MIDI@LERTA
Os Jornais
Rádios, TVs e mídia eletrônica
18-12-2002
Anúncio recorda conquistas do atual governo do RS
Objetivo e equilibrado o anúncio de página inteira publicado hoje pelo governo do Estado nos principais jornais gaúchos – e nacionais. Sob o título "O Rio Grande mudou com muito trabalho, participação popular e solidariedade", é feito um minibalanço de algumas das principais realizações e conquistas conjuntas da população gaúcha e do atual governo, nestes últimos quatro anos. "Hoje, somos o estado brasileiro com a menor taxa de desemprego e o segundo maior exportador do País. Economicamente, crescemos muito mais do que a média nacional", lembra o texto.
Entre outras coisas, diz ainda que "criamos o Programa Primeiro Emprego, que se tornou uma referência nacional, o Família Cidadã e a Universidade Estadual do RS. E através do Programa Estadual de Reforma Agrária, assentamos mais de 5 mil famílias". Mais: "Sem privatizar, nossa economia gerou mais de 406 mil empregos".
O texto informa que "tudo isso não são obras que se encerram, mas caminhos que se abrem. Há ainda muito o que fazer". E encerra de forma equilibrada e unificadora: "Desejamos êxito aos governos federal e estadual, e que continuem no caminho do desenvolvimento para todos nós, gaúchos e brasileiros".
Enfim, um anúncio que, ao mesmo tempo que reforça o necessário sentido de união para a evolução do RS e do Brasil, recorda algumas das muitas realizações da atual administração e que, no entanto, têm sido minimizadas ou simplesmente esquecidas pela maior parte da mídia do Rio Grande do Sul. Talvez saindo nos jornais nacionais, os comunicadores daqui se convençam que muitíssima coisa importante foi feita no atual governo petista do RS.
Último a saber foi o leitor de O Sul
O Sul, dentro de sua linha de surpreender sempre o leitor, mesmo que às custas de não entender nada, larga hoje o seguinte título, na pág. 11 do Caderno Reportagem: "Última a saber foi a mulher do padre". Última a saber o quê? Que padre?
Calma, leitor. Para não perder a piada, o jornal impresso da Pampa prefere sacrificar a informação. Só ao ler a matéria, no final do primeiro parágrafo, é que descobre-se que tratava-se mesmo de um caso envolvendo um religioso: fazendo-se passar por um "próspero empresário", o padre espanhol Jorge Barange casou-se com uma colombiana, com quem teve um filho. Anos depois, Barange abandonou a família e sumiu. Uma história banal, não fosse o fato de que o marido era um padre católico. Acontece.
Mas para entender o assunto a partir do título nada informativo dado por O Sul , só rezando mesmo.
Eu gosto, eu faço, eu bebo, eu...
A coluna de Martha Medeiros, no Segundo Caderno de Zero Hora, hoje (18) está um primor narcisista. A colunista, ao responder e agradecer um e-mail de um leitora que a elogia por ser uma "mulher moderna", discorre a coluna inteira sobre si própria, falando sobre seus gostos e hábitos. Ao responder à leitora, diz que não é moderna.
Alguns trechos. "Meus pratos favoritos não são palmito servido em telha de bambu ou atum no gergelim com molho de uva. Eu gosto é de sanduíche de queijo". Ou "nunca passei perto de uma rave. À noite eu durmo. Nunca fiz depilação a laser nem drenagem linfática". "Acredito em pontualidade, educação, gentileza, honestidade e não acredito muito em botox. Não tenho problemas sexuais. Meu analista me deu alta no segundo mês de terapia, o cara quase dormia de tédio".
A potência da RBS faz de seus colunistas e cronistas, best-sellers. Mas é fundamental manter a postura – mais conteúdo e menos confissão pessoal.
Menos, Martha, menos.
Índia Rosinha quer apito
Os jornais de Porto Alegre reproduziram uma foto de uma índia – em boa forma - com um arco e flecha na mão. Trata-se da governadora eleita do Rio de Janeiro, em espetáculo de "dançoterapia" de que participou, com a filha. O jornal Zero Hora, na coluna do Barrionuevo, no entanto, reproduziu não só a foto, mas parte da página do jornal carioca O Dia, onde aparece o título: "Rosinha quer apito".
Motivando a segurança
No programa Gaúcha Atualidade de hoje (18), José Barrionuevo praticamente confessou o que Midialerta vem dizendo desde sempre: o clima de insegurança no RS é, em grande parte, criado por setores da mídia, em defesa de seus interesses políticos particulares. Vejam o que diz o comentarista: "Estava acompanhando a entrevista com José Otávio Germano (...) só a mudança de discurso, de tom, já motiva a segurança. Gera mais, pelo menos, sensação de segurança. Sem aqueles chiliques que estamos acostumados a ver e ouvir". Sim, mudança de discurso e de tom "motiva segurança". A RBS não mudou, durante quatro anos, nem o tom nem o discurso do medo, motivando quatro anos de insegurança. Agora, muda, mas já muda tarde.
Quase no mesmo fôlego, Barrio bate também na comunicação social do Estado e elogia as mudanças na Prefeitura da capital, uma boa tática para fomentar discórdias mas que revela certo receio. De que a competência do atual governo do RS acabe amplamente percebida, se a RBS não continuar a bater? Ele mira na "comunicação social, uma área que tem sido figura de menor importância e é um cargo de grande expressão num sucesso de um governo. Veja o cuidado que João Verle tratou de mudar, alterar essa área até inspirada aí no que foi o desastre do Palácio Piratini". Sobre a mudança da equipe de João Verle: "Muito bem montada no primeiro, segundo e terceiros escalões. Um choque, bons quadros, aproveita nomes importantes do governo do Estado, que vão para a equipe da Prefeitura e já começa a se preparar e se aquecer com a devida antecedência. A mudança promovida, anunciada ontem, com o apoio do diretório do PT, imprime um novo ritmo na administração de Porto Alegre, que dentro de 13 dias entra na segunda metade do mandato." É justo. Será sincero?
Mudança no ar
Os programas radiofônicos da RBS mostram a mudança de rumos, agora que entraram na era "paz e amor"- coincidentemente, no momento em que inicia o governo de Germano Rigotto. Olha só o Antônio Carlos Macedo no Gaúcha Hoje: "Mais um pouquinho do som aí, Osmar... 7 e 23, nós vamos para o intervalo e num instante tem mais Gaúcha Hoje aqui na Radio Gaúcha. Essa é a nossa proposta. Mostrar também e, talvez, principalmente as coisas boas que acontecem perto de nós, porque abrir a boca para criticar eu sei fazer muitíssimo bem, mas eu acho que está politicamente incorreto nesse momento em que se busca diálogo, se busca compreensão, se busca construir um país novo a partir do entendimento. Cabe a nós, comunicadores, ao invés de abrir a boca para sair falando mal, é muito simples, já disse, eu sei fazer isso e sei fazer muito bem. Eu prefiro, neste momento, buscar ser parte atuante desse processo aí de transformação, de entendimento, mostrando as coisas boas".
Latinos na TV
O Sul trata hoje, no Caderno Reportagem (p.9), a questão dos "Latinos que moram nos Estados Unidos (e) são ignorados pelas redes de televisão". Segundo a matéria feita com informação de agências, que ocupa uma página e é ilustrada com uma foto de prédios novaiorquinos, de um total de 16 mil reportagens nos noticiosos "noturnos das redes ABC, CBS, NBC e da CNN no ano passado, apenas 99 – ou 0,62% -- tratavam sobre latinos".
A matéria também cita o presidente da Association of Hispanic Journalists, Juan Gonzalez, que constata: "A desoladora cobertura televisiva do grupo minoritário que mais rapidamente cresce no país, mina as necessidades de informação de todos os habitantes dos Estados Unidos e distorce o discurso público tão necessário para qualquer sociedade democrática."
* Esse trabalho é realizado por um grupo de jornalistas apoiadores da Frente Popular.
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