segunda-feira, dezembro 30, 2002

MIDI@LERTA


27. 12. 2002
Jornais e Revistas



Imprensa "esquece" redução de mortes em estradas com pardais

Prossegue o estarrecimento geral por causa das 30 mortes em acidentes de trânsito no Rio Grande do Sul durante o Natal. Zero Hora e Correio do Povo de hoje (27) dedicam editoriais ao tema. "A paz no trânsito depende da maior conscientização sobre riscos como a velocidade alta e estradas precárias", diz ZH. "Cumprindo as leis de trânsito e dirigindo com prudência, a viagem será tranqüila e o destino será alcançado", afirma o CP. São recomendações justificadas e aceitáveis. Porém, apenas meros apelos não vão adiantar nada, soam como tantas campanhas de conscientização dos motoristas que já foram feitas. E o trânsito continua matando, cada vez mais.

A imprensa deveria mostrar que nas 25 estradas estaduais – de um total de 253 - onde foram colocados os pardais, os acidentes caíram para menos da metade - aí sim houve um resultado altamente positivo. Veja: nestas rodovias, em 99 ocorreram 209 acidentes com morte; em 2000 foram 116; em 2001 foram 78; e este ano, até julho, foram 63.

Mas o sectarismo de setores da imprensa contra o governo que está saindo não lhes permite o apoio a esta eficaz medida de fiscalização, mesmo que possa salvar vidas humanas. Pelo contrário, alguns medalhões da RBS fizeram uma campanha inescrupulosa contra os pardais, inclusive pautando este tema para o uso da oposição na campanha eleitoral. Uma atitude pouco responsável, para dizer o mínimo.



Ana Amélia se enreda nos transgênicos

Na sua coluna de hoje, finalmente, Ana Amélia Lemos reconhece que o Rio Grande do Sul poderá perder o importante mercado da China para a exportação de soja por causa dos transgênicos, já que os chineses só querem a soja orgânica. Ora, desde o início do atual governo as autoridades estaduais vêm advertindo para os prejuízos às exportações que a soja transgênica pode causar, pelas restrições ao produto geneticamente modificado, tanto na Europa como na China.

Talvez por manter laços tão estreitos com a Farsul e a bancada ruralista, que apoiam abertamente os transgênicos, a jornalista vinha omitindo ou esquecendo uma informação essencial neste debate, já que não adianta o produtor plantar se não houver mercado compensador para o produto. Mas ela não dá o braço a torcer e encerra a coluna citando os supostos benefícios dos transgênicos, sem levar em consideração que eles vêm sendo contestados por produtores e cientistas do Brasil e exterior. Por uma questão de isenção e equilíbrio, deveria ao menos citar os diferentes pontos de vista sobre tema tão polêmico.




Ao analisar o governo, ZH se revela

No editorial "Duas visões" de Zero Hora, à pág. 16 da edição de hoje, o jornal comenta o balanço dos quatro anos de gestão Olívio Dutra, contido na publicação "Uma obra com milhares de autores". Primeiro, o editorial enumera algumas das iniciativas do governo petista, contidas no documento, mas logo parte para a contestação – porém de modo contraditório. Olha só: "Trata-se de uma avaliação autocondescendente, verdadeira nas iniciativas que enaltece, mas pouco consistente".

Ora, se é verdadeira, o que quer dizer "pouco consistente"?

Mais: o texto de ZH diz que "não foi esse panorama estimulante o mesmo que os gaúchos perceberam ao longo desses quatro anos". Se Zero Hora reconhece que as iniciativas citadas pelo governo são "verdadeiras", e adiante diz que "os gaúchos não perceberam" , a pergunta impõem-se: será que muitas das obras do atual governo estadual não foram percebidas pela população exatamente porque não receberam da imprensa – em especial, da RBS – a divulgação que mereciam?

Também diz o editorial, em seu fecho, que o relatório do governo "não refere o clima de destrutivo antagonismo que se criou no Estado nestes quatro anos (...)".

Bom, é hora de dizer com todas as letras que, se houve erros por parte do governo, especialmente na interlocução com alguns setores, não é menos verdadeiro que foi feita uma oposição extremamente virulenta ao governo, em parte bancada e por vezes pautada pontualmente pela próprio empresa que agora reclama do "destrutivo antagonismo".

Enfim, no editorial que analisa o balanço do governo, Zero Hora termina expondo as suas próprias posições, e sua parte de responsabilidade na duríssima oposição que fez, mas que nunca assumiu às claras.



O Sul mostra as personalidades do ano dos EUA: gente simples

O jornal O Sul de hoje dá destaque, na pág. 12 de seu Caderno Reportagem, à revista Time, que como "Homem do Ano" nos EUA escolheu três mulheres. Sherron Watkins e Cynthia Cooper, que trabalhavam respectivamente, nas megacorporações Enron e WorldCom, e a advogada e agente do FBI Coolen Rowley. As duas primeiras, dentro de suas empresas, lutaram contra a manipulação dos balanços, e posteriormente ajudaram a esclarecer publicamente a maquilagem fiscal e contábil que as empresas vinham fazendo - situação que terminou por revelar ao mundo todo a fragilidade das megaempresas, a corrupção e o fantasioso crescimento econômico baseado nos pressupostos do neoliberalismo.

Já a agente do FBI, semanas antes dos atentados de 11 de setembro, alertou seus superiores sobre a ligação de Zacarias Moussaoui – conhecido como o "vigésimo sequestrador" – com a organização de Osama Bin Laden. Suas investigações certeiras foram desprezadas pelo FBI e a tragédia terminou acontecendo, como a história registrou.

"Time" teve o mérito de premiar este ano não pessoas famosas e grandes autoridades públicas – mas funcionários subalternos que, no entanto, realizaram seu trabalho com a máxima seriedade, e terminaram por revelar fraude e negligência nas entranhas da nação mais poderosa do mundo.



China: o primeiro passo foi do atual governo do RS

O colunista Rogério Mendelski em duas notas em O Sul de hoje - "Chineses em Guaíba" e "Eles voltam em janeiro" - fala de uma delegação de empresários chineses, que estão no Brasil, com planos de trazer para o país indústrias nas áreas de informática, aeronáutica, automobilística e tecnologia da informação e que a reunião foi agendada pela Fiergs em Guaíba.

É bom lembrar que o governador Olívio Dutra esteve em missão oficial à China, em 2001, quando foram iniciadas negociações e intercâmbios em diversas áreas, inclusive sendo estruturado um escritório comercial do RS lá no grande país oriental. A iniciativa foi viabilizada por convênio entre a Unisinos e a Universidade da Província de Hubei.

Portanto, é preciso que, mesmo a contragosto, jornalistas comprometidos com a verdade reconheçam que quem abriu a porta para negócios com a grande China foi o governador Olívio Dutra. E também é bom lembrar que o próprio colunista, à época com o seu programa no início da manhã na Rádio Gaúcha, fazia chacota com "os negócios com a China que o governo estava fazendo" alegando que não era um país de "primeiro mundo" e que recém estava saindo do comunismo. Agora, governo novo no RS, é só elogios.






* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

Assinar: assinar-midialerta@grupos.com.br
Cancelar assinatura: cancelar-midialerta@grupos.com.br
Indique seus amigos para: Administradores do Grupo: administradores-midialerta@grupos.com.br