sexta-feira, outubro 25, 2002
quinta-feira, outubro 24, 2002
Sim, eu também estou louco que a campanha termine... Pra falar a verdade eu também ando com o saco bem cheio de aguentar provocações, ofensas e abobrinhas... Mas como dizia o mais autêntico filósofo tupiniquim, o Bam Bam, faz parte.
Quanto à profusão de bandeirinhas brancas que tu anda vendo na cidade, eu tenho um boa explicação: todo mundo quer fazer parte de um grupo. Pra ser de um grupo de esquerda, o sujeito tem de assumir posições fortes e a incorfomidade com as coisas erradas que o rodeiam. Para ser de direita e andar com a bandeirinha do Rigotto, basta gostar de carrinhos e de frases feitas do tipo : segue o teu coração, vamos unir o RS etc etc etc, ou seja: basta aceitar a infantilização das questões mais básicas da nossa política e abraçar o lugar comum que não induz à reflexão.
Entendeu?
quarta-feira, outubro 23, 2002
Pinçei este parágrafo do editorial deste mês do Periscópio.
"O voto do pobre em Lula não é o voto do miserável, colhido em sua humilhação cotidiana, na sua desvalia de amor próprio. É, ao contrário, uma manifestação da sua dignidade, do seu inconformismo, da sua esperança. Da mesma forma, o voto do mais rico é a opção não pelo privilégio que desfruta, mas pela porção de humanidade que o faz se reconhecer, apesar de toda a diferença, no outro. O voto em massa das classes médias em Lula indica a rejeição do egoísmo consumista que a andou assolando nos anos noventa e a recuperação muito nítida de seu papel civilizador das asperezas dos conflitos de classe".
Em qual você se encaixa?
Ou não se encaixa?
Seis dias. Faltam apenas seis dias para Luis Inácio Lula
da Silva se eleger presidente do Brasil. Como na
política as grandes alegrias não costumam ser previstas
com antecedência, estaremos vivendo nesta semana a
situação inédita de contar as horas que faltam para o
país dar-se o direito de mudar de vida. Isso não é
pouco, isso é do tamanho do Brasil, isso é enorme.
Não aconteceu antes, o entusiasmo prévio, a onda quase
palpável de otimismo na história recente da
redemocratização. Em 13 anos de quatro eleições diretas
para presidente, Lula não chegou a ficar à frente de
Fernando Collor nas pesquisas e sequer ultrapassou a
barreira do primeiro turno diante de Fernando Henrique
Cardoso. Nós já vimos os adversários se agigantarem nas
pesquisas, e não reagimos a tempo. Nós já fomos
atropelados por uma edição mórbida de debate na TV, a
Rede Globo decidindo que um chefe de quadrilha era o
melhor candidato, e não havia mais tempo para reagir.
Agora é bem diferente, agora vai dar certo. O candidato
do PT mantém há pelo menos seis meses a preferência
sólida do eleitorado e, diante da longa distância de 28
a 30 pontos que o separa de José Serra, uma virada a
esta altura do campeonato é praticamente impossível.
Golpes baixos ainda virão. Já nos primeiros minutos da
propaganda eleitoral gratuita do segundo turno, Serra
lançou mão da última das armas: o terrorismo, a aposta
desonesta no pânico da população já completamente
fragilizada pelo abandono dos serviços públicos. O
desespero tucano chega a copiar modelos da campanha de
Collor. Esta semana, aliados de Serra distribuíram
panfletos pelo Nordeste alertando para o risco de a
enorme estátua branca de Padre Cícero ser pintada de
vermelho se Lula, "comunista e ateu", se eleger. Fosse a
campanha de Lula a autora de tamanha baixaria, de
tamanho desprezo com a cultura religiosa e popular, a
mídia teria dado o nome mais apropriado à tática,
chamado de terrorismo sem aspas. Mas não. Vindos do lado
de quem detém o poder político e econômico, os exageros
dramatizados pela atriz Regina Duarte na propaganda de
Serra são protegidos pela auréola de "direito à
crítica". Vindas da parte duramente atingida, as
críticas de militantes do PT à fala da atriz são
consideradas "intolerância com a liberdade de expressão".
O Rio Grande do Sul já está tristemente acostumado a
este contorcionismo da linguagem para defender o
indefensável. Talvez por isso mesmo tenha partido daqui
uma das análises mais concisas e irretorquíveis sobre o
episódio. Escreveu o cineasta Jorge Furtado, em texto
reproduzido em nosso boletim anterior: "Regina leu um
texto de Nizan Guanaes, uma síntese do que a publicidade
tem de pior: a capacidade de comover com o reverso exato
da verdade, o que é muito mais que uma simples mentira.
O sentido do texto é provocar medo, alertar para o
perigo da vitória de Lula. A situação está ruim? Esqueça
a esperança de que ela melhore e tenha medo: pode
piorar."
Regina Duarte mentiu quando afirmou que a eleição de
Lula jogaria "na lata do lixo" as conquistas (quais?
para quem?) do governo FHC. Mentiu ao sugerir que
teríamos rapidamente de volta uma inflação de 80% ao
mês. Mentir em horário eleitoral gratuito, brecha no
tempo das rádios e das TVs paga pelos contribuintes,
deveria ser crime. O pior é que Serra não vai parar por
aí, ele vai lutar até o fim pela virada. No desespero
tucano, os ataques às administrações municipais e
estaduais do PT podem ser promovidas a ataques à honra
de Lula.
No Rio Grande do Sul, há fatores que precisamos
considerar a fim de levantar o ânimo dos militantes
diante da subida algo inexplicável de Rigotto. O
eleitorado gaúcho mostra-se muito volátil nessa
eleição, como provam as recentes dianteiras obtidas nas
pesquisas por candidatos como Antonio Britto e Ciro
Gomes, que caíram em poucas semanas às terceiras ou
quartas posições. Ciro chegou a ter mais votos do que
Lula no Estado, em julho já havia caído para 20% e
terminou com 8,68% dos votos, em 6 de outubro. Parte dos
votos que estão hoje com Rigotto pode migrar para Tarso
nos dias que faltam até 27 de outubro, onda embalada
pela confiança na vitória de Lula, pelo bom desempenho
de Tarso nos debates e por nossa aguerrida militância. O
comício com Lula em Porto Alegre na última sexta-feira e
a nova pesquisa do Correio do Povo (que aponta distância
de apenas oito pontos entre os dois candidatos, ou 51% a
43%, coincidindo com pesquisa interna do PT feita na
mesma época) também vão servir no embalo final.
E que tal antecipar em vários dias a maré vermelha que
toma as ruas no dia da eleição? Não deixe para comprar
no último dia a bandeira que você pode empunhar a partir
de hoje. Multiplique os bottons na roupa, aperte o lenço
na cabeça ou no pescoço, mostre para o cobrador de
ônibus, o padeiro, o caixa de supermercado, o atendente
no posto de gasolina, deixe mais explícito que você quer
Lula presidente e Tarso governador. Deixe mais claro o
quanto você quer mudar a História desse país. Faltam só
seis dias para a festa começar.
segunda-feira, outubro 21, 2002
Depois da reportagem da Veja, o que eu tenho ouvido de gente falando que o "problema do PT são os radicais" não está no mapa...
Pra minha cabeça, radicalismo é o Jader Barbalho roubar milhões e não ir em cana, a Polícia federal perder tempo grampeando telefones enquanto deveria correr atrás de acabar com o crime organizado, o ministro da educação cortar o repasse de verba para as universidades federais, o governo pegar dinheiro emprestado para bancar a farra dos especuladores, a Globo querer comemorar os quinhentos anos de exploração do país e a arigozada bater palma, o governo não fazer a reforma agrária e ainda consentir que os grileiros continuem no pontal do Paranapanema, o governo não investir na geração de eletricidade, privatizar, termos racionamento, apagão e depois ainda termos de pagar a conta para as empresas que compraram as emprsas geradoras para evitar que elas percam seu lucro, não termos uma saúde pública decente, não termos uma previdência decente, termos uma inflação acumulada de 80% e o governo alegar que acabou com a inflação e especialmente termos 53 milhões de pessoas iguais a eu e você passando fome em um dos países com os maiores recursos naturais em todo o mundo...
Na verdade mesmo, radical é quem não consegue aceitar que os excluídos, as pessoas que passam fome e que tem seus direitos violados dia após dia se organizem e corram atrás de justiça social e de um pouco de equanimidade nas relações com o mundo...
Pra minha cabeça, quem repete uma bobagem dessas - de que o PT é radical ou se associa a radicais e por conta disso é contra o PT, é pq se conforma em ver as pessoas sofrendo e não tem coragem de mudar...
E como em todas as instituições burguesas, o lugar comum foi seguido à regra...
A noiva se atrasou mais de uma hora...
Fiquei meditando sobre o pq dela se atrasar tanto...
Não cheguei a nenhuma resposta mais convincente do que esta...
Hehehehehe...
