Quinta-feira, Fevereiro 20, 2003


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MIDI@LERTA
19 /02/2003



MANCHETES DE HOJE
JC – Jornal do Comércio:
Governo antecipa para abril o envio do projeto (reforma da previdência)
ZH – Zero Hora:
Bush mantem decisão de atacar apesar de protestos
OS – O Sul:
Rigotto desmente venda do Banrisul.
CP – Correio do Povo:
Protestos mundiais não mudam posição de Bush



QUEM GRAMPEOU O PIRATINI PARA ESPIONAR OLÍVIO?

Assombrosa a diferença de tratamento nas páginas de Zero Hora, Correio do Povo e O Sul do relatório da investigação sobre a descoberta de quatro aparelhos de escuta telefônica no Palácio Piratini. Zero Hora está perfeita, com chamada na capa, uma página inteira explicando o caso (com box sobre os grampos envolvendo o senador ACM) e dando com destaque a informação mais importante, ou seja, a conclusão: a escuta foi colocada no governo passado, para espionar Olívio e seus principais assessores. Nem Correio e nem O Sul apresentam esta informação. Limitam-se, burocraticamente, a dizer que o relatório está pronto e foi encaminhado à Procuradoria Geral do Estado. Jornal do Comércio desconheceu o fato.

Neste caso, Zero Hora deu “um banho” na concorrência. Há, porém, uma pergunta essencial que precisa ainda ser respondida para que o crime de espionagem não fique impune: quem colocou estas escutas? Os culpados, quem são? Isto se torna ainda mais importante quando o assunto é tema de discussão nacional devido ao escândalo dos grampos telefônicos na Bahia.



EMISSORAS IMPEDIDAS DE TRANSMITIR JOGO DO GRÊMIO

Ocorreu um fato inédito no jogo de ontem do Grêmio contra o Peñarol: três emissoras de Porto Alegre, Gaúcha, Guaíba e Pampa foram impedidas de transmitir o primeiro tempo da partida porque a Secretaria de Comunicação do Governo Federal não aceitou transferir o horário da Voz do Brasil. Apenas a Bandeirantes, sabe-se lá como, estava no ar desde Montevidéu informando o que se passava aos aflitos torcedores gremistas e aos mais aflitos, ainda, secadores colorados. Gaguejando como nunca se viu, certamente abalado pelo acontecimento, o diretor da Rádio Gaúcha, Armindo Antônio Ranzolin, tentou explicar aos ouvintes o que havia acontecido, logo que terminou a Voz do Brasil. Para completar, antes que se iniciasse a transmissão do segundo tempo, houve mais um problema: as emissoras tiveram que interromper o jogo para três minutos de cadeia nacional do presidente da Câmara dos Deputados. Haja paciência! As emissoras reclamam com razão da insensibilidade da Secretaria sob o comando do ministro Luiz Gushiken, pois muitas vezes já aconteceu o adiamento da Voz do Brasil para a transmissão de jogos. Esperam-se desdobramentos do episódio, talvez com uma norma reguladora que resolva situações como esta para sempre.



TÍTULO DE O SUL DEIXA LEITOR NO ESCURO

A edição de O Sul de hoje (19) brinda seus leitores com mais um título misterioso, à pág. 15: “Brigadianos não ficarão mais no escuro. A conta de luz será paga.”. Quais brigadianos estavam no escuro? Quem vai pagar a conta de luz deles?

Calma, leitor: título, no revolucionário estilo de O Sul, não é feito para informar. Depois de rir, você passa ao texto e descobre que nem todos os brigadianos estavam no escuro, e o blecaute não era na casa deles. A matéria – aí sim – informa que postos da BM, em municípios do Vale do Taquari e do Vale do Rio Pardo, estavam com suas contas de luz em atraso. E que o governo estadual já prometeu saldar a dívida. Só então a luz do entendimento se faz.



SOB NOVA DIREÇÃO, A MESMA BANDA

Fernando Albrecht reservou o espaço central de sua coluna na pág. 3 do Jornal do Comércio de hoje para uma foto da fachada do prédio da Polícia Civil, na esquina das avenidas João Pessoa e Ipiranga, que ostenta de novo o nome de Palácio da Polícia.

Embaixo da foto, sob o título “Sob nova direção”, Albrecht explica que a volta dessa denominação ao prédio (assim como o retorno do QG da Brigada Militar para a Rua da Praia), está dentro da lógica do governador Rigotto de “reativar a auto-estima dos policiais civis”. Segundo ele, esta auto-estima foi “duramente atingida em anos anteriores por reiteradas declarações de homens de governo que generalizavam acusação do tipo ´banda podre`”.

Ora, até os degraus das escadas do Palácio da Polícia sabem que existe corrupção policial, que existe sim “banda podre”, e que também há setores privilegiados dentro das corporações, com melhores salários e outras vantagens.

Como a própria imprensa gaúcha demonstrou, o governo estadual anterior teve a coragem de enfrentar alguns desses problemas – que são históricos –, e chegou a botar na cadeia delegados corruptos, apesar da imensa resistência que enfrentou. E avançou bastante também no caminho da integração das polícias civil e militar, uma política que depois foi seguida pelo próprio governo federal e é uma tendência internacional.

Portanto, e com todos os erros estratégicos e de avaliação que possam ter sido cometidos pelo governo Olívio, chega a ser uma piada um colunista falar em “reativar a auto-estima” de policiais, como se os honestos e eficientes tivessem sido perseguidos ou humilhados.

Em tempo: o secretário Bisol nunca “generalizou” acusações à polícia – chamou de “banda podre” a parte que de fato era corrompida.



O SUL DIZ QUE BUSH PERDEU

Interessante o enfoque dado pelo jornal O Sul sobre os protestos ocorridos no último sábado, em centenas cidades do mundo inteiro contra a guerra no Iraque, na página 4 do Caderno Reportagem. Enquanto boa parte da mídia gaúcha ressalta a decisão de Bush de atacar, apesar dos protestos de milhões de pessoas, como é o caso de Zero Hora e Correio do Povo, O Sul traz a matéria “Jornais Europeus: Bush perdeu.” O texto mostra as posições de jornais como o espanhol El Pais, que aponta para os riscos eleitorais que os governantes dos países que apoiam a guerra correm, como o primeiro-ministro britânico Tony Blair, o presidente italiano Silvio Berlusconi e o espanhol José Maria Aznar. Da mesma forma o jornal alemão Tagesspiegel vê o protesto como forma de pressão sobre os governantes que defendem a guerra patrocinada por George Bush. A imprensa britânica critica os 400 mil manifestantes que foram às ruas protestar contra a guerra, como é o caso do jornal Daily Telegraph. Já o francês Le Figaro lembra que o movimento de protesto é o maior já verificado no mundo desde as manifestações contra a guerra do Vietnã, também patrocinada pelos Estados Unidos.



ZH ELOGIA E OMITE

É curiosa a forma como vem sendo tratada a questão Segurança e violência no RS e capital pelo principal jornal da RBS. Às vezes o jornal se derrete em elogios para a policia, como na nota da página 3, quando a ação de dois assaltantes foi prontamente anulada por oito viatura do 11º BPM, que receberam palmas dos moradores da redondeza. Na oportunidade um dos soldados teria dito: “agora, estamos recebendo apoio para trabalhar”.

No entanto, quando trata de um assalto à creche Padre Pedro Leonardi, na Restinga Velha, em Porto Alegre, matéria publicada na página 37, o enfoque fica por conta da opinião de uma religiosa, que prefere voltar para Angola, país onde morava antes, do que conviver com a violência aqui. Um dado que chama a atenção é que esta matéria tem a cartola – Porto Alegre. Por que será?

Em outros tempos, isso era motivo para uma série de reportagens para incriminar a Secretaria de Justiça e Segurança. Agora, matérias como esta não tem qualquer ligação com a autoridade competente, que é o Governo do Estado. Realmente muito curioso.



É UM TÍTULO OPINATIVO E PONTO.

Este é mais um da série “Os título de O Sul” publicado hoje na página 3 do Caderno Reportagem. “Se a empregada trabalha três vezes por semana ou mais, convém o patrão providenciar o registro para evitar futuros problemas com a Justiça do Trabalho.” Ufa!







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Terça-feira, Fevereiro 18, 2003

MIDI@LERTA

17/02/2003

Manchetes dos jornais de hoje em Porto Alegre

Correio do Povo – CP: Bush faz exigências e acusa Saddam



Jornal do Comércio – JC: Mercosul detalha hoje a proposta para a Alça



O Sul – OS: Fim de semana trágico termina com nove mortes nas estradas do RS e na capital.



Zero Hora – ZH: Escândalo na Bahia ameaça mandato de ACM mais uma vez





A mídia e a guerra de Bush


Por uma vez a mídia norte-americana, a começar pelo The New York Times, foi desmascarada na sua tentativa de ocultar o mais possível de seu próprio país e, de certa forma, do resto do mundo, a dimensão do movimento global de repúdio ao belicismo bushista. A questão tem, por suposto, desdobramentos mais profundos, mas os meios tupiniquins de comunicação começam a dar mostras de que podem contribuir para negar a Bush justificativas para crimes de guerra, num futuro próximo que todo mundo menos o doido teme que chegue.



“Megaprotestos mundiais” é a primeira chamada de capa hoje em Zero Hora, que dedicou às marchas pela paz e seus contrapontos, que incluem a “superação do impasse” da Otan na Turquia, as páginas 24, 25 e 26.



Na capa do Jornal do Comércio, “Protestos contra a guerra e as perdas na economia” é a última chamada para as páginas 6, 7 e 15. A manchete mais destacada é “Preço do petróleo deve sofrer grande oscilação”, mas nas fotos, nas legendas e nos títulos aparecem os manifestantes que foram às ruas sábado: “Milhões de pessoas dizem não à guerra”; “Em Paris, protestos reuniram cerca de 200 mil franceses”; “Bagdá destaca manifestações como ‘uma vitória’ que isola os EUA”; “Porto Alegre também pede paz”; “A Usina do Gasômetro foi o local do ato antiguerra”.



O Correio do Povo traz matéria na capa: “Milhões de pessoas protestam contra a guerra”. Além disso, chama para as páginas 13 e 14: “Porto Alegre diz ‘não’ para a guerra”; “Atos reforçam clamor contra guerra”; “Manifestantes saíram às ruas em várias cidades do Estado…”.



O Sul não dá chamadas, mas consagra a página 15 ao tema, informando que a imprensa americana faz vistas grossas aos pedidos de paz, e dando foto de protesto na praia californiana de Santa Mônica.



Tudo isso significa a deslegitimização definitiva dos propósitos belicistas do bushismo, cuja vocação imperialista só encontra paralelo hoje no hitlerismo nazista.





Clamor contra a guerra


O editorial de ZH hoje (p.10), referindo-se às manifestações do fim de semana, afirma que “não pode haver mais dúvidas de que a maioria absoluta da humanidade e das nações se opõe à ação armada dos Estados Unidos contra o Iraque”. Além disso, destaca que “o que mais chama a atenção no atual conflito é a falta de motivos concretos para uma invasão militar”



Esta clareza da mídia é importante, ainda mais quando setores mais poderosos da indústria da informação, como The New York Times, acusa Bagdá de ter “como objetivo fazer com que os atacantes se sintam responsáveis pelo destino de milhões de civis” (CP, p.6).



A lógica do grupo de comunicação norte-americano é idêntica à da abominável sugestão de que os judeus seriam responsáveis pelo holocausto, ou os palestinos pela crise no Oriente Médio. A charge de Amorim (CP, p.4) mostra claramente um nó desse emaranhado: Bin Laden e Saddam Hussein apontam armas para Bush, que os ameaça. Das armas pende a etiqueta: “Made in USA”. Não podemos aceitá-la como a marca da inocência.





ACM na mídia


O novo escândalo envolvendo o senador Antonio Carlos Magalhães, acusado de grampear telefones de Deus e todo mundo na Bahia, ganhou capa e três páginas inteiras (4, 5 e 6) em ZH. No CP, recebeu apenas três pequenas notas na página 2. Será questão de perspectiva ou visão crítica?





Veículos da RBS “abafam” notícia de segurança



O que dizer da notícia do motoboy que resolveu ir ao Piratini cobrar o governador por mais segurança, depois que teve sua moto roubada, em Porto Alegre? Pois é, poucas pessoas viram, apenas aquelas que assistiram ao RBS Notícias do dia 11/02, há uma semana, conforme alerta um atento leitor. Este foi o texto do telejornal, lido pelo apresentador Elói Zorzetto:



“Indignado com a falta de segurança, um motoboy decide entrar no Palácio Piratini e pedir providência direto ao governador. A moto de Francisco da Silva Vargas foi roubada na tarde de ontem, em frente ao prédio da Secretaria da Fazenda. Depois de andar 8 quadras (!!) sem encontrar um policial sequer, ele resolveu ir até o Palácio Piratini reclamar ao próprio governador. Francisco conseguiu chegar até a ante-sala do gabinete de Germano Rigotto. Hoje o motoboy tentou novamente falar com o governador, desta vez não passou da porta principal.” (Neste momento, a imagem mostra ele tentando entrar no Piratini mas é barrado pelos seguranças. Um deles impede o prosseguimento da gravação colocando a mão na câmera). A notícia termina com a declaração do motoboy:



FRANCISCO DA SILVA VARGAS (Motoboy): “Por que que nós temos uma porção de cotas, uma porção de obrigações com o Estado e o Estado não tem obrigação com nós?”



Tudo indica que esta matéria foi ao ar pela RBS TV por “descuido” de alguém, pois não voltaram a tocar no assunto, nenhuma autoridade foi entrevistada e Rádio Gaúcha, Zero Hora e Diário Gaúcho não repercutiram a notícia. No entanto, no governo passado, uma notícia deste tipo seria várias vezes repetida, em todos os veículos da empresa, o motoboy elevado à condição de vítima-herói, os seguranças seriam chamados de truculentos e as autoridades policiais seriam violentamente cobradas pelos comentaristas. Fica escancarado, assim, o tratamento privilegiado que a RBS confere ao governo de Germano Rigotto, inclusive nos temas de segurança pública.





ZH tenta condicionar trabalho do conselho que vai fiscalizar TV


No domingo, dia mais importante para os jornais diários, Zero Hora dedicou um de seus dois editoriais ao recém instalado Conselho de Acompanhamento da Mídia, um órgão consultivo vinculado à Câmara dos Deputados, que tem por objetivo acompanhar e analisar a programação de TV. Depois de dizer que o conselho veio em boa hora, ZH faz duas ressalvas: diz, em resumo, que há o risco dele redundar em censura e diz que “a melhor e mais efetiva forma de fiscalização deveria ser o botão seletor de canais ou o controle remoto”.

Fica a impressão de que a RBS quer o conselho fiscalizando, mas não muito. É preciso que se acabe com o cinismo do argumento do controle remoto, pois isto não funciona em país nenhum do mundo. Nas democracias mais avançadas a sociedade exerce rigoroso controle das programações, através de órgãos criados com esta finalidade, pois do contrário a TV traz graves prejuízos à dignidade do ser humano, com muito sexo, violência e sensacionalismo, como se vê hoje no Brasil. Sem dúvida, o conselho veio em boa hora, desde que fiscalize de verdade, pois material para isto não falta no lixo televisivo que nos servem todos os dias.





Quem nos protege das empresas de segurança??



Esta é a pergunta que fica com a leitura da principal reportagem da revista Carta Capital desta semana (Nº 228, R$ 5,50). A matéria tem a manchete de capa “Segurança privada: exército sem controle”, explicando na linha de apoio que “na falta de fiscalização eficaz, 1,5 milhão de vigilantes estão soltos nas ruas do Brasil”. O texto dos jornalistas Bob Fernandes e Luiz Alberto Weber mostra o grande crescimento que este serviço teve nos últimos anos, em decorrência do crescimento da violência urbana combinado com a ineficácia das políticas públicas de segurança. “Essa quebra do monopólio estatal do uso da força é uma arriscada roleta-russa que oferece mais riscos que segurança aos cidadãos”, alerta a reportagem, visualizando pontos de contato das empresas de vigilância com organizações criminosas.





Erico Veríssimo


Carta Capital traz, também, extensa matéria de cultura sobre o escritor gaúcho Erico Veríssimo, tendo em vista o relançamento de sua obra Música ao Longe. A reedição dos livros de Veríssimo pela Editora Globo começou ano passado, com Incidente em Antares, e traz a vantagem adicional das correções feitas por uma equipe da PUC-RS com base nos originais e livros corrigidos pelo próprio autor.





Jornais divergem sobre número de mortos em acidentes no RS



O trágico final de semana nas estradas gaúchas foi assunto em três jornais de Porto Alegre, inclusive com chamadas na capa e contra-capa. No entanto, os números de vítimas fatais mostrados pelos veículos, são divergentes. O total de mortos, no período entre a noite de sexta-feira (14) e a noite de domingo (16), chegou a 20.



O jornal O Sul, conforme manchete acima, publicou matéria na página 18, com o título “Nove pessoas morrem em acidentes nas estradas do RS.” O texto fala sobre os acidentes ocorridos somente no domingo e não durante todo o final de semana, como diz a manchete.

Os números divulgados na matéria do Correio do Povo – “Dia marcado por mortes no trânsito” dizem respeito apenas ao domingo, conforme explica a linha de apoio. Porém o número de mortos informado pelo jornal, no referido período, é de 11 mortos e não nove, como O Sul publicou. Portanto, um dos dois diários publicou informação errada, pecado capital para um jornalista.

A matéria de Zero Hora na página 28, com chamada na contra-capa “Acidentes deixam 20 mortos no Estado” é completa abrangendo todo o final de semana, dando com destaque os acidentes na capital e um box informando as outras ocorrências do Estado. O Jornal do Comércio não noticiou.






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