governo de PT.

É bom lembrar que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é formado por representantes de vários partidos. É bom também lembrar que durante os oito anos do governo FHC jamais se viu um título como este: "O PSDB será tão bom na ação quanto é no discurso?" Ou qualquer outro em que o termo governo federal fosse substituído pelo nome do partido.



Uma sugestão ao Sul

O Sul tem uma excelente seção, denominada "A quem recorrer", na qual enumera uma boa lista de órgãos e serviços públicos, com seus telefones, aos quais o cidadão pode recorrer em caso de necessidade ou até emergência. No entanto, fica escondida no jornal e pode passar despercebida dos leitores se não for encontrada uma solução gráfica melhor. Hoje, por exemplo, está no pé da página 3, no caderno de Reportagem, confundindo-se com a matéria principal. Um lugar mais nobre e destacado valorizaria devidamente a seção e facilitaria a vida dos leitores. Está aí a sugestão.



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