--------------------------------------------------------------------------------
MIDI@LERTA
19 /02/2003
MANCHETES DE HOJE
JC – Jornal do Comércio:
Governo antecipa para abril o envio do projeto (reforma da previdência)
ZH – Zero Hora:
Bush mantem decisão de atacar apesar de protestos
OS – O Sul:
Rigotto desmente venda do Banrisul.
CP – Correio do Povo:
Protestos mundiais não mudam posição de Bush
QUEM GRAMPEOU O PIRATINI PARA ESPIONAR OLÍVIO?
Assombrosa a diferença de tratamento nas páginas de Zero Hora, Correio do Povo e O Sul do relatório da investigação sobre a descoberta de quatro aparelhos de escuta telefônica no Palácio Piratini. Zero Hora está perfeita, com chamada na capa, uma página inteira explicando o caso (com box sobre os grampos envolvendo o senador ACM) e dando com destaque a informação mais importante, ou seja, a conclusão: a escuta foi colocada no governo passado, para espionar Olívio e seus principais assessores. Nem Correio e nem O Sul apresentam esta informação. Limitam-se, burocraticamente, a dizer que o relatório está pronto e foi encaminhado à Procuradoria Geral do Estado. Jornal do Comércio desconheceu o fato.
Neste caso, Zero Hora deu “um banho” na concorrência. Há, porém, uma pergunta essencial que precisa ainda ser respondida para que o crime de espionagem não fique impune: quem colocou estas escutas? Os culpados, quem são? Isto se torna ainda mais importante quando o assunto é tema de discussão nacional devido ao escândalo dos grampos telefônicos na Bahia.
EMISSORAS IMPEDIDAS DE TRANSMITIR JOGO DO GRÊMIO
Ocorreu um fato inédito no jogo de ontem do Grêmio contra o Peñarol: três emissoras de Porto Alegre, Gaúcha, Guaíba e Pampa foram impedidas de transmitir o primeiro tempo da partida porque a Secretaria de Comunicação do Governo Federal não aceitou transferir o horário da Voz do Brasil. Apenas a Bandeirantes, sabe-se lá como, estava no ar desde Montevidéu informando o que se passava aos aflitos torcedores gremistas e aos mais aflitos, ainda, secadores colorados. Gaguejando como nunca se viu, certamente abalado pelo acontecimento, o diretor da Rádio Gaúcha, Armindo Antônio Ranzolin, tentou explicar aos ouvintes o que havia acontecido, logo que terminou a Voz do Brasil. Para completar, antes que se iniciasse a transmissão do segundo tempo, houve mais um problema: as emissoras tiveram que interromper o jogo para três minutos de cadeia nacional do presidente da Câmara dos Deputados. Haja paciência! As emissoras reclamam com razão da insensibilidade da Secretaria sob o comando do ministro Luiz Gushiken, pois muitas vezes já aconteceu o adiamento da Voz do Brasil para a transmissão de jogos. Esperam-se desdobramentos do episódio, talvez com uma norma reguladora que resolva situações como esta para sempre.
TÍTULO DE O SUL DEIXA LEITOR NO ESCURO
A edição de O Sul de hoje (19) brinda seus leitores com mais um título misterioso, à pág. 15: “Brigadianos não ficarão mais no escuro. A conta de luz será paga.”. Quais brigadianos estavam no escuro? Quem vai pagar a conta de luz deles?
Calma, leitor: título, no revolucionário estilo de O Sul, não é feito para informar. Depois de rir, você passa ao texto e descobre que nem todos os brigadianos estavam no escuro, e o blecaute não era na casa deles. A matéria – aí sim – informa que postos da BM, em municípios do Vale do Taquari e do Vale do Rio Pardo, estavam com suas contas de luz em atraso. E que o governo estadual já prometeu saldar a dívida. Só então a luz do entendimento se faz.
SOB NOVA DIREÇÃO, A MESMA BANDA
Fernando Albrecht reservou o espaço central de sua coluna na pág. 3 do Jornal do Comércio de hoje para uma foto da fachada do prédio da Polícia Civil, na esquina das avenidas João Pessoa e Ipiranga, que ostenta de novo o nome de Palácio da Polícia.
Embaixo da foto, sob o título “Sob nova direção”, Albrecht explica que a volta dessa denominação ao prédio (assim como o retorno do QG da Brigada Militar para a Rua da Praia), está dentro da lógica do governador Rigotto de “reativar a auto-estima dos policiais civis”. Segundo ele, esta auto-estima foi “duramente atingida em anos anteriores por reiteradas declarações de homens de governo que generalizavam acusação do tipo ´banda podre`”.
Ora, até os degraus das escadas do Palácio da Polícia sabem que existe corrupção policial, que existe sim “banda podre”, e que também há setores privilegiados dentro das corporações, com melhores salários e outras vantagens.
Como a própria imprensa gaúcha demonstrou, o governo estadual anterior teve a coragem de enfrentar alguns desses problemas – que são históricos –, e chegou a botar na cadeia delegados corruptos, apesar da imensa resistência que enfrentou. E avançou bastante também no caminho da integração das polícias civil e militar, uma política que depois foi seguida pelo próprio governo federal e é uma tendência internacional.
Portanto, e com todos os erros estratégicos e de avaliação que possam ter sido cometidos pelo governo Olívio, chega a ser uma piada um colunista falar em “reativar a auto-estima” de policiais, como se os honestos e eficientes tivessem sido perseguidos ou humilhados.
Em tempo: o secretário Bisol nunca “generalizou” acusações à polícia – chamou de “banda podre” a parte que de fato era corrompida.
O SUL DIZ QUE BUSH PERDEU
Interessante o enfoque dado pelo jornal O Sul sobre os protestos ocorridos no último sábado, em centenas cidades do mundo inteiro contra a guerra no Iraque, na página 4 do Caderno Reportagem. Enquanto boa parte da mídia gaúcha ressalta a decisão de Bush de atacar, apesar dos protestos de milhões de pessoas, como é o caso de Zero Hora e Correio do Povo, O Sul traz a matéria “Jornais Europeus: Bush perdeu.” O texto mostra as posições de jornais como o espanhol El Pais, que aponta para os riscos eleitorais que os governantes dos países que apoiam a guerra correm, como o primeiro-ministro britânico Tony Blair, o presidente italiano Silvio Berlusconi e o espanhol José Maria Aznar. Da mesma forma o jornal alemão Tagesspiegel vê o protesto como forma de pressão sobre os governantes que defendem a guerra patrocinada por George Bush. A imprensa britânica critica os 400 mil manifestantes que foram às ruas protestar contra a guerra, como é o caso do jornal Daily Telegraph. Já o francês Le Figaro lembra que o movimento de protesto é o maior já verificado no mundo desde as manifestações contra a guerra do Vietnã, também patrocinada pelos Estados Unidos.
ZH ELOGIA E OMITE
É curiosa a forma como vem sendo tratada a questão Segurança e violência no RS e capital pelo principal jornal da RBS. Às vezes o jornal se derrete em elogios para a policia, como na nota da página 3, quando a ação de dois assaltantes foi prontamente anulada por oito viatura do 11º BPM, que receberam palmas dos moradores da redondeza. Na oportunidade um dos soldados teria dito: “agora, estamos recebendo apoio para trabalhar”.
No entanto, quando trata de um assalto à creche Padre Pedro Leonardi, na Restinga Velha, em Porto Alegre, matéria publicada na página 37, o enfoque fica por conta da opinião de uma religiosa, que prefere voltar para Angola, país onde morava antes, do que conviver com a violência aqui. Um dado que chama a atenção é que esta matéria tem a cartola – Porto Alegre. Por que será?
Em outros tempos, isso era motivo para uma série de reportagens para incriminar a Secretaria de Justiça e Segurança. Agora, matérias como esta não tem qualquer ligação com a autoridade competente, que é o Governo do Estado. Realmente muito curioso.
É UM TÍTULO OPINATIVO E PONTO.
Este é mais um da série “Os título de O Sul” publicado hoje na página 3 do Caderno Reportagem. “Se a empregada trabalha três vezes por semana ou mais, convém o patrão providenciar o registro para evitar futuros problemas com a Justiça do Trabalho.” Ufa!
Assinar: assinar-midialerta@grupos.com.br
Cancelar assinatura: cancelar-midialerta@grupos.com.br
Indique seus amigos para: Administradores do Grupo: administradores-midialerta@grupos.com.br

