sexta-feira, dezembro 20, 2002

MIDI@LERTA

Os Jornais
Rádios, TVs e mídia eletrônica
20-12-2002



Segurança: uma voz de bom senso

Em meio a histeria com que vem sendo tratada a questão da segurança pública por boa parte dos comunicadores e colunistas, em especial na RBS, de vez em quando aparece uma voz de bom senso a reconhecer avanços concretos realizados no setor pelo atual governo. Esse é o caso de Afonso Ritter, em sua coluna no Jornal do Comércio de hoje (20). Em nota intitulada "Um retrocesso", ele faz ver que "a volta das chefias da Brigada e da Polícia Civil às antigas sedes é um retrocesso desnecessário, com todo o respeito ao futuro secretário da Segurança".

"O ônus político já foi pago", recorda. "E mais cedo ou mais tarde as duas polícias deverão se integrar e até fundir, conforme tendência nacional e mundial. Duplo desgaste".

Disse tudo, em poucas palavras – enquanto certos locutores especializam-se a apavorar ainda mais a população e desgastar o governo que agora sai, como se houvesse apenas errado no setor.



Rogério também reconhece esforço do governo

Já o Rogério Mendelski, em seu novo espaço na Rádio Pampa, hoje resolve ser um pouco mais equilibrado, e reconhece que "o governo está fazendo todo o esforço, justiça seja feita ao senhor Olívio Dutra (...) para pagar o 13º salário do funcionalismo em dia. Mas vai depender do dinheiro federal. (...) A esperança fica para segunda e terça (feira). Mas nesse momento não tem dinheiro". No final do comentário, dá uma ironizada: "O que é uma pena, porque o governo nos quatro anos, no último mês, de 48 meses de governo, no último mês vai ter esse atraso aí".

É verdade: uma situação que os funcionários estaduais, sob a administração da Frente Popular, só estão enfrentado agora – bem diferente do festival de atrasos que sofreram em governos anteriores.




Agora Appel sente "pena"

Por falar em comentário, muita engraçada a tirada de Alexandre Appel dizendo em seu programa "Consumidor RS", na RBS, que sente "pena" do funcionalismo, por causa do atraso (o primeiro e único da atual administração).

Ele parece não ter sentido a mesma "pena" dos funcionários quando, como membro nomeado da equipe de Britto para o Procon, fez parte do governo anterior – que atrasou por dezenas de vezes os salários. Mas antes tarde...




Notinha semeia o pânico no funcionalismo

Sobre o mesmo assunto, quem pegou pesado em sua coluna de hoje foi a interina de Armando Burd, na pág. 4 do Correio do Povo. Ela tascou para os leitores: "Não há a mínima previsão de quando o pagamento (do 13º) ocorrerá e avaliações bem realistas da Secretaria da Fazenda demonstram que a folha de dezembro também estará comprometida (...)".

Nenhuma fonte oficial da Fazenda fez "avaliação bem realista" de atraso do salário da folha de dezembro. O comentário da jornalista só ajudou a semear o pânico entre o funcionalismo.





* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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MST Informa

Ano II - nº 29 quinta-feira, 19 de dezembro de 2002

Até quando?


As celebrações de final de ano, pela tradição ocidental-cristã ou pela troca do calendário anual sempre nos remetem ao pensamento positivo e ao desejo de mudanças. Mudanças para melhor. Para que se possa ter justiça, igualdade e felicidade. Mas as mudanças necessárias em 2003 dependerão dos desafios que herdamos.

. Até quando seremos capazes de suportar a ganância belicista dos Estados Unidos, invada o Iraque e depois se volte de novo contra mais algum povo do terceiro-mundo?

. Até quando a opinião pública internacional e a ONU vai assistir a estúpida guerra da Palestina, que diariamente, mata inocentes dos dois lados, enquanto a indústria bélica Estadunidense festeja suas vendas em mais de 5 bilhões de dólares por ano ao senhor Sharon?

. Até quando calaremos pelo genocídio perpetrado na África negra, que está condenando todo povo à miséria absoluta, fome, generalização da AIDS, enquanto as multinacionais continuam extorquindo suas riquezas naturais para encher os cofres na Europa e Estados Unidos?

. Teremos força para seguir denunciando que a Alca não é um mero acordo comercial, mas sim um plano estratégico de dominação das empresas Estadunidenses sobre todo continente americano?

. Até quando a humanidade continuará refém de meia dúzia de meios de comunicação que monopolizam as informações e transformam mentiras em verdades absolutas?

. Até quando a humanidade será refém do dólar como moeda única, que se transformou num mecanismo de espoliação mundial, para manter o elevado padrão de consumo dos 5% de cidadãos que vivem no território dos Estados Unidos?

. Até quando assistiremos inertes as empresas e os interesses econômicos colocarem em risco a sobrevivência de nosso planeta, sem respeitar os recursos naturais, o necessário equilíbrio, a reprodução da água e dos bens que são coletivos?

E aqui no Brasil

. Teremos coragem de lutar para que o nosso povo continue sendo espoliado com a contínua transferência de riquezas nacionais, através do pagamento da dívida externa, da remessa de lucros, juros, transferência de poupança nacional via CC-5?

. Teremos coragem de combater a espoliação do capital financeiro, que obriga a todos os brasileiros a pagar impostos, para depois se transformarem em lucros dos bancos, recolhidos na forma de juros da divida interna?

. Teremos coragem de erradicar (eliminar pela raiz) realmente a fome que passam 52 milhões de brasileiros?

. Teremos coragem de lutar para que todos possam ter trabalho, moradia digna, vaga na escola, terra para trabalhar e direito a cultura e lazer?

. Teremos coragem de denunciar que 10% dos brasileiros ficam com a maior parte de toda riqueza e consome a maior parte de toda produção realizada pelos outros 90%?

. Teremos coragem de lutar para que mude realmente a prática da política no país ou mudará apenas os nomes e a prática continua a mesma?

. Teremos coragem de combater a concentração da propriedade da terra, em que um por cento dos fazendeiros e empresas são donos de 46% de todas as terras, eliminando o latifúndio de nossa sociedade?

. Teremos coragem de lutar para que a violência social se combata com soluções verdadeiras e não apenas com mais repressão policial?



Equipe de Redação do Letraviva/MST Informa




Breves


Oito sem terra vão passar o natal na cadeia em Mato Grosso
Eles estão presos em Mato Grosso por mais de 160 dias sem nenhum elemento jurídico que prove o motivo da prisão. Nem mesmo as testemunhas de acusação os reconheceu. Já o juiz de Mirassol do Oeste passará em alguma praia no nordeste do país. Desta forma, fazemos um apelo a toda sociedade que continuem enviando mensagens exigindo a liberdade desses trabalhadores/a rurais inocentes.

Fórum da Comarca de Mirassol D'Oeste
Juiz: Luís Augusto Veras Gadelha
fax: (65) 241-1391
mirassol@tj.mt.gov.br


Sem Teto precisam de ajuda em São Paulo
Sob um temporal enorme, as famílias do Acampamento Carlos Lamarca, foram expulsas pelo Governador Geraldo Alckmin de Osasco para Guarulhos.
Os moradores tiveram grande parte de seus pertences destruídos pela repressão e pela chuva.
Agora eles estão precisando, urgentemente, de toda ajuda possível: cestas básicas, roupas, calçados, cobertores, colchonetes, lonas, medicamentos, material cirúrgico, material de limpeza (sabão, detergente etc), de higiene (sabonete, papel higiênico, absorventes, escova de dente e creme dental etc.) e de construção (pregos, arames, madeiras, etc.).
Além da urgência acima, as crianças precisam de material escolar (caderno, lápis, canetas, borrachas, livros etc). Lembrando que o Natal se aproxima e que as crianças gostariam muito de ganhar brinquedos.
Contamos com todas as formas de ajuda. Também é muito importante fazer uma visita ao novo Acampamento para que os acampados sintam que não estão sozinhos.

Como chegar lá: pela Via Dutra, sentido São Paulo - Rio de Janeiro, do lado direito, km. 206 - Guarulhos, Bairro Jardim Aracília.
Ponto de referência: passando o posto da Polícia Rodoviária e a Fábrica da Ypiranga, entrar na 1ª à direita - fábrica da Panco.
Locais para entrega de doações: Sindicato dos Trabalhadores da USP (3091-4380 ou 3815-2660), Instituto Mário Alves (3159-0233 ou 3159-2532).


MST reocupa fazendas no extremo sul da Bahia
Cerca de 180 famílias de trabalhadores e trabalhadoras rurais sem terra reocuparam em 18 de dezembro a fazenda Canadá, de 1469 hectares, localizada no município de Mucuri. A reocupação ocorreu após três meses do sétimo despejo das famílias do local, que vem sendo ocupada desde 1998. Essas famílias se sustentam com as lavouras que cultivam nessa região.

A situação é muito tensa no local. Pistoleiros dos fazendeiros receberam a tiros as famílias durante a reocupação. Há a informação de muitos feridos na área. Mas, no momento, ainda não se sabe a gravidade do conflito.

Apesar da fazenda ter sido vistoriada e declarada improdutiva pelo INCRA, a proprietária recorreu na justiça, impetrando mandato de segurança. A direção regional do MST reafirma a determinação em retomar as áreas de cultivo dos trabalhadores que há quase cinco anos sobrevivem na região.

Também foi ocupada, na noite do dia 17, a fazenda Boa Esperança, no município de Mucuri, por cerca de 60 famílias sem terra. A fazenda é constituída por mais de 300 hectares de áreas devolutas do Estado que vêm sendo griladas por fazendeiros da região. O MST reivindica que essa área devoluta seja regularizada e entregue às famílias sem terra.





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MST Informa é uma publicação quinzenal do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, enviado por correio eletronico, com análises da luta pela Reforma Agrária.

quinta-feira, dezembro 19, 2002

M a n i c ô m i o

Eduardo Galeano [*]

Tempos de medo. O mundo vive em estado de terror, e o terror disfarça-se: diz ser obra de Saddam Hussein, um actor já cansado de tanto fazer de inimigo, ou de Osama bin Laden, assustador profissional.

Mas o verdadeiro autor do pânico planetário chama-se Mercado. Este senhor não tem nada a ver com o afável lugar do bairro aonde se vai buscar fruta e verduras. É um terrorista todo-poderoso sem rosto, que está em toda a parte, como Deus, e julga ser, como Deus, eterno. Os seus numerosos intérpretes anunciam: "O Mercado está nervoso", e advertem: "Não se deve irritar o Mercado".

A sua exuberante ficha criminal torna-o temível. Tem passado a vida a roubar comida, a assassinar empregos, a sequestrar países e a fabricar guerras.

Para vender as suas guerras, o Mercado semeia o medo. E o medo cria clima. A televisão ocupa-se de fazer que as torres de Nova Iorque voltem a desmoronar-se todos os dias. O que restou do pânico do antrax? Não só uma investigação oficial, que pouco ou nada averiguou sobre as cartas mortais: também restou um espectacular aumento do orçamento militar dos Estados Unidos. E os milhões que este país destina à indústria da morte não são nenhuma ninharia. Apenas um mês e meio desses gastos bastaria para acabar com a miséria no mundo, se não mentem os numerozinhos das Nações Unidas.

Por cada vez que o Mercado dá ordem, a luz vermelha de alarme faz pisca-pisca no perigosímetro, a máquina que converte toda a suspeita em evidência. As guerras preventivas matam pelas dúvidas, não pelas provas. Agora calha a vez ao Iraque. Mais uma vez este castigado país foi condenado. Os mortos saberão compreender: O Iraque contém a segunda reserva mundial de petróleo, que é exactamente o que falta ao Mercado para garantir combustível ao esbanjamento da sociedade de consumo.

Espelho, espelhinho meu: quem é mais temido do que eu? As potências imperiais monopolizam, por direito natural, as armas de destruição em massa.

Nos tempos da conquista da América, enquanto nascia o que agora denominam Mercado global, a varíola e a gripe mataram muitos mais indígenas que a espada e o arcabuz. A bem sucedida invasão europeia teve muito a agradecer às bactérias e aos vírus. Séculos depois, estes aliados providenciais transformaram-se em armas de guerra, nas mãos das grandes potências. Um punhado de países monopoliza os arsenais biológicos. Há uns dois decénios, os Estados Unidos permitiram que Saddam Hussein lançasse bombas de epidemias contra os curdos, quando ele era um menino bonito do Ocidente e os curdos tinham má fama, mas essas armas bacteriológicas haviam sido feitas com matérias-primas compradas a uma empresa de Rockville, em Maryland.

Em matéria militar, como em todo o resto, o Mercado prega a liberdade, mas a concorrência não lhe agrada nem um bocadinho. A oferta concentra-se nas mãos de poucos, em nome da segurança universal. Saddam Hussein mete muito medo. Treme o mundo. Tremenda ameaça: O Iraque poderia voltar a usar armas bacteriológicas e, muito mais grave ainda, poderia alguma vez chegar a ter armas nucleares. A humanidade não pode permitir esse perigo, proclama o perigoso presidente do único país que já usou armas nucleares para assassinar populações civis. Terá sido o Iraque quem exterminou os velhos, mulheres e crianças de Hiroshima e Nagasaki?

Paisagem do novo milénio:

Gente que não sabe se amanhã encontrará que comer, ou se ficará sem tecto, ou como poderá sobreviver se adoecer ou sofrer um acidente;

gente que não sabe se amanhã perderá o emprego, ou se será obrigada a trabalhar o dobro em troca da metade, ou se a sua reforma será devorada pelos lobos da Bolsa ou pelos ratos da inflação;

cidadãos que não sabem se amanhã serão assaltados ao virar da esquina, ou se lhes esvaziarão a casa, ou se algum desesperado lhes enfiará uma navalha na barriga;

camponeses que não sabem se amanhã terão terra que trabalhar e pescadores que não sabem se encontrarão rios ou mares ainda não envenenados;

pessoas e países que não sabem como poderão amanhã pagar as suas dívidas multiplicadas pela usura.

Serão obras da Al Qaeda estes terrores quotidianos?

A economia comete atentados que não saem nos jornais: cada minuto mata de fome 12 crianças. Na organização terrorista do mundo, que é guardada pelo poder militar, há mil milhões de famintos crónicos e 600 milhões de obesos.

Moeda forte, vida frágil: o Equador e El Salvador adoptaram o dólar como moeda nacional, mas a população foge. Nunca esses países haviam produzido tanta pobreza e tantos emigrantes. A venda de carne humana ao estrangeiro gera desenraizamento, tristeza e divisas. Os equatorianos obrigados a procurar trabalho noutros lados enviaram para o seu país, em 2001, uma quantidade de dinheiro que supera a soma das exportações de bananas, camarão, atum, café e cacau.

Também o Uruguai e a Argentina expulsam os seus filhos jovens. Os emigrantes, netos de imigrantes, deixam atrás de si famílias destroçadas e memórias de dor. "Doutor, despedaçaram-me a alma": em que hospital se trata? Na Argentina, um concurso de televisão oferece todos os dias o prémio mais cobiçado: um emprego. As bichas são enormes. O programa escolhe os candidatos, e o público vota. Consegue trabalho o que mais lágrimas derrama e mais lágrimas arranca. A Sony Pictures está a vender a bem sucedida fórmula em todo o mundo.

Que emprego? O que calhar. Por quanto? Pelo que for e como for. O desespero dos que procuram trabalho, e a angústia dos que temem perdê-lo, obrigam a aceitar o inaceitável. Em todo o mundo se impõe "o modelo Wal-Mart". A empresa número um dos Estados Unidos proíbe os sindicatos e estica os horários sem pagar horas extras. O Mercado exporta o seu lucrativo exemplo. Quanto maior o sofrimento estão os países, mais fácil se torna transformar o direito laboral em papel molhado.

E mais fácil se torna também sacrificar outros direitos. Os progenitores do caos vendem a ordem. A pobreza e o desemprego multiplicam a delinquência, que difunde o pânico, e neste caldo de cultivo floresce o pior. Os militares argentinos, que muito sabem de crimes, estão a ser convidados para combater o crime: que venham salvar-nos da delinquência, clama aos gritos Carlos Menem, um funcionário do Mercado que de delinquência sabe muito porque a exerceu como ninguém quando foi presidente.

Custos baixíssimos, lucros mil, controlos zero: um barco petroleiro parte-se ao meio e a mortífera maré negra ataca as costas de Galiza e para além dela.

O negócio mais rentável do mundo gera fortunas e desastres "naturais". Os gases venenosos que o petróleo lança para o ar são a causa principal do buraco do ozono, que já tem o tamanho de Estados Unidos, e da loucura do clima. Na Etiópia e noutros países africanos a seca está a condenar milhões de pessoas à pior crise de fome dos últimos 20 anos, enquanto a Alemanha e outros países europeus acabam de sofrer inundações que foram a pior catástrofe do último meio século.

Além disso, o petróleo gera guerras. Pobre Iraque.

[*] O original deste artigo foi publicado pelo semanário Brecha , do Uruguai. Tradução de José Collaço Barreiros.


Escândalo faz dez vereadores perderem o mandato em São Leopoldo

Dez vereadores e um destino. Novo filme na praça? Não. O título descreve o resultado de um julgamento histórico no município de São Leopoldo (Região Metropolitana), que acabou por cassar ou levar à renúncia dez vereadores, mais da metade do Legislativo. No total, doze vereadores da Câmara de São Leopoldo, acusados de receber propina para eleger o presidente da Casa na legislatura de 2000, foram julgados em uma sessão que se estendeu durante o sábado e a madrugada de domingo. Foram mais de 20 horas de julgamento na Câmara Municipal. Seis acusados tiveram seus mandatos cassados com base na falta de decoro parlamentar e improbidade administrativa e quatro parlamentares renunciaram aos seus mandatos. Os outros dois envolvidos no escândalo, em 2000, não foram reeleitos e por isso não puderam ser julgados politicamente. As acusações contra eles foram encaminhadas à Justiça. Os doze vereadores ainda são alvo de inquérito na Promotoria Especializada Criminal, em Porto Alegre.

Todos os envolvidos continuarão sendo investigados pelo Ministério Público por crime de responsabilidade civil e criminal. O resultado do julgamento vai alterar mais da metade da composição da Câmara de São Leopoldo, que possui 21 vereadores. A população de São Leopoldo, que lotou as dependências da Câmara durante o julgamento, comemorou o resultado. Os vereadores e ex-vereadores acusados negaram o envolvimento no esquema, registrado em vídeo, e alegaram que o julgamento era meramente político.


Os vereadores cassados e afastados

Foram cassados os vereadores Fernando Antônio Henning Júnior, Fernando Fusquine e Hamilton Ary da Silva, todos do PMDB, além de Jorge da Silva, do PTB. Com a decisão, os quatro parlamentares e os suplentes Valmor João Tavares da Silva (PL) e Juvenal da Rosa Garcia (PTB) tiveram seus direitos políticos suspensos por cinco anos, prazo durante o qual não poderão concorrer a qualquer cargo eletivo. Antes de iniciar o julgamento, os vereadores Joni Homem (PFL) e Moacir Lima Soares (PMDB), assim como os suplentes Adão dos Santos (PMDB) e João Palharini (PTB), renunciaram aos mandatos para não terem os seus direitos políticos suspensos. Com a renúncia, os quatro poderão concorrer nas eleições de 2004.

As denúncias contra os 12 vereadores foram apresentadas ao Ministério Público em junho deste ano pelo vereador Alexandre Roso (PHS), que divulgou fitas de vídeo contendo a negociação e a divisão de dinheiro entre os acusados. As imagens foram gravadas por Mário de Ávila, ex-vereador e assessor do presidente da Mesa em 2000, Joni Homem. Segundo ele, o pagamento era fruto de um acordo pelo qual os vereadores teriam se comprometido, ainda em 1999, a votar em Joni Homem (PFL) para a presidência da Câmara.


O julgamento na mídia

A divulgação do resultado do julgamento ganhou as manchetes dos principais jornais gaúchos, merecendo tratamento diferenciado. O jornal Zero Hora, do Grupo RBS, dedicou duas páginas ao julgamento, identificando os doze políticos envolvidos no escândalo e seus respectivos partidos, com uma exceção. Curiosamente, todos os políticos que pertenciam ao PMDB, partido do governador eleito Germano Rigotto, foram identificados como sendo sem partido. O jornal Correio do Povo, principal concorrente de ZH no Estado, também elegeu o assunto como destaque, mas identificou todos os partidos envolvidos no caso: PMDB, PFL, PTB, PL e PSB.

Fonte: www.agenciacartamaior.com.br
MIDI@LERTA

Os Jornais
Rádios, TVs e mídia eletrônica
19-12-2002



Reforma agrária: Zero Hora só vê "fracasso"

O enfoque dado pelos jornais de Porto Alegre ao programa de Reforma Agrária desenvolvido pelo governo do RS vai do oito ao 8000, a partir de dados passados pelo secretário estadual da Reforma Agrária, Antônio Marangon.

O Correio do Povo, na página 13 dá no título "Governo festeja reforma agrária". A matéria diz que mais de 5 mil famílias foram beneficiadas pela Reforma Agrária nos últimos quatro anos. Ressalta ainda que, no mesmo período, o Estado e o Incra criaram 119 assentamentos e reassentamentos no RS. A matéria diz que no período de quatro anos foram investidos R$ 120 milhões para a aquisição de 62,9 mil hectares de terras, infra-estrutura e crédito. Além disso, o Rio Grande do Sul possui 285 assentamentos que abrigam 12,1 mil famílias.

O Sul, na página 18, traz a matéria com o título: "Reforma agrária: RS não alcança meta, mas empata com os 20 anos anteriores". O texto diz que a meta inicial do governo de assentar 10 mil pessoas não foi atingida. No entanto, faz uma indispensável comparação com os últimos 18 anos (1980 até 1998), quando foram assentadas 6.881 pessoas no Estado. Em quatro anos, o atual governo assentou 5.353 famílias. A matéria diz também que desde 1999 os recursos liberados para cada família aumentaram, chegando a R$ 21, 9 mil.

Mas a Zero Hora, na página 54, abre com título depreciativo: "Piratini fica abaixo da meta de assentamentos". O olho da matéria já começa de forma negativa. "O governo estadual assentou no campo 4.647 a menos do que prometeu ao iniciar o mandato. O fracasso na meta de alocar 10 mil famílias foi explicado ontem pelo secretário estadual de Reforma Agrária, Antônio Marangon".

A matéria é informativa ao dizer que a meta não foi atingida, mas deveria ressaltar, a exemplo de O Sul e o Correio do Povo, que em quatro anos foram assentadas praticamente o mesmo número de pessoas que nos 20 anos anteriores. Falar de "fracasso", nesse caso, revela bem toda a carga destrutiva, mal disfarçada de isenção, que a RBS vem despejando sobre o PT e a Frente Popular, especialmente nestes últimos quatro anos.



Comunidades querem pardais


Notinha de canto, na quarta capa do Jornal NH de hoje, no Vale dos Sinos, traz a notícia: "Moradores solicitam pardais". A matéria informa que a Associação de Moradores do Bairro Rio Branco, (São Sebastião do Caí), solicitou ao Daer a colocação de pardais no trecho da RS-122 que passa pela comunidade. Segundo o presidente da Associação (...), a expectativa é de que os pardais removidos do antigo traçado da rodovia (...) sejam colocados no trecho do Rio Branco".

Como esta, várias outras pequenas notas revelam que - ao contrário de alguns figurões da mídia que nestes quatro anos bateram direto nos pardais como algo imoral, "faturador" etc – as populações reconhecem o papel desempenhado por esses equipamentos eletrônicos no controle e redução do número de acidentes (aliás, mais que comprovado pelas estatísticas). Estas matérias, porém, nunca recebem destaque.

Mas agora, com o novo governo estadual, certamente mídia e parlamentares vão mudar o discurso crítico.

Vamos conferir.



Os comunicadores e a violência urbana

O tratamento imprimido por alguns "comunicadores" da nossa imprensa à questão da segurança pública, chama a atenção por alguns aspectos. Claro que o problema é preocupante, mas a questão ganha um tom alarmista e irracional, sempre com a mesma conclusão: a "culpa" da situação é do atual governo, que "desmantelou a segurança", "acabou com a hierarquia na polícia" etc.

Primeiro lugar, agem como se o nosso Estado fosse um caso a parte na questão da violência e criminalidade urbana, e não um mega problema mundial e nacional – e no qual, apesar de tudo, outros estados e regiões brasileiras apresentam índices muito maiores.

Agora, a partir de um assalto ontem (dia 18) em que foi roubado o carro da primeira-dama do município, e do assalto à chefe de gabinete da Secretaria de Justiça e Segurança do Estado, Mendelski (agora na Pampa), Barrionuevo e Lasier (na Gaúcha), entre outros, desenvolvem teses de que chegamos ao fim do mundo quando até autoridades e pessoas próximas a elas sofrem com a criminalidade. Citam o roubo do carro do governador, no início do governo; o seqüestro do secretário geral do PT há alguns meses; o roubo do carro do comandante da Brigada Militar, na semana passada.

Esses comunicadores acham que: A) autoridades e seus familiares não podem ser assaltadas, somente o resto da população? B) Os bandidos estão tão fora de controle e sem educação que não respeitam mais nem as autoridades? Ou eles (comunicadores) não tem qualquer opinião coerente e fundamentada sobre o tema, e apenas utilizam esses fatos terríveis para bater mais no atual governo?

Em contrapartida aos comentários que só pretendem ver os erros do que foi feito e elogiam rasgadamente o novo secretário de Segurança ainda antes de tomar posse, vale registrar um trecho da entrevista de Olívio Dutra ao jornal O Sul de hoje (págs. 12 e 13 do Caderno Reportagem):

"A segurança é um problema mundial. O nosso Estado é o 23º (menos violento) em um total de 27. Entre as dez cidades mais violentas do país, não consta nenhuma do Rio Grande do Sul. Nós articulamos melhor as polícias, combatemos os grandes crimes, a contravenção dentro das instituições policiais. Mas teve um setor da imprensa e um setor da oposição que apostaram mais no crime do que no combate a ele. (...) O Bisol desafiou setores indispostos com mudanças para pensar as polícias de forma organizada".



Jornais especulam ministérios para Olívio Dutra

Três jornais da capital, na edição de hoje, estão especulando qual o ministério que o governador Olívio Dutra deverá ocupar. Zero Hora abre matéria dizendo que "Olívio será ministro das Cidades". No olho da matéria, o jornal mostra firmeza na afirmação. "Convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Olívio Dutra será anunciado sexta-feira para o Ministério das Cidades, pasta a ser criada na nova estrutura da administração federal."

O jornal O Sul, na capa, mostra vários prováveis ministros. Entre os prováveis aparece o governador Olívio Dutra, candidato para ocupar o Ministério das Cidades.

O Correio do Povo traz na capa: "PT deve definir hoje ministério de Olívio". Otexto informa que Olívio foi convidado a participar do governo de Lula e que está sendo cotado para dois ministérios: dos Transportes e das Cidades.



O Sul, compromissado com o estilo

Dois títulos, nas páginas 2 e 3 do Caderno Reportagem de O Sul de hoje (19), retratam com perfeição o "estilo" do jornal impresso da Pampa de fazer títulos que praticamente substituem a matéria inteira, de tão grandes – e muitas vezes em tom provocativo. "Brizola quer porque quer ser o embaixador do Brasil na Argentina. Lula não se entusiasma com a idéia", especula o primeiro título, coroando uma foto em close do presidente nacional do PDT. Já o segundo título, sob os retratos da senadora Heloísa Helena e do escritor Frei Betto, decreta: "Dois históricos do PT vão ter de engolir, contrariados, dois "eleitos" por Lula para o primeiro escalão".

Mas não foi confirmada a suposição de que os editores de O Sul, ao ingressarem na empresa, sejam obrigados a assinar um compromisso de fazer sempre títulos com três ou quatro linhas, vírgulas, aspas e – principalmente – ponto final. Enfim, revolucionar o jornalismo.





* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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Olívio Dutra deve ser o ministro das Cidades

O governador Olívio Dutra deve ser anunciado na sexta-feira para ocupar o Ministério das Cidades, pasta a ser criada na nova estrutura da administração federal. De acordo com informações do jornal Zero Hora, o convite foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ontem, Lula e Olívio conversaram por mais de duas horas na Granja do Torto, em Brasília. O governador do Estado saiu do encontro sorridente e bem-humorado e confirmou que foi convidado há meses para integrar um ministério




Lula confirma escolha de Dulci, Tarso e Gushiken

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou na reunião com cerca de cem prefeitos do PT, encerrada no começo da tarde de hoje, em Brasília, que Luiz Dulci, secretário-geral do partido, ocupará a Secretaria Geral da Presidência da República.
O ex-prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, será o secretário geral de Desenvolvimento Econômico e Social e Luiz Gushiken será o secretário de Comunicação Social. As informações foram prestadas pelo prefeito de Bagé (RS), Luiz Mainardi.

Luiz Dulci, mineiro de 46 anos, é fundador do PT e secretário-geral do partido. Só exerceu cargo eletivo uma vez: foi deputado federal entre 1983 e 1986. Mesmo assim, passou a fazer parte da Executiva do partido, onde ocupou diversos cargos - secretário de organização, de cultura, de políticas sociais e assuntos institucionais, além de vice-presidente. Na Prefeitura de Belo Horizonte, exerceu as funções de secretário de Governo e de Cultura.

Tarso Genro, 55 anos, é ex-prefeito de Porto Alegre e candidato derrotado ao governo do Rio Grande do Sul. É bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Santa Maria (RS). Especializou-se em Direito Trabalhista. Advogado de Sindicatos, associações profissionais. Tem livros editados na área de Direito, Política e Literatura.

Luiz Gushiken é formado em administração, presidiu o Sindicato dos Bancários de São Paulo e elegeu-se deputado federal. Em 1998, foi coordenador da campanha presidencial de Lula. Figura histórica do PT e amigo pessoal do presidente eleito, Gushiken é especialista em Previdência, com trânsito fácil junto a fundos de pensão. Atualmente é coordenador-adjunto da equipe de transição.

Fonte:Redação Terra
Só vos peço uma coisa: se sobreviverdes a esta época, não vos esqueçais! Não vos esqueçais nem dos bons, nem dos maus. Juntai com paciência as testemunhas daqueles que tombaram por eles e por vós. Um belo dia, hoje será o passado, e falarão numa grande época e nos heróis anônimos que criaram a História. Gostaria que todo mundo soubesse que não há heróis anônimos. Eles eram pessoas, e tinham nomes, tinham rostos, desejos e esperanças, e a dor do último de entre os últimos não era menor do que a dor do primeiro, cujo nome há de ficar. Testamento sob a Forca - Júlio Fuchik Ed. Brasil Debates, 1980

MIDI@LERTA

Os Jornais
Rádios, TVs e mídia eletrônica
18-12-2002




Anúncio recorda conquistas do atual governo do RS


Objetivo e equilibrado o anúncio de página inteira publicado hoje pelo governo do Estado nos principais jornais gaúchos – e nacionais. Sob o título "O Rio Grande mudou com muito trabalho, participação popular e solidariedade", é feito um minibalanço de algumas das principais realizações e conquistas conjuntas da população gaúcha e do atual governo, nestes últimos quatro anos. "Hoje, somos o estado brasileiro com a menor taxa de desemprego e o segundo maior exportador do País. Economicamente, crescemos muito mais do que a média nacional", lembra o texto.


Entre outras coisas, diz ainda que "criamos o Programa Primeiro Emprego, que se tornou uma referência nacional, o Família Cidadã e a Universidade Estadual do RS. E através do Programa Estadual de Reforma Agrária, assentamos mais de 5 mil famílias". Mais: "Sem privatizar, nossa economia gerou mais de 406 mil empregos".


O texto informa que "tudo isso não são obras que se encerram, mas caminhos que se abrem. Há ainda muito o que fazer". E encerra de forma equilibrada e unificadora: "Desejamos êxito aos governos federal e estadual, e que continuem no caminho do desenvolvimento para todos nós, gaúchos e brasileiros".


Enfim, um anúncio que, ao mesmo tempo que reforça o necessário sentido de união para a evolução do RS e do Brasil, recorda algumas das muitas realizações da atual administração e que, no entanto, têm sido minimizadas ou simplesmente esquecidas pela maior parte da mídia do Rio Grande do Sul. Talvez saindo nos jornais nacionais, os comunicadores daqui se convençam que muitíssima coisa importante foi feita no atual governo petista do RS.



Último a saber foi o leitor de O Sul

O Sul, dentro de sua linha de surpreender sempre o leitor, mesmo que às custas de não entender nada, larga hoje o seguinte título, na pág. 11 do Caderno Reportagem: "Última a saber foi a mulher do padre". Última a saber o quê? Que padre?

Calma, leitor. Para não perder a piada, o jornal impresso da Pampa prefere sacrificar a informação. Só ao ler a matéria, no final do primeiro parágrafo, é que descobre-se que tratava-se mesmo de um caso envolvendo um religioso: fazendo-se passar por um "próspero empresário", o padre espanhol Jorge Barange casou-se com uma colombiana, com quem teve um filho. Anos depois, Barange abandonou a família e sumiu. Uma história banal, não fosse o fato de que o marido era um padre católico. Acontece.


Mas para entender o assunto a partir do título nada informativo dado por O Sul , só rezando mesmo.



Eu gosto, eu faço, eu bebo, eu...

A coluna de Martha Medeiros, no Segundo Caderno de Zero Hora, hoje (18) está um primor narcisista. A colunista, ao responder e agradecer um e-mail de um leitora que a elogia por ser uma "mulher moderna", discorre a coluna inteira sobre si própria, falando sobre seus gostos e hábitos. Ao responder à leitora, diz que não é moderna.

Alguns trechos. "Meus pratos favoritos não são palmito servido em telha de bambu ou atum no gergelim com molho de uva. Eu gosto é de sanduíche de queijo". Ou "nunca passei perto de uma rave. À noite eu durmo. Nunca fiz depilação a laser nem drenagem linfática". "Acredito em pontualidade, educação, gentileza, honestidade e não acredito muito em botox. Não tenho problemas sexuais. Meu analista me deu alta no segundo mês de terapia, o cara quase dormia de tédio".


A potência da RBS faz de seus colunistas e cronistas, best-sellers. Mas é fundamental manter a postura – mais conteúdo e menos confissão pessoal.

Menos, Martha, menos.



Índia Rosinha quer apito

Os jornais de Porto Alegre reproduziram uma foto de uma índia – em boa forma - com um arco e flecha na mão. Trata-se da governadora eleita do Rio de Janeiro, em espetáculo de "dançoterapia" de que participou, com a filha. O jornal Zero Hora, na coluna do Barrionuevo, no entanto, reproduziu não só a foto, mas parte da página do jornal carioca O Dia, onde aparece o título: "Rosinha quer apito".



Motivando a segurança


No programa Gaúcha Atualidade de hoje (18), José Barrionuevo praticamente confessou o que Midialerta vem dizendo desde sempre: o clima de insegurança no RS é, em grande parte, criado por setores da mídia, em defesa de seus interesses políticos particulares. Vejam o que diz o comentarista: "Estava acompanhando a entrevista com José Otávio Germano (...) só a mudança de discurso, de tom, já motiva a segurança. Gera mais, pelo menos, sensação de segurança. Sem aqueles chiliques que estamos acostumados a ver e ouvir". Sim, mudança de discurso e de tom "motiva segurança". A RBS não mudou, durante quatro anos, nem o tom nem o discurso do medo, motivando quatro anos de insegurança. Agora, muda, mas já muda tarde.


Quase no mesmo fôlego, Barrio bate também na comunicação social do Estado e elogia as mudanças na Prefeitura da capital, uma boa tática para fomentar discórdias mas que revela certo receio. De que a competência do atual governo do RS acabe amplamente percebida, se a RBS não continuar a bater? Ele mira na "comunicação social, uma área que tem sido figura de menor importância e é um cargo de grande expressão num sucesso de um governo. Veja o cuidado que João Verle tratou de mudar, alterar essa área até inspirada aí no que foi o desastre do Palácio Piratini". Sobre a mudança da equipe de João Verle: "Muito bem montada no primeiro, segundo e terceiros escalões. Um choque, bons quadros, aproveita nomes importantes do governo do Estado, que vão para a equipe da Prefeitura e já começa a se preparar e se aquecer com a devida antecedência. A mudança promovida, anunciada ontem, com o apoio do diretório do PT, imprime um novo ritmo na administração de Porto Alegre, que dentro de 13 dias entra na segunda metade do mandato." É justo. Será sincero?




Mudança no ar


Os programas radiofônicos da RBS mostram a mudança de rumos, agora que entraram na era "paz e amor"- coincidentemente, no momento em que inicia o governo de Germano Rigotto. Olha só o Antônio Carlos Macedo no Gaúcha Hoje: "Mais um pouquinho do som aí, Osmar... 7 e 23, nós vamos para o intervalo e num instante tem mais Gaúcha Hoje aqui na Radio Gaúcha. Essa é a nossa proposta. Mostrar também e, talvez, principalmente as coisas boas que acontecem perto de nós, porque abrir a boca para criticar eu sei fazer muitíssimo bem, mas eu acho que está politicamente incorreto nesse momento em que se busca diálogo, se busca compreensão, se busca construir um país novo a partir do entendimento. Cabe a nós, comunicadores, ao invés de abrir a boca para sair falando mal, é muito simples, já disse, eu sei fazer isso e sei fazer muito bem. Eu prefiro, neste momento, buscar ser parte atuante desse processo aí de transformação, de entendimento, mostrando as coisas boas".




Latinos na TV


O Sul trata hoje, no Caderno Reportagem (p.9), a questão dos "Latinos que moram nos Estados Unidos (e) são ignorados pelas redes de televisão". Segundo a matéria feita com informação de agências, que ocupa uma página e é ilustrada com uma foto de prédios novaiorquinos, de um total de 16 mil reportagens nos noticiosos "noturnos das redes ABC, CBS, NBC e da CNN no ano passado, apenas 99 – ou 0,62% -- tratavam sobre latinos".


A matéria também cita o presidente da Association of Hispanic Journalists, Juan Gonzalez, que constata: "A desoladora cobertura televisiva do grupo minoritário que mais rapidamente cresce no país, mina as necessidades de informação de todos os habitantes dos Estados Unidos e distorce o discurso público tão necessário para qualquer sociedade democrática."





* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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quarta-feira, dezembro 18, 2002

MIDI@LERTA


Os Jornais
Rádios, TVs e mídia eletrônica
17-12-2002




A marca da grande mídia


No editorial "A marca da insegurança" (p.18), Zero Hora volta ao tema que elegeu para combater o atual governo do Estado. "Evidentemente não se trata de uma questão apenas gaúcha ou apenas porto-alegrense", afirma lá pela metade do texto. Só que, nos seus veículos de comunicação, a RBS jamais deixa este aspecto evidente. Aliás, retoma em seguida seus queixumes, pelas dores que ela própria ajuda a provocar: "O doloroso, especialmente para os gaúchos, é que a degradação da segurança tem-se acelerado de maneira implacável sob as vistas às vezes inoperantes e até cegas das autoridades... Muitas vezes, as autoridades, em vez de dedicar-se à averiguação dos fatos e das tendências denunciadas, preferiam atribuí-los à má vontade da mídia (...) O país e o Estado ... estão maduros para engajar-se numa tarefa que tenha a segurança como objetivo". Espera-se que a RBS não esteja propondo o retorno à política do bandido-bom-é-bandido-morto.




A volta da força bruta


A nota "A volta dos 30 dias", no Panorama Político do Correio do Povo (p.4) afirma que "Aroldo Medina, do PL, candidato ao governo que daria 30 dias para os bandidos deixarem o Estado, irá integrar a administração Rigotto. Foi convidado ontem para ser porta-voz da Defesa Civil no Palácio Piratini". Além de não explicar o significado do ultimato prometido por Medina, a colunista interina do CP parece convidar o justiceiro por conta própria. Afinal, o posto de "porta-voz da Defesa Civil" simplesmente não existe.




Preparando o bote contra a Prefeitura


Quem quiser confirmar a noção de que a RBS prepara o bote desde a pauta mais banal dos seus nhenhenhéns de rádio até a mexida mais estratégica na sua diretoria, basta lembrar que está programada para o início de 2003 a estréia do atual ministro da Casa Civil da Presidência da República como vice-presidente executivo da empresa, e ler o que se falou esta manhã no programa Gaúcha Hoje (17/12). O diálogo entre Paulo Sant’ana e Antônio Carlos Macedo é auto-explicativo.


Sant’ana: "Pode haver notícia melhor, depois da vitória do Santos, que a estupenda queda do dólar, Macedo? E o Financial Times diz que a inflação brasileira é maior do que a dívida externa. Tomara que esse dólar desça agora. O dólar sobe os preços aumentam, e quando o dólar cai os preços diminuem, é essa a pergunta que eu lhe faço Macedo? ('não cai', diz Macedo) Pois é, não cai. Uma boa coisa para o nosso programa perguntar para as pessoas o que elas acham dos nossos parques. A coisa está bonita lá no parque Marinha, mas é verdade que alguns parques estão em péssimo estado, mas é uma ínfima maioria. No más está tudo bem, garoto? Parece que foi resolvida a recusa dos políticos para assumir a Secretaria da Segurança."


Macedo: "José Otávio Germano é um articulador, um homem do diálogo, vai conversar bastante com as entidades ... Pelo o que a gente vê faltou principalmente diálogo com as entidades policiais ... A classe saiu muito por baixo, a auto-estima dela ficou muito por baixo ... nesses últimos 4 anos e eu acho que a revitalização da segurança começa ... com a conversa, com o chamamento dos policiais, pela valorização. O pessoal volta a ter brio, vontade de trabalhar. Já é um grande começo se o José Otávio Germano conseguir isto, e é da índole dele, da capacidade dele, o diálogo, a conversa, né? Nós temos que torcer porque o sucesso dele é o nosso sucesso, pois pior do que está não tem como ficar".


Santana: Nós temos que ter esperança que a sociedade e o Governo reajam para melhorar essa questão de Segurança Pública, que está uma calamidade. Temos que esperar. Até mais Macedo".


Em poucos segundos no microfone, dois comunicadores da RBS plantam nos ouvintes três calamidades, passadas espertamente como se fossem única e exclusiva responsabilidade dos seus adversários. Os dois primeiros monstros são a inflação e a insegurança pública, jogados no ar como se não tivessem origem na irresponsabilidade do governo FHC. A terceira calamidade também é administrativa. O detalhe é que insere-se aí a questão municipal, pois a próxima batalha política da RBS em Porto Alegre será para tomar a Prefeitura.




Seria coincidência, se não fosse método


Pode ser sutil, o trabalho de semear as negatividades para transplantá-las em terreno petista, como mostra José Barrionuevo, na última nota de sua coluna (p.12). Neste caso, bastaram dúzia e meia de palavras: "Prefeito João Verle anuncia às 19h de hoje as mudanças no secretariado. Pelo horário, não quer divulgação". Sejam quais forem as mudanças, o colunista sugere algo errado, pouco transparente, um tanto secreto e negativo. Inventa o erro e a culpa. E o culpado da vez é o prefeito. A mudança de rumos das baterias e dos canhões da RBS está em curso.




Prisioneiros turcos em greve de fome

Uma pequena nota veiculada na página 2 do jornal O Sul mostra, pela primeira vez no Rio Grande do Sul, a situação desesperada vivida por prisioneiros políticos na Turquia que os noticiários internacionais não mostram. Veja a nota na íntegra: "Uma prisioneira esquerdista morreu de fome domingo, elevando a 62 o número de mortos em uma greve de fome em protesto contra o sistema penitenciário da Turquia." Agora uma perguntinha latejante. Qual seria a razão para esta omissão do resto da imprensa?



Iotti repete como papagaio

Mais uma vez o chargista Iotti do jornal Zero Hora pega pesado. Na charge de hoje, o governador Olívio abre a porta do cofre para Germano Rigotto, dizendo "como podes ver... Não te deixarei com o cofre vazio."


Detalhe: dentro do cofre estão vários papagaios, termo que no jargão popular significa dívidas para pagar, numa clara alusão à dívida do Estado tão propalada pela oposição. Como se o novo governo fosse herdar uma situação pior do que a Frente Popular herdou. Não é verdade, muito pelo contrário, e não é a primeira nem a segunda vez que o chargista usa o seu trabalho para assumir e mostrar a política da empresa, que é a de bater no atual governo até o seu último dia.




Peitos e bumbuns cantam em O Sul

A página 13 do jornal O Sul já entra ao natural em galeria de pérolas e preciosidades do jornalismo. Vejam o título: "A linha de produção que cria peitos e bumbuns que cantam foi colocada em potência máxima nos EUA". Dúvida: bumbum canta ou leva cantada?


A matéria, com uma foto central da cantora Mariah Carey, abre dizendo que "depois dos ataques terroristas, sociólogos acreditavam na preeminência de um novo Baby Boom. O texto então tenta fazer um gancho (ou um link) com a disparada da sensualidade feminina. Depois, já no segundo parágrafo, entra no principal da matéria, que são as grandes divas da música e do cinema americano. Os verdadeiros mulherões estão cada vez mais insinuantes e ambiciosas perante os homens, e são fabricadas pelos milhões da indústria cultural americana. Mas é preciso ler quase a metade da matéria para entender o título dos bumbuns que cantam.




* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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terça-feira, dezembro 17, 2002





MEMÓRIA
A derrota de Lula em 1989,
à luz da vitória em 2002



Neste dia de hoje, 17 de dezembro, há treze anos atrás, realizava-se o segundo turno da primeira eleição presidencial depois da ditadura militar, em que Fernando Collor de Mello venceu Luiz Inácio Lula da Silva. Treze anos – uma eternidade.

Os garotos e garotas de 16 anos, que em 1989 tiraram seus títulos para votar pela primeira vez (“O primeiro voto a gente não esquece”, dizia uma propaganda), valendo-se de uma conquista da Constituição de 1988, agora estão beirando os 30. Collor elegeu-se presidente; iniciou a aplicação do ideário neoliberal, foi flagrado chefiando o esquema PC Farias de corrupção e derrubado pela juventude que inventou a cara-pintada; depois de oito anos de exílio dourado em Miami, tentou a prefeitura de São Paulo e se deu mal, tentou agora o governo alagoano e perdeu de novo; dizem que planeja concorrer a prefeito de Maceió em 2004. Lula, o derrotado de treze anos atrás, tomará posse dentro de duas semanas como presidente do Brasil, nas asas de uma torrente de esperanças e expectativas populares de dimensões nunca vistas.

Uma eleição insólita

Sob mais de um aspecto, a vitória de Lula no último 27 de outubro teve início com a derrota de treze anos atrás. Começou ali a saga que agora, pelo sim e pelo não, aproxima-se da sua apoteose e da sua hora da verdade.

A eleição de 1989 destaca-se na história política do Brasil como um episódio insólito. Foi a primeira depois da longa noite ditatorial (os que votaram na anterior, que elegeu Jânio Quadros, têm hoje no mínimo 60 anos). Coroou um processo democratizante, negociado pelas elites e sem rupturas, mas empurrado para frente por um movimento de massas sem precedentes – naquele mesmo ano, o número de grevistas contabilizado pelo Dieese alcançou a cifra recorde de 16,6 milhões.

A história talvez tivesse sido outra se Tancredo Neves, o mago mineiro da conciliação, não tivesse morrido de uma infecção hospitalar contraída no dia de sua posse presidencial, em 1985. Porém, nas condições do governo José Sarney, derrotado por uma inflação de nunca vistos 1.765% naquele ano, atacado pela esquerda e pela direita, as elites perderam momentaneamente o controle do jogo político.

Quadro pulverizado e instável

O eleitorado vinha dos comícios das Diretas-84, da vitória sobre a ditadura e dos avanços da Constituinte de 1986/1988; buscava a oposição, novas siglas e novas caras. As pesquisas anteriores à campanha, davam como preferidos Leonel Brizola e Lula – nesta ordem. Num quadro pulverizado e instável, as elites se dispersaram, com todos os grandes e muitos pequenos partidos lançando candidatos próprios, que chegaram a 24.

Ulysses Guimarães saiu pelo PMDB; com o ônus de ser partido do governo, obteve um humilhante sétimo lugar. O PSDB, recém-fundado (em junho de 1988) lançou Mário Covas, que ficou em quarto. Paulo Maluf candidatou-se pelo PDS (antecessor do seu PPB atual), arregimentando as “viúvas da ditadura”; chegou em quinto. A improvisação levou uma parte do stablishment a apostar fichas em Afif Domingos, do diminuto PL, e outra a tentar, na penúltima hora, uma candidatura do apresentador de TV Sílvio Santos, popular e neófito em política – o que era visto como um trunfo.

Nessa pulverização, Fernando Collor passou a encabeçar as intenções de voto graças ao palanque eletrônico fornecido pela Rede Globo de TV (“Acho que dei a Rede Globo para Collor”, confessaria Roberto Marinho, já em setembro de 1992, o mês do impeachment). Contava ainda com a vantagem de ser um out-sider franco-atirador, sem vínculos aparentes com o sistema e com um discurso anticorrupção baseado, já na época, em sofisticada campanha de marketing político. Suplantou Brizola e Lula ainda antes do início da campanha e em meados do ano parecia imbatível, com 50% das intenções de voto, ameaçando vencer seus 23 concorrentes ainda no primeiro turno.

Campanha participativa e política de frente

Este favoritismo, porém, terminou posto em cheque por dois fatores também novos: o caráter participativo da campanha e a política de frente da candidatura Lula.

A campanha despertou um grau inédito de interesse e politização popular, por se dar na crista da democratização pós-ditadura e do ascenso de massas dos anos 80, por ser a primeira eleição presidencial em 29 anos e também por ser uma eleição “solteira”, apenas para presidente e vice. Um assombroso número de adesivos nos vidros dos carros atestava o engajamento na campanha, assim como os índices de audiência do horário eleitoral e dos debates na TV. Esta já era a principal arena da disputa eleitoral, mas em simbiose com os comícios de rua, até hoje não igualhados em uma eleição presidencial, produzindo demonstrações de prestígio levadas ao ar em seguida na TV.

Lula não sobressaiu desde o início nas pesquisas – chegou a bater em parcos 4% das intenções de voto. Mas contava com uma frente de esquerda – coligando o PT, o PSB (que indica o vice, senador Paulo Bisol) e o PCdoB. Esta era então uma novidade na trajetória do PT, e uma exceção solitária na eleição de 1989. Foi com ela, suas bases nos movimentos sociais, sua militância aguerrida e numerosa, que a candidatura Lula ganhou volume, na reta final do primeiro turno.

O primeiro turno, em 15 de novembro, ocorreu em clima de euforia democrática. Depois da votação em São Paulo, adeptos de diferentes candidaturas improvisaram um carnaval na Avenida Paulista para festejar a volta das eleições diretas para presidente. Feita a lenta apuração manual, Collor como se esperava ficou em primeiro lugar, com 28,5% dos votos. E Lula passou para o segundo turno, com 16,1%, apenas 250 votos à frente de Brizola.

Um segundo turno emocionante

Nos 32 dias entre os dois turnos, a pulverização cedeu lugar à polarização direita-esquerda. Collor teve apoio do PDS, do PFL, do PL, de áreas do PSDB e PMDB, em nome do anticomunismo e da queda do Muro de Berlim, que acabara de ocorrer. Lula, afora o PCdoB e o PSB, ganhou a adesão do PDT de Brizola, do PCB, parte do PSDB (Mário Covas) e do PMDB (Miguel Arraes, Pedro Simon, Waldir Pires). Mas rejeitou o apoio de Ulysses Guimarães, num gesto do qual se penitenciaria anos depois.

Foi um segundo turno de emoções fortes, com Collor mantendo o favoritismo nas pesquisas, mas declinando sempre, passando a comparecer, pela primeira vez, aos debates na TV, e apelando para golpes abaixo da cintura. No dia 17 de dezembro, obteve 35,1 milhões de votos (um crescimento de 70% em relação ao primeiro turno) e elegeu-se presidente, para seguir a trajetória que se conhece.

Lula, com 31,1 milhões de votos (crescimento de 172%), venceu no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Distrito Federal. E qualificou-se como a principal liderança das esquerdas brasileiras, alternativa ao projeto neoliberal que começou então a ser implantado.

Foram necessárias duas outras derrotas, em 1994 e 1998, para que essa alternativa se impusesse frente ao conservadorismo neoliberal – já então encabeçado pelo tucanato com Fernando Henrique Cardoso à frente. Mas quem quer que queira entender as raízes da vitória de Lula em 2002 necessariamente terá que ter como ponto de partida a esplêndida, promissora, ainda que derrotada, performance de 1989.

Bernardo Joffily




BAUDRILLARD, Jean - À Sombra das Maiorias Silenciosas

"A maioria silenciosa não liga pra nada, desde que à noite ronrone em suas pantufas... A maioria silenciosa, não se engane, se fecha sua boca é porque ao final das contas ela faz a lei. O que ela reivindica é ser paternalizada e tranqüilizada, além da sua pequena dose inofensiva de imaginário cotidiano"





PAIOL DE PETRÓLEO

Nas ruas de Caracas, a luta de classes ameaça retroceder às suas formas mais diretas e brutais, com o risco de contaminar toda a América Latina

Por Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa


Ao mostrar um só lado do conflito para os venezuelanos e o mundo, as redes de televisão e a mídia do país tentam convencer a todos de que a grande maioria da população se levantou contra o governo de Hugo Chávez.

Mas os acontecimentos de Caracas em nada se parecem com os levantes anti-soviéticos da Europa Oriental após a queda do Muro de Berlim, que contaram com apoio ativo ou passivo das massas populares. O movimento contra Hugo Chávez divide o povo tanto quanto os que derrubaram João Goulart, no Brasil, em 1964, e Salvador Allende, no Chile, em 1973.

O desfecho não será necessariamente o mesmo. Os EUA, depois de se dar mal ao cooperar com os despreparados e incompetentes golpistas de abril, mostram-se mais cautelosos. E Chávez preparou-se para resistir a situações-limite. Enviou os golpistas para a reserva e afastou outros generais conservadores de comandos importantes.

Em novembro, interveio na Polícia Metropolitana, depois que esta feriu a bala vários manifestantes governistas, um dos quais morreu. Essa força já havia matado cerca de 50 pessoas durante a tentativa de golpe e estava sob controle do prefeito conservador de Caracas.

A greve geral convocada pela central sindical pelega CTV (40% dos sindicalizados), pela federação empresarial Fedecámaras e pela aliança oposicionista Coordinadora Democrática, começou em 2 de dezembro sem ter prazo nem objetivos claramente definidos.

Inicialmente anunciada como um protesto de 24 horas para reivindicar uma emenda constitucional que permita um plebiscito imediato sobre a permanência do governo, tornou-se uma paralisação por tempo indefinido, até o presidente anunciar sua renúncia e a convocação de eleições para o primeiro trimestre de 2003. Como já se viu em abril, a extrema direita se sobrepôs à oposição moderada e está a cavalo do movimento.

A adesão popular foi limitada. Nos bairros de classe média da zona leste de Caracas, quase todas as lojas e agências bancárias fecharam. Nos bairros pobres da zona oeste e na maior parte do país, a atividade foi normal. A maior parte da indústria trabalhou e grande parte do resto funcionou parcialmente.

Os incidentes mais sérios foram a prisão de manifestantes da oposição que furavam pneus de ônibus ou assediavam lojas da zona leste que insistiam em abrir e a repressão com balas de borracha e gás lacrimogêneo de manifestações em frente à sede da PDVSA e ao hotel em que se hospeda o presidente da OEA, César Gaviria, que vinha conduzindo as negociações entre governo e oposição, suspensas pela greve.

Foi no dia 5, o quarto da greve, que executivos e gerentes da PDVSA e capitães de petroleiros da frota estatal tiveram sucesso em paralisar a maior parte da indústria petrolífera, que representa 80% das exportações, 55% da receita fiscal e 25% do PIB.

No dia seguinte, produção e exportação estavam paradas e o clima de confronto agravou-se com a morte de três pessoas ? por tiros atribuídos a chavistas ? durante uma manifestação da oposição na praça Altamira, na qual militares rebeldes convocavam as Forças Armadas a derrubar o presidente.

Desde então, fuzileiros venezuelanos retomaram os terminais marítimos e alguns dos 40 navios rebelados, enquanto trabalhadores leais ao governo operavam terminais petrolíferos e soldados protegiam os postos de gasolina. As exportações começaram a ser retomadas com a partida de um petroleiro no dia 10, mas a produção continuava 65% abaixo do nível normal, de 2,8 milhões de barris diários.

Está claro que grande parte da classe média venezuelana ? não só a pequena burguesia, como também muitos trabalhadores qualificados do setor petrolífero ? continua maciçamente contra Chávez, apesar de usada como bucha de canhão pelos golpistas de abril. Desde o fim de 2001, a queda dos preços do petróleo e a fuga de capitais (devido à crise política), resultaram num período difícil: em 2002, o bolívar desvalorizou-se 50% e a inflação saltou de 12% para 35% ao ano.

Dada a falta de habilidade do chavismo para dividir a oposição e atrair setores significativos da sociedade civil, a insatisfação da classe média tem sido facilmente manipulada pela propaganda rancorosamente antichavista dos meios de comunicação privados. Estes não têm grande dificuldade em convencê-la de que os milhões que se manifestam a favor do governo não passam de lúmpens pagos a US$ 30 por cabeça.

Com mais produtos importados em sua cesta de consumo e mais dependente de salários reajustados anualmente, a classe média tem sido muito afetada pela crise econômica, proporcionalmente mais que as massas populares.

Na Venezuela, os 70% mais pobres dependem da economia informal, cujos rendimentos, apesar de inferiores, reajustam-se mais facilmente. Além disso, o impacto da inflação sobre seus rendimentos tem sido amenizado por serviços públicos gratuitos e pela ação social do governo, que inclui quatro refeições diárias para alunos do ensino público.

A disposição dessas massas de apoiá-lo redobrou em abril, quando as 28 horas de ditadura do líder empresarial Pedro Carmona mostraram o que as espera se deixarem Chávez ser deposto: um regime à Pinochet, com direito a suspensão da Constituição e prisões em massa.

Igualmente redobrou a disposição dos condutores do antichavismo contra qualquer pretensão de participação política das massas populares mestiças. Isto não se registra em letras impressas, mas pode-se ouvir nas ruas ou ler nos foros da internet os epítetos com que certa classe média branca expressa seu ódio visceral ao presidente: ?Macaco Chávez?, ?Zambo da Savana? e ?Negrinho do Engenho? (mais exatamente del batey, para lembrar a letra racista de um velho merengue dominicano: ?A mí me llaman el negrito del batey, porque el trabajo para mí es un enemigo...?.).

A Constituição de 1999, aprovada pela Constituinte chavista, é uma das mais democráticas da América Latina e prevê o meio legal de afastar um mandatário impopular, ainda que legítimo, a partir da metade de seu mandato.

Vinte por cento dos eleitores precisam assinar uma petição por um plebiscito. Se o comparecimento for pelo menos 25% e a proporção dos votos pelo afastamento superar a dos recebidos na eleição ? 57%, no caso de Hugo Chávez ?, o impedimento estará consumado. Caso contrário, o mandatário estará confirmado e não poderá haver novo plebiscito até o final de seu mandato.

A oposição mostrou-se capaz de reunir os 2 milhões de assinaturas necessárias para iniciar o processo, mas não aceita esperar até agosto de 2003 para consumar o processo constitucionalmente. Mesmo hoje ? quando as pesquisas alegam que menos de 30% aprovam o governo ? não têm certeza de conseguir os votos necessários. E há razões para acreditar que, até agosto, a popularidade do presidente estará em recuperação.

Em janeiro, entram em vigor uma lei sobre imóveis que (como há muito ocorre no Brasil) permite desapropriar latifúndios e terrenos urbanos desocupados em benefício dos sem-terra e sem-teto e outra que deve restaurar o controle do governo sobre a administração da PDVSA e ampliar a receita fiscal do petróleo.

Usadas com inteligência, essas leis podem fazer muito pelo prestígio de Chávez, talvez beneficiado também por uma alta temporária dos preços do petróleo (pela guerra EUA-Iraque) e pelo respaldo internacional dos novos governos do Brasil e do Equador, que os EUA preferem não hostilizar enquanto a Alca estiver na mesa de negociação.

A paralisação prejudica tanto o governo quanto os oposicionistas, principalmente os comerciantes, que estão perdendo as vendas de fim de ano. Não se sabe qual lado tem mais fôlego.

Se um novo golpe for vitorioso, será uma péssima mensagem para a América Latina. Os candidatos a caudilho saberão que ditaduras de direita voltaram a ser viáveis e grande parte da esquerda, novamente convencida da inutilidade de lutar por reformas sérias com meios pacíficos, se sentirá tentada a pegar em armas. A começar pela esquerda da própria Venezuela.



http://cartacapital.terra.com.br/site/exibe_materia.php?id_materia=363
MIDI@LERTA

Os Jornais
Rádios, TVs e mídia eletrônica
16-12-2002



Versão da dívida é paga com moeda falsa

Há duas versões em circulação, para a questão da dívida pública no RS. Uma é a do governo do Estado, outra a da oposição. No último domingo (15), José Barrionuevo, porta-voz político da RBS, abriu sua coluna no jornal Zero Hora (p.12) com uma nota, "Pacificação da Fazenda", na qual a versão oposicionista é assumida como verdadeira. O que se espera de jornalistas é que, no mínimo, exponham o outro lado da questão. Neste caso, a dívida é paga com a falsa moeda de uma só face.


Barrionuevo fala do "conflito histórico da Secretaria da Fazenda" e deixa escorrer, de passagem, como algo verdadeiro e incontestável, que o novo titular do órgão "terá que enfrentar um déficit de R$ 100 milhões mensais, um saldo negativo de caixa de R$ 4,2 bilhões (a dívida de curto prazo mais saldo negativo do caixa único)". É o sinal de que esta será a versão oficial da RBS, independentemente da prova em contrário da administração petista.


É preciso registrar que, dois dias antes (13), a própria ZH publicou um artigo do atual Secretário da Fazenda, intitulado "Transparência e versão política" (p.33), pondo esse nhenhenhém financeiro em pratos limpos. "O que se discute hoje", diz o secretário Odir Tonollier, "são as interpretações dos números apresentados. Setores da oposição criaram símbolos como instrumentos de ação política, um deles os tais "R$ 4 bi" de déficit que agora terão outra utilidade: justificar os atos que virão a partir da posse em janeiro. Já apareceram publicações que, para alcançar a cifra de "R$ 4 bi", somam o déficit orçamentário de 2002 como sendo R$ 1,348 bi quando, na verdade, ele ficará em torno de R$ 300 milhões. Em outra publicação este número já não aparece mais, mas figuram nela os valores dos precatórios, mesmo que isso signifique uma contagem dupla, visto que este valor já está incluído no cálculo. Isto demonstra que não há qualquer preocupação em se esclarecer a situação. Busca- se, isto sim, consolidar junto à opinião pública um número fictício, já divulgado na mídia."

Como se vê, Barrionuevo esconde o outro lado da moeda, e o seu serviço de desinformação continua a todo vapor.




Quem é ele?

Vejam esta nota, uma pérola da informação, em versão integral, exatamente com foi veiculada na página 2 do jornal O Sul.

"Ele jamais nos ajudou. Ele está trabalhando numa outra área, totalmente diferente e age contra nossos interesses." - Líder da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat

Agora, só uma perguntinha. Ele? Quem é ele? A resposta está na página 6 do Correio do Povo. Osama Bin Laden.



Onde está o Lula?

A foto na página 2 do Caderno Reportagem do jornal O Sul, na matéria "Outro nome ligado a FHC será mantido por Lula: o embaixador do Brasil em Washington", tem, no mínimo, uma informação desnecessária e outra errada. A legenda diz: "Em Washington, Lula (2º à esquerda) fez vários elogios a Rubens Barbosa (D) e agradeceu o papel decisivo do diploma na preparação de sua visita aos EUA, na semana passada"

Ora, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva dispensa qualquer apresentação ou referência para indicar quem ele é, ou onde ele está. Além disso, o segundo na foto não é Lula, é o futuro ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Lula é o terceiro na foto, da esquerda para a direita.



Barrio quer indicar ministros e lançar candidatos

Até parece que o colunista José Barrionuevo está auxiliando o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e sua equipe, a escolher o futuro ministério, como deixa transparecer na nota "Gaúchos alijados do poder" (ZH, p.12). Primeiro, ele diz que até o momento apenas um gaúcho, o senador peemedebista Pedro Simon, foi convidado para um ministério importante, o dos Transportes. Mais adiante, afirma, citando o jornal O Estado de S. Paulo, que o nome de Olívio Dutra foi o primeiro que Lula pensou para o Ministério dos Transportes. Porém, Lula teria visto que se tratava de uma pasta cobiçada pelos partidos em troca de apoio ao governo do PT no Congresso. Olívio não acrescentaria nada em termos de apoio político. Barrio vai mais longe e adiciona dúvidas (dele ou do Estadão) que Lula teria em relação ao "desempenho administrativo" do governador no Piratini. Depois disso, especula, Olívio pode até ser indicado para a presidência da Itaipu Binacional.

Num mesmo fôlego, sopra a cizânia aos quatro ventos: estaria brotando do PT um novo partido de esquerda, o Partido da Democracia Socialista; Olívio poderia comandar o Ministério das Cidades, cobiçado por Tarso; Rossetto, "nome forte para a sucessão estadual em 2006" foi esquecido pela equipe de transição.



Meios de comunicação americanos emudecem sob o neo-totalitarismo


Nota no Correio do Povo, "Iraque leva ator a criticar Washington" (p.6), dá uma idéia do drama dos EUA, um país hoje destituído de um dos fundamentos da liberdade, o direito à informação. Segundo a nota, durante visita ao Iraque, o ator e diretor de cinema norte-americano Sean Penn chamou de "desconcertante" a recusa de Washington de divulgar as provas que diz ter sobre a presença de armas de destruição em massa naquele país. "Espero que os EUA tenham boas razões para tomar esta decisão. Nosso governo não nos informa e os meios de comunicação não falam do assunto", revelou.




Os senhores da guerra e o inimigo sem escrúpulos


Reproduzindo matéria do The New York Times, o site UOL Mídia Global afirma hoje que "comando militar americano poderá lançar operações secretas para influenciar opinião pública estrangeira" . Autoridades da Casa Branca e do Pentágono estariam buscando um plano substitutivo para o de lançar novas informações, inclusive falsas, para influenciar jornalistas estrangeiros e a opinião pública internacional. Segundo essas autoridades, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld "se sente profundamente decepcionado" por não ter "um plano coerente para moldar a opinião pública internacional e torná-la favorável aos Estados Unidos em sua campanha global contra o terrorismo." Entre os planos de guerra, os americanos incluem "ataques tecnológicos para neutralizar redes inimigas de computadores", civis ou militares.


Em Washington, defensores de um papel militar mais abrangente na "tarefa de fazer frente à propaganda dos terroristas, que não possuem escrúpulos para iludir" argumentam que nenhuma outra área do governo se dispõe a assumir a contrapropaganda.




Licença para matar


Enquanto isso, "Bush amplia poderes da CIA para matar terroristas", diz ZH (p.27) citando The New York Times de domingo. "O governo americano deu carta branca à CIA, a agência de inteligência dos EUA, para matar um grupo de aproximadamente 25 supostos líderes de organizações terroristas...". Segundo os jornais, a ordem foi assinada pessoalmente pelo presidente George W. Bush. A lista dos marcados para morrer "é chamada pelos funcionários americanos de ‘Alvos de Alto Valor’."




Cascateando

O jornalista e colunista Fernando "Cascata" Albrecht raciocina que o grupo RBS tem grande prestígio junto ao novo governo federal, conforme nota publicada hoje na coluna "Começo de Conversa" (p.3), no Jornal do Comércio.

"Prestígio mesmo junto ao novo governo federal quem tem é a RBS. Dois ex-funcionários emplacaram o primeiro escalão, aliás o primeiríssimo escalão. Lula já foi colunista de ZH – recebia R$ 2,5 mil mensais para escrever artigos aos domingos. E o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, era comentarista do Canal Rural." Então tá!





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Dos leitores

De: Marco Amaral

Sobre Foro Especial para FHC

Acho que Midi@lerta pegou muito leve no caso da aprovação na Comissão de Constituição e Justiça do projeto de lei que cria foro especial para presidente e governadores. O Jornal da Globo foi incisivo quanto à culpa do PT, Franklin Martins deu um discurso como poucas vezes se viu colocando o PT como traidor de seus princípios. Parecia que a vaca tinha ido para o brejo, que nada mais poderia ser feito pois o texto havia sido aprovado, em momento algum falou-se de que ainda existe uma longa tramitação para a matéria, que o PT continua contra a aprovação deste escárnio, e que não temos nenhum interesse em ve-la aprovada pois não temos nenhum presidente para safar a cara e nem mesmo governador (pelo que dizia o JG parecia que a defesa destes cara era preocupação nossa). Ou seja, a Globo foi longe de mais, parecia aquela velha e saudosa conhecida que defendia com unhas e dentes os princípios mais anti-democráticos. Saudosa Maloca....

Quanto ao Sul, mais atenção. Este jornaleco está se transformando no que de pior a imprensa inventou. Desta maneira e nesta rapidez, logo, logo iremos defender a ZH.

A matéria sobre IPTU no Sul de ontem (12/12), é um exemplo; pela capa parece que a maioria pagará aumento de 5.000%, na matéria ficamos sabendo lá pelo meio que somente 12 mil imóveis pagarão esta quantia, porém outros terão mais isenção.



* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.

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segunda-feira, dezembro 16, 2002

Quando os muros falam...


GRAFITTIS PORTENHOS

"Estaremos sempre ao lado governo...
porque se formos à frente nos fode, e se formos atrás nos caga".

"Na Argentina temos os melhores legisladores...
que o dinheiro possa comprar".

"Já chega de realidades, queremos promessas".

"A pátria deixará de ser colónia, ou morreremos todos perfumados".

"O país estava à beira do abismo e com Duhalde demos um passo em frente".

"A dívida que estou deixando ao país não é externa, é eterna".
(Carlos Menem, ex-presidente da República)

"As inundações não ocorrem porque os rios crescem e sim porque o país se afunda".

"Alguns nascem com sorte, outros na Argentina".

"Proibido roubar, o governo não admite concorrência".

"As putas ao poder, porque com os filhos não nos demos bem".

"Este governo é como um biquini, ninguém sabe como se sustenta mas todos querem que caia".

"Não leve a vida tão seriamente: Também não vai sair vivo dela".

"A Argentina é um aviário fechado por falta de ovos".

Nota:
Todo aquele que receber esta mensagem tem uma obrigação em defesa da Ética. Ela consiste em retransmití-la a 10 amigos. Se não continuar a cadeia, Menem poderá ser reeleito como Presidente até que Cecilia Bolocco [*] termine de preparar o seu guarda-roupa ou aprenda a ler e escrever (aquilo que acontecer primeiro).

[*] Trata-se de uma ex-miss que casou com o ex-presidente Menem.

Este texto encontra-se em http://resistir.info



TELEFÔNICA NÃO ACEITA USUÁRIOS QUE QUEREM USAR SPEEDY E INVENTA TARIFA
NOVA


Em uma medida descabida, empresa decide unilateralmente que, para seguir
decisão judicial, vai cobrar 54,90 reais de quem pedir para usar Speedy
sem provedor. Decisão vale desde ontem, sexta-feira.





por Aldo Novak, editor

aldonovak@relatorioalfa.com.br



Desespero. Essa é a melhor definição do que atual situação da
Telefonica, empresa de capital espanhol que está forçada a permitir que
os usuários do Speedy, seu sistema de banda larga, possam conectar à
internet sem o uso de um provedor específico (uma invenção que prejudica
o consumidor, que paga duas vezes pelo mesmo serviço).

Nos últimos dias, após a divulgação feita pelo boletim de INFO Exame e
pelo Relatório Alfa, os operadores de teleatendimento da Telefonica
foram instruidos a seguir um tipo de "operação padrão", atendendo b-e-m
l-e-n-t-a-m-e-n-t-e cada assinante, pedindo todos os dados mais de uma
vez, certificando-se de que o assinante não queria mesmo usar provedor
externo, deixando a pessoa na linha..... voltando... confirmando os
dados e dizendo que a senha seria fornecida em até três dias. Como a
decisão da justiça só é válida para quem assinou o sistema até o dia 3
de julho deste ano, a empresa deixava claro que os novos usuários não
teriam escolha.

Mas a informação já ia muito rapidamente se espalhando, mesmo colocando
todos os seus advogados para derrubar a decisão na justiça. No dia 12 a
empresa já informava que a senha levaria duas semanas para ser entregue
aos assinantes.


Mesmo assim, o número de ligações disparava e a quantidade de novos
assinantes que queriam o Speedy sem provedor mostrou que a empresa não
tinha escolha, se não obedecer a lei. Uma fonte sigilosa do Relatório
Alfa informou: "Vocês tinham que ver, eram reuniões e reuniões, buscando
um jeito de burlar a lei. A tensão por aqui aumentou muito. Foi quando
foi apresentada a idéia (aparentemente, já pensada) de cobrar todo
mundo, criando um novo fato jurídico. Veja, a lei supostamente permite
que o custeio das telecomunicações seja repassada aos usuários sempre
que há mudança na estrutura e, para resolver a questão, o pessoal
decidiu que isso seria uma mudança".


Imediatamente os operadores da Telefônica foram instruídos a dizer que a
senha seria disponibilizada para qualquer pessoa, e não somente para
quem já era assinante até 3 de julho, mas que isso custaria R$ 54,90 por
mês a qualquer usuário -- mais do que o preço de um provedor!

Em contato com o operador Álvaro Sabino no 0800-121520, este sábado, o
Relatório Alfa confirmou a informação. O operador disse praticamente as
mesmas coisas, acrescentando que "a empresa está agindo de acordo com
uma decisão do Tribunal Regional Federal", mas sem dar outros detalhes.

A Telefônica é a operadora de telecomunicações líder no mundo de língua
espanhola e portuguesa. Trata-se da primeira empresa espanhola em
capitalização de bolsa e uma das principais companhias mundiais do
setor. Ela é proprietária do Terra Lycos.

Tem mais de 82 milhões de clientes e um mercado em potencial que
ultrapassa os 500 milhões. Seus mercados principais estão em 16 países,
mas a empresa desempenha algum tipo de atividade em quase 50 países.

Mesmo com esse números -- e talvez devido a eles -- parece que a justiça
brasileira não consegue se fazer ouvir nos gabinetes da diretoria
corporativa.

De qualquer modo, a opção em usar o Speedy sem provedor está,
temporariamente, bloqueada. Agora a ABUSAR (Associação Brasileira dos
Usuários de Acesso Rápido) e o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do
Consumidor) devem recorrer dessa decisão, no mínimo, estapafúrdia.

Por favor, para informações e suporte quanto a este assunto, sugerimos
contatar os especialistas:

ABUSAR: www.abusar.org
IDEC: www.idec.org.br








FIM

Contatos com o autor:
aldonovak@relatorioalfa.com.br
Agenda


6 de dezembro – 14h, Seminário “Comunicação e Democracia – O que nós temos a ver com isso?”, no Ginásio dos Metalúrgicos de Novo Hamburgo (Salão de Festas. Rua Araruama, 420 B. Jardim Mauá). Organização: Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrica de NH. Programação: 14h às 14h55 – Os meios de comunicação e os processos eleitorais, com Paulo César Rosa/jornalista e diretor da Veraz Comunicação; 15h às 15h55 – Os meios de comunicação e a implantação de culturas, com Sarai Schmidt, jornalista e professora universitária; 16h às 16h55 – TV Digital (o que é?) e a democratização da comunicação, com Marcelo Souza, jornalista e rep. Comitê pela Democratização da Comunicação do RS; 17h às 18h – Os meios de comunicação no governo Lula e as alternativas, com Kátia Marko, jornalista e assessora de imprensa da CUT/RS.

6 e 7 de dezembro – Reunião da Comissão Nacional de Combate à Discriminação Racial da CUT, em São Paulo.

6 e 7 de dezembro – Seminário sobre os Desafios e as perspectivas do movimento sindical frente ao novo governo, na Escola Sindical Sul, em Florianópolis. Inscrições na CUT/RS.

6 e 7 de dezembro – Reunião da Comissão Nacional de Combate à Discriminação Racial da CUT, em São Paulo.

11 de dezembro – 18h, Plenária de Organização da Marcha de Abertura do III FSM. No Auditório do Semapi (Rua Lima e Silva, 280). Proposta de eixos: Não ao FMI e OMC; Não à ALCA, Plebiscito Oficial Já; Não à Guerra Imperialista; Pela Paz e autodeterminação dos povos. A CUT/RS convoca suas Regionais, Federações e sindicatos filiados, movimentos sociais e partidos para organizar a Marcha de Abertura do III Fórum Social Mundial.

12 e 13 de dezembro – Seminário ”O Sistema Democrático de Relações do Trabalho da CUT e o Fórum Nacional do Trabalho”, no Hotel Umbu (São Pérola. Av. Farrapos, 45). Organização: CUT/RS. Inscrições na secretaria geral da CUT/RS. Custo: R$ 20,00.


Membro da equipe de transição diz que TV Digital será reexaminada

Mesmo proibido de falar em nome da equipe de transição do governo eleito, o professor do Departamento de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Marcos Dantas, não resistiu à oportunidade de antecipar que o grupo está com a intenção de "rever o ritmo e as condições de escolha do modelo de TV Digital a ser adotado no Brasil". As declarações foram feitas durante o seminário "As Telecomunicações no governo Luis Inácio Lula da Silva", coordenado por ele e promovido pelas "federações sindicais do setor", de acordo com o jornal "Valor Econômico". Segundo Dantas, a "questão da TV Digital tem de ser reexaminada de A a Z. Será que ela é realmente essencial no país, no momento?". Citando as dificuldades de popularização da nova tecnologia nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, que implantaram a inovação no final de 1998, o professor avisou que a definição de um padrão tecnológico para ser implantado no Brasil, onde seria necessária a substituição de mais de 50 milhões de receptores, precisa abandonar o "açodamento" com que o assunto vem sendo tratado. "Não vamos fazer só para atender a interesse de lobistas", defendeu. Perguntado no evento em nome de quem estaria falando, salientou "Valor", Dantas respondeu: "nós somos as forças que ajudaram a eleger esse governo".

Fonte: www.acessocom.com.br

Deputado quer renegociar acordo de Alcântara


O deputado Nilson Mourão (PT-AC) apresentou indicação à Comissão da Amazônia para que o presidente da República retire a mensagem nº 296/01, que encaminha o texto do acordo entre o Brasil e os EUA para uso da base de Alcântara, no Maranhão. "Esse acordo precisa ser renegociado com o governo norte-americano para restabelecer o princípio da soberania nacional", afirmou.

Ele apresentou a indicação durante a audiência pública na Comissão da Amazônia que discutiu o impacto do acordo para a população. A procuradora regional da República, Déborah Duprat, chamou a atenção para a situação trágica das famílias que vivem na região há 200 anos. A procuradoria sustenta que a posse da terra é direito das populações remanescentes de quilombos, que estão impedidas de acessar as praias e matas da região.

O deputado Marcos Afonso (PT-AC) disse que submeter o país a um acordo dessa natureza é "um constrangimento de lesa-pátria". "Temos que ter uma visão holística dessa discussão, sem xenofobia, mas preservando nossa soberania, nossa autonomia e fazendo um acordo que permita um trabalho de cooperação", afirmou ele.

Nilson Mourão acredita que é preciso garantir o aperfeiçoamento do programa espacial brasileiro e as restrições previstas no acordo prejudicam esse avanço. "Podemos assinar um acordo com os Estados Unidos, mas em termos que sejam vantajosos para ambas as partes e que não prejudiquem a população do município de Alcântara", afirmou.

Fonte: Agência Informes.

RS é o primeiro Estado a regulamentar o uso de software livre

Aprovado o projeto de lei que regulamenta o uso de software livre por órgãos públicos estaduais. Com isso o RS passa a ser o primeiro estado do Brasil com esta legislação. "É um momento histórico. Nosso projeto defende a liberdade, a economia e a soberania," destaca Elvino Bohn Gass autor do projeto. Na prática, a aprovação significará economia aos cofres estaduais porque os programas de computador livres permitem acesso irrestrito, podendo ser copiados e alterados pelos usuários.

Fonte: Imprensa PT Estadual.




"Eu, que tantas vezes fui acusado de não ter um diploma superior, ganho o meu primeiro diploma, o diploma de presidente da República do meu País",