terça-feira, fevereiro 04, 2003

III FSM: Observações e comentários


Laerte Braga
La Insignia. Brasil, janeiro de 2003.


A torta
O jornalista Márcio Moreira Alves escreveu um artigo no jornal "O Globo"
lamentando e condenando o gesto de uma ativista que atirou a torta no rosto
do presidente nacional do PT, deputado José Genoíno. Até aí tudo bem. Mas a
torta nem foi o fato principal do III FSM, apenas um gesto isolado. Ganhou
destaque por ser algo inusitado em termos de um dirigente petista, no caso o
mais importante na estrutura partidária.
Só que o jornalista, de tradicional família da cidade do Rio de Janeiro,
enveredou por um caminho complicado ao generalizar suas críticas à esquerda
do PT e ao colocar num mesmo cesto, o conjunto do movimento popular,
sobretudo o MST. E a forma como o fez.
Sério e um excelente articulista, derrapou. Falou em esquerdismo como doença
infantil do comunismo, citando esse muitas vezes lembrado comentário de
Lenine. Descambou para a invasão da fazenda dos filhos de FHC, reportou um
fórum que, definitivamente, não existiu, senão nos círculos da
intelectualidade burguesa reunida em mesas aqui e acolá e, pior, nenhum fato
na história recente do Brasil cabe tão bem dentro da frase de Lenine,
julgando pela mesma ótica dele, como o que protagonizou em 1968, quando era
deputado e acabou servindo de pretexto para o to Institucional nº 5, o mais
draconiano dos documentos da ditadura militar.
O jornalista Márcio Moreira Alves era deputado federal e foi à tribuna onde
pronunciou um discurso candente contra o regime. Pediu às esposas de
militares que não dormissem com seus maridos, entre outras coisas, como
forma de manifestar repúdio à tortura, a barbárie daqueles tempos. O AI 5
teria vindo de qualquer forma. Com ou sem o discurso do então deputado
Márcio Moreira Alves. A atitude, no entanto, valeu-lhe críticas de vários
setores da esquerda, à época, muitos dos quais achando, inclusive, que o
comportamento do mesmo foi infantil. Deu a cabeça de bandeja, facilitou a
ação dos gorilas.
Deu importância demais ao fato e a impressão que estava apenas procurando
uma boutade para agradar o deputado José Genoíno. O próprio Genoíno não
permitiu nem que a moça fosse identificada. Encerrou o assunto por ali
mesmo.


O Fórum para dentro, o Fórum para fora
Quem tem a preocupação de acompanhar e avaliar os vários eventos do Fórum
Social Mundial, muito difícil tamanha a quantidade de oficinas, seminários,
testemunhos, conferências, sem falar nos acontecimentos paralelos, mas quem
se vale de informações, corre aqui e ali, acaba ficando com a nítida
sensação que são dois, pelo menos, os fóruns. Um para dentro, outro para
fora. E ambos muito importantes.
O para dentro, com preocupações e postura mais voltada para a ação das
chamadas ONGS, muitas vezes e em muitos aspectos despolitiza algumas
discussões, sobretudo as voltadas para a questão ambiental. Boa parte dos
ambientalistas não se preocupa com a questão política e não reconhece no
capitalismo o seu caráter predador. Fica na análise e na recomendação
técnicas. A parte que pensa ambiente e política em conjunto, uma
indissociável da outra, é minoria. Há exageros inclusive, como o de tachar
de nazistas os que não jogam papel nas cestas, poluem com cigarro, etc.
Esses são episódicos e acabam ficando restritos a grupos um tanto exóticos.
Essa gente fala para dentro de grupos, guetos ou veste suas falas de um
caráter apolítico que acaba não realçando a importância e o caráter
indispensável do tema, ou problema.
Houve fatos ridículos como o de um defensor da alimentação natural que,
entre outras coisas provocou o riso dos que assistiam à sua fala: "podemos
comer um pé de alface sem causar dor nenhuma ao vegetal, pois ele não foge
quando o colhemos.. Mas não devemos comer carne pois o boi sai correndo
quando percebe que vamos pegá-lo para matá-lo. A uma pergunta sobre a
hipótese de um boi manco, retrucou que ali estava um "nazista defensor do
consumo de carne, qualquer tipo de carne".
Esse fórum fala para dentro. Restringe-se a grupos, mas compõe o
extraordinário acervo, digamos assim, do maior evento dos dias de hoje em
termos de mobilização e luta popular.
Fala para fora o extraordinário trabalho de pesquisa divulgado na abertura
oficial do evento, na quinta-feira, 22. Mostrou a importância do FSM e
principalmente, como disse Chico Whitaker, um dos integrantes da
organização, "que o fórum deixou de ser um mero evento anual e ganhou a
dinâmica de um processo de mobilização e luta por um outro mundo possível".
Sinaliza para a necessidade de, compreendida essa constatação, adequar-se a
ela e ampliar a luta a partir disso: é um processo e como tal tem que ser
conduzido.
Fala para fora nos eventos promovidos sob a batuta do MST que lotaram o
ginásio do Internacional, o "Gigantinho". Houve momentos em que as rádios e
redes de tevê, sobretudo a educativa do Rio Grande do Sul, se viram na
contingência de dirigir apelos ao público para não se deslocar para o local,
pois não cabia mais ninguém.
Houve momentos, segundo uma delegada de Minas Gerais, que "você tem a
sensação que está em meio à revolução e aí pensa que a revolução é
possível". Foram tocantes e eletrizantes tais momentos. Como a palestra do
escritor Eduardo Galeano, a da irmã Sherine, do Iraque, a da filha de Che
Guevara, ou o lançamento do jornal "Brasil de Fato".
Ou as marchas, tanto a da abertura como a contra a ALCA. Ambas gritaram por
paz e a paz acabou sendo um consenso entre todos os participantes. Até
israelenses e palestinos juntos e de mãos dadas. "Uma outra Israel é
possível", foi o cartaz predominante na delegação daquele país.
Esse fórum que fala para fora sufocou o de DAVOS tornou menores questões com
algum peso, como por exemplo, o corte de verbas para o evento, promovido
pelo novo governador do Rio Grande, Germano Righoto, que, ao contrário de
seu antecessor, o ministro Olívio Dutra, mostrou-se em sua inteira figura:
menor e episódica.


Fórum socialista
O I FSM foi como quê uma descoberta. As insatisfações chegando de todos os
cantos e buscando mostrar o grito por um "outro mundo possível". Percebeu-se
que era e é possível. O segundo foi marcado por um acentuado crescimento e
novas descobertas: a criança começou a andar por suas próprias pernas, era
como é uma realidade maior que Davos (encolhido e envergonhado em sua
pequenez de olhos de banqueiros).
O III FSM foi um fórum socialista. O grito de ordem foi o socialismo. O
anseio estampado em cada manifestação foi o socialismo. O fórum que falou
para fora e algumas vezes o que falou para dentro, teve nítido caráter
socialista. O outro mundo possível e desejado é o do socialismo.
A transferência para Bombaim, no próximo ano, deve conferir maior
importância a temas asiáticos e talvez desloque um pouco esse desejo. O
reencontro, com toda a certeza, será em Porto Alegre, em 2005. Mas não vai
matá-lo e nem permitir que prospere a idéia de capitalismo humanizado de
alguns setores que falam para dentro.
Ao constatar que o FSM ganhou força de processo político, dinâmica de luta
com viés de mobilização permanente nos muitos fóruns nacionais,
continentais, regionais, que vão acontecer ao longo do ano todo, a força do
grito superou os limites de Porto Alegre. A capital gaúcha é a síntese desse
anseio e como tal consolidou-se.


Os meios de comunicação
Um comentarista da "RBS" (Rede Brasil Sul), afiliada da "Globo", no último
dia, na terça-feira, não teve como disfarçar esse fato. Aí, na costumeira
ignorância da direita pau mandado, pediu que o fórum não fosse para o
"socialismo anacrônico". Estava de terno, gravata e falou sério. Os robôs
que estavam ao seu lado, duas belas mulheres/apresentadoras, menearam as
cabeças em sinal de concordância. Estão abertas as inscrições para que
alguém explique o que é "socialismo anacrônico". Deve ser falta do que falar
diante da grandeza do FSM.
Os meios de comunicação do Rio Grande do Sul, conservadores (refiro-me aos
grandes) e comprometidos com o que há de mais atrasado em matéria de
latifúndio, direita, etc, não tiveram como evitar o FSM. Estava ali nas
barbas deles e a presença de 150 mil pessoas de fora criou uma situação
complicada: num dado momento setores do comércio, hoteleiro e restaurantes,
principalmente, mostraram-se preocupados com a transferência do fórum para
Bombaim. O balanço mostrou que 50 milhões de dólares foram gastos na cidade
em 6 dias. Tiveram que sentar em cima e abrir suas manchetes.
Os nacionais foram mais parcimoniosos para não discrepar dos compromissos
com os grandes grupos econômicos, banqueiros, etc. A exceção da "Folha de
São Paulo", que, sem juízo de mérito, cobriu o evento inteiro, os demais
limitaram-se a registrá-lo e alguns de forma deliberadamente desfavorável,
ou pretensamente neutra.
Foi o caso da edição do "Jornal Nacional", na terça-feira. Mostrou o
confronto entre meia dúzia de nudistas e três dúzias de boçais fardados e a
cavalo, distribuindo golpes de sabre a torto e a direito em nome da moral,
da ordem e dos bons costumes. O mesmo tempo dedicado aos trabalhos do fórum
foi dedicado a um episódio isolado e parte do caráter libertário que reveste
o FSM.
Ao contrário, foram pródigos na cobertura de Davos. É quando chamam os
comerciais, no caso das redes de tevê e das rádios, ou inserem anúncios, nos
casos dos jornais e revistas, é só prestar atenção que Davos está ali, na
grana de cada dia.
Não houve, no entanto, como esconder. Qualquer motorista de táxi de Porto
Alegre estava fulo da vida com a transferência para Bombaim e identificava
na "nova ordem gaúcha", a razão. O resto do País vai começar agora a viver
situações regionais, estaduais e o próprio fórum brasileiro, na dimensão de
processo de luta e mobilização populares. Vai ser difícil manter a posição
de avestruz, com a cara enterrada, até porque o governo é o de Lula.


Considerações finais
Tudo indica que a presença de Hugo Chaves, várias vezes, no Brasil, após a
posse de Lula e a nova política externa do novo governo brasileiro, começam
a significar alívio para o venezuelano. Sua ida a Porto Alegre não
obscureceu, como imaginavam alguns setores do capitalismo humanizado, a
presença de milhares de organizações. O chefe de Estado não centralizou o
fórum.
Foi um gesto político que representou ganhos para Chávez e acabou
mostrando-se fundamental na sua reação ao golpe das elites contra sua
revolução bolivariana. Milhares de pessoas acorreram ao local onde Chávez
estava na expectativa de manifestar apoio, unânime no III FSM, ao presidente
da Venezuela.
Integrantes do comitê organizador confessaram em entrevistas que ficaram
surpresos com a magnitude do evento. Não esperavam tanto, embora esperassem
um êxito maior que o do II FSM.
Nos dias do Fórum Porto Alegre foi exatamente a comuna livre, pacífica, onde
conviveram as mais variadas tribos e onde aconteceram os mais importantes
eventos na direção do sonho de "um outro mundo é possível". Ficou claro, que
um mundo socialista. O tom disciplinador, em todos os sentidos e aspectos,
do III FSM, foi dado pela esquerda socialista, particularmente, MST e Via
Campesina.
Falaram para fora. Falaram para o mundo inteiro.



MIDI@LERTA


Os jornais
03/02/2003


Manchetes de hoje


Correio do Povo - EUA inicia investigações sobre a tragédia espacial

Jornal do Comércio - Presidente da Câmara quer apressar reformas


O Sul - Câmara e Senado com novos presidentes


Zero Hora - A exploração do espaço em xeque




Na Porto Alegre referência mundial, jornais desconhecem ombudsman



Na Porto Alegre que é referência mundial de democracia e participação popular, que lançou para o planeta o Orçamento Participativo, que sedia com elogios o Fórum Social Mundial, que é campeã brasileira de qualidade de vida e que situa-se num estado que, em tese, abriga a população "mais politizada do Brasil", ao menos um aspecto deixa muito, muitíssimo a desejar. Falamos da imprensa local e, em especial, de um de seus aspectos - ou omissões - que atesta o atraso da mídia gaúcha em relação à cidade e ao estado em que atua (para não falar de outras cidades brasileiras e do resto do mundo).

Na Porto Alegre da vanguarda mundial, nenhum dos jornais locais ainda demonstrou coragem de realizar de fato e de direito, diariamente, seu mea culpa, prestando assim um verdadeiro serviço à cidadania: ainda não institucionalizaram em qualquer dos cinco diários portoalegrenses a figura do ombudsman.

Um jornalista no papel de ouvidor da cidadania, imbuído do compromisso com a verdade factual e com a ética da profissão, não propriamente a serviço do jornal (embora pago por ele), mas principalmente a serviço do público e do seu direito de ser bem informado e, que - quando isto não ocorrer, por negligência, erro ou má fé do veículo-, tenha garantia de independência para publicar a mancada jornalística, a sua correção e a crítica nas próprias páginas do jornal.

É justo dizer que quem chegou mais perto de realizar tal avanço na imprensa gaúcha foi ZH, ao tempo de Augusto Nunes, no início dos anos 90. O projeto morreu na casca e foi substituído por um "Conselho de Leitores". Ora, com todo o respeito, trata-se de um fraquíssimo substitutivo, que além de trabalhar de modo não acessível à massa de leitores, não dá destaque aos erros cometidos pelo jornal nem às necessárias correções e críticas - fundamentais numa mídia que se pretende democrática. (Como se o jornal dissesse assim: "Nossos acertos são públicos; sobre nossos erros fale apenas conosco").

Aí mídia gaúcha: caso você não saiba, é da democracia plena que seus erros também sejam assumidos e criticados publicamente. Cadê o ombdusman?



Bordão fascista no governo estadual

Juntos somos fortes. Para forjar essa frase, assumida como slogan do novo governo gaúcho, foram requisitadas nada menos que nove agências de publicidade. Num verdadeiro furacão de originalidade, os sempre muito bem remunerados criativos apresentaram a frase acima - devidamente aplaudida e aceita pela Comunicação do Piratini.

Bacana. Só que esta frase - além de ser antiquíssima (e só na internet, em português, ter sido registrada mais de 10 mil vezes) - remete ao conceito nazi-fascita do "fascio", o feixe de finas varas que, juntas, tornam-se inquebráveis.

Enquanto a mídia noticiosa gaúcha vem passando sobre o assunto sem maiores questionamentos, são os colunistas que estão apontando o perigo de um governo usar como bordão uma frase de origem tão terrível, que levou o mundo à Segunda Guerra Mundial e matou milhões de inocentes.

Até o insuspeito Barrionuevo, em sua coluna de ZH, concedeu que "a marca e o slogan que vão balizar as ações do governo gaúcho deixam a desejar". Seu colega Mendelski, em O Sul, também faz crítica. E embora aproveite o tema para chamar o governo anterior (de Olívio Dutra) de "fascismo gaudério", Mendelski aventa a hipótese de as dez agências terem sofrido de "preguiça criativa". Ambos os colunistas, por coincidência, querem saber quanto custou aos cofres públicos esta campanha do atual governo.

Vera Spolidoro, no mesmo O Sul, ainda informa que a marca - um mapa estilizado do Rio Grande, lembrando um coração - pode gerar problemas legais, pois faz referência a marca de campanha de Rigotto, o que fere a Constituição Federal.

Em suma, uma bela trapalhada de comunicação do novo governo.

Em tempo: que tremenda criatividade, hein?





Pedro Parente assume a vice-presidência da RBS

Esta é a manchete da página 22 (Economia) da Zero Hora de domingo (2). Ao lado da cartola, IMPRENSA, segue uma explicação polêmica: " Executivo vai tratar da nova estrutura operacional do grupo de comunicação". A naturalidade com que ZH apresenta a informação dá calafrios em quem considera fundamental que os interesses da mídia não se sobreponham aos interesses de Estado. "A partir desta segunda-feira, o engenheiro Pedro Parente assume a vice-presidência executiva do grupo RBS. Parente, que exerceu diferentes cargos na administração pública federal, entre os quais o de ministro-chefe da Casa Civil, será responsável pela operação da empresa."

Compreensivelmente, ZH não menciona que Parente foi liberado da quarentena compulsória dos servidores públicos de alto escalão que migram para a iniciativa privada, nem que ele exercia a função de ministro-chefe da Casa Civil de FHC até meros 32 dias atrás. O jornal da RBS também não toca na polêmica levantada no momento do anúncio da contratação de seu mais novo executivo, que teria participado da elaboração de projetos de lei sobre meios de comunicação, beneficiando ninguém menos do que seu novo empregador. Embora tenha havido, na época, desmentidos oficiais, o fato é que a intimidade de Pedro Parente com sigilosos assuntos de Estado deveria, no mínimo, levantar barreiras éticas para evitar possíveis relações incestuosas entre os interesses privados de um grupo de mídia e os legítimos interesses da nação, em detrimento desses últimos.





A "revolução" de Barrionuevo

A linguagem não é neutra, a escolha das palavras traz em si uma carga ideológica que revela a posição política de quem escreve ou fala, mesmo no discurso mais "neutro" ou "imparcial" possível. José Barrionuevo, por exemplo, mostrou a extrema fragilidade dos seus conceitos políticos ao denominar de "revolução de 64" o golpe que derrubou o presidente João Goulart e instaurou a ditadura militar no país. Primeiro, na nota "Sem radicalismos", de sábado, e reincidiu no comentário "Parlamento com mais democracia", de domingo, em Zero Hora.

Ora, não há historiador sério ou cientista político de renome, jornalista, político ou mesmo cidadão comum identificado com a democracia que ainda ouse chamar de "revolução" um golpe tramado pela cúpula militar com o apoio do partido mais golpista da história brasileira, a UDN, dentro da velha e triste tradição latino-americana, insuflado desde fora pelos Estados Unidos - como até mesmo vários brasilianistas americanos já comprovaram com farta documentação. Só mesmo alguém muito ignorante, que não é o caso, conivente ou saudoso da "ordem" instituída desde os quartéis naqueles tristes anos ainda é capaz de usar, em plena democracia, de uma terminologia que a ditadura adotou para disfarçar o caráter autoritário e anti-democrático do golpe de 1964.





De um leitor atento


Tenho acompanhado as considerações do Midi@lerta, sempre sagazes e gostaria de comentar que de fato, é visível a mudança de comportamento dos veículos, com medalha de ouro para Zero Hora e Bronze para O Sul, pela falta de requinte. Este último quer agradar, mas nem ao menos tem polimento para fazer o trabalho sem que fique notória a situação. Já a ZH é expert no assunto, quando lhe é do agrado.

O governo Rigotto vem se destacando por factóides lançados diariamente na "sua" imprensa regional, retirando-se o Correio do Povo, que sempre tende a equilibrar os fatos, mesmo que não sejam isentos.

As questões turismo, GM, FSM, descentralização da comunicação entre outros fatores, nada mais são do que palavras ao vento, para um governo que nem sabe o que está se passando a seu redor.

Me pergunto: Porque a imprensa não tem dado importância, ou melhor, juntado (o que fazia diariamente ao longo dos últimos quatro anos) os casos de violência que estão ocorrendo no Estado, em diferentes pontos, com a participação da BM "prendendo e arrebentando", como também fizeram no FSM? Aliás, porque não foram considerados os protestos contra a forma como a BM se portou com a gurizada pelada do FSM? Porque ZH e outros não questionaram o fato de pessoas desqualificadas assumirem postos chaves no governo, como Hugo Mardini na Sulgás, que segredou desconhecer o assunto gás natural e derivações disso?

A Secretaria do Turismo do Governo anterior primou pela participação em todos os Congressos, encontros, feiras, outros, levando o nome do RS e fechando grandes pacotes turísticos incluindo a participação da rede hoteleira. Mérito do governo Olívio. Agora vão surfar. Da mesma forma que vão surfar na questão da energia eólica, tão bem tratado no Mídia.


Por fim, estas questões têm resposta única, passar a imagem de governo da paz para a população, dar sustentação midiática para o governador e rezar para não acontecer fatos de proporção desmedida que os obriguem a dar a noticia desastrosa, de um governo sem projeto. A meta é garantir a imagem e só ela. Este é um governo que eles querem que dê certo, na marra. O governo Olívio era para ser derrotado e eles mentiram, falsificaram, omitiram e depredaram a opinião pública. Tudo em nome da Política e do Dinheiro. Quem me dá mais?




Gravação da conversa do ministro da Fazenda repercute nos jornais de Porto Alegre


O caso sobre a gravação da conversa do ministro da Fazenda, Antônio Palocci com a bancada federal do PT, na sexta-feira, foi assunto nos quatro jornais de Porto Alegre nesta segunda-feira (03).

A matéria da página 14 de Zero Hora "PT estuda punir responsável por gravação" é a mais completa sobre o caso. O texto abre com a opinião de José Genoíno, classificando o episódio como um dos mais graves da história do partido. Conforme a matéria, ele quer descobrir como a gravação chegou ao jornal O Estado de São Paulo. A matéria levanta também dois nomes como possíveis autores: Walter Pinheiro (BA) e Chico Alencar (RJ). De acordo com a matéria de ZH, Alencar admitiu que anotou trechos da fala de Palocci, mas omitiu as declarações mais fortes. O texto fala ainda de uma possível situação irreversível, levando a formação de uma nova legenda para agrupar os radicais.

Em um box anexo, ZH revela alguns trechos que vazaram sobre assuntos como contratos, juros e inflação, governo FH, ajuste e mudar câmbio.

Os textos reproduzidos dão a impressão que foram pinçados da conversa e ficaram sem sentido.

Na página 23 do Jornal do Comércio a matéria "Gravação de conversa com palocci abre crise no PT" traz posições do presidente do PT, José Genoíno sobre o episódio. "Há 22 anos na Câmara, nunca vi algo assim" disse ele. O texto explica que a reunião foi um pedido dos próprios parlamentares petistas que vêm cobrando mais participação nas decisões do governo. Coloca ainda que o fato instalou um clima de desconfiança no partido que pode levar a uma situação irreversível , culminando na formação de uma nova legenda.

O Correio do Povo na página 2 publica duas matérias pequenas sobre o caso. A primeira, "Fita com Palocci provoca crise" traz, praticamente, as mesmas informações dadas pelo Jornal do Comércio. A matéria menor "Gravação clandestina terá punição do partido" revela que o líder do PT no Senado, Tião Viana, defende uma punição disciplinar para o responsável pela gravação.

O Sul, na página 14 publica matéria " Gravação de reunião gera crise no PT", onde mostra a posição do presidente do partido José Genoino. Porém a matéria, a exemplo de ZH, levanta dois nomes como possíveis autores da gravação: Walter Pinheiro (BA) e Chico Alencar (RJ). Pinheiro se defendeu da desconfiança argumentando: "Por que estão desconfiando de mim e do Chico Alencar? Só porque a gente tem coragem de criticar do lado de fora?"




Carolina Ferraz sem colar na foto

A mídia brasileira foi pródiga ao noticiar o acidente de carro, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, envolvendo a atriz global Carolina Ferraz, na última sexta-feira. Hoje (3), o jornal O Sul abriu manchete na página 15 para dizer que a atriz "pode voltar a trabalhar em uma semana". Ilustra a matéria uma foto de Carolina, de arquivo, onde ela se mostra magnífica, com o seu pescoço perfeito sobre os ombros nus. Nada haveria a comentar, se não fosse a legenda extraordinária: "Carolina Ferraz está usando um colar ortopédico no pescoço." Como a musa aparece sem nenhum colar na foto, o que O Sul quis dizer ao leitor deve ter sido: "Exercite a imaginação. Imagine Carolina usando um colar no pescoço."




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Para dizer não - 15 de fevereiro contra a guerra


Eduardo Galeano*


O presidente do planeta anuncia seu próximo crime em nome de Deus e da democracia.

Assim calunia Deus. E calunia, também, a democracia, que a duras penas sobreviveu no mundo, apesar das ditaduras que, há mais de um século, os Estados Unidos vem semeando em todos os lugares.

O governo de Bush, que mais do que governo é um oleoduto, precisa se apossar da segunda reserva mundial de petróleo, que jaz no subsolo do Iraque. Além disso, precisa justificar a dinheirama de seus gastos militares e precisa expor no campo de batalha os últimos modelos de sua indústria armamentista.

É disso que se trata. O resto é pretexto. E os pretextos para esta próxima carnificina ofendem a inteligência. O único país que usou armas nucleares contra a população civil, o país que descarregou as bombas atômicas que aniquilaram Hiroshima e Nagasaki, pretende nos convencer de que o Iraque é um perigo para a humanidade. Se o presidente Bush ama tanto a humanidade e realmente quer conjurar a mais grave ameaça de que padece a humanidade, por que não bombardeia a si mesmo, ao invés de planejar um novo extermínio de povos inocentes?

Imensas manifestações invadirão as ruas do mundo neste 15 de fevereiro. A humanidade já não suporta que seus assassinos a usem como desculpa. E já não suporta chorar seus mortos ao fim de cada guerra: desta vez quer impedir a guerra que vai matá-los.



O uruguaio Eduardo Galeano é escritor, autor de "As veias abertas da América Latina"

Nosso pedido



Pedimos a cada cidadão do mundo a ajudar a parar esta guerra. Durante o III Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, os movimentos sociais do mundo todo concordaram em fazer manifestações pela paz no sábado, 15 de fevereiro.

Sugerimos que sejam organizadas atividades no seu espaço social, igreja, comunidade, escola, trabalho, vizinhança, faça alguma coisa. Sugerimos vigílias, atos políticos, reuniões, reflexões, orações, panos brancos nas janelas.



Caso sua cidade/bairro/região não tenha o costume de realizar manifestações no sábado, faça na sexta-feira, 14 de fevereiro.

Em 15 de fevereiro faça alguma coisa para parar a guerra.

segunda-feira, fevereiro 03, 2003

Em breve

O Croquete diário retornará ao modelo antigo, com o melhor do mau humor e da verdadeira chinelagem pampeana;

Depois de alguns meses publicando apenas o boletim midia em alerta, o Croquete voltará as mãos torpes do seu criador...

Aguarde.
A frase do dia

Eu roubei da LU ( http://lu.blogspot.com):

"é fazendo muita merda que se aduba a vida".

Genial.